5. Analysis
5.3 Auditor Responsibility under the GAAS Guidelines
5.3.3 Ernst and Young Performance Analysis
Na análise dos dados coletados, optou-se pela análise de conteúdo, técnica que tem sido muito utilizada na análise de comunicações nas ciências humanas e sociais. Para Bardin (1979), a análise de conteúdo abrange as iniciativas de explicitação, sistematização e expressão do conteúdo de mensagens, com a finalidade de se efetuarem deduções lógicas e justificadas a respeito da origem dessas mensagens (quem as emitiu, em que contexto e/ou quais efeitos se pretende causar por meio delas). Mais especificamente, a análise de conteúdo constitui
Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando a obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens.
(BARDIN, 1979, p.42)
Pela definição apresentada, a autora defende que a análise de conteúdo oscila entre os dois pólos que envolvem a investigação científica: o rigor da objetividade e a fecundidade da subjetividade, resultando na elaboração de indicadores quantitativos e/ou qualitativos que devem levar o pesquisador a uma segunda leitura da comunicação, baseado na dedução, na inferência. Essa nova compreensão do material textual, que vem substituir a leitura dita “normal” por parte do leigo, visa a revelar o que está escondido, latente, ou
subentendido na mensagem. Logo, a análise de conteúdo pode ser utilizada tanto em pesquisas de cunho quantitativo, quanto qualitativo nas ciências sociais.
Segundo Minayo (2000), nas análises quantitativas, atenta-se para a freqüência com que surgem determinados elementos nas comunicações, preocupando-se mais com o desenvolvimento de novas formas de procedimento para mensurar as significações identificadas. Por sua vez, os enfoques qualitativos voltam sua atenção para a presença ou para a ausência de uma característica, ou conjunto de características, nas mensagens analisadas, e permitem que o pesquisador apreenda a visão social de mundo por parte dos sujeitos, autores do material textual em análise.
Na classificação proposta por Bardin (1979), a análise temática ou categorial é uma modalidade de análise de conteúdo de cunho qualitativo. Consiste em operações de desmembramento do texto em unidades (categorias) segundo reagrupamentos analógicos. Com essas operações, visa-se a descobrir os núcleos de sentido, ou temas, comas quais compõem uma comunicação. Diferentemente das análises quantitativas de conteúdo, que busca-se atender o critério da repetição ao evidenciar as reincidências nos discursos, na análise temática, visa-se ao critério de relevância, segundo o qual devem-se ressaltar outros aspectos dos dados sem que, necessariamente, tenha havido sua repetição no conjunto do material coletado (TURATO, 2003).
Quanto às fontes de dados utilizadas para a análise, Bardin (1979) defende que a análise de conteúdo se aplica a diversos domínios, como o lingüístico escrito, o lingüístico oral, o icônico (sinais, grafismos, imagens, fotografias, filmes, etc.), e outros códigos semióticos, ou seja, tudo o que não sendo lingüístico pode ser portador de significações (música, objetos, comportamento, espaço, tempo, sinais patológicos, etc). Por esse motivo,
a análise de conteúdo se aplica tão bem à análise de entrevistas, documentos, histórias e de comportamentos observados, como no caso desta pesquisa.
A operacionalização da análise de conteúdo, propriamente dita, segundo Bardin (1979), vai depender especificamente do tipo de investigação a ser realizada, do problema de pesquisa que ela envolve e do corpo teórico adotado pelo pesquisador, bem como do tipo de comunicações a ser analisado. Cabe, portanto, ao pesquisador fazer o jogo entre as hipóteses, e entre a ou as técnicas e a interpretação. Diante desse fato, o processo de análise dos dados coletados passou pelas seguintes fases de tratamento:
1 – preparação do material: transcrição das fitas gravadas com as entrevistas segundo o roteiro de perguntas, considerando também o conjunto de observações realizadas e os documentos coletados, releitura do material e organização de acordo com a ordem proposta para a apresentação dos dados;
2 – pré-análise: organização e sistematização das idéias, em que ocorre a escolha dos documentos a serem analisados, a retomada dos objetivos iniciais da pesquisa em relação ao material coletado, e a elaboração de indicadores que orientarão a interpretação final; 3 – análise de conteúdo das entrevistas semi-estruturadas25, composta pelas seguintes etapas:
a) tabulação quantitativa das entrevistas com a identificação das respostas dos entrevistados e agrupamento de acordo com cada pergunta, com uso de estatística descritiva (freqüência) e posterior construção de tabelas. Com esse procedimento, possibilitou-se uma visão quantificada das respostas das entrevistas e pode-se auxiliou no estabelecimento dos temas da etapa seguinte;
25 Conforme prática desenvolvida no NURTEG (Núcleo de Relações de Trabalho e Tecnologias de Gestão,
coordenado pela Profa. Dra. Marlene Catarina de Oliveira Lopes Melo) e publicada em relatórios de pesquisa (MELO, 2001; 2002a; 2002b; 2003).
b) tabulação qualitativa mediante análise temática, fundamentada em Bardin (1979) e Minayo (2000), com a definição de temas relacionados aos objetivos da pesquisa, também construídos com base nos dados obtidos, e estruturação de uma planilha, com a qual pôde-se fazer o agrupamento dos extratos de entrevistas mais representativos dos temas escolhidos, objetivando-se destacar a fala do entrevistado. Os temas, ou categorias centrais da pesquisa, por se basearem tanto nos objetivos previamente estabelecidos como nos dados coletados posteriormente foram obtidos mediante o que Vergara (2005) denomina de grade mista de categorização. A unidade de análise foi constituída por parágrafos e frases. No caso específico das histórias, cada história foi considerada uma unidade de análise. Na etapa de categorização temática, analisou-se analisar o conjunto de referências feitas pelos entrevistados em relação aos temas originados dos objetivos secundários e às suas ramificações, ou subtemas.
Com base nas categorias estabelecidas, foram organizadas as partes da apresentação dos resultados com seus temas centrais e subtemas, nas quais foram distribuídas as tabelas da tabulação quantitativa para ilustrar as análises feitas, considerando-se o referencial teórico proposto. Os temas e subtemas a partir dos quais a análise temática foi organizada são apresentados no quadro 3.
Quadro 3
Temas e subtemas utilizados na análise temática