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erknader til vilkår

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Conforme a maioria dos autores citados no referencial teórico, as novas circunstâncias pós-automação flexível, impactaram profundamente as relações empregados X sindicatos.

Para Mattoso (1999), com o rompimento do compromisso social do pós- guerra e a elevação da insegurança em diversos níveis, como a insegurança em relação ao mercado de trabalho, ao emprego e à renda, houve também uma insegurança em relação à contratação. Essa insegurança em relação à contratação pode ser considerada como uma tendência para a negociação e relações do trabalho mais individualistas em contraposição às tendências anteriores, mais coletivas e protecionistas. Essa tendência acaba por trazer também uma insegurança no que se refere à organização dos trabalhadores, colocando sua organização na defensiva e enfraquecendo suas práticas reivindicatórias de conflito e de negociação e, de maneira geral, reduzindo os níveis de sindicalização.

Para Pochmann (1999), as medidas econômicas implementadas desde a década de 1970 buscaram, dentre outras coisas, focalizar o gasto social e restringir a ação sindical, considerada como entrave à generalização do ideário neoliberal.

Sobre os níveis de sindicalização na Samarco, cabe ressaltar que, de todas as entrevistas realizadas, não foi ouvido nenhum empregado que fosse sindicalizado ou, talvez, que admitisse que fosse. Apenas um empregado, que foi entrevistado

fora do ambiente de trabalho da empresa, afirmou que não era sindicalizado, mas estava pensando em fazê-lo.

Sobre o assunto, um técnico de contribuição individual entrevistado declarou:

Houve muita mudança nas relações com o sindicato. Quando eu entrei aqui, a gente já estava no Plano Cruzado... Dava muita dor de cabeça. Época de acordo coletivo, era muito complicado, era alto-falante na porta. Chegava agosto aqui, falavam que era o mês das bruxas... Era cansativo, terrível. Gastávamos muita energia para fazer comunicação com os empregados. A gente vinha para cá quatro/cinco horas da manhã e saía daqui nove horas da noite. Fazia com a mesma turma três conversações diferentes, pois não podia tirar todo mundo da área ao mesmo tempo, e o sindicato vinha meia hora depois num caminhão e desbancava tudo o que tínhamos dito.

A negociação da empresa era de 70% e o sindicato pedia 160% de reajuste. Até chegar num denominador comum, eram muitas reuniões. Hoje não, hoje a empresa tem pelo sindicato um respeito muito grande e é recíproco. O próprio sindicato foi se reformulando administrativamente. Ele não pôde ficar alheio a essas coisas na empresa. E, de certa forma, ele foi acompanhando também. Hoje ele já controla o custo, já tem um gerenciamento da rotina, já valoriza mais o ser humano, e ficou mais fácil o diálogo. A Samarco tem hoje um relacionamento com o sindicato exemplar. O respeito é recíproco.

Um gerente, também entrevistado, afirmou, sobre o assunto:

A nossa relação mudou, sim. Nós tínhamos um sindicato que é base CUT e todo e qualquer sindicato base CUT é aguerrido, tem uma filosofia da CUT que é muito forte e isso foi mudado pela relação de confiança que criamos com eles também. Não bastava criar uma relação de confiança só com os empregados. Fizemos um convite ao sindicato. Nós queremos ser uma empresa moderna, vamos conversar. Não temos nenhum clima hostil com o sindicato. É uma relação muito boa. Eles vêm aqui na empresa, nós vamos lá no sindicato. Sempre dizia, olha, o objetivo de vocês é o mesmo nosso, ou seja, o melhor para o empregado. Vocês têm limitações, nós também temos. Vamos negociar. Além de ser o melhor para o empregado, vocês têm as questões políticas e eu também tenho, então, vamos conversar e negociar. Vamos ter maturidade para ver o que dá e o que não dá para fazer. Eu acho que esse foi um grande passo de evolução na construção do processo de gestão da Samarco. É ter tranqüilidade para sentar com o representante de classe e ter uma relação de confiança com eles. E fechar acordos que sejam satisfatórios não só para os empregados mas também para eles, sindicalistas, e para nós, líderes empresariais.

Outro gerente entrevistado, de uma das mais importantes áreas da empresa, declarou sobre o mesmo assunto:

A relação com o sindicato vem melhorando ano a ano. Porque justamente essas pessoas vêm se tornando mais esclarecidas. Então, se você considerar o modelo bem antigo de sindicato em que o cara tentava manobrar uma massa pouco esclarecida, essa massa hoje está muita mais esclarecida, então está mais difícil manobrar. Mas também nós temos que considerar que o sindicalismo também evoluiu muito. Hoje em dia têm pessoas

dentro do sindicato que não estão a fim de manobrar uma massa burra, eles estão a fim de realmente pegar uma massa esclarecida e dar para os caras, idéias reais do que está acontecendo. Apesar do que, ainda têm figuras bem primitivas nesses conceitos. Mas a nossa relação com o sindicato vem melhorando, isso é nítido. Não quer dizer que nós estamos aprovando mais facilmente as nossas propostas ou não. Isso para mim não tem nada a ver com relação com o sindicato. Você pode ter uma relação excelente com o sindicato, mas, se você coloca uma proposta terrível num acordo sindical, evidentemente não vai passar. Mas eu acho que as coisas estão evoluindo para conversas em níveis mais altos. E você vai levar isso para a usina porque os caras perguntam.

O Presidente do SINDIMETAL, sindicato representativo da categoria, ouvido sobre o assunto, afirmou que as relações com a empresa realmente evoluíram e se mantiveram em bom nível até o momento em que a Companhia Vale do Rio Doce assumiu o controle acionário da Samarco e impôs a sua marca.

O presidente confirmou as informações passadas por um empregado do nível operacional, ouvido fora do ambiente da empresa, que observou:

Na semana passada, teve a reunião falando que a Samarco sentou com o sindicato para discutir a escala porque está vencendo o prazo do acordo anterior. Aí o sindicato falou que não dava para discutir a escala. O sindicato queria discutir primeiro a participação nos resultados e nos lucros (PRL) da turma. A Samarco falou que iria ser pago em abril, mas os funcionários acham que merecem mais e que a Samarco deve divulgar o quanto do lucro que ela está dividindo com os funcionários e que deve divulgar, também, de onde que ela está tirando essas contas para que dê esse valor e não pode dar mais. Por que ela não divulga? Não fala nada? É daí que tem que dividir e pronto. Aí a Samarco falou: “não, a nossa proposta já está dada, é tanto de PRL e acabou”. Então o sindicato falou: “então não vamos discutir não”; a Samarco falou: “então está bom, até logo e pronto”.

Ao que se sabe, a Samarco acha que a proposta não está sendo aceita pela resistência do pessoal da manutenção que “não tem nada a perder”. Estão para ser demitidos em função da terceirização anunciada.

Tentando minorar o problema, a Samarco chamou a mecânica de novo para falar: “o lance da terceirização não está legal porque o serviço da terceirização para Samarco vai sair bem mais caro do que se imaginava e a Samarco descartou a terceirização”. Descartou, mas ela está abrindo proposta para várias empresas no ramo da terceirização e esperando as propostas e vão ver qual a mais viável, mas que a terceirização vai ter, vai ter, só que, no momento, espera um pouco.

O Presidente do sindicato confirmou as informações dadas pelo trabalhador e acrescentou que a proposta da empresa foi levada a nova assembléia sendo novamente reprovada pelos trabalhadores. O sindicato fez uma contraproposta que a empresa novamente não aceitou. Levada, contudo, à nova assembléia, a contraproposta do sindicato foi aprovada.

Sobre a questão da terceirização e quanto à entrada da Norpel na Samarco, o Presidente informou que o sindicato é contra e que tem feito campanha para, caso

aconteça a terceirização, ela seja feita não apenas com a entrada de uma única empresa (Norpel, que é controlada da própria Vale), mas que seja dada oportunidade a outras empresas de pequeno porte, considerando, inclusive, a questão de uma melhor distribuição de renda.

Sobre os índices de sindicalização e sobre as pressões que, de maneira geral, a empresa faz sobre os trabalhadores para evitar o poder sindical, um empregado entrevistado, demitido da empresa, afirmou:

Depois que a empresa começou todo aquele processo de Qualidade Total, padronização internacional e tal, ela chamava o empregado em uma sala particular e falava que era para o empregado não se envolver com o sindicato. Se possível não se sindicalizar. Teve várias denúncias sobre o fato porque o negócio ficou muito descarado principalmente depois que o Collor entrou na presidência. Mas o sindicato não conseguia provar a existência da pressão da empresa. O máximo que o sindicato conseguia era chamar algum chefe e adverti-lo, mas aí ele ficava “bonzinho”. Eu soube que a empresa pressionava as chefias para que pressionassem os trabalhadores a se desligarem do sindicato.

Por outro lado, um empregado do nível técnico operacional explicou por que não é sindicalizado, dando as seguintes informações:

Eu não sou sindicalizado porque o sindicato não consegue mostrar, incentivar a que o funcionário seja sindicalizado. Por quê? Porque você só vê sindicato aqui na época de acordo coletivo. Então, durante um ano, você tem contato com o sindicato durante quinze dias, vamos dizer assim. O sindicato parece que parou no tempo, ele não conseguiu acompanhar a evolução. Não trás o funcionário para junto do sindicato para estar participando, fazendo alguma melhoria aqui, tentar ajudar uma comunidade onde os trabalhadores vivem, fazer uma capacitação para os funcionários, você não vê ele fazendo nada, você só o vê durante quinze dias no ano...

Eu acho que o sindicato deveria se envolver mais no dia-a-dia dos empregados de forma a conhecer melhor a realidade de cada um. Como que o sindicato vai negociar com a empresa questões como plano de saúde se ele não conhece a nossa realidade? Deveria ver o empregado também fora da empresa e não só durante a época de negociação de acordo coletivo.

O Presidente do sindicato afirma que, nos últimos meses, tem havido um aumento no número de sindicalização, que, no caso da Samarco, é espontâneo. Na sua percepção, isso tem acontecido em função da forma radical como a Companhia Vale do Rio Doce vem conduzindo as negociações e em função da pressão insuportável que vem exercendo sobre os trabalhadores. Os trabalhadores, por outro lado, parecem perceber que “fazer o jogo da empresa” não tem sido a melhor

política, pois, principalmente aqueles dos níveis mais baixos, vêm perdendo seus direitos arduamente conquistados, a cada dia que passa, mesmo aceitando todas as condições impostas pela empresa.

Os problemas enfrentados pelos sindicatos assim como as mudanças nessa relação aparecem em praticamente todas as entrevistas realizadas na empresa. Um supervisor entrevistado, levado a comentar se era sindicalizado e sobre o que pensava do sindicato, afirmou:

Sinceramente eu não vi ainda, no meu caso específico, nenhuma vantagem, nenhuma necessidade, da forma como o sindicato vinha trabalhando de muito tempo e hoje como está não me agrada, não.

Eu acho que o sindicato é importante mas o sindicato, principalmente aqui no Espírito Santo, precisa trabalhar muito essa questão de ter uma visão mais aberta, com inovações em relação às relações de trabalho, porque as coisas mudaram muito e o sindicato não acompanhou essas mudanças, não. Eu não acredito que acompanhou não. Está muito naquela visão de garantir o emprego, de emprego, de emprego e a gente sabe que essa é uma tendência... é de diminuir emprego, então tem que pensar numa coisa diferente em novas alternativas para ajudar o trabalhador, ver a empregabilidade e a “trabalhabilidade”, ou seja, tem que trabalhar a cabeça do trabalhador e mostrar a importância desse trabalhador, cada vez mais, se atualizar, porque não tem como hoje a empresa ficar garantindo o emprego para todo mundo. Emprego é uma coisa incerta, você tem que estar pronto é para o mercado. Então, eu acho que o sindicato hoje peca muito nessa questão e não acompanhou o ritmo de evolução das organizações. As organizações evoluíram e o sindicato ficou lá atrás ainda, naquela visão antiga de relação de trabalho, por isso não me atraiu muito, não.

Não é exatamente isso que diz um empregado demitido da empresa, logo no início do processo de mudança na empresa, e partícipe ativo, em uma determinada época, do SINDIMETAL, sindicato da categoria:

Hoje, todo movimento sindical está enfraquecido. Está enfraquecido desde o projeto do Collor. Isso não quer dizer que ele está em processo de extinção. Ele enfraqueceu pelo próprio processo que o governo estabeleceu. Quando o Collor assumiu o governo, uma de suas metas era acabar com todos os direitos trabalhistas. Ele deu muita força e as empresas se aproveitaram disso para fazer muita pressão em cima do trabalhador. O trabalhador foi perdendo o emprego e, automaticamente, o sindicato foi perdendo espaço. O sindicato só vive com a força do trabalhador, se isso não acontece, como parece ser o caso, ele enfraquece.

A partir do momento em que o trabalhador começa a aceitar as pressões da empresa, ele começa a renegar o sindicato, com a sua luta. Trocando em miúdos, é o próprio trabalhador negando a si mesmo e assumindo a postura do patrão, com medo do desemprego. É dada uma opção única ao trabalhador: a empresa ou o sindicato. Então ele tem medo. Esse medo é muito grande e tem aumentado cada vez mais. E o interessante é que ele não devia temer tanto porque, com todo esse medo, está sendo a época em mais se demite, com medo e tudo. Propostas os sindicatos apresentaram, os trabalhadores é que não quiseram assumir por causa dessa pressão e desse medo. Porém, eu acho que a luta deve continuar. Enquanto houver pessoas dispostas, mesmo que não sejam muitas, a luta deve continuar.

Os políticos também deveriam ser pressionados a criar uma lei que proibisse as empresas que estão obtendo lucro de demitir porque hoje elas demitem de todo o jeito. Elas só pensam no lucro, o objetivo é um só: lucro. E quando eu falo em lucro, eu quero dizer grandes lucros. As empresas no Brasil querem lucrar é 20/30%, elas não querem lucrar igual a muitas empresas em outros Paises, 4/5%. E o principal ponto que ela vai, logo de início, é na demissão. Ela automatiza o local, terceiriza, aí... onde trabalhavam cinco/dez empregados, hoje só trabalha um, quando trabalha. Foi dessa forma que o sindicato perdeu espaço.

O Presidente do sindicato concorda em parte com o demitido e afirma que o sindicato, além da pressão que normalmente faz sobre os políticos em defesa dos trabalhadores, vem implementando ações no sentido de qualificar os trabalhadores procurando mantê-los atualizados para busca de oportunidades no mercado de trabalho. Afirma, também, que, apesar de todos os reveses e dificuldades, a luta vai continuar.

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