9 Oppsummering og drøfting
9.4 Erfaringer med organisering og gjennomføring av piloten
O objetivo deste projeto, foi aferir em contexto pedagógico se a aplicação de um repertório multicultural assente nas suas especificidades e caraterísticas etnográficas poderá influenciar a performance coral do grupo. Penso que a educação de uma sociedade democrática deve potenciar nos alunos experiências que lhes permitam ter conhecimentos, atitudes e habilidades necessárias para que num futuro próximo possam participar de ação cívica mais justa. A implementação de um repertório multicultural poderá constituir uma boa estratégia no alcance desse objetivo. Para Banks “A educação numa sociedade pluralista deve incentivar e ajudar os alunos a entender as suas próprias culturas. No entanto, também deve ajudá-los a libertarem-se das suas fronteiras culturais”25 (Banks, 1994, p.1). Neste sentido, os professores devem ter a preocupação de manter
e potenciar as identidades culturais dos seus alunos, mas simultaneamente expandir perceções e crenças de outras culturas e etnias. Ao adotarem essa conduta, potenciam uma compreensão cultural mais profunda e menos estereotipada, para David Elliott “a música é um dos principais meios para distinguir, identificar e expressar diferenças” (Hyesso Yoo, 2017, p. 36).
O objetivo da educação multicultural é transformar o ambiente escolar, levando-o a refletir sobre a diversidade cultural na sociedade. Suzuki (1984) defende que uma educação multicultural, deve potenciar nos alunos o espírito crítico e autonomia para resolverem democraticamente eventuais obstáculos na vida real.
Da análise realizada ao inquérito “Diversidade Cultural”, constatou-se que 83% dos inquiridos vê como benéfica, a integração da diversidade cultural em contexto escolar e que a inclusão de um repertório de cariz multicultural potencia no aluno a aprendizagem de novas linguagens musicais e a valorização pela cultura do outro. Estes resultados são muito semelhantes aos resultados obtidos por Rodrigues (2013) no âmbito do seu estudo “Multiculturalismo – A diversidade cultural na Escola”, onde se verificou que 97% dos docentes inquiridos, concordavam com a integração da diversidade cultural, em contexto escolar.
Neste sentido, procurei investigar bibliografia que me ajudasse a estruturar a implementação do projeto e encontrei vários pedagogos defensores da implementação de uma educação multicultural na classe de conjunto vocal. Dessa pesquisa realizada, surgiu o “Modelo
25 “Education within a pluralistic society should affirm and help students understand their home and community cultures. However, it should also help free them from their cultural boundaries” (T.A.).
89
de Facetas” de Barrett, McCoy e Veblen (1997). A aplicação deste modelo na exploração do repertório multicultural, conferiu ao projeto uma lógica de pensamento, contribuindo favoravelmente para a compreensão dos vários elementos inerentes à utilização de um repertório de cariz multicultural nas aulas de classe de conjunto vocal. Utilizando uma metodologia de investigação ação, num processo de ensino aprendizagem centrado no grupo, promoveu-se uma pluralidade de ambientes sonoros de acordo com as especificidades do repertório selecionado. O recurso a estratégias de ensino que facilitassem a compreensão na valorização de uma educação multicultural, foram uma constante, contribuindo para uma aprendizagem mais significativa do repertório selecionado. A filosofia Praxial de David Elliott refere a importância de preparar e planificar um currículo musical que leve os alunos a questionar porquê, como, quando e onde devem usar o saber musical, porque só assim o transformarão num processo de aculturação. Também Swanwick defende que os professores de música devem ultrapassar barreiras culturais, para que estejam predispostos à aceitação de novos estilos musicais.
A realização do workshop coral “Vozes em Movimento” com a maestrina Tracy Wong, permitiu o contacto direto com pessoas oriundas da cultura do repertório selecionado e penso que essa estratégia constitui uma experiência marcante na compreensão dos vários elementos intrínsecos ao repertório. Por outro lado, o grupo teve contacto com outras perspetivas educacionais, potenciando-lhes uma compreensão mais abrangente do conteúdo abordado.
A aplicação do inquérito “À volta do mundo!” à classe de conjunto intervencionada, foi possível avaliar o sucesso da conduta pedagógica e das estratégias utilizadas. Verificou-se que o grupo considerava benéfica a utilização de um repertório multicultural nas aulas de prática coral. Consideraram essa estratégia, um elo influente no cultivo do gosto pela prática coral e o que lhes suscitou maior interesse foi o contato com a pluralidade de outras técnicas vocais. Foi possível constatar que viam valorização do outro como algo benéfico, nomeadamente na aprendizagem da utilização do canto de diferentes modos, liberto de práticas ou ideias pré-concebidas, desde que fundamentadas nos costumes culturais em questão.
A realização do concerto “Cores do Mundo”, consolidou a importância da valorização de obras vindas de outras culturas, quer para os intervenientes, quer para o público em geral, que foi brindado com uma pluralidade de sonoridades, coreografias e aspetos cénicos oriundos de outras culturas. Este espaço de partilha, foi um excelente potenciador de um sem número de experiências sociais, de estima e autorrealização, pois estas atividades fazem com que o aluno se sinta parte
90
integrante de um grupo, auxiliando-o no seu crescimento pessoal e social e consequentemente na sua motivação. Para Fernández “alunos motivados, tornam a aprendizagem mais profunda, potenciam a criatividade, assumem com mais vigor e dedicação uma tomada de atitudes e decisões, fazendo maior e melhor uso do pensamento lógico para tratar a informação adquirida” (Fernández, 2005, p. 21). Quando um aluno se sente motivado, torna a aprendizagem mais profunda e intensificando de sobremaneira os momentos de criação musical.
Concluo dizendo que este projeto se tornou num desafiante investimento pessoal e profissional, uma vez que enveredei por um caminho que não dominava, mas que através dos processos de investigação e de uma vontade enorme de dar asas ao seu propósito, penso ter alcançado os objetivos traçados. Foi possível constatar que o papel do professor é fundamental em todo o processo de ensino aprendizagem e deve fazer tudo o que estiver ao seu dispor para ultrapassar as possíveis dificuldades, contribuindo beneficamente para o desenvolvimento de aprendizagens. A educação multicultural é um processo contínuo e não uma atividade única. O estudo de uma cultura é mais do que a caraterização dos seus hábitos alimentares ou a designação do tipo de vestuário que habitualmente usam. Educação multicultural é transformar ambientes escolares, levando as comunidades a refletir sobre a diversidade cultural da sociedade. A música de conjunto, é das mais antigas formas de sociabilização e nesse sentido acredito que as aulas de classe de conjunto vocal poderão constituir um excelente espaço para promoção de troca de experiências. A implementação de um repertório multicultural poderá contribuir para a valorização de outras culturas musicais, aumentando e aprofundando a compreensão dos vários elementos inerentes a essas mesmas culturas. Ao potenciar esse tipo de experiências os alunos desenvolverão habilidades multidimensionais na performance coral desses géneros musicais e consequentemente na performance coral do grupo em geral. Haverá com certeza outros processos ou estratégias de ensino para obter resultados semelhantes, todos serão validos quando organizados e ajustados ao contexto pedagógico. O estudo apresentado apenas apontou caminhos, valendo como tal, consciente de que muito há a fazer em investigações futuras.
91
REFERÊNCIAS
Academia de Música de Viana do Castelo. Projeto Educativo para os anos 2019 – 2022. Consultado a 12 de março de 2019 em http://www.amv.pt/content.asp?startAt=2&categoryID=116&newsID=570
Afonso, N. (2005). Investigação Naturalista em Educação: Guia prático e crítico. Porto: Asa Editores Almeida, J. F. e Pinto, J. M. (1995). A Investigação nas Ciências Sociais. Lisboa: Editorial
Presença
Alonso, L. (1998). A Investigação-Ação no Quadro da Investigação Educativa. Dissertação de doutoramento não publicada. Braga: Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho
Arends, R. I. (2008). Aprender a Ensinar. Madrid: Editora McGraw-Hill
Banks, J. A. (1994). An introduction to multicultural education. Boston: Allyn & Bacon
Baptiste, H. P. (1986). Multicultural education and urban schools from sociohistorial perspective: Internalizing multiculturalismo. Journal of Educational Equity na Lead-ership 6 (4): 295-312 Barret, J., McCoy, C.W., Veblen. K. k. (1997). Sound Ways of Knowing: Music in the
Interdisciplinary Curriculum. Boston: Cengage Learning
Bohlman, P. V. (2002). World music: A very short introduction. New York: Oxford University Press Bradley, D. (2006). Global song, global citizens? Multicultural choral music education and the
community youth choir: constituting the multicultural human subject. Acedido a 19 de junho de 2019, em https://mafiadoc.com/multicultural-choral-music-education-and-the- community-youth-eric_5a74fffe1723dda06c7a2cbf.html
Cardoso, C. (2006). Os Professores em Contexto de Diversidade. Porto: Profedições
Castro, C. (s.d). Características e finalidades da Investigação-Ação. Acedido a 28 de setembro de 2019, em https://cepealemanha.files.wordpress.com/2010/12/ia-descric3a7c3a3o- processual-catarina-castro.pdf
Costa, M. (1980). Construção de um instrumento para medida de satisfação no trabalho. Acedido a 19 de Julho de 2019, em http://www.scielo.br/pdf/rae/v20n3/v20n3a05
92
Costa, M. (2010). O valor da música na educação na perspetiva de Keith Swanwick. Acedido a 3 de maio de 2019, em https://pt.scribd.com/document/356270453/Dissertacao-compara- Swanwick-e-Elliott-LER-pdf
Coutinho, C. P., Sousa, A., Dias, A., Bessa, F., Ferreira, M. J., & Vieira, S. R. (2009). Investigação- acção: metodologia preferencial nas práticas educativas. Psicologia, Educação e Cultura. Acedido a 19 de outubro de 2019, em http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/10148/1/Investiga%c3%a7%c3%a3 o_Ac%c3%a7%c3%a3o_Metodologias.PDF
Elliott, D. J. (1995). Music Matters, a new philosophy of music Education. New York: Oxford University Press
Fernandes, D. (2008). Avaliação das aprendizagens: desafios às teorias, práticas e políticas. Lisboa: Texto Editores
Frederico, C. (2016). O multiculturalismo e a dialética do universal e do particular. São Paulo: Universidade de São Paulo
Freitas, C. (2017). O Multiculturalismo no Ensino Especializado da Música. Dissertação de Mestrado. Braga: Instituto de Educação da Universidade do Minho
Gardner, H. (1987). Theory of Multiple Intelligences. Harvard: Harvard Education Review
Kuhne, G. W., Quigley, B. A. (1997). Understanding and using action research in practice settings. Creating practical knowledge through action research: posing problems, solving problems, and improving daily practice (pp- 23-40). San Francisco, CA: Jossey – Bass
Leite, C. (2002). O Currículo e o Multiculturalismo no Sistema Educativo Português. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian
Maslow, A. H. (1954). Motivacion and Personality. New York: NY Harper & Row Publishers Pawlowsky, C. S., Andersen, H. B., Troelsen, J. (2016). Children´s physical activity behavior during
school recess. European Physical Education Review
Penna, M. (2005). Poéticas musicais e práticas sociais: reflexões sobre a educação musical diante da diversidade. Revista da ABEM,13, pp. 7-16
93
Pratt, R. (1987). Battlefield and classroom: Four decades with the American Inidian, 1986- 1904. Lincoln: University of Nebraska Press
Rodrigues, P. (2013). Multiculturalismo – A diversidade cultural na Escola. Dissertação de Mestrado. Acedido a 18 de outubro de 2019 em https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/3683/1/PaulaRodrigues.pdf
Roux, A (1992). Music education in a multicultural society: a psychopedagogical perspective. South Africa: University of South Africa
Savidan, P. (2009). O Multiculturalismo. Lisboa: Publicações Europa América
Sousa, R. (2012). Pedagogia e didáticas da Música Intercultural. Rio Tinto: Lugar da Palavra Editora Squelch, J. (1991). Teacher Education and training for multicultural education in multicultural
society. Pretoria: UNISA
Suzuki, B. H. (1984). Curriculum Transformation for multicultural Education. Los Angeles: California State University
Swanwick, K. (2006). Música, pensamiento y educación. Madrid: Ediciones Morata
Traasdahl, J. O. (1998). Music education in a multicultural society. In: LUNDSTROM, H. (Ed.). The musician in new and changing contexts. Malmo: Malmo Academy of Music
William, M., Cambell, P. S. (2011). Multicultural Perspetives in Music Education. New York: Grove Yoo, H. (2017). Multicultural Choral Music Pedagogy Based on the Facets Model. Journal Music
94