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2 THEORETICAL BACKGROUND

2.3 The Norwegian context

2.3.3 Examinations in the English subject

O conceito de regulação multissensorial foi introduzido por Wood (1991) e Gerber (2005) com o intuito de estabelecer programas de estimulação com controlo da intensidade, frequência e forma de apresentação dos estímulos. A estimulação dos sensores deve ser organizada, lenta, progressiva (Cabral, Pompeu, Apolinário, & Pompeu, 2008) sob a pena de ser prejudicial e não permitir a constituição de engramas rigorosos.

A estimulação multissensorial pode ser iniciada 72 horas a uma semana após a lesão, mediante a estabilidade hemodinâmica (Cabral, Pompeu, Apolinário, & Pompeu, 2008). Relativamente ao tempo de estimulação, alguns autores referem 10-15m, outros que o tempo ideal é 45m, uma vez que terapias com tempos inferiores podem causar alteração dos sinais vitais ou aumento da irritabilidade (Cabral, Pompeu, Apolinário, & Pompeu, 2008). Por outro lado, recomenda-se que os programas de regulação multissensorial sejam feitos por tempo superior a 2 meses, não menos que duas semanas, para que possam ser observados benefícios (Cabral, Pompeu, Apolinário, & Pompeu, 2008).

Na pesquisa foram encontradas algumas atividades realizadas em diversos países, penso que poderão trazer contributos nesta área, no entanto a estimulação sensorial não se esgota nelas:

O Treino com espelho ou Observação da acção constitui uma forma de terapia em que a pessoa imita o comportamento que observa. Na base desta atividade está o conhecimento de que existem neurónios espelho, que são activados na imitação. Em humanos encontrou-se atividade cerebral que pode ser consistente com a presença de neurónios espelho no córtex pré-motor e lobo parietal inferior. Pensa-se que estes sejam fundamentais para atividades de imitação, interacção social e para a linguagem (Johansson, 2012).

A Imagem motora consiste num treino mental e actividade de estimulação sensorial que consiste em imaginar o movimento motor realizado. Bastos, Souza, Pinto, Souza, Lemos, & Imbiriba(2013) definem-na como “representação interna de um ato motor específico sem qualquer saída motora observada”. Na sua RSL os autores referem que a IM é capaz de gerar ganhos funcionais em doentes pós-AVC.

Num estudo de Page et al. (2001) realizado em pessoas com que sofreram AVC, 4 semanas a 1 ano depois e com défice motor; num grupo foi feita terapia durante uma hora por dia, 3 vezes por semana durante 6 semanas, num outro grupo adicionou-se 10m de sessão de imagem motora, realizando-o também posteriormente em casa. Neste último grupo verificou-se melhorias consideráveis que permaneciam mesmo depois de 3 meses da participação no estudo (Johansson, 2012). Se associado este treino mental, com motor, os benefícios no aumento da funcionalidade motora são consideráveis.

Arya, Pandian, Verma, & Garg (2011) acrescentam também que este processo de associação de estimulação auditiva, táctil e visual e somestésica mostra ativação do córtex motor e áreas de associação.

A Terapia com música pode ser uma forma de estimulação sensorial uni/multimodal que ativa estruturas cerebrais relacionadas com processamento sensorial, atenção, memória e funções cognitivas complexas (Johansson, 2012). Estudos realizados comparando o desempenho entre músicos e não músicos concluiram que estes últimos apresentam melhor desempenho nos testes neuropsicológicos, pelo que o treino musical parece estar associado com aumento de competências de atenção (Rodrigues, Loureiro, & Caramelli, 2013).

A terapia com música intervém ao nível da modelação da atenção (distrai de eventos negativos como dor, tristeza e a ansiedade, tem inclusive efeitos nas desordens da atenção (Koelsch, 2009). Segundo Lane-Brown & Tate(2009), a musicoterapia pode ter efeitos na gestão das emoções relacionada com a apatia, condição de diminuição da atividade, iniciativa e interesse, muito comum em pessoas com lesão neurológica (AVC- 34,7%, TCE- 61,4%). Na modelação das emoções, a música condiciona a atividade das estruturas límbicas e paralímbicas, ao evocar emoções nos ouvintes, e altera o humor (Koelsch, 2009)(Moore, 2013). Na modelação da cognição, a terapia com música potencia processos relacionados com a memória (a combinação de estímulos visuais e auditivos sugere uma forte activação do hipocampo e giro hipocampal) e percepção, intervindo na atividade dos neurónios espelho e integração multisensorial do comportamento. Intervém também a nível da atenção (Koelsch, 2009). e da comunicação, tendo o benefício de ser usada em doentes afásicos como pré-linguagem. Estudos demonstram que doentes com afasia motora conseguem cantar. Esta terapia parece também contribuir para a orientação espaço-temporal, uma vez que usa as mesmas vias neurais (Jausovec,

Jausovec, & Gerlic, 2006). A música a usar deverá ser aquela que seja agradável para a pessoa (Moore, 2013), embora haja vários estudos que fazem referência à influência da música de Mozart em processos de aprendizagem, de orientação espaço-temporal e de atenção visual (Cacciafesta, et al., 2010), (Zhu, et al., 2008) e (Jausovec, Jausovec, & Gerlic, 2006).

A Aromaterapia parece também trazer contributos sobretudo a nível da regulação dasemoções. Herz(2009) faz uma RSL sobre estudos que compreendem a forma como os aromas, extraídos de essências naturais, são capazes de influenicar o humor, a fisiologia e o comportamento. Nesta RSL aromas como a lavanda, sândalo e mangericão são calmantes, ajudam a reduzir o stress e estados emocionais negativos incluindo ansiedade, irritabilidade e solidão. Pelo contrário aromas como o alecrim parecem ser estimulantes, sobretudo ao nível da memória.

A Realidade de Virtual tem sido abordada por vários autores, proporciona estimulação sensorial multimodal, interativa e realista uma vez que trata de ambientes 3D que podem ser associados a outras técnicas e parecem ter um futuro promissor. Jogos de realidade virtual aumentam o treino da atenção, precisão e tempo de desempenho (Johansson, 2012). A tecnologia de realidade virtual surge em alternativa às tradicionais na tentativa de superar as suas limitações. Na generalidade os artigos consultados falam de realidade virtual, mas parecem também englobar tecnologia assistida, realidade aumentada, realidade mediada; esta forma de terapia parece estar em ascenção, uma vez que proporcionam interatividade, são também lúdicas para além de terapêuticas, são usados com frequência jogos electrónicos, nomeadamente a Wii ® e têm a vantagem de usar modalidades sensoriais visuais, auditivas e somestésicas, por vezes, para além de proporcionarem ambientes enriquecidos. Numa revisão de literatura de Dores, Barbosa, Marques, Carvalho, Sousa, & Caldas (2012) são enumeradas algumas vantagens como: facilitação da aprendizagem motora e cognitiva e de tarefas funcionais e mostra beneficios em perturbações executivas, neglect, memória e atenção, também referido por Schaechter (2004).