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ERECTION OF THE BRIDGE

PROCUREMENT OF MAJOR CROSSINGS

ERECTION OF THE BRIDGE

Ao lado de reflexões sobre questões sociais, como economia e política, tópicos característicos, comumente avaliados enquanto únicas dimensões válidas nos debates do campo sociológico e do socialismo, no anarquismo existem outras inquietações. Há, dentro do universo das reflexões elaboradas por diversos anarquistas, uma contribuição configurada particularmente em torno de diversos assuntos considerados, no mais das vezes na literatura especializada, temas “menores”64. Isto quando não são despretigiados até como matéria de reflexão.

64 Pensar em menoridade e assuntos desta ordem é pensar com Stirner, Deleuze e Foucault, se considerarmos os

No vasto e fecundo campo do anarquismo, para além de abordar como matéria importante de reflexão muitos dos chamados temas “menores”, existe uma inquietação que transpõe o campo do pensamento e da reflexão. Há um desdobramento em significativos esforços na instauração de novas formas de conviviabilidade, em que seus aderentes se empenham na instauração imediata de novos costumes. Argumentando nesta direção e contrapondo o anarquismo a outras escolas do pensamento social, Florentino de Carvalho expôs da seguinte maneira seu pensamento sobre o assunto:

As faculdades intelectuais e morais são também propulsoras da vida social. Sem a expansão e a comunicação do pensamento e do sentimento o homem deixaria de existir.

Cada homem é um mundo de forças espirituais, de dignidades, paixões e idealismos que a Teologia, a Metafísica, o Positivismo e o Materialismo histórico desprezam, e que o Anarquismo reivindica para a causa da liberdade e do progresso.65

No pensamento anarquista existe abundante reflexão, não sem um acompanhamento de experimentações, em questões comumente consideradas num plano secundário quando se pensa em política, socialismo e comunismo: as relações entre homens e mulheres, expressando em

mesma série. STIRNER, Max. Stirner: Textos Dispersos. Seleção e apresentação J. Bragança de Miranda. Lisboa, Portugal: Via, 1979. STIRNER, Max. O Falso Princípio de Nossa Educação. Tradução de Plínio Augusto Coelho. São Paulo: Imaginário, 2001. STIRNER, Max. Algumas Observações Provisórias a Respeito do Estado Fundado no Amor. Tradução de José Bragança de Miranda. VERVE – Revista Semestral do NU-SOL – Núcleo de Sociabilidade Libertária/Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo, n. 1, maio 2002. STIRNER, Max. Os Mistérios de Paris. Tradução de José Bragança de Miranda. VERVE – Revista Semestral do NU-SOL – Núcleo de Sociabilidade Libertária/ Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo, n. 3, abril 2003. STIRNER, Max. Arte e Religião. Tradução de José Bragança de Miranda. VERVE – Revista Semestral do NU-SOL – Núcleo de Sociabilidade Libertária/ Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo, n. 4, out. 2003. STIRNER, Max. O Único e a sua Propriedade. Tradução de João Barrento. Lisboa, Portugal: Antígona, 2004. DELEUZE, Gilles . Crítica e Clínica. São Paulo: Ed. 34, 1997. FOUCAULT, Michel. Arqueologia das

ciências e história dos sistemas de pensamento. Organização e seleção de textos Manoel Barros da Motta.

Tradução Elisa Monteiro. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000. (Ditos e Escritos II). Heterotopias anarquistas.

VERVE – Revista Semestral do NU-SOL – Núcleo de Sociabilidade Libertária/Programa de Estudos Pós-Graduados

em Ciências Sociais. São Paulo, n.2, out. 2002. PASSETTI, Edson. Rebeldias e Invenções na Anarquia. VERVE – Revista Semestral do NU-SOL – Núcleo de Sociabilidade Libertária/Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo, n. 3 , abr. 2003. PASSETTI, Edson. Vivendo e Revirando-se: heterotopias libertárias na sociedade de controle. VERVE – Revista Semestral do NU-SOL – Núcleo de Sociabilidade Libertária/ Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo, n. 4, out. 2003.

65 Ver Capítulo vinte e cinco de CARVALHO, Florentino de. Da Escravidão à Liberdade: a derrocada burguesa e o

particular a situação destas no trabalho, no cotidiano da vida doméstica e nas relações sociais tanto na sociedade vigente como também em novas modalidades de sociabilidade; também há uma problematização acerca do amor, da sexualidade e da família; ponderações em torno da importância dos diferentes elementos étnicos e culturais e sua importância na sociedade em geral e na configuração do movimento operário em particular; análises da situação de crianças trabalhadoras submetidas à condição de explorados e de violentados nos lares, nos orfanatos, nas escolas, nas fábricas; há abordagens em torno das letras, das artes em geral e da literatura; também é tópico de discussão e de reflexão as relações do ser humano consigo nas dimensões que abarcam corpo, sociedade, cosmos e natureza.

Estes assuntos, na experiência do movimento aqui considerado, encadeiam dimensões significativas no vasto campo das questões sociais e existenciais. A reflexão sobre os problemas da sociedade não se esgota com uma abordagem em torno dos temas importantes da exploração econômica e/ou da dominação política. Isto porque a gravidade destes dois temas não deve eclipsar a meditação sobre os assuntos acima listados, relacionados a outras esferas, cada uma com sua importância particular, da sociabilidade humana. Uma meditação que, vale salientar, implica em atuação pelos diretamente envolvidos e não na espera por iniciativas dos comumente considerados representantes do povo, a chamada providência política, consciência superior, arremedo da providência divina.

Eleger temas tidos na medida de absolutamente centrais, mais urgentes ou determinantes do dinamismo social humano caracteriza procedimento adotado por escolas sociológicas, filosóficas ou socialistas afinadas com o princípio de autoridade enquanto elemento primordial na sociabilidade humana. O velho refrão positivista afirmando a hierarquia como condicionante da sociabilidade humana é, neste instante, atualizado e posto em atividade. Isto, mesmo que de maneira aparentemente um tanto quanto displicente, repercute nos estudos sobre a sociedade.

As diversas expressões do socialismo estatal, autoritário ou centralista, procedem estabelecendo instâncias determinantes na vida social, operando uma redução da sociabilidade humana a uma, ou a algumas de suas partes. Não adentrarei em detalhes acerca dos pormenores deste procedimento, mas basta para o momento registrar as proveniências religiosas dos métodos de estudo da sociedade que operam com reducionismo através de concepções fundamentadas em algum determinismo, exclusivismo ou centralismo, caracterizando procedimentos que se constituem em movimentos instauradores do absoluto, de universais.

Nesta tese pretendo sustentar que dentro do movimento anarquista desde o período inicial da República no Brasil, já se produzia, de forma incomum e enquanto fruto de iniciativas coletivas, envolvendo contatos entre grupos locais, regionais, nacionais e por todo o planeta, estudos e conhecimentos sobre os mais diversos temas candentes na sociedade brasileira e mundial desta época. Estes, por sua vez, não foram elaborados enquanto cópias de teorias, metodologias e referenciais europeu ou estadunidense, mas antes, empreendimentos autênticos configurados e realizados a partir de vivências instauradas dentro do movimento operário no Brasil. Também há que se considerar ser impossível dissociá-los de ressonâncias internacionais, mesmo porque seria nivelá-los a um nacionalismo autoritário.

Esta experiência histórica se deu em confronto aberto com a perspectiva disciplinar, universalista, problematizando-a e tensionando-a. Isto antes do estabelecimento e difusão no território nacional de instituições de pesquisa e de ensino superior iniciado pelo Estado, em meados da década de 1930. Este processo de elaboração de um saber indisciplinar aconteceu de maneira distinta e específica tomando-se os referenciais, disciplinares e disciplinadores, nos estudos da sociedade daquela época como contemporaneamente.

No geral, nos textos indisciplinados encontramos conjugados, ciência, poesia, literatura, filosofia, saberes de várias áreas do conhecimento, trajetórias particulares de vida pessoal entre

outros elementos mais, concentrados, por vezes, em estilos de escrita absolutamente únicos; em afronta a formas rígidas e normalizadoras de reflexão sobre o social; em recusas a referenciais hierarquizantes da vida social; em fuga de perspectivas deterministas, centralistas e universalistas; em subversão às fronteiras estabelecidas convencionalmente entre vida e conhecimento, entre áreas de conhecimento, entre povos.

Além disso, coloca-se em andamento uma metodologia conjugando distintas tendências filosóficas e sociológicas quanto à reflexão e, quanto à ação, diversas táticas e estratégias. Enfim, uma forma original de diluir e desonerar rígidos limites disciplinares e hierarquizantes colocados em efeito pelos procedimentos de criação de fronteiras, comumente tidos na medida de naturais na sociedade envolvente. Desrespeitar, desconsiderar, ou simplesmente ignorar tais fronteiras, implica na concepção e realização da vida como aventura existencial única.

Através dos jornais, boletins de congressos operários e escolares, panfletos, manifestos, revistas, livros, os trabalhadores integrantes do movimento anarquista, em suas diferentes expressões, deixaram um legado insubstituível de conhecimento sobre a sociedade de seu período; problematizaram a situação do trabalhador dentro de uma sociedade classista; abordaram a questão da mulher e da criança trabalhadora, em relação às violências a que eram submetidas na fábrica, no lar, na escola; refletiram sobre as diversas doutrinas sociais como positivismo, social- democracia, marxismo, fascismo, liberalismo, socialismo, além de movimentos populares de diversas expressões como feminismo, religião, militarismo, entre outros.

Além destas reflexões, envidaram esforços na instauração de novas formas de sociabilidade através de suas iniciativas educacionais, teatrais e de artes em geral; em associações de trabalhadores; na criação de ateneus, bibliotecas e centros de cultura; na direção de jornais e revistas, etc. Percebo estas iniciativas enquanto ocasiões para intensos experimentos, uma procura de instaurar uma vivência libertária imediata, uma maneira de testar e conhecer os

alcances e limites das idéias defendidas e divulgadas. Em relação à produção de conhecimento, é fácil identificar nestes ensaios pistas apontando para procedimentos avessos à disciplina e, por conseguinte, fora de seu campo orbital.

Portanto, penso ser inadequada, para uma certa compreensão dos acontecimentos relativos à produção destas obras e impressos, como também no que diz respeito às relações intersubjetivas postas em atividade, a utilização das categorias variáveis da disciplina: não cabem na classificação de multidisciplinar, interdisciplinar ou mesmo transdisciplinar. São, de modo completamente diferente, exemplos inequívocos do exercício de indisciplina.

O alinhamento à concepção do princípio de autoridade – estabelecida nos estudos da sociedade pela tradição positivista, bússola do pensamento de diversos estudiosos e de correntes modernas e pós-modernas nas chamadas humanidades – não deixa que seus aderentes, de maneira consciente ou inconsciente, percebam a relação existente entre o estabelecimento de governos ditatoriais de variados matizes no mundo, no período entre e posterior as duas guerras mundiais, e a derrocada do movimento anarquista internacional e de suas lutas.

O marco principal deste acontecimento se deu, como vimos, com a derrota dos revolucionários na Espanha de 1936 a 1939. Este movimento deixou uma vasta contribuição ao pensamento social, cujo destino foi o mesmo para ambos, movimento e pensamento: discurso excluído da ordem dos debates através dos procedimentos de interdição, proibição, rejeição e depois, caso não possa ser ativada nenhuma destas três, passa a ser apresentado e interpretado enquanto um saber falso.66

66 Estes são procedimentos de controle do discurso que Foucault definiu como externos. FOUCAULT, Michel. A

Ordem do Discurso – Aula Inaugural no Collége de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. 7. ed.

Este acontecimento pôs fim a uma significativa diversidade de experimentos sociais e instauração de sociabilidades libertárias nos mais variados campos da atuação e vivência humana. Nesta direção, traduziu um intenso investimento, por parte dos estratos dominantes, em dinamismos e instituições sociais que privilegiam o estabelecimento de sociabilidades fundadas no princípio de autoridade.

O esforço direcionado por parte das elites sociais – patronato, governantes de plantão, aspirantes a governança e seus orbitais – no apagamento, esquecimento ou ocultamento de importantes eventos e acontecimentos de caráter coletivo, constitui tática suplementar à forte repressão aos movimentos dos trabalhadores em todos os continentes. Ao mesmo tempo em que, por um lado, os governos em todo o mundo intervieram em uníssono, com extrema ou dissimulada força sobre os movimento sociais e populares, por outro lado, ofereceram, estimularam e cultivaram formas hierarquizantes e verticalizadas de sociabilidade. Este procedimento resultou no estabelecimento de um controle mais intenso e afirmação da eficácia de seu domínio.

O caso particular do movimento anarquista no Brasil é bastante ilustrativo desta assertiva. Aqui, a intensidade da repressão governamental sobre este movimento foi significativa, com evidente apoio e participação dos estratos dominantes. Documentos da época, jornais, manifestos, revistas do período e diversos estudos publicados nos últimos anos, como também estudiosos do próprio período, registram esta ocorrência.

As mais variadas experiências produzidas pelos trabalhadores no campo da educação, com a fundação de escolas, bibliotecas, ateneus, universidades para trabalhadores; na comunicação social através da imprensa operária e de editoras publicando a produção intelectual dos trabalhadores; na arte com música, poesia, literatura e romance social; na questão da mulher

numa sociedade preconceituosa e patriarcal; denunciando a situação das crianças através da criação de comitês formados por trabalhadores para o combate da exploração nas fábricas, como também nos casos de violência sexual e morte por padres em instituições confessionais; no naturismo; na divulgação do esperanto; na pugna contra o militarismo e campanhas de objeção de consciência, como forma de combates às belicosidades locais e às duas grandes conflagrações armadas, foram alvos de tentativas de encobrimento, principalmente, através da violência estatal e de um calculado apagamento nos registros historiográficos.

Quanto aos materiais estudados nesta pesquisa – jornais e revistas impressas – em relação à nossa época, ficou evidente ocupar a imprensa escrita uma posição secundária como o meio de comunicação social de maior visibilidade, e é de longe o tempo em que sua penetração na sociedade foi significativa, quando ela exercia efetivamente importante papel na configuração da sociabilidade.

Atualmente o jornal é caracteristicamente noticioso. Seus temas versam sobre acontecimentos políticos-partidários, policiais, internacionais. Comporta também espaços de entretenimento como expressos em colunas sociais, culturais e esportivas. Isto é tanto mais verdadeiro na proporção em que considerarmos os jornais ou revistas mais populares67.

Considerando também algumas de suas características mais significativas, os periódicos contemporâneos se destacam por uma inquietante monotonia relativa aos assuntos abordados e, sobretudo, ao tratamento dado a tais temas: nenhuma problematização a não ser dentro de uma lógica democrática, preponderantemente conservadora.

No mais das vezes, os tópicos publicados, e os preteridos, sugerem a existência como que de um acordo velado entre editores, ou grupos editoriais, permitindo visibilidade social a certos

67 Para o conhecimento de estudos sobre jornais diários contemporâneos, ver PORTO, Sérgio Dayrell (Org.). O

Jornal: da forma ao sentido. 2. ed. Tradução Sérgio Grossi Porto. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2002.

acontecimentos enquanto que outros são relegados a uma espécie de ostracismo. Pode existir também um frontal desconhecimento da matéria, negando o princípio do fato como explicação histórica.

Não obstante toda verborragia alardeada pelos ícones das instituições modernas a favor da liberdade de expressão enquanto um dos pilares principais da sociedade democrática, impera, no mais das vezes, de forma dissimulada, mas também explicitamente, uma censura mais intensa e mais medonha do que a existente no usualmente designado “governo forte”. Isto por conta da multiplicidade dos censores, tornando mais intensa e extensa a atividade de controle e repressão cujo exercício é realizado diretamente por considerados segmentos da própria sociedade.

Em relação a este quesito em particular, os estudos de Foucault68 sobre o poder e suas ramificações capilares tratam do caráter descendente e ascendente do exercício do poder. Súditos e soberanos encontram-se enredados nas mesmas teias societárias, compartilhando a importância no estabelecimento das relações entre governantes e governados. A formação do súdito e do soberano estão implicadas, em que pese Foucault voltar suas atenções mais para a formação do súdito.

Emma Goldman, tratando de aspectos próprios ao dinamismo de dominação, assinalou a cautela dos segmentos dominantes em criarem maneiras de garantir sua perpetuação. Um destes modos, para além dos mecanismos de repressão, diz respeito ao cultivo de pendores de submissão e obediência no conjunto da sociedade. Para tanto, investem pesadamente na conquista do consentimento social como forma de manutenção das relações de domínio. A educação, neste processo, ocupa lugar privilegiado.

68 FOUCAULT, Michel. Estratégia, Poder-Saber. Organização e seleção de textos Manoel Barros da Motta.

O Estado eclesiástico ou secular, serviu então para dar uma aparência de legalidade e de direito aos danos causados por alguns à maioria. Essa aparência de direito era o meio mais cômodo de governar o povo, pois um governo não pode existir sem o consentimento do povo, consentimento verdadeiro, tácito ou simulado. O constitucionalismo e a democracia são as formas modernas desse pretenso consentimento inoculado pelo que se chama “educação”, autêntico doutrinamento público e privado.

O povo consente porque é persuadido da necessidade da autoridade; inculcam- lhe a idéia de que o homem é mau, virulento e demasiado incompetente para saber o que é bom para ele. É a idéia fundamental de todo governo e de toda opressão. Deus e o Estado só existem e são sustentados por causa dessa doutrina.69

Contudo, na vasta experiência acumulada por trabalhadores dentro do movimento operário encontradas no período das décadas iniciais da república brasileira, o jornal anarquista publicava o que os trabalhadores cultivavam nas colunas de seus jornais, a análise sociológica e filosófica, o debate de idéias, tornando visível à sociedade questões preteridas. Além disso, registraram episódios do cotidiano expressos nos eventos educacionais, culturais, de entretenimento, viagens de propaganda de periódicos e de idéias, por meio de apontamentos de encontros e congressos operários como também de outros eventos relativos à repressão governamental e patronal. Estas notas eram anunciadas de variadas maneiras: exposição detida, poesias, charges, o debate entre integrantes do coletivo de redatores, com os leitores ou mesmo entre integrantes do grupo editorial com adversários de idéias70.

Deixo intencionalmente fora de minhas reflexões outras expressões existentes no movimento operário brasileiro para me referir particularmente à escola negativista. Não me ocupo em abordar outras perspectivas sócio-políticas, como os movimentos reformistas de caráter católico, legalista, nacionalista, militarista ou cooperativista. Também não me ocupo de outras expressões usualmente consideradas co-participantes dentro do campo do revolucionarismo como

69 GOLDMAN, Emma. O indivíduo, a sociedade e o Estado. Tradução Plínio Augusto Coelho. São Paulo:

Imaginário, 1998. p. 29.

70 A este respeito o debate entre o anarquista Francisco Viotti e o vice-diretor do apostolado positivista no Brasil,

Teixeira Mendes, exposto nas colunas da revista A Vida é bastante revelador. Analiso este debate mais adiante no terceiro capítulo, relativo aos jornais e revistas.

os socialistas e os comunistas estatais. O recorte adotado se justifica, entre outros motivos, como uma necessidade operacional, uma vez ser imenso o campo da imprensa proletária e anarquista no período considerado.71

Portanto, uma abordagem comparativa entre as diversas expressões do movimento operário para além da perspectiva que me propus realizar é inexeqüível. Demandaria esforço e tempo que ultrapassam os limites de um trabalho de pós-graduação. Ademais, é suficiente a escolha temática como o recorte aqui apresentado. Constituem, por si só, tema e sua delimitação, campo bastante largo para uma pesquisa.