4. Vitenskapsteori og metode
4.12 Etikk i forskningen
Cenário: Texto descrito na lousa sobre os pontos cardeais, alunos sentados, enfileirados, sem duplas. Alan na primeira carteira da fileira central. Professora da sala de recursos sentada à frente do Alan.
Rosa: Lê pausadamente o texto que está escrito na lousa acompanhando com uma régua com cerca de um metro. Lê: É importante localizarmos os pontos que
são norte, sul, leste e oeste. Fala: Estes são os pontos cardeais que servem para a gente se orientar. Quem já ouviu falar na TV Tem? Aquele SPTV que ele fala assim: A nossa região centro-oeste... Ou que houve um fato, ou algum acontecimento lá na região norte de São Paulo, lá na região sul de Bauru, centro-oeste. Já ouviram falar esses termos? Então, esses sãos pontos cardeais. Isso é nos orientar, saber em que direção a gente está de algum lugar. Norte, sul, leste e oeste. Lê na lousa: O lugar onde o sol nasce chama-se nascente. Pergunta: Quem sabe em que lugar? Em que direção?
Profª. SR: Faz a interpretação da leitura e da fala da professa Rosa.
Alan: Olhar atento a professora da SR (sala de recursos) e a professora Rosa.
Rosa: Fala: Agora eu quero que vocês fiquem em pé ao lado da carteira. Qual é o lado
que o sol nasce?
Cenário: Rosa em pé na frente da sala, perto do meio da lousa e atrás de sua mesa. Alunos enfileirados em pé ao lado da carteira.
Rosa: Fala: Eu agora estou de frente pra vocês. Eu vou virar de costas para ficar na
mesma posição. Qual é o braço direito de vocês? Deixe ele assim reto. Estenda o braço direito. Onde é que o sol nasce? O sol vai sempre nascer lá.
Alan: Fica em pé e segue as comandas da professora por meio da professora da sala de recursos que desempenha o papel de intérprete.
Profª. SR: Mostra para Alan que ele ergue o braço errado.
Rosa: Fala: Olha como é que a gente vai fazer certinho. O braço direito vira para lá
pra você. Vou ficar sempre na mesma posição. Então o sol nasce lá, não nasce?
Cenário: Professora Rosa e professora da sala de recursos mudam de posição. Vão para o fundo da classe e todos os alunos se viram com o rosto voltado para o fundo da sala. As duas professoras ficam lado a lado à frente dos alunos. Rosa: Fala: Onde o sol nasce... é para lá, leste ou nascente. Onde o sol se põe, se
chama poente, ou oeste. Agora já localizamos os pontos cardeais. Agora vamos falar juntos. Aponta com o braço e fala: Norte, sul, leste, oeste.
Profª SR: Interpreta a fala e os movimentos da professora Rosa Alan: Olha atento para as duas professoras e participa da atividade.
O episódio acima descrito é denominado “Os pontos cardeais” e ilustra uma situação onde a professora da classe comum solicitou a presença da professora da sala de recursos para atuar como intérprete numa aula de geografia. Neste episódio é possível verificar que a professora Rosa, ao planejar sua aula, tomou ciência que a
estratégia de representação com o próprio corpo para explicar os pontos cardeais necessitaria do apoio de um intérprete. Isso porque ela teria as mãos ocupadas sinalizando a localização dos pontos. Solicitou, então, que no horário de aula a professora da sala de recursos se ausentasse por alguns minutos de suas atividades e viesse auxiliá-la na execução da aula prevista.
Vale destacar que o registro deste episódio foi a aula inicial da professora, a qual foi planejada por ela individualmente, ou seja, não houve apoio da professora da sala de recursos, nem da pesquisadora. A iniciativa de solicitar a presença da professora da sala de recursos partiu dela.
Fica explícito na descrição do episódio que a professora não faz qualquer adaptação ou mudança na forma em que aborda o assunto para os alunos ouvintes. Suas comandas são simultaneamente traduzidas pela professora da sala de recursos. As professoras estabelecem durante a aula um canal efetivo de comunicação com o aluno surdo, o qual realiza todas as atividades propostas e demonstra compreensão.
A prática da professora da classe comum não fica focada no aluno surdo, ela desempenha seu papel de forma natural, atendendo ao grupo classe como um todo e não coloca o aluno surdo em evidência. A presença da professora da sala de recursos não alterou a dinâmica da aula, uma vez que ela é professora da própria escola e os alunos ouvintes estão acostumados com sua presença auxiliando os alunos surdos no dia-a-dia nos diversos espaços da escola.
A iniciativa de propor um trabalho conjunto com o auxílio da professora especializada, que pode ser a professora da sala de recursos, é uma das possibilidades de realização do ensino colaborativo (GARGIULO 2003). O comportamento da professora Rosa de solicitar a presença da professora da sala de recursos para atuar com ela em sala de aula, com o papel de um intérprete, pode ser considerada uma iniciativa baseada num processo de construção profissional. Rosa, no momento de preparar sua aula, provavelmente buscou estratégias educacionais construídas ao longo de sua carreira, elencou as possíveis práticas e atividades a serem abordadas e por fim buscou uma solução para promover o acesso do aluno surdo ao currículo. Ou seja, ela estava
instrumentalizada no que diz respeito a essa prática e utilizou isso para propor um trabalho efetivo (MANACORDA, 1986; GOFFREDO; 1998).