6 Drøfting: Tostegshypotesen 2.0
6.3 Et kritisk blikk på politisk merkevarebygging
Existem inúmeros efeitos externos evidentes na Perspetiva de Género, esta evidência empírica deve basear-se no depoimento de pessoas envolvidas e com conhecimentos nos trabalhos internacionais das Forças Armadas. Como foi o caso dos elementos que foram entrevistados no âmbito deste trabalho de investigação277, e que providenciaram bastantes contributos de extrema pertinência e aplicabilidade para Marinha.
Utilizando o exemplo do documento das Forças Armadas Suecas “Género e efeito operacional”, na parte relativa à função de Assessor de Género, conclui-se que “acedendo a toda a população, os militares são mais propensos a ter sucesso na missão de manutenção de paz e segurança para a área e para a sua população.”
Decorrente desta situação, pode apresentar dois exemplos pertinentes: as operações de busca e as patrulhas.
Relativamente à primeira, os militares precisam de treino sobre como lidar com as mulheres e os seus pertences pessoais.
No que diz respeito à patrulha, é referido no documento supracitado, que as mulheres não têm oportunidades de abordar o pessoal das PRT, portanto, devem ser elaborados ou alterados os procedimentos para mitigar tais dificuldades.
Com os estudos realizados neste âmbito, foi possível reforçar que a Perspetiva de Género aumenta a eficácia militar. Apesar de já terem sido feitas alterações positivas ao nível tático, os níveis operacionais e estratégicos carecem ainda de trabalho, bem como uma nova mentalidade perante o tema. A razão para tal ter de acontecer é devido ao facto da implementação da Perspetiva de Género ser vista como dar “valor
acrescentado” específico para o planeamento e análises militares278. O potencial
necessário para se transformar o conceito da Perspetiva de Género na forma de entender o conflito e a segurança, não foi ainda atingido no nosso país.
Nas operações internacionais das Forças Armadas da Suécia, o papel da Perspetiva de Género apenas se tem limitado às funções ao nível tático, no qual ela tem um papel muito importante, enquanto pouco tem sido feito, visto como suficiente, sobre o seu impacto na estrutura da organização militar envolvida em tais operações.
Em termos de teorias tradicionais do poder militar, torna-se evidente que o potencial de impacte positivo é maior dentro dos fatores morais e conceituais do “poder
de combate”. Embora a perspetiva de género aumente o potencial da base do
recrutamento, dada a pequena dimensão das Forças Armadas Suecas, o principal benefício não reside na resolução de problemas da mão-de-obra ou do aumento do poder de fogo e segurança dos equipamentos, que são aspetos centrais do fator físico do poder. Em vez disso, a Perspetiva de Género tem a capacidade de influenciar a forma como o poder físico da organização é aplicada no terreno- o fator conceitual.
Após o testemunho e entrevistas a vários indivíduos, estes afirmaram que as equipas mistas gerem uma maior eficácia operacional através da criação de uma cultura organizacional mais adequada a diferentes formas de operações de paz complexas e contra insurgência. Por outro lado, era reportado que as equipas constituídas só por elementos masculinos eram vistas como mais agressivas que as equipas mistas279. No entanto, são necessárias mais pesquisas sobre o impacto cultural das unidades integradas em género para verificar a sua influência e também averiguar da agressividade encontrada nas equipas masculinas e relação a estas unidades.
278(Egnell, Hojem, & Berts, 2012), Implementing a Gender Perspective in Military Orga nisations and Operations- The Swedish Armed Forces Model (Egnell, Hojem, & Berts, 2012)
279 Madeleine Jufors, GFA FS15, GA NBG 09 FHQ em Implementing a Gender Perspective in Military Organisations and Operations- The Swedish Armed Forces Model (Egnell, Hojem, & Berts, 2012)
Ainda no seguimento destes estudos, obtiveram-se resultados interessantes relacionados com a importância da compreensão cultural do contexto local e a
necessidade de estabelecer legitimidade local ao conquistar as ”mentes e os corações”.
É claro que a implementação da Perspetiva de Género na área de operações tem o potencial de aumentar a capacidade da reunião de informações de unidades. Obtendo o acesso às mulheres locais, não só permite que uma unidade desenvolva uma compreensão adequada das condições e culturas locais, mas também pode melhorar o relacionamento de cada unidade com a comunidade e a legitimidade por parte das tropas internacionais na área.
O impacto transformador das informações sobre o procedimento e ênfase nas operações deverão, portanto, ser limitados até que uma integração mais geral da Perspetiva de Género seja alcançada no seio das unidades a todos os níveis do comando.
O “ganhar os corações e mentes” da população local, por parte de muitos
militares de forma espontânea ao se aproximarem das mulheres de uma maneira culturalmente inadequada, pode significar consequências involuntárias potencialmente negativas. Além disso, as mulheres locais têm cada vez mais, nos últimos anos, feito
parte do conflito como portadoras de armas e passam por “homens-bomba”280 Não
empenhando militares femininos poderá, não só desencadear a perda de oportunidades de fontes de informação e interação social positiva, mas também pode criar um aumento da ameaça e segurança limitada.
A conquista ao nível tático tem sido assim, alcançada pelo desenvolvimento de procedimentos técnico-táticos em relação ao género. Estes foram desenvolvidos por um
Gender Focal Point para fornecer orientação sobre como pesquisar e empenhar mulheres sem transgredir as barreiras culturais. No entanto, além de evitar erros de insensibilidade cultural, há poucos efeitos mensuráveis, que mostram que a abordagem
aos “corações e mentes” pode ter um impacto positivo sobre o apoio da população local
e sobre a legitimidade da presença internacional ou do governo nacional.
Nos casos em que tenha ocorrido o aumento desse apoio, não há nenhuma evidência de que tais atividades do nível técnico-tático tenham tido qualquer impacto aos níveis operacional e estratégico. Este é no entanto, um problema que a Perspetiva de
280 (Bertolazzi, 2010), Women with a Blue Helmet: The Integration of Women and Gender Issues in UN Peacekeeping Missions
Género partilha com todos os militares e com as atividades desenvolvidas por eles, que visam aumentar o apoio local.281
No que concerne aos fatores relativos aos objetivos alcançáveis e clarificados e cooperação civil-militar, o nível de análise nos relatórios realizados internacionalmente, não têm obtido material empírico suficiente para tirar conclusões consistentes. Estes aspetos da eficácia tomam lugar principalmente ao nível do comando não estudados com este relatório. Notavelmente, a falta de oficiais femininos em postos elevados, ou nos supostos Gender Adviser ao nível estratégico, conduzem à falta de participação de elementos femininos no processo de planeamento estratégico e operacional282.
O mainstreaming de uma Perspetiva de Género é, assim, relegado para o nível tático. O que limita potencialmente o impacte operacional positivo da Perspetiva de Género, uma vez que não consegue estabelecer a ligação entre as atividades e objetivos táticos e os objetivos políticos e estratégicos.
Enfrentar estas imperfeições não exige necessariamente a participação feminina, mas assegurar uma integração completa de uma Perspetiva de Género em toda a cadeia de comando. Para manter a justiça, relacionar as atividades táticas para fins políticos é um desafio para todos os aspetos das operações e limitada pela falta de meios para lidar com a Perspetiva de Género283.
No entanto, existem inúmeros exemplos táticos onde a Perspetiva de Género foi adicionada ao planeamento e tomada de decisões, nomeadamente, nas unidades suecas. Num caso, uma operação de busca foi planeada para ser realizada com as Forças de Segurança Nacionais Afegãs. O designado GFA284, Assessor de Género no Terreno,
observou que a maioria dos moradores da área em questão eram mulheres e crianças, e que o súbito aparecimento de forças de segurança ou de combate, possivelmente, conduziu à fuga descontrolada. Assim, as unidades responsáveis por estabelecer um cordão exterior precisariam de estar preparadas para informar aqueles que escaparam e proteger as mulheres e crianças. Foi também sugerido que as forças deviam contactar o
281 (Civil-Military Cooperation Centre of Excelence (CCOE), 2013), Gender Makes Sense
282 Madeleine Jufors, GFA FS15, GA NBG 09 FHQ em Implementing a Gender Perspective in Military Organisations a nd Operations- The Swedish Armed Forces Model (Egnell, Hojem, & Berts, 2012) 283 (Schleicher, 2013), Women in Kosovo and Gender Perspectives for Operational Effectiveness 284 Gender Field Advisor
elemento mais antigo da aldeia, antes de iniciar a operação.285 Embora não se tenha
verificado, o GFA julgou que estes passos diminuiriam o risco de uma violência em escala e, a longo prazo reforçaria a confiança da população local nas Forças de Segurança Nacional Afegãs e da ISAF.
É de realçar, no entanto, que os entrevistados no geral, encontraram dificuldades na identificação de casos específicos em que trabalharam na implementação de uma Perspetiva de Género, e que tenha encaminhado a um aumento da eficácia operacional no terreno286.
É importante que seja lembrado, que a Perspetiva de Género não deve ser considerada uma bala de prata conceitual, que irá mudar radicalmente a eficácia das organizações militares. O maior impacto potencial que detém, reside na agenda transformadora que teoricamente poderia mudar a nossa forma de entender a segurança, e as principais tarefas que devem ser empreendidas para alcançá-lo.
Aqueles que trabalham para implementar a Perspetiva de Género nas Forças Armadas Suecas, salientam o facto do objetivo desta inclusão ser o de transformar o modo como as Forças Armadas operam, até à data, e o impacto de trabalhos como este, cria valor acrescentado - um número de competências extra- na aplicação de atividades militares que se desviam de certa forma do tradicional (Egnell, Hojem, & Berts, 2012).
Por exemplo, na procura da cultural awareness no contexto local, a perspetiva de género certamente ajudará, mas não pode substituir as competências linguísticas, o conhecimento cultural no geral e uma mentalidade adequada287.
A imagem mais ampla deve ser mantida em mente bem como o desafio de construir pequenos sucessos de nível tático (discutidos anteriormente), e transformá-los em efeitos operacionais como se pretendem em todas as operações e também de efeitos ao nível estratégico, permanece com certeza.
285 Facto corroborado em entrevista com o CMT Gil, oficial fuzileiro, participou em várias missões em Timor, Afeganistão, Mali
286 Como foi o caso da Drª Filipa Albergaria, que esteve empenhada numa missão de apoio humanitário no Paquistão.