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Erfaringer fra møter mellom foreldre og tiltak

Kapittel 5 Andre foreldrestøttende tiltak

5.2 Erfaringer fra møter mellom foreldre og tiltak

De acordo com a percepção dos servidores entrevistados, o território “práticas” foi apontado como o principal alvo das disputas entre os servidores dos campi do IFMG, principalmente entre aqueles mais antigos. Cada um procura, à sua maneira, manter a forma de fazer o que já estava sendo feito nos limites de seu campus e tenta impor a adoção dessa prática em todos os campi do IFMG.

[...] nos primeiros meses eu senti muito – principalmente nas reuniões que eu participava – que envolviam vestibular, que envolviam processos que cada instituição fazia o seu há décadas e vinham naquele ritmo e agora tinham que abrir espaço para que as particularidades de outra pudessem ser apresentadas. Então houve realmente algumas disputas como “porque esse tipo de documento está vindo com cópia de Bambuí prá servir de parâmetro para balizar a questão do processo do Instituto?”. “Porque que o deles está melhor e não o nosso?”. Ou de outro campus. E essas relações foram veladas, mas não deixavam de ser notável. Porque cada escola que já era uma autarquia, já tinha no mínimo 40 anos de história, imagina você largar mão de tudo que você é, e tudo que você foi e falar “não, nós vamos seguir esse método de trabalho, porque ele funciona melhor em outro lugar”. É você abrir mão do que você fez a sua vida inteira e admitir que você não tava fazendo talvez da forma mais adequada. Ou a sensação de que não tava apto a fazer direito. E às vezes não era. Era só por causa das particularidades. A pessoa fazia bem no local em que ela estava, e atendia à necessidade ali. Mas quando você joga num âmbito de 6 campi espalhados por quase todo o Estado, aquele processo não tinha mais condições de se sustentar. Ele não

era mais local. Ele tinha que ter uma abrangência maior. Então, as pessoas se sentem preteridas. (Assessor)

Esse desejo de impor as “práticas” do seu campus para todo o IFMG foi evidenciado também nas reuniões entre representantes de áreas funcionais de todos os campi para a implantação do ERP, uma ferramenta informatizada para a gestão integrada.

[...] um jeito de fazer, né? Agora com a implantação do ERP, né? é uma situação que eu acho que é uma experiência interessante também. [...] Porque é principalmente [com] a implantação do ERP, pela TOTVS, ou então [com] o Conecta, o projeto Conecta, [que] a gente percebe muito bem, às vezes, a intenção de impor mesmo certas questões que já eram tradição de algum campus. [...] porque já tinha um saber fazer daquela forma, né? Já tinha o modis operandi ali determinado. E se realmente funcionava para aquela realidade, que isso [possa] ser realmente implementado da mesma forma em todos, né? Então acho que essa dificuldade de talvez adaptar, o que dá certo em um, o que pode dar certo em outro, e qual que é a realidade do outro, e tudo mais. Isso ainda existe uma dificuldade. Então tem uma questão de superposição aí de certos modelos e questões, que já vêm das antigas autarquias, e que se quer, talvez, deixar reproduzir naquele ambiente ali. [...] Então é uma situação que eu acho que existem essas disputas assim, de quem sabe fazer, ou quem já tem uma maior tradição nisso ou naquilo, deve ser dirigente então na implantação desse outro processo. Então ainda é muito difícil as pessoas se despirem dessa roupagem administrativa ou do cotidiano antigo, e realmente vestirem uma nova camisa, um novo conceito, que foi costurado por todos ali. Então isso é muito complicado. (Coordenador 4)

A dinâmica da disputa pela manutenção das “práticas” de seu campus, conseguida com a adoção das mesmas por todo o IFMG, está representada FIG. 17.

Marcação orientada para a Identidade

Deseja manter Deseja manter

FIGURA 17: Competição pelo território Práticas Fonte: Autora, adaptado de STAUB, 2004, p. 87

Servidores de um Campus PRÁTICAS Servidores de outros Campi inclusão x exclusão

Conforme relato dos entrevistados, os servidores buscavam perpetuar as “práticas” adotadas em seu campus, tentando fazer com que fossem também adotadas por todos os campi do IFMG, ao considerá-las as mais bem sucedidas para o alcance dos objetivos organizacionais. Para isso, lançaram mão da estratégia marcação orientada para a identidade (BROWN; LAWRENCE; ROBINSON, 2005). Essa é a outra estratégia territorial utilizada pelos servidores dos campi do IFMG visando a manutenção das “práticas organizacionais”. Eles descrevem as “práticas” bem sucedidas de seu campus em comparação com as dos demais campi, numa tentativa de manter e expandir esse seu território.

[Em relação à] divulgação de vestibular, [...] a gente já tinha um processo mais maduro, mais organizado, que os outros campi. (Assessor)

Essa estratégia territorial foi classificada como marcação orientada pela identidade (BROWN; LAWRENCE; ROBINSON, 2005) seguindo a premissa de que a cultura organizacional é um conjunto de pressupostos básicos que definem o modo de pensar e de agir de seus servidores (FERNANDES; ZANELLI, 2004). Sendo que o modo de pensar é exemplificado neste estudo pelas formas de perceber a mudança nos territórios organizacionais. E o modo de agir pela forma de lutar pela manutenção, defesa, conquista (STAUB, 2004), marcação, restabelecimento (BROWN; LAWRENCE; ROBINSON, 2005) e expansão dos territórios, mas também pelas práticas organizacionais há muito tempo adotadas pelos campi. Em outras palavras, as “práticas” fazem parte da cultura organizacional, que por sua vez, preserva a identidade organizacional (FERNANDES; ZANELLI, 2004). E a partir do momento em que os servidores de um campus percebem mudanças em suas “práticas” organizacionais, sentem que estão perdendo também a identidade organizacional, o que faz com que se envolvam em ações para a recuperação da mesma. Essas ações se traduzem na comunicação de manifestações de apreço de suas “práticas” como forma de manutenção das mesmas, e consequente preservação da sua identidade organizacional.

Conforme o conteúdo das entrevistas, nota-se que alguns entrevistados percebem um natural desejo de um campus se sobressair mais que outro campus do IFMG, principalmente incentivada por uma velada intenção inicial da Reitoria em uniformizar os tamanhos dos campi.

[...] lógico que [o Campus] Ouro Preto [...] pensa em desenvolver melhor que [o Campus] Bambuí. [O Campus] Bambuí pensa em melhor desenvolver que [...][o Campus] Formiga. Na verdade uma outra coisa que eu acho [é] que quando se criou o Instituto, o pessoal que tava no comando inicial, pensava em uniformizar o tamanho dos campi dentro do próprio instituto. Por exemplo, vamos supor que [o Campus] Bambuí tem, sei lá, cento e poucos professores. [O Campus] Formiga tem, vamos supor, 40 professores. Então dá uma certa freada aqui, prá igualar a outros campi. Isso eu acho que é um ponto negativo, né? Tinha que meio encoberto essa meta. Aí [o Campus] Bambuí tem que frear. Ouro Preto [também]. Para dar a chance pros outros crescerem. Mas eu acho que não é uma política certa não. (Diretor 3).

Mas prevê a instauração futura de concretas disputas territoriais entre os campi do IFMG, semelhantemente à previsão, feita anteriormente por outro entrevistado, de futuras disputas entre servidores na dimensão intra campus. E a justificativa para essas novas disputas, é a conquista de mais poder, um interesse pessoal, diminuindo, em contrapartida, o bairrismo de alguns servidores. Sendo que o termo bairrismo é utilizado aqui como afeição especial ou exagerada à cidade de origem ou onde mora (HOUAISS, 2009).

Agora, acho também o seguinte, que vai haver essa disputa territorial, essa disputa entre campi. Isso aí pode ter certeza que sim. Vai haver ainda. Por que o seguinte, o homem, como eu falei, ele sente necessidade de poder, de crescer, ou em termos econômicos ou em termos de poder. Se tem essa aspiração de que ele - pode ser um professor ou o pessoal administrativo - chegar a reitor, entendeu? Então vai ter uma disputa muito grande entre os campi prá ver qual vai se sobressair em relação aos outros prá ser candidato a reitor, ou pegar um cargo na reitoria – pró-reitor, etc. Então eu acho que, nesse sentido, vai continuar crescendo o território. Por outro lado, esse crescimento em função, vamos supor, do amor à instituição, do bairrismo, diminui. Porque aquilo que eu falei no início, não é mais Escola Agrotécnica de Bambuí, CEFET Bambuí, é o Instituto Federal de Minas Gerais. Fica pertencendo a um território maior, né? (Diretor 3).

E a ocorrência dessas futuras disputas é reforçada por uma previsão das consequências da grande expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Para o entrevistado, com o crescimento da rede, a parcela de recursos de cada campus vai ficando cada vez menor.

[...] tá criando esse mundo de escolas aí, quem vai pagar a conta somos nós, [...], não tem como ser diferente não. O quadro administrativo tinha sei lá, 35.000 pessoas não é isso? Se não me engano. 35.000 entre professores e técnicos administrativos no país? Hoje nós vamos beirar quanto? 80.000? 70.000? E o bolo? Hoje ainda não está no momento ainda. Mas o bolo vai chegar um momento que ele vai parar e vai ter que dividir com o mesmo tanto de gente. Vai aumentando né? A fatia vai ficando menor. E quando

você cria um campus novo, que não tem nada...aí você tem um cargo de direção, você tem um outro cargo administrativo, cargo de ensino, função gratificada. Isso vira uma coisa de doido. (Diretor 2)

Um outro entrevistado alerta sobre a importância de união entre o Campus Bambuí e a Reitoria, tendo em vista um maior crescimento do Campus. Porém incentiva a disputa entre campi, o que demonstra que as linhas territoriais não coincidem com os limites do IFMG. Ignora-se o quadro geral no desejo de vencer a batalha. (SIMMONS, 1998).

Agora é o seguinte, nos casos nossos aqui, particularmente em Bambuí, eu acho que tem que ter uma Diretoria muito assim voltada pro interesse local. [...] Mas tem que trabalhar muito se quiser crescer. Tem que trabalhar muito junto com a Reitoria. Tem que esquecer disputa entre Reitoria e passar a disputa entre campi. Senão vai parar. Entendeu? [...]. [O Reitor] tá com o poder na mão. Não tem como. “Haaa, mas o orçamento pra todo campi já é definido!!”. Mas você pode ter orçamento e não conseguir gastar. Porque prá você gastar, você depende da reitoria. As compras, as obras, tá tudo lá. Acho que as disputas vão ser mais entre campi [do que] com a Reitoria (Diretor 3).

Outras questões relevantes levantadas pelos entrevistados na dimensão inter campi do IFMG são a distância geográfica e a diferença cultural entre eles. Questões que dificultam a interação, mas que alguns servidores, em experiências recentes, conseguiram superá-las, por meio do conhecimento e do respeito.

[...] nós reunimos 5 campi para definir as normas [para implantação do ERP]. No início foi muuuito difícil. Mas eu acho que a dificuldade maior não foi a disputa por espaço. Foi a diferença cultural. Até a gente entender o que que cada coisa significava pro outro, sabe? Às vezes a gente tava lutando por uma mesma coisa só que prá mim tinha um significado, tinha uma palavra, pro outro era ... Tanto o significado emocional, cultural, como uma simples nomenclatura, que era usada diferente, sabe? Eu acho que [o IFMG] ficou num espaço muito grande – pensa Bambuí a Governador Valadares – é uma cultura enorme diferente. Tanto é que eu tenho mais afinidade com a fulana que é de Formiga, que é mais ou menos de uma mesma região, as meninas de Congonhas falam mais ou menos a língua de Ouro Preto. A de São João Evangelista já ficava mais isolada, ela não tinha alguem da região dela. Então a diferença cultural é muito grande. (Coordenador 3)

[...] depois que a gente conseguiu entender a diferença cultural, entender o significado do campus para cada um - porque isso interfere, cada um vê duma maneira - ficou super fácil nosso trabalho e a gente saiu de lá amigo. Eu falei que foi o maior ganho nosso, foi aprender a superar a adversidade que teve. Porque no início era muito diferente, até a gente entender que a gente tava tentando falar a mesma coisa, mas a nossa diferança cultural era muito grande (Coordenador 3).

E ao mesmo tempo eu acho que, apesar de ser difícil, até por essa questão de distância física, regional, e tudo mais, a gente [pode conseguir] enxergar como um todo, né? Como parte integrante daquela realidade, né? Nossa realidade institucional é a mesma. Nós pertencemos à mesma realidade institucional que São João, que Ouro Preto, apesar das particularidades de cada local do nosso cotidiano, mas institucionalmente a gente está na mesma realidade política, dentro da mesma realidade dentro do Estado, dentro de um poder que é o mesmo (Coordenador 4).

Essa situação demonstra que a inexistência de códigos e símbolos culturais compartilhados dificulta muito a interação entre as várias instituições. Se cada uma “fala uma língua”, o entendimento entre as partes fica mais demorado e necessita de maior tolerância das mesmas frente às diferenças.