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As relações de gênero, em conformidade com a perspectiva adotada nesta tese, devem ser consideradas práticas discursivas que refletem e distribuem manifestações de poder e resistência entre as pessoas, de acordo com os interesses dos grupos que se organizam e se enfrentam em campos de disputas sociais. Dessa forma, permite-se reconhecer as estratégias adotadas por homens e mulheres para conviverem e para se posicionarem em um determinado espaço social, além de se combater a visão determinista do sexo feminino subordinado ao masculino.

Càlas e Smircich (1996) afirmam que muitas das abordagens feministas ressaltam uma bipolaridade simplificada entre o masculino e o feminino. Entretanto, não se pode fixar uma demarcação rigorosa entre os gêneros, pois o próprio comportamento não oferece a possibilidade de uma delimitação tão exata. Como construção social e histórica, o conceito de gênero pressupõe pluralidade e multiplicidade nas concepções de homem e mulher, mesmo porque uma concepção fortemente polarizada dos gêneros esconde a pluralidade existente em cada pólo (LOURO, 1997b).

Dessa forma, o gênero deve ser entendido dentro de um aspecto mais amplo, que abrange as múltiplas instâncias e relações sociais, discursos, organizações, doutrinas e símbolos. Esses elementos tanto são instituídos pelos gêneros como também os instituem, resultando em diversos movimentos que formam uma rede complexa de ações e reações, em que se distribuem e se articulam constantemente relações de poder. Deve-se perceber o gênero com referência à localidade e especificidade de cada discurso, desconstruindo e reformulando verdades universais.

É o que Meyer (1998) se propõe a fazer ao analisar os estudos de gênero na Enfermagem, mantendo a dúvida como postura intelectual, ou seja, a autora coloca em xeque os ideais e fundamentos positivistas de universalidade e racionalidade, enfatizando o caráter contingente, localizado e particular alcançado pelas relações de gênero. Da mesma forma, Louro (1996; 1997a; 1997b) discute as relações de gênero inseridas em meio às diversas articulações teóricas e práticas que elas permitem, ressaltando o seu caráter de instabilidade (constante questionamento) e de vitalidade (renovação e autocrítica), possibilitando, portanto, interpretações múltiplas de seu conceito.

Nesse sentido, as teorizações sobre gênero carregam uma dimensão política e um desejo de transformação social, o que favorece sua abordagem sob uma perspectiva crítica e politizada. Pode-se, portanto, entendê-las por meio de elementos e discursos capazes de promover a preponderância de um sexo sobre o outro e mediar contradições nas relações de poder entre os agentes sociais em interação. Isso pode ser percebido inclusive nas organizações. As relações de gênero estão inseridas nas disputas por promoções e cargos nas empresas. Muitas vezes, se usa como justificativa para a conquista de uma posição ou para o sucesso no desempenho de uma função, o fato de um empregado ser homem ou

mulher. Pois, para Melo (1985, p.162), “o poder é uma característica fundamental e inelutável de todas as relações sociais”. E, ainda de acordo Melo (1991, p.54),

as relações de trabalho tornam-se, na prática, o ‘locus’ privilegiado de manifestações de relações de poder, assumindo formas diversas de expressão conforme as relações de força existentes entre os grupos de interesse na sociedade e na própria empresa.

Melo (1991) defende que o poder só pode ser considerado na sua característica relacional, ou seja, “a manifestação das relações de poder se dá numa relação contingente aos indivíduos e à estrutura social na qual eles se encontram” (MELO, 1991, p.100). Seguindo essa perspectiva, deve-se abordar o gênero como uma forma de expressão das relações de poder no espaço organizacional, analisando as condições de sua emergência e os jogos de interesses que as envolvem.

Ao ser trazida para os debates sobre relações de gênero, a concepção de poder elaborada por Foucault remete à interpretação dessas relações sob a forma de redes de interesses tensas e continuamente ativas, em que não se possibilita a posse do poder, mas somente a capacidade de exercê-lo em múltiplas instâncias e intensidades diversas (LOURO, 1997b). Dessa forma, o poder passa a estar vinculado a manobras, técnicas, táticas e mecanismos, tendo implicações sobre as ações dos seres humanos que o exercem.

Na perspectiva foucaultiana de poder aplicada às relações de gênero, permite-se o rompimento com a polarização entre o masculino e o feminino, visto que impede a aceitação de que apenas um dos dois pólos detém o poder, enquanto o outro é totalmente e incontestavelmente submetido a ele. Esse fato não impede, porém, que em determinados momentos – mesmo que na maioria deles – alguns dos sujeitos estejam mais submetidos a manobras de poder do que outros. Foucault (1977) descreve a capacidade disciplinarizante

do exercício do poder como a aptidão para docilizar corpos, induzir comportamentos desejados e esvaziar sua capacidade de contestação.

Diante dessa perspectiva, as organizações podem ser entendidas como espaços em que homens e mulheres se articulam por meio de movimentos de negociação, contestação e de luta de acordo com os interesses em questão, buscando auto-regular suas posições. Essa visão permite uma melhor identificação da dialética existente entre poder e estrutura e fornece novos campos de análise para serem investigados. Assim, locais de poder polivalentes são formados por toda a organização, em vez de territórios generificados em que se pode observar a dominação total de mulheres por homens, ou vice e versa (SEWELL, 1998).

Mas não se deve desprezar o fato de que algumas estruturas simbólicas em relação ao gênero se fazem presentes nos campos sociais e nas mentes das pessoas, como afirma Bourdieu (1999; 2001). A título de exemplo, em relação às práticas organizacionais, Peterson e Albrecht (1999) asseguram que as organizações são capazes de formatar, definir e reproduzir as distinções hegemônicas entre masculino e feminino de uma maneira sutil, mas poderosa, mediante a construção de discursos, políticas e procedimentos que fundamentam a vida social e organizacional. Trata-se do que Putnam (1983) descreve como prisões psíquicas, ou seja, formas de controle raramente percebidas por estarem intrínsecas à vida e linguagem organizacionais cotidianas.

Nesse caso, nas estratégias de poder que envolvem as relações de gênero, verificam- se uma diferenciação entre os sexos que delimita comportamentos e condutas e é delimitada por eles. Para Bourdieu (1999, p.17), essa delimitação é considerada natural e inevitável, como se estivesse “na ordem das coisas”, incorporada nos corpos e nos habitus dos agentes e funcionando como esquemas de percepção, de pensamento e de ação, nos quais o

princípio masculino é tomado como “medida de todas as coisas”. E Bourdieu (1996a) chega a reconhecer esse fato como um tipo particular de violência simbólica, nomeada por ele de dominação masculina. O autor afirma ainda que a perpetuação da relação de dominação entre os gêneros não se origina apenas na unidade doméstica, em que seu exercício é mais visível, mas sim em instâncias como a escola, o Estado e as organizações, espaços em que ocorrem a elaboração e a imposição dos princípios da dominação, que se constituem em campos de ação abertos aos estudos feministas. O autor caracteriza a perpetuação da dominação.

Inscrita nas coisas, a ordem masculina se inscreve também nos corpos através de injunções tácitas, implícitas nas rotinas da divisão do trabalho ou dos rituais coletivos ou privados... As regularidades da ordem física e da ordem social impõem e inculcam as medidas que excluem as mulheres das tarefas mais nobres... assinalando-lhes a postura correta do corpo... Enfim, em geral tirando partido, no sentido dos pressupostos fundamentais, das diferenças biológicas que parecem assim estar à base das diferenças sociais. (BOURDIEU, 1999,

p.34)

Ao observar as organizações sob essa ótica, Fonseca (2000) argumenta que a distribuição de cargos administrativos representa a aliança entre a dominação e a exploração das mulheres trabalhadoras, em que elas, ao ocuparem esses cargos, podem passar a agir de maneira a buscar possíveis benefícios advindos dos jogos de poder, apesar de ainda estarem à margem desse espaço onde a masculinidade se afirma e se realiza. A autora nota que a imposição de metas, procedimentos e tarefas em cargos de chefia feminina se dá, na maioria das vezes, por superiores do sexo masculino, enquanto as chefes mulheres figuram como coadjuvantes, reservando-se a um lugar de ressonância do poder. Percebe-se, portanto, que a predominância do masculino tem assumido conotações variadas, obtendo a cumplicidade das próprias mulheres em determinadas situações.

A análise das relações de gênero também pode ser realizada por meio da apreensão da ordem institucional em que essas relações se inserem. Remetendo ao conceito de campo de poder e de habitus, Bourdieu (1996a) demonstra que a dominação masculina está instituída, por um lado, nas coisas, como em divisões espaciais e instrumentais entre homens e mulheres, e, por outro lado, no pensamento, sob a forma de princípios de visão, de divisão e de classificação, de taxionomias, e também de maneiras de se usar o corpo, de se vestir e de se portar. Por esse motivo, o autor considera essa forma de dominação arraigada e simbólica, que permeia tanto divisões objetivas como estruturas mentais subjetivas. Isso explica o fato de o universo masculino vir conseguindo se impor sob a forma de evidências, ou seja, do “isto é assim”. Para Bourdieu (1996a), a evidência nasce do acordo das estruturas, ou seja, para que a dominação funcione, é preciso haver universos nos quais a ordem objetiva, as estruturas objetivas sejam capazes de se reproduzir nas estruturas mentais. Como exemplo, o autor aponta a socialização e os ritos de instituição, tais como a circuncisão em algumas sociedades e religiões, que separa os que são circuncisados (homens) dos que não o podem ser (mulheres); ou os concursos que, com seus pré-requisitos, criam a separação entre aprovados e não-aprovados, entre outros tipos de ritos e rituais existentes para diferenciar uma classe, ou uma categoria qualquer, de outra.

Entretanto, o próprio Bourdieu (1999) reconhece que esse universo masculino tem sido questionado por contestações feministas que agem no sentido de romper com tais evidências. Essas contestações revelam disputas de relações de forças que se expressam no campo estruturado pelo pensamento. O autor ilustra essas disputas ao considerar que os homens têm articulado estratégias de reação pelo fato de que têm se sentido ameaçados, mesmo que simbolicamente, em relação à sua imagem de virilidade e à sua posição

histórica de dominação. Diante desse fato, percebe-se que Bourdieu (1999) reconhece um certo tipo de resistência, mas ainda insiste que essa resistência, por si só, não é suficiente para romper com as estruturas da dominação.

Contudo, quando versa sobre a relatividade das interpretações que tratam do sentido das coisas para cada um, Bourdieu (1999) concorda que a indeterminação parcial de alguns objetos permite interpretações subjetivas e antagônicas e oferece aos dominados uma possibilidade de resistência contra a imposição. Para tanto, Bourdieu (1996a) acredita ser a tomada de consciência e o questionamento uma condição primeira e indispensável para desencadear o processo de transformação da dominação, principalmente, ao demonstrar que o fundamento principal dessa dominação reside no fato de que, na economia atual, a mulher tem sido mais objeto do que sujeito. A possibilidade de transformação para Bourdieu (1996a; 1999) reside na subjetividade de cada um, na capacidade de ação interativa que ele reconhece em cada ator social, e na sua participação ativa na construção social da realidade e em processos de mudanças, mesmo que relativamente limitados por fatores estruturais.

Entretanto, a possibilidade de resistência à dominação para Bourdieu (1999) parece ser mínima. Ao comentar a dominação masculina nomeada por Bourdieu, Perrot (2003) faz uma crítica ao autor, justamente, acerca da possibilidade de transformação vislumbrada por ele. Perrot (2003) interroga como as mulheres, na condição de dominadas, de objetos, conforme exposto por Bourdieu (1999), podem entender sua dominação, ou até mesmo questioná-la.

É nesse ponto que a dominação masculina de Bourdieu (1999) deve ser relativizada pela idéia de múltiplas possibilidades de dominação, cunhada por Foucault (1979; 1995), que caracteriza uma forma de poder mais plural, contingente, e menos centralizada. Dessa maneira, ao exercer sua capacidade de agir sobre a ação do outro (FOUCAULT, 1995), a

mulher assume suas várias posições de sujeito, resultantes de determinações múltiplas e contraditórias, mas presentes em uma mesma subjetividade. Meyer (1996) acredita que é nessa noção de multiplicidade tensa e dinâmica da subjetividade que se encontra o espaço das transformações sociais (e porque não estruturais) possíveis.

A partir do momento em que se percebem as relações de poder inerentes ao gênero sob a forma de redes de alianças que se estendem sobre um terreno mutável de interesses, como na concepção foucaultiana de poder, pressupõe-se a existência de pontos de resistência que podem resultar na quebra e reformulação dessas alianças. Nesse caso, as formas de resistência produzidas pelos indivíduos parecem não impactar significantemente quando são percebidas isoladamente, contudo, Melo (1995) afirma que as regulações produzidas pelos empregados nas organizações são quase sempre mal conhecidas e subestimadas, em decorrência de seu caráter subjetivo. Portanto, também não se deve subestimar o papel das mulheres na regulação das relações de gênero no mundo do trabalho.

Deve-se ponderar, contudo, como dito anteriormente, que esse terreno permeado por interesses está inscrito em um determinado campo social e de poder, marcado por instituições, ritos, culturas, tipos de capital simbólico, práticas sociais, discursos e linguagens, e que homens e mulheres se relacionam nesse campo norteados por seus habitus, suas estruturas mentais subjetivas (BOURDIEU, 1999). Mas, essas estruturas mentais também são passíveis de transformação ao longo do tempo.

Nessa referência, permite-se a aceitação, identificação e compreensão da ocorrência de práticas sociais entre homens e mulheres, no nível micropolítico (FOUCAULT, 1979), em que há a possibilidade constante de negociações, avanços, recuos, consentimentos, revoltas e alianças e, conseqüentemente, de transformações (LOURO, 1997b). O confronto

de forças resultante dessa interação retrata não só a adesão ou a resistência, e nem se configura em um conjunto coeso de ações que se opõe como antagônico à prática e às estruturas dominantes. Mas se caracteriza “como um conjunto disperso de práticas, ações, reações, representações e formas de consciência que possuem lógica/racionalidade próprias definidas, local e temporalmente, por seus sujeitos” (MELO, 1991, p. 119). Também para Meyer (1996), é nessa dinâmica das relações de poder e gênero que se estruturam os campos possíveis de ação dos sujeitos humanos.

Nesse contexto, as mulheres e os homens nas organizações não devem ser vistos como sujeitos sob total dominação e impedidos de ter reações e comportamento próprios, pois se deve prever que as relações que engendram poder estão em constante transformação. Isso permite que eles sejam capazes de deformar, transformar e desviar a configuração de suas relações de acordo com seus propósitos e suas possibilidades.

Deve-se adotar posturas de análise contingenciais, localizadas, de acordo com cada situação, cada tipo de organização, cada tipo de grupo social. Como defendem Alvesson e Billing (1997), os padrões de gênero se tornaram complexos e quase sempre contraditórios. Atualmente, há muita variação nos tipos de preconceitos contra mulheres no trabalho, muita variação no estilo de vida e de trabalho de homens e mulheres em termos de carreiras, condições de trabalho, bem como das estruturas e culturas organizacionais, o que torna impossível descobrir mecanismos universais de discriminação e de generificação. Para os autores, não se trata apenas da dominação masculina e da subordinação feminina, também há outras múltiplas formas de relacionamento entre homens e mulheres que estão aí para serem estudadas, como, inclusive, o homossexualismo e o lesbianismo. O interesse de investigação deve se voltar para as ricas possibilidades de significados sobre o gênero que

as organizações carregam e para as diversas maneiras como mulheres e homens têm procurado conviver nas organizações.

Deve-se perceber que mulheres também experimentam felicidade e benefícios não apenas financeiros, mas também do dia-a-dia nas organizações. Do ponto de vista dos estudos organizacionais, o gênero pode dar poderosas e valiosas dicas sobre como funcionam as organizações, por exemplo, em termos de liderança, estratégia, cultura organizacional, grupos, comunicação, dentre outros aspectos. Alvesson e Billing (1997) acreditam que se deve ir além do julgamento positivo ou negativo acerca dos resultados oriundos dos padrões de gênero e se buscar as transformações pelas quais têm passado os sujeitos humanos e as organizações diante das características da pós-modernidade.

Bertero (2006) corrobora com essa crença, ao comentar que o feminismo, entendido como movimento que vem produzindo a emancipação da mulher ou a sua equiparação ao homem, integra o processo de modernização organizacional. Um elemento fundamental para que isso ocorresse foi o ingresso feminino no mercado de trabalho e a conquista de direitos sociais e políticos, ou seja, o questionamento e a transformação do campo social marcado pelo patriarcalismo.

Assim, as relações de poder e gênero podem ser entendidas mediante o estudo das reações despertadas pela dominação, manifestas em seus pontos locais de ocorrência. Esses pontos podem estar representados de diversas formas: na criação e no reforço de identidades relacionadas a funções específicas “generificadas”, ou seja, no “agir de acordo com o gênero” (BELLE, 1993); na reprodução feminina de modelos masculinos para alcançar posições de destaque (BENSCHOP e DOOREWAARD, 1998); ou mesmo na internalização do sentimento de inferioridade (PETERSON e ALBRECHT, 1999).

Ainda nessa perspectiva, Calazans (2004) afirma que a profissionalização do trabalho policial está associada ao ingresso de mulheres na Polícia Militar e a um momento de crise da organização, que por sua vez, reflete uma crise mais ampla do próprio modo de organização do trabalho nas sociedades contemporâneas. Considera-se, portanto, a possibilidade de as mulheres se beneficiarem do período de crise e tentarem sustentar novas posições de poder na hierarquia da instituição para transformar esse espaço até então de domínio masculino. A autora acredita que com as habilidades femininas, constituídas na sua socialização nos ambientes familiar e escolar, as mulheres passam a atender a um novo perfil que corresponde às novas concepções de segurança pública para uma Polícia menos voltada para o uso da força e direcionada para a capacidade estratégica e com práticas não truculentas.

Esse tipo de posicionamento analítico pode ser mais bem entendido ao se recuperar o papel do sujeito humano na dinâmica social (ENRIQUEZ, 1994; MORIN, 1996). Não se pode, portanto, falar de gênero sem considerar aspectos tais como relações de poder, identidade e as especificidades locais, culturais e temporais da situação em análise. A perspectiva atual de estudos sobre gênero deve ir muito além de questões, como as limitações femininas no trabalho, o preconceito contra a mulher, a dominação masculina, etc.

Deve-se buscar o sentido de tentar compreender o que está sendo construído pela sociedade atual acerca do gênero, que avanços já podem ser encontrados, que mudanças ocorreram nos grupos, nas organizações, nas sociedades, no governo. Também sob o mesmo prisma, tentar verificar em alguns setores e culturas mais tradicionais os motivos pelos quais os avanços não têm ocorrido, e, ao fazer isso, ter sempre em mente que gênero é uma construção social e, como tal, depende de todos os envolvidos nessa construção. É o

que se pretendeu fazer ao pesquisar como as mulheres policiais vivenciam o seu dia a dia na Polícia Militar, uma organização eminentemente masculina.

E qual é o nível de consciência sobre a questão das relações de poder e de gênero que essas policiais possuem? Cabe lembrar que a representação das relações sociais, entre elas, as formas de resistência, também é contingente e legitimada na subjetividade de cada um, o que será abordado na próxima parte.