3. Teorigrunnlaget
3.3 Didaktikk relasjonsmodell
Cenário: Ana faz um desenho na lousa representando o ciclo da água na natureza, tendo como modelo uma figura extraída de um livro didático de 4ª série do Ensino Fundamental. Alunos sentados em fileiras duplas, realizando suas atividades individualmente. Ana distribui para cada aluno uma folha foto copiada, na qual há um texto explicativo referente ao tema da aula, um desenho semelhante àquele feito na lousa e duas questões para serem respondidas pelos alunos.
Ana: Com uma dessas folhas na mão, em pé, na frente da lousa, volta-se para a classe, mostra a folha, aponta com o dedo para a ilustração e para as questões dizendo O que representa esse desenho aqui? Está tudo na lousa... lá né? É
só prestar atenção e responder. Dirige-se a Vera, que está sentada junto com
uma colega na primeira carteira da fileira central da sala. Não fala nada, aponta com o dedo indicador o texto, a ilustração e as questões da folha. Vera: Olha para Ana com expressão de questionamento e bate levemente com a
mão sobre a folha.
Ana: Abaixa-se à frente da carteira de Vera de forma que seus rostos fiquem frente a frente.
Vera: Olha para Ana, Vera toca na mão esquerda de Ana chamando a atenção para si.
Ana: Leva a mão direita à cabeça posicionando o dedo indicador à altura da sobrancelha direita.
Vera: Olha para Ana.
Ana: Aponta o indicador para Vera, eleva o indicador à altura dos olhos e depois aponta para a folha. Repete isso por duas vezes. (Supõe-se que queira dizer: Você. Olhe para a folha) Aponta o texto, aponta o desenho e faz o sinal de “igual”. Articula sem som Esse aqui texto. Esse aqui desenho. Os dois
iguais.
Vera: Faz sinal de “igual”.
Ana: Balança afirmativamente a cabeça e articula sem som Os dois igual. Faz o sinal de “igual”. Olha para Vera, espera que ela olhe para seu rosto, aponta para a folha e articula sem som O que acontece... Aponta para a folha e depois para uma página em branco do caderno de Vera. Levanta e segue em direção à lousa.
Vera: Olha para o caderno. Balança a cabeça negativamente. Acena com a mão na direção de Ana.
Ana: Retorna à carteira de Vera.
Vera: Sinaliza com mão “não” apontando para a folha.
Ana: Faz sinal de “jóia!”, com o polegar para cima indo na direção de Vera.
Vera: Balança a cabeça negativamente. Aponta a página do caderno e faz o sinal de ‘não”. Volta algumas páginas do caderno, aponta para a folha como texto e a ilustração, indicando que deveria estar no local, por ela mostrado no caderno, anteriormente.
Ana: Aponta a página atual no caderno de Vera. Vera: Aponta para a página e faz sinal de “pequeno”.
Ana: Balança a cabeça afirmativamente e coloca a folha no local anteriormente indicado por Vera em seu caderno. Fica em pé à frente da lousa, voltada para a classe, com a folha na mão, aponta com o indicador na folha ao mesmo tempo em que diz No texto... e no desenho... o quê? Igual? Faz sinal de igual com expressão facial indicando uma pergunta. Continua, Pensam, leiam a
historinha se precisar de novo.
Vera: Olha para Ana. Vira as páginas do caderno, derruba e apanha a folha que cai no chão.
Ana: Dirige-se à cadeira de Vera, abaixa-se, apanha a folha. Com o indicador aponta para Vera, aponta para os próprios olhos, aponta para o texto e depois para a própria fronte, com expressão de quem pergunta “Entendeu?”.
Vera: Olhando para Ana balança a cabeça negativamente com expressão de descontentamento.
Ana: Olha para expressão de Vera, balança a mão com o gesto espontâneo de “mais ou menos”, com expressão de questionamento.
Vera: Bate o dedo indicador duas vezes na cabeça balançando negativamente, com expressão de descontentamento.
Ana; Aponta o dedo para a folha na direção do desenho do rio. Balança a mão com movimentos ondulatórios horizontais.
Vera: Olha atenta para Ana. Aponta para o rio e faz sinal de “não”.
Ana: Aponta novamente para o rio e repete o movimento ondulatório horizontal da mão. Aponta para o desenho do sol e faz sinal de “sol”.
Vera: Faz sinal calor.
Ana: Balança a cabeça afirmativamente. Aponta no desenho as flechas que indicam a evaporação da água e faz um gesto representativo semelhante ao sinal de “fogo” em Língua Brasileira de Sinais. Em seguida aponta a nuvem do desenho e faz sinal de “chuva”.
Vera: Vira a página do caderno e indica que a folha deveria estar em outro local. Ana: Fica em pé, ao lado da cadeira de Vera, aponta com o indicador para o texto e
diz Aqui é a gotinha. Ela cai no rio e viaja né? Aí bate o sol.. sobe. Aponta para o texto na folha e diz Tudo igual. Faz sinal de igual e se abaixa ao lado da carteira de Vera.
Vera: Olha para o texto e aponta com o lápis. No caderno responde à questão por escrito: Gotinha sol forte vapor frio chuva. Ciclo da água na natureza.
O episódio denominado “O ciclo da água na natureza”, desenvolvido pela professora Ana, ilustra como foi sua tentativa de ensinar inicialmente sem apoio ou com seus próprios conhecimentos e habilidades. Neste episódio é possível observar que a professora utilizou todo o seu repertório instrumental, ainda que pareça restrito no que
diz respeito às relações existentes entre fala, escrita e desenho. A princípio, vale destacar que este episódio foi o registro da aula inicial da professora, a qual foi planejada por ela individualmente, sem apoio do professor da sala de recursos nem da pesquisadora.
É explícito na descrição do episódio que a professora reduz drasticamente a informação, a oralidade em suas comandas. Parece que essa diminuição se deve à percepção da professora de que a língua em sua forma oral não é um canal efetivo de comunicação com a aluna surda. É possível inferir ainda que essa tomada de decisão da professora possa ser decorrente da busca do canal visual, então preservado no aluno surdo. Entretanto, por não ter domínio e um conhecimento bastante restrito em relação ao uso de gestos e sinais, também não encontra sucesso nessa iniciativa.
A prática da professora fica focada na aluna surda. Ela passa a ignorar os demais alunos da sala, desconsiderando que são ouvintes. Isso porque, emitir a comanda da atividade restringe sua emissão a palavras justapostas, talvez por associar as palavras justapostas da fala do surdo à possibilidade de compreensão, o que não é verdadeiro. Em detrimento disso, é perceptível que seu foco em sala de aula deixa de ser o grupo como um todo e todas as estratégias implementadas passam a ser centradas na aluna surda e suas necessidades.
Assim, ainda que ela tenha centrado toda a atenção na aluna surda, os recursos que ela disponibilizou mostraram-se ineficazes, tanto para a aluna surda quanto para os alunos ouvintes.
As estratégias escolhidas pela professora da classe comum para o desenvolvimento deste tema acabaram por não atender nem ao aluno surdo, nem ao aluno ouvinte. Ela não dispõe de instrumentos para o ensino do aluno surdo, provavelmente não lida bem com essa situação por não saber como agir frente ao novo. Quando se depara com uma situação nova, seu comportamento pareceu se assemelhar ao de um professor iniciante, provavelmente por ser inexperiente neste contexto específico.