6. Empirical findings and analysis
6.1 Analysis based on the TSIS-functions
6.1.2 F2: Knowledge development
A experiência profissional, como docente da educação infantil, ensino médio e superior, nos levou a questionar os resultados das avaliações realizadas no processo escolar, em particular, as efetuadas no âmbito do Conselho de Classe, buscando compreender os critérios que o orientam, suas funções e poderes. Para esse propósito buscamos o amparo da teoria da ação e do modelo de discrepância a fim de examinar o Conselho de Classe de uma escola de ensino médio.
Os resultados obtidos, norteados pelas questões centrais do estudo, permitiram que chegássemos às seguintes conclusões. Primeira, os critérios de avaliação adotados pelo Conselho de Classe da escola pesquisada revelaram-se ausentes na prática do Conselho de Classe. Em decorrência, observou-se uma distorção nas funções e poderes daquele órgão. Os professores não foram avaliados. Os alunos foram avaliados segundo os critérios pessoais dos professores.
Segunda, as divergências observadas entre as normas baixadas pela Secretaria de Educação e a atuação do Conselho de Classe na escola em exame mostraram suas discrepâncias. Como exemplo dessa constatação enumeramos três situações: (a) quando deixou de considerar o artigo 4º e 6º, que determinam a efetiva participação dos alunos em todas as atividades escolares, incluindo sua sociabilidade e comunicação com todos os
membros da comunidade escolar; (b) quando deixou de cumprir as determinações do Art. 7
º,
para a criação de medidas recuperativas educacionais para aqueles que apresentam qualquer dificuldade e por fim, (c) quando também, desprezou-se o Art. 12º no seu § 1º demonstrando a precariedade nas anotações das Atas e fichas individuais dos alunos.
Diante disso, para futuras ações voltadas para o Conselho de Classe na escola estudada, podemos sugerir:, primeiro, que a equipe pedagógica determine quais os critérios que vão nortear o Conselho de Classe e os divulgue para a comunidade escolar;. Segundo, que se observe o Regimento Interno aprovado pela Secretaria de Educação. Terceiro,; que a equipe pedagógica reflita sobre a postura do educador ante o processo ensino-aprendizagem e o fracasso escolar. Quarto, que se verifique a existência de coerência ou incoerência entre a prática pedagógica e proposta da escola;. Quinto, que se analisem os instrumentos de avaliação e o projeto pedagógico da escola. Finalmente, sétimo, que se incluam nos cursos de formação de professores, na disciplina que trate da avaliação educacional, o conteúdo sobre o Conselho de Classe.
O emprego da teoria da ação como suporte conceptual para captar a prática e a teoria do Conselho de Classe levou-nos a perceber que a falta de embasamento, de fundamentação pedagógica compromete várias vezes a compreensão da avaliação educacional, dificultando a discussão das novas coordenadas pedagógicas. Observou-se o quanto o professor, na escola pesquisada, encontra-se despreparado para a tarefa de avaliar. Assim, faz-se necessária uma re-invenção do trabalho pedagógico, a partir de uma análise do compromisso deste com seus alunos, bem como seu comprometimento político e social. Nesse sentido, esta reflexão também está relacionada com os processos avaliativos e os resultados que se almeja alcançar.
Estudos têm sido divulgados salientando a necessidade de uma avaliação que forme e informe. Uma avaliação que possibilite uma real aprendizagem dos estudantes e uma melhoria
do ensino do professor. Considerando que se possa estabelecer uma associação direta entre eficiência docente e aprendizagem discente, torna-se indispensável elevar-se a capacidade do professor para que, em conseqüência, eleve-se também o rendimento do aluno.
Entende-se que só ocorrem mudanças reais em um setor ou em uma sociedade se o movimento começar pela reflexão e pelo posicionamento perante o que está posto. Este estudo procurou contribuir para esse processo, refletindo e demonstrando um posicionamento sobre uma prática avaliativa de uma escola pública do ensino médio.
Considera-se fundamental que novas pesquisas sejam efetuadas nesse assunto, com o interesse de desvendar as práticas e os valores enraizados no Conselho de Classe, pois, assim, poderemos implantar um Conselho de Classe comprometido com a inclusão, com o projeto político e pedagógico, com a realidade da comunidade, da escola.
O Conselho de Classe pode tornar-se um momento de ponderação, por parte dos membros da comunidade escolar, quando se debatam as dificuldades de ensino, de aprendizagem, adequação dos conteúdos curriculares, metodologia empregada, competências e habilidades, enfim, da própria proposta pedagógica da escola para se adaptar às necessidades dos alunos, ou se antecipar a uma sentença formal de aprovação ou reprovação.
Conclui-se esta dissertação pensando em novos caminhos e na concepção de outras ações, para que todos tenham as mesmas oportunidades de aprendizado, garantindo o direito do aluno a um ensino de qualidade e o cumprimento da função social da escola. Pois, é a partir dessa tomada de ação coletiva, com princípios comuns de trabalho que haverá a possibilidade de transformação da discrepância de significação do Conselho de Classe dentro do contexto da Escola, fazendo que o real da prática escolar aproxime-se do ideal definido nas diferentes legislações.
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