Chapter 6: Discussion and conclusions
6.1 Evaluation of the hypothesis
Introdução: Por que caminhos percorridos? Porque acredito na História como a base de toda a produção científica, despertada por uma curiosidade a respeito dos fatos cotidianos. Desde a época da graduação em Filosofia a questão da linguagem já me perturbava: por que falamos e não nos entendemos, ou, por que alguns falam e nós não os entendemos, apesar de falarmos o mesmo idioma? Esse foi o tema da nossa tese de doutorado que implicou em pesquisas antes e depois da defesa. O encontro com Osgood e o Diferencial Semântico, detectando o significado afetivo das palavras, abriu caminho para uma série de pesquisas. Posteriormente, Leontiev com o conceito de sentido pessoal versus significado e Vigotsky, com a análise da linguagem e do pensamento e sua relação com a consciência e, posteriormente, com as emoções, ampliaram o campo de pesquisas. A mediação dialética da linguagem, das emoções e dos grupos sociais se tornou a temática básica de nossas investigações. Esse foi o início dos caminhos percorridos...
Lane indica oito textos para este tema. Apresentados em ordem cronológica, foram publicados em sete diferentes periódicos, sendo um deles do exterior, um em livro, e um em jornal para divulgação de livros.
São eles:
1. Escalas do diferencial semântico para língua portuguesa falada no Brasil, tradução do original publicado no International Journal of Psychology, vol 8, n. 2, (p 147-152), 1973.
2. Significado psicológico da saúde como função de contingências grupais em duas faculdades de São Paulo in Revista Escola de Enfermagem da USP, vol 10, n. 1, p. (10) 15-56. 1976. Em coautoria com Wanda Horta.
3. Significado psicológico de família, política e moral para adolescentes em escolas do 2º Grau de São Paulo (em colaboração). Cadernos PUC nº4 de
Psicologia. 1980. São Paulo, EDUC Cortez Editora.
4. Literatura... pra que? (Libertadora de dominações) in Leia, ano IV n.38, 1981. São Paulo, Editora Brasiliense.
5. O mundo através das palavras. Cadernos PUC nº15 de Psicologia. p.35-105, 1983. São Paulo, EDUC Cortez Editora.
6. Linguagem, pensamento e representações sociais in Lane, Silvia e Codo Wanderley (orgs) Psicologia Social. O homem em movimento. 1984. São Paulo, Editora Brasiliense, p.32-39.
7. Usos e abusos do conceito de Representações Sociais. In Spink, Mary Jane (org) O conhecimento do quotidiano. As representações Sociais na perspectiva
da Psicologia Social. São Paulo, Editora Brasiliense. 1991.
8. Estudos sobre consciência. Psicologia Social e Sociedade v8, n.1, p.3- 15 1996. São Paulo.
9. A Linguagem e constituição do sujeito in Parlato, E M e Silveira L F.B. (orgs) O Sujeito entre a língua e a linguagem. 1997. São Paulo, Lovise.
Embora todos os textos tenham sido lidos e analisados, os quatro primeiros expressam com clareza o pensamento teórico de Lane. Vale observar que Silvia, desde o início da sua atividade como professora e pesquisadora, escreveu sobre a linguagem e o significado das palavras. O texto relacionado aqui como o primeiro é
um resumo da pesquisa realizada para sua tese de doutorado que foi publicado originalmente nos Estados Unidos, em 1973, época em que o Brasil não era reconhecido pela excelência de sua produção em psicologia. O fato demonstra uma deferência motivada pela qualidade do trabalho e respeito pela autora.
As primeiras pesquisas de Silvia têm como ponto de partida uma curiosidade de longa data: por que as palavras assumem significados distintos para os diferentes grupos sociais? Crianças, adolescentes, estudantes, profissionais de saúde, dentre outros, foram escolhidos como sujeitos de diversas pesquisas, cujo objetivo era dar suporte às suas suspeitas de que os sentidos das palavras estão relacionados com as experiências vividas pelo indivíduo no grupo social. Esse período de seu trajeto é marcado, ainda, pela busca de um instrumento de pesquisa para medir o significado afetivo das palavras. A metodologia escolhida por Lane permitia a representatividade estatística nas conclusões, incluía a aplicação de uma escala de diferencial semântico e, posteriormente, os dados eram submetidos à análise fatorial, chegando-se a uma conclusão. Tratava-se da metodologia de pesquisa científica, própria da época.
Silvia usou em várias de suas pesquisas o Diferencial Semântico de Osgood, um instrumento desenvolvido para pesquisas interculturais, perspectiva adotada pela doutora Aniela Ginsberg, sua orientadora. No primeiro trabalho mencionado, a primeira etapa exigiu a tradução do inglês para o português de cem substantivos usados em estudos de natureza semelhante, que foram, posteriormente, submetidos ao julgamento de pessoas cuja língua nativa era o português e possuíam como uma segunda língua o inglês. Estes juízes concordaram em 100% com a tradução feita para 74 dos adjetivos. A tradução dos outros 26 adjetivos, para os quais não houve concordância, foi submetida a especialistas da língua inglesa, os quais aprovaram a forma de tradução inicial utilizada pela pesquisadora. A seguir foram apresentadas aos sujeitos frases que deveriam ser completadas incluindo um dos substantivos da lista de 100. Por exemplo: A casa é __________ .
A aplicação foi feita com cem sujeitos, estudantes homens de escolas secundárias, com idades entre 15 e 20 anos, todos vivendo na cidade de São Paulo,
para os quais era solicitado: “Complete as sentenças abaixo com o adjetivo que você considera o mais adequado para o significado da frase.”
Como resultado da etapa de coleta de dados, foram obtidas: 10000 respostas (100 sujeitos x 100 conceitos), das quais 9385 das escolhas eram qualificativos, 470 eram substantivos, palavras inventadas, gíria, etc, e 145 eram omissões. As respostas receberam tratamento estatístico, a saber: índice H de Shannon e análise de variância. Após a análise dos dados, Silvia concluiu que tudo indicava que o processo psicológico responsável pela aquisição de significados era mais complexo do que Osgood e outros haviam sugerido. Além disso, talvez, as condições culturais do Brasil explicassem os resultados.
Outro trabalho sobre o tema da linguagem, foi uma pesquisa que resultou no artigo: “Significado Psicológico da Saúde como Função de Contingências Grupais em duas Faculdades de São Paulo”, em co-autoria com Wanda Horta, publicado na revista Escola de Enfermagem da USP:
O objetivo do estudo foi identificar indicadores de contingências grupais que controlam comportamentos verbais de alunos a eles filiados, por meio das palavras relacionadas ao binômio: saúde- doença. O estudo foi realizado em faculdades de Enfermagem e Psicologia, comparando-se dados de grupos em cada escola e, entre os diferentes sujeitos de uma mesma faculdade. Utilizou-se a técnica do diferencial semântico de Osgood, aplicado numa amostra da população de primeiro e quarto ano das duas escolas. Os valores indicativos de possíveis contingências em cada escola foram obtidos por entrevistas com docentes membros de órgãos dirigentes. Por meio dos questionários, se identificou valores distintos entre os diferentes grupos de professores. Os resultados mostram que os valores podem indicar contingências que controlam os comportamentos verbais dos estudantes. (p.15)
O cuidado na definição da amostra por meio de sorteio randômico, a utilização do diferencial semântico de Osgood, a análise estatística de diferenças de Goodman e análise da variância mostram, mais uma vez, a preocupação de Silvia com aplicação de técnicas estatísticas e a representatividade dos dados, nos quais se baseavam as suas conclusões. A análise dos resultados nesse estudo comprovou a hipótese de que os valores adotados pela direção das faculdades (enfermagem e psicologia, no caso), enfatizados pelos professores nas aulas,
atuavam como contingências de reforçamento e influenciavam os comportamentos verbais dos alunos.
Ainda na sequência de estudos sobre a linguagem com utilização do Diferencial Semântico de Osgood, Lane escreve o artigo “Significado Psicológico de Família, Política e Moral para Adolescentes em Escolas do 2º Grau de São Paulo”. Este texto está assinado também pelos alunos que trabalharam na pesquisa e que eram: Maria Elci Spaccaquerche, Bader Sawaia e Delcino Venturian, tendo sido apresentado no XVI Congresso da SIP em Miami (1976). Foi publicado nos
Cadernos PUC nº4 de Psicologia. A pesquisa foi realizada a partir de investigação
iniciada em 1968 e tinha por objetivo verificar como os significados psicológicos ou afetivos das palavras se criam e são mantidos.
Assumimos, em concordância com Moscovici, que a linguagem é equivalente à moeda num sistema de trocas. A ideologia, o significado psicológico, como aprendido pela técnica do D.S., é um indicador direto de valores que decorreram e mantém as relações sociais entre individualidades em uma mesma sociedade. (p.12)
Para Lane (1980), os significados psicológicos da linguagem refletem a representação subjetiva que os indivíduos têm da sociedade a partir das suas próprias relações sociais, mantidas pela comunicação e que “guardam a ideologia produzida para que as contradições sociais não se revelem nas relações sociais”. (p.13)
Silvia reconhece então que há um longo caminho a ser percorrido até que seja possível encontrar os elementos da realidade social que expliquem as diferenças de significados das palavras. Essa pesquisa, tal como as demais, se constitui em uma tentativa de identificar as variáveis envolvidas na construção dos significados psicológicos das palavras.
A conclusão de Lane (1980) foi:
Em última instância podemos concluir que a existência de um controle social, tanto familiar quanto do grupo de amigos, mais constantes nos sujeitos das escolas públicas e, uma autonomia individual maior dos sujeitos da escola particular, associada à maior
criticidade intelectual, tende a relativizar os valores morais. Concluindo, esse estudo permite perceber como a linguagem, e mais especificamente, os significados psicológicos, estão relacionados às condições sociais de vida, e também que estas relações não podem ser estabelecidas em termos de variáveis isoladas, mas sim, em padrões de variáveis que se combinam de formas diferentes para diferentes categorias de palavras. (p.20)
E termina dizendo que as características sociais da vida familiar, das relações de amizade, lazer e escolaridade, interferem na atribuição dos significados psicológicos das palavras relacionadas à família, à política e aos valores morais. Embora o caminho seja longo, o estudo foi mais um passo para relacionar os significados psicológicos das palavras aos condicionantes da vida social. Estes primeiros textos dos “caminhos percorridos” por Silvia revelam uma preocupação de apoiar suas ideias em pesquisas empíricas, mas, incluem também uma reflexão abrangente, a partir de diferentes autores.
Em 1984 Silvia publica com Codo o livro Psicologia Social - O Homem em
Movimento que representa um marco no amadurecimento do seu pensamento. No
artigo “Linguagem, pensamento e representações sociais”, Lane (1984) lembra que Skinner (1904-1990) define comportamento verbal como aquele que é mediado por outra pessoa, incluindo no verbal não somente palavras, mas, gestos, sinais, ritos, etc. Buscar a relação entre as palavras e os condicionantes do meio social não é uma preocupação nova na psicologia, e tem sido tema central de suas pesquisas. Contudo, para uma compreensão mais profunda do comportamento verbal, é necessária a análise no contexto mais amplo do homem como produto e produtor da história. E concorda com o pensamento marxista de que a linguagem surge como consequência da necessidade do homem de transformar a natureza para garantir a sobrevivência do grupo social. Além disso, a organização e a divisão do trabalho exigiam uma linguagem que permitisse a comunicação entre os homens e uma ação de forma planejada no grupo.
Para Silvia, a linguagem rudimentar evolui incorporando, ao significado das palavras, valores associados às práticas sociais. Tais significados são transmitidos de mãe para filho e contêm a visão de mundo do grupo social no qual se constituíram. Nesse aspecto, ela se apoia em Skiner, Piaget (1896-1980), Vigotski
(1896-1934), Malrieu (1912-2005) e Leontiev (1903-1979), que afirmavam que a primeira função da linguagem é a comunicação e o intercâmbio social, e é por meio da linguagem que a criança representa o mundo que a cerca, influenciando seu pensamento e as suas ações no processo de desenvolvimento.
Cada um dos autores mencionados contribui, segundo Lane, para um conhecimento psicológico da aprendizagem da linguagem. Skinner, por meio da análise empírica demonstra a materialidade do falar e do pensar; Piaget e Malrieu apontam para a gênese social das representações da criança, mostrando como ela desenvolve a visão de mundo; Vigotiski e Leontiev, concebendo o homem como a manifestação de uma totalidade histórica e cultural, apontando a linguagem como algo fundamental para a formação da consciência de si e do indivíduo no grupo social. Leontiev vai mais longe, quando esclarece que, ao mesmo tempo em que os significados das palavras são produzidos coletivamente ao longo do processo sócio- histórico, no nível do indivíduo, eles adquirem um sentido pessoal, fazendo com que a palavra se relacione com a vida de cada um, tal como Silvia pôde depreender das suas próprias pesquisas. Finalmente, ela recorre a Flahault (1945-) para completar seu raciocínio, lembrando a análise dos “atos ilocutórios”, ou seja, as falas que caracterizam as posições ocupadas pelos interlocutores de forma explícita ou implícita, concluindo que toda palavra embute uma conotação de poder: o que eu sou para você e o que você é para mim. Essas referências teóricas apoiam a compreensão dos significados da linguagem.
O texto “Usos e Abusos da Representação Social”, identificado por Silvia como representativo do tema Psicologia da Linguagem, foi publicado em 1991 e começa visitando o trabalho de Moscovici (1928-) Representação Social e
Psicanálise, escrito em 1972. Silvia concordava com a análise crítica que o autor
fazia a respeito da Psicologia Social contemporânea, entendida como tendo influência americana, apresentando indivíduo e sociedade como uma dicotomia, quase em oposição, levando ao conhecimento fragmentado do ser humano e à separação artificial entre as ciências sociais. Para Silvia, o conceito de representações sociais trouxe contribuições para a compreensão do indivíduo não fragmentado. A professora relembra que na revisão que ela mesma fez da psicologia social com os seus alunos constatou que o conceito permite a detecção dos valores,
da ideologia e esclarece as contradições, o que é essencial para a compreensão do comportamento social. Além disso, o comportamento de representar algo era por si observável, registrável, estabelecendo um forte elo conceitual entre a psicologia e a sociologia. Moscovici (1972) falava na importância da comunicação de massa na produção de representações tanto coletivas quanto individuais, exemplificando a presença de um conteúdo social. Para o autor, as representações sociais são elaboradas por meio de um intercâmbio de subjetividades. E citando Jodelet (1989), Lane (1991) considera que a autora tem contribuído enormemente com pesquisas e construções teóricas a respeito do tema. Lane (1991) lembra que:
“ É necessário dizer: as representações sociais devem ser estudadas articulando elementos afetivos, mentais e sociais, integrando ao lado da cognição, da linguagem e da comunicação, a consideração das relações sociais que afetam as representações e a realidade material, social e ideal sobre as quais eles vão intervir.” (p.41)
Para Lane (1991), Jodelet (1989), partindo de uma postura cognitiva, constata a necessidade de englobar os aspectos mentais, afetivos e sociais, para avançar numa concepção de ser humano que é essencialmente social. Não é possível entender o ser humano sem a Cultura, num momento econômico, social e político dado.
A conclusão do artigo é que entre os usos e abusos do conceito de “representações sociais” há dois pontos fundamentais que devem ser ressaltados. O primeiro se refere ao aspecto conceitual de representação social. Quando se parte de uma perspectiva exclusivamente cognitiva, estudos demonstraram que indivíduo e sociedade, o singular e a totalidade social são indissociáveis, isso porque o sujeito, ao verbalizar suas representações da realidade, utiliza significados socialmente constituídos e sentidos pessoais, decorrentes das suas experiências de vida, cognitivas e afetivas. O reconhecimento dos conteúdos emocionais nas representações permitiu o avanço do tema.
O segundo ponto destacado por Lane (1991) se refere à questão metodológica. As representações sociais permitem que se realizem estudos quantitativos com amostras representativas e análise estatística dos dados, nos quais as representações podem ser tratadas como dados empíricos. Porém, é
preciso ampliar a análise, situando os resultados no contexto sócio-econômico- político no qual os resultados foram obtidos, permitindo captar o movimento histórico.
2. Psicologia Social
A Psicologia Social é o segundo grande tema de interesse de Silvia. A esse respeito ela escreve na pequena introdução para o segundo tema dos “caminhos percorridos”:
Introdução: Problemas teóricos e práticos nos levaram à análise de temas amplos, decorrentes das pesquisas realizadas, visando uma reflexão crítica da psicologia social do cotidiano. (p.2)
Nove textos para a formulação das bases conceituais e metodológicas de uma psicologia social brasileira foram selecionados para serem incluídos na coletânea. Foram escritos entre 1978 e 1997, dois estão publicados fora do Brasil, sendo um em livro e outro em periódico, três em periódicos nacionais, um em livro publicado no Brasil e três foram comunicações em congressos.
1. Psicanálise e Marxismo: Dilema da Psicologia Social, in Psicologia e
Sociedade. 1986 v.1, n.2, p.36-41.
2. Psicologia Social Teoria e Prática: In Psicologia e Sociedade. 1990 v.4, n.6, p.11-19.
3. Problemas Teóricos e Metodológicos da Psicologia Social: In
Psicologia e Sociedade, 1989 v.IV, n.6, out/88- mar/89.
4. Uma Psicologia Social baseada no materialismo histórico e dialético: da emoção ao inconsciente in 2º Simpósio Brasileiro de Pesquisa e Intercâmbio
Científico da ANPPEP, 1990.
5. Psicologia: Ciência ou Política? Em colaboração com Bader Sawaia in
Accion y Discurso, org. por Maritza Montero. 1991. Venezuela, Eduven.
6. Avanços da Psicologia Social na América Latina- Conferência do I
7. Um pouco da história da Psicologia Social no Brasil. In Antropos nº 156, p. 72-76, 1993. Barcelona.
8. Uma prática do psicólogo social numa área chamada clínica In Anais
da VIII Reunião Anual de Psicologia. Outubro, 1978. Ribeirão Preto p. 176-178.
9. Psicologia Social na América Latina: por uma ética do conhecimento. In Guareschi, Pedrinho e Campos, Regina Helena de Freitas. (orgs,) Paradigmas em
Psicologia Social. A perspectiva latino-americana. 1984. Petrópolis, Vozes.
Para nós, este conjunto de textos mostra como a trajetória de Lane foi marcada de forma especial pela viagem realizada por ela para a América Latina. É a partir da viagem que se faz presente, mais fortemente, nas suas reflexões, a busca de bases conceituais para uma psicologia social brasileira e latino-americana, dissociada da psicologia social norte-americana. Podemos ver que, no relatório elaborado ao final da viagem em 1983, depois de descrever as etapas da viagem e suas impressões a respeito das instituições visitadas, Silvia conclui com cinco pontos que esclarecem a sua forma de entender a psicologia social até aquele momento e que, de certa maneira, ajudam a sintetizar o segundo conjunto de temas dos “caminhos percorridos”.
A primeira conclusão foi que a influência da produção norte-americana era sentida em maior ou menor grau em todos os países visitados, mesmo quando os psicólogos sociais não participavam de trabalhos de intervenção junto às comunidades. A segunda conclusão foi que a especificidade de cada um dos países latino-americanos exigia uma postura crítica em relação à psicologia americana e a busca de fundamentos e métodos de pesquisa que, em geral, apontavam para a pesquisa-ação, como condição de intervenção e construção de um conhecimento sobre a realidade nacional. A terceira conclusão foi que os problemas que se constituíam em objeto de pesquisa eram bastante semelhantes aos nossos, recomendando o intercâmbio entre os pesquisadores dos diferentes países, sendo o Brasil o mais isolado dos países latino-americanos. Nesse sentido, Lane propõe a presença regular de psicólogos brasileiros nos congressos latino-americanos, começando pelo XIX Congresso da SIP realizado em julho de 1983 em Quito, Equador. A viagem foi importante também para divulgar o que estava sendo feito no
Brasil e, a partir daí, ficou mais clara no trabalho de Silvia a necessidade de definir os caminhos da psicologia social brasileira.
Tanto é assim que os textos apontados por ela como representativos no tema trazem a noção de indivíduo adotada como ponto de partida para a formulação das bases teóricas da psicologia social, além da apresentação das categorias que definem o psiquismo humano, afastando-se da temática da psicologia americana e dos seus métodos de análise. Há a proposição de uma psicologia social com bases marxistas, voltada ao estudo da realidade brasileira e, tal como nos trabalhos sobre a linguagem, os autores soviéticos têm influência relevante, em especial, Vigotski e Leontiev.
A professora ressalta a importância das pesquisas realizadas no Núcleo de Estudos de Psicologia Social no Programa de Pós- Graduação da PUC de São Paulo, em conjunto com os seus orientandos, muitas vezes citados nos artigos. E é nessa fase do seu trabalho que Silvia declara a necessidade de os psicólogos se