Além da tributação, outro fator que impacta diretamente os custos dos combustíveis é o frete. Para toda commodity, o frete tem alto impacto no preço final do bem e este conceito não é diferente para o etanol, conforme destaca Xavier (2008, p. 50):
“Devido aos custos inerentes das atividades de transportes e armazenagem, a competitividade de uma commodity como o álcool combustível, produto com pequeno valor agregado e baixa margem de lucro, se tornará tanto menor quando maiores forem as distâncias entre os centros consumidores e as regiões produtoras e quanto maiores forem os tempos de armazenamento necessários para o a manutenção do produto. Dessa forma, a tendência natural é que o consumo seja maior em regiões próximas aos centros produtores e em períodos próximos aos dos períodos de produção do produto”.
O transporte de etanol é feito, em sua grande maioria, utilizando o modal rodoviário através caminhões tanque com capacidade entre 30 m³ e 60 m³ e de acordo com Xavier (2008 apud FIGUEIREDO, 2006), 84% das entregas ocorrem em distâncias menores que 200 km. Este mesmo autor ressalta que:
“A grande importância da modalidade rodoviária no transporte de álcool combustível se deve em grande parte à sua competitividade, principalmente pelo fato de as usinas, isoladamente, não apresentarem escalas de produção que justifiquem a utilização de outras modalidades de transporte. Além disso, a localização de grande parte das usinas facilita o aproveitamento das viagens de retorno dos caminhões que fazem a transferência de combustíveis entre as refinarias e as bases de distribuição. Cabe ressaltar que modalidades de transporte como a dutoviária, a ferroviária e a hidroviária revelam baixos custos de transporte a longas distâncias, mas mostram-se menos competitivas em rotas de curta distância. Ademais, muitas vezes as unidades produtoras de álcool se situam afastadas das vias utilizadas por essas modalidades de transporte envolvendo, portanto, movimentação nas “pontas rodoviárias” e operações de transbordo adicionais, o que encarece e desestimula o uso dessas alternativas de transporte, deixando-as assim menos competitivas” (XAVIER, 2008, p. 52).
Visando entender a relação entre a distância e os custos de transporte de etanol, buscou-se levantar os custos de frete rodoviário de etanol considerando como origem a região de Ribeirão Preto e, como destino, 48 bases de distribuição de
combustíveis espalhadas pelo Brasil. Os dados foram obtidos em entrevista9
9 Entrevista concedida por Almeida L., Gerente de Originação de Biocombustíveis da Cosan em 01 de julho de 2011.
realizada com o gerente de originação da Cosan e a relação entre a distância e o valor (em R$/M³) é apresentada no Gráfico 8.
Gráfico 8 – Valor do frete médio (R$/ m³) de etanol com origem em Ribeirão Preto e destino as principais bases de distribuição de combustíveis.
Fonte: Elaboração própria com base em entrevista.
A lógica de mercado considera que, devido aos altos custos logísticos para levar o etanol a longas distâncias (considerando que sua produção se concentra na Região Centro Sul), a comercialização do produto em algumas regiões seria inviável, se comparado com seu substituto gasolina. Cabe analisar a hipótese de que se não existissem incentivos econômicos suficientes para o produto ser transferido para essas regiões, esse fluxo não deveria ser constatado. Desta forma, buscou-se analisar os principais fluxos de destino do etanol hidratado produzido na Região Centro Sul na safra 2010/11 e conforme observa-se no Gráfico 9 as seguintes conclusões podem ser feitas:
• A maior parte do etanol hidratado produzido em Goiás é consumido em Goiás e Distrito Federal, sendo São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná os principais destinos nessa mesma ordem de importância;
• A maior parte do etanol hidratado produzido em Mato Grosso do Sul é destinado a São Paulo, sendo o Paraná o segundo principal destino;
• A maior parte do etanol hidratado produzido em Minas Gerais é destinada a São Paulo, sendo o próprio estado de Minas Gerais um grande consumidor da sua produção;
• A maior parte do etanol hidratado de São Paulo é consumido no próprio estado de São Paulo, sendo o Paraná o segundo maior destino seguido por Rio de Janeiro;
• A produção de etanol hidratado do Paraná é consumida praticamente toda no estado do Paraná. PR PR PR PR PR RJ RJ RJ RJ SP SP SP SP SP SP SP SP MG GO GO GO GO MT MT MT 0 1.000.000 2.000.000 3.000.000 4.000.000 5.000.000 6.000.000 7.000.000 8.000.000 9.000.000 DF GO MS MT ES MG RJ SP PR RS SC
CENTRO OESTE SUDESTE SUL
Uo lu m e d e st in a d o a o s re sp e ct iv o s e st a d o s e m 2 0 1 0 ( M ³)
Origem do Etanol Hidratado
AL AP BA CE MA PB PE PI PR RJ RN SE SP
AM DF ES MG AC GO MS MT PA RO SC TO RS
Gráfico 9 – Destino do etanol hidratado produzido nos principais estados da Região Centro Sul
Este capítulo esclareceu que os canais e a logística de distribuição de combustíveis são essenciais para suportar a transferência destas fontes de energia através do país, observou-se também que não se constata concentração de mercado na distribuição de etanol e que devido a localização das unidades produtoras acontecer no Centro Sul do Brasil, os principais fluxos de distribuição do produto acontecem entre os estados dessa região. Notou-se que o sistema de tributação (ICMS) é bastante distinto entre os estados podendo reduzir o incentivo econômico de algumas operações comerciais.
Os aspectos apresentados aqui são instrumentos essenciais para embasar os próximos capítulos, onde a estrutura constatada neste mercado ditará os resultados obtidos nas análises seguintes.
4 GEOPROCESSAMENTO APLICADO A ANÁLISE DO MERCADO DE