2.3 Teorier om disrupsjon
2.3.6 Erfaring kan bidra til økt endringskapasitet
Antes de nos encaminhar para a investigação das possíveis necessidades de formação das professoras da Escola Odila Leite que passou a ser o nosso lócus de pesquisa, nós procuramos compreender alguns dos conceitos que estão relacionados ao objeto que delineamos para estudo. Começamos pelo conceito de necessidade, orientando-nos para essa reflexão sobre o referido conceito em Leontiev (1988), pensador soviético, que ao explicar o conceito de necessidade o faz atrelado ao conceito de atividade. Para ele, a atividade está ligada ao processo de satisfação das necessidades do indivíduo, através do objeto ou por meio deste que motiva o sujeito à ação.
Vimos que é na psicologia histórico-cultural que este autor encontra elementos para a explicação sobre a relação entre necessidade e atividade. Em sua argumentação, mostra que a necessidade é o que condiciona e regula a atividade concreta do sujeito, e isso somente acontece quando um objeto corresponde à necessidade. Ele designa atividade, da seguinte forma: “Por esse termo designamos apenas aqueles processos que, realizando as relações do homem com o mundo, satisfazem uma necessidade especial correspondente a ele.” (LEONTIEV, 1988, p. 68).
Ratificando sua compreensão sobre essa relação entre necessidade e atividade, acrescenta que uma necessidade só pode ser atendida ou satisfeita quando encontra um objeto que estabelece o motivo para a ação. Leontiev (1988, p. 68) afirma ainda: “O objeto de uma ação é, por conseguinte, nada mais que seu alvo direto reconhecido.” Desta forma, o motivo é o que impulsiona uma atividade, visto que articula uma necessidade a um objeto; o motivo é a significação que o sujeito dá a sua atividade. Para o autor, objeto e necessidade isolados não produzem atividade; a atividade só existe se há um motivo que se configura como um objetivo para tal atividade.
O autor destaca outro traço psicológico importante da atividade e o explica nos seguintes termos:
Outro traço psicológico da atividade – é que um tipo especial de experiências psíquicas – emoções e sentimentos – está especialmente ligado a ela. Estas experiências não dependem de processos separados, particulares,
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mas são sempre governadas pelo objeto, direção e resultado da atividade da qual elas fazem parte. (LEONTIEV, 1988, p. 68).
Compreendemos essa relação mostrada por Leontiev (1988) como de interdependência mesmo, ou seja, o sujeito exerce uma atividade, movido por uma necessidade que se liga ou se estabelece frente a um objeto. O elo entre a necessidade e o objeto é constituído pelo motivo que dá sentido à ação ou às ações, o qual se converte em um objetivo para que tal atividade aconteça. Observamos que quanto mais compreendemos a natureza do conceito de atividade mais nos aproximamos da compreensão do conceito de necessidade.
Para dizer do nosso entendimento sobre essa discussão, imaginamos as seguintes situações: do cotidiano de uma família e de um professor. Uma criança que queria ser alfabetizada. Ela disse: “Mamãe me aprenda a ler” (me aprenda no lugar de me ensine). Esta é a necessidade da criança: a de alfabetizar-se, esta é a razão ou será o motivo de sua futura atividade; o objeto dessa atividade é: a aprendizagem (ou a reconstrução/aquisição) do sistema alfabético de escrita; o objetivo é: compreender/reconstruir/adquirir o sistema alfabético de escrita para chegar à leitura; a atividade é a alfabetização, ou seja, a aquisição do sistema alfabético de escrita, pelo domínio da escrita e da leitura.
Pensando na situação de um professor, poderíamos ilustrar da seguinte forma: Um professor quer/deve alfabetizar sua turma. Esta é a necessidade desse professor: a de alfabetizar sua turma; esta é a razão ou o motivo de sua atividade; o objeto dessa atividade é: o ensino do sistema alfabético de escrita; o objetivo (desse professor) é: mediar o processo de aquisição do sistema alfabético de escrita junto aos alunos; a atividade é a alfabetização. Para nós, qualquer uma das situações mostra a relação discutida acima. Nossa compreensão se sedimenta, quando refletimos no que o autor reafirma por atividade:
Por atividade, designamos os processos psicologicamente caracterizados por aquilo a que o processo, como um todo, se dirige (seu objeto), coincidindo sempre com o objetivo que estimula o sujeito a executar essa atividade, isto é, o motivo. (LEONTIEV, 1988, p. 68).
Entendemos que, nos exemplos dados acima, a atividade é a alfabetização – o processo como um todo ou a tríade (grifo nosso) que comporta outros processos psicologicamente caracterizados pelo ensinar, pelo aprender e o próprio objeto do conhecimento: o sistema de escrita alfabética, cujo objetivo, do ponto de vista da criança, é alfabetizar-se, (aprender a ler e escrever) com a ajuda da mãe, este é o seu motivo e seu objetivo; do ponto de vista do professor, o objetivo é mediar/conduzir o processo que lhe diz
respeito, isto é, alfabetizar os seus alunos (ensiná-los a ler/escrever), fazê-los compreender esse objeto do conhecimento. Estes são os motivos dessa complexa atividade, quando ela se dá na relação professor/aluno/objeto do conhecimento, os quais coincidem com os mencionados objetivos: alfabetizar-se – para o aluno, e alfabetizar – para o professor. O objeto do conhecimento é o mesmo: o sistema de alfabético de escrita, mas as ações são diferentes, porque tal objeto é trabalhado/percebido de pontos de vista diferentes: do professor – que já o domina; do aluno – que precisa ou quer compreedê-lo/dominá-lo; os motivos e os objetivos são distintos, por conseguinte, a necessidade de cada sujeito é diferente em relação ao processo como um todo. Nesse processo, a necessidade de cada um se pauta no objeto e tal objeto transforma-se no motivo da atividade.
A esse respeito, Leontiev (1978) já explicava a condição de realização de toda atividade, mostrando-nos como esta se orienta concretamente nessa relação com uma necessidade. Ele afirmava:
A primeira condição de toda a actividade é uma necessidade. Todavia, em si, a necessidade não pode determinar a orientação concreta de uma atividade, pois é apenas no objeto da actividade que ela encontra sua determinação: deve, por assim dizer, encontrar-se nele. Uma vez que a necessidade encontra a sua determinação no objecto (se “objectiva” nele), o dito objeto torna-se motivo da actividade, aquilo que o estimula. (LEONTIEV, 1978, p. 107-108).
Com essa compreensão da relação atividade/necessidade, prosseguimos com a revisão conceitual, agora buscando, cada vez mais aprofundar nosso entendimento sobre o estatuto ontológico da(s) necessidade(s) de formação, nas autoras que constituem o nosso referencial teórico nesta pesquisa sobre necessidades de formação.