5. Metoder
5.1 Estimering av intensiteter
A relação religião-saúde está predominantemente presente na vida de qualquer ser humano, seja por sua adoção, devoção, radicalização ou negação. Além disso, cita-se a presença da religião nas mais variadas áreas do conhecimento e do fazer humano; política, educação, legislação e saúde são apenas alguns exemplos.
Não obstante, muito parece ter mudado no cenário científico em relação a essa afirmação. De mesmo modo, muito se tem pesquisado a respeito de tal temática, dado que o campo das Ciências das Religiões tem se ampliado consideravelmente,
sendo hoje uma das muitas áreas em que a religião é estudada como fenômeno dentro das ciências sociais.
Para Lotufo Neto:
Pouco se discute, entretanto, sobre seu papel na saúde, particularmente na saúde mental. Graves problemas impactam nossa saúde mental, prejudicando-a: miséria, violência, criminalidade, uso inadequado do álcool, tráfico e consumo de drogas e muitas outras mazelas (LOTUFO NETO, 2009, p. 9).
Nesse contexto, Campbell (1975 apud LOTUFO NETO, 2009. p.17) afirma que a religião é a instituição humana mais antiga e duradoura, sendo praticamente impossível separá-la da história da cultura. Tal ação é tão intensa e duradoura que exerce função importante para o indivíduo e para a sociedade, e porque não dizer, sobre as mais variadas áreas.
Segundo Vergote (1988 apud LOTUFO NETO, 2009, p. 18) uma vez que as culturas são afetadas pela racionalidade ocidental, a interpretação da patologia mental, por exemplo, possuía em sua década muitos elementos mítico-religiosos, de modo que, a religião através de seus símbolos situa o patológico dentro de uma visão integral de homem e humanidade.
Allport e Ross (1967) classificam a presença religiosa na vida dos indivíduos de duas maneiras:
A religião intrínseca estabelece uma estrutura que fornece significado através do qual tudo é compreendido. A motivação principal para a vida é a religião. Outras necessidades, por mais fortes que sejam, são vistas como secundárias e são, dentro do possível, harmonizadas com as crenças e prescrições religiosas. Tendo abarcado um credo, a pessoa se esforça para internalizá-lo e segui-lo totalmente. Ela vive sua religião (apud LOTUFO NETO, 2009, p. 19).
Tal questão foi amplamente observada em todas as benzedeiras entrevistadas. Elas acreditam prontamente no que fazem e parecem fazer com que as pessoas que as procuram também acreditem, embora, dentro do aspecto antropológico eu situe isso como algo natural, ou seja, elas respondem a uma necessidade do homo vivendi, do cotidiano de cada indivíduo. Cita-se ainda:
A religião extrínseca, ao contrário, é a religião de conforto e convenção social, é utilitária, serve a si próprio, subordina a religião a objetivos não religiosos. A religião pode ser útil de diversas maneiras: dar segurança e consolo, sociabilidade, distração, status e autojustificação. O credo abraçado é seguido levemente, ou seletivamente modelado para atender às próprias necessidades (LOTUFO NETO, 2009, p. 19).
Dessa maneira, seja ela vivida de modo subjetivo ou objetivo, a relação religião-saúde está, cotidianamente presente em nosso cotidiano, em relações sociais muito bem sedimentadas, não podendo em nenhum momento ser negada sobremaneira nas suas relações com as questões existenciais do ser humano que são a vida-saúde-morte, conforme se pontuará a seguir.
4.3.1 Saúde, religião e condição humana
Mesmo em religiões e culturas muito arcaicas, a busca pela saúde ou mesmo a fuga da morte, do mal e da doença parece ser algo contínuo nos seres humanos. Caracterizada como uma situação de caos, a saúde humana sofre ainda maior desvanecimento quando os seguimentos públicos e privados não conseguem dar conta de amenizar a dor e evitar a morte. Para Lemos (2008, p. 53) "a concepção de saúde está intimamente relacionada com uma concepção religiosa do corpo e da vida#.
Conforme expressa Woortmann (2001, p. 11) o Centro-Oeste do Brasil surpreende porque suas cidades, com suas raízes alicerçadas no século XVIII, como se configuram em ilhas de história, tecem "teias de tradição, de cultura em meio ao cerrado, e que, após um período áureo de mineração, mantiveram-se cochilando até serem acordadas pela agitação do século XX#. No centro-oeste do país, a medicina está subordinada às influências cósmicas, na mesma medida que outros campos. A natureza pode fornecer elementos e recursos medicinais e, diante disso, as pessoas procuram suavizar seus males por meio dos mais amplos recursos, tendo a fé, dentro desse processo, como parte elementar na promoção da cura (RIBEIRO, 1999).
É o que foi percebido durante a quarta entrevista feita no dia 11 de setembro de 2014 com D. Sebastiana Maria de Andrade (Figura 13), nascida em Quirinópolis na Fazenda Paredão, tem 74 anos, casada há 55 anos. Ela afirmou que sua casa é própria e que mora em Quirinópolis há cinco anos, no bairro São Francisco, desde que veio da fazenda onde residiu por muitos anos, e considera que possui uma pequena relação com a comunidade. Estudou somente 1º ano e teve quatro filhos.
FIGURA 13: D. Sebastiana e esposo logo após a entrevista Fonte: Acervo de Gilson Azevedo (Divulgação autorizada)
D. Sebastiana aprendeu a benzer com a mãe e a avó, já tardiamente, aos vinte anos. Reconhece que em sua época de moça nova, era importante uma jovem saber o oficio da benzeção, justamente para que isso indicasse que essa tinha vocação para ser mãe, sendo ainda uma forma de integração social. Seu marido, que aparece ao lado dela na foto, deu testemunho de ter recorrido às orações dela muitas vezes, não só para si, mas para animais de sua propriedade rural também.
À D. Sebastiana também foi solicitada que recitasse uma oração que fosse recorrente no cotidiano goiano de sua prática de benzedeira; mesmo não benzendo muito, ela recitou a seguinte oração contra espinhela caída27 que segundo ela, foi a
oração que mais ela fez na vida, para crianças e idosos, e ainda a procuram para esse tipo de oração:
Eu te benzo de carne esbagaçada, nervo rendido, osso riturcido, cus poder de Deus da Virge Maria tu vai sê curado. Deus não mente, eu também não minto. Se for jeito, ô carne esbagaçada, o nervo rindido, osso ritrucido vai sê curado. Uma Ave Maria e São Cirineu que me deu a oração, essa pessoa há di sê curado (ENTREVISTA COM D. SEBASTIANA, 11/09/2014).
A oração acima evoca o poder moral de Deus e dos santos, a fim de tirar mística ou magicamente (extirpando-a para algum lugar do cosmos) a dor aparentemente muscular que afeta o benzido, e por certo, encomenda-lhe. Tem como
27 A espinhela caída é uma doença que a pessoa adquire por esforço físico excessivo, sendo os sintomas mais