Esse pólo teórico tem sua centralidade no problema. Isso condiciona a busca de
recursos que visem minimizar ou acabar com o problema vivenciado. Ji et al.(2006), ao analisarem vários estudos de investigação, referem-se à importância de distinguir as situações como controláveis ou incontroláveis e, deste modo, o coping focado no problema prova ser
mais efetivo na primeira situação; enquanto o coping focado na emoção se mostra mais efetivo em situações incontroláveis, salientando que o coping efetivo depende da “capacidade de flexível e cuidadosamente avaliar a situação e escolher convenientemente a estratégia de coping” (p. 860).
5.4.7.1 Centrando em ações e atitudes
Aqui a mulher tem um planejamento adequado para lidar com situação vivenciada. Ela não se afasta e, sim, tenta resolver o problema, modifica suas atitudes, sendo capaz de enfrentar as pressões das pessoas e do seu ambiente ao redor. Essa tentativa pode diminuir ou eliminar a causa do estresse. A mulher pensa em um plano de ação e busca concretizá-lo.
Nas falas abaixo podemos visualizar situações em que as mulheres entrevistadas optam por esse coping:
[...] Aí. Peguei me mudei de Camocim pra cá. Que eu era de Camocim né? Abandonei minha casa para tirar ele de lá. Pra tentar uma vida melhor pra ele. (M17). A gente procurou manter ele distante da bebida. Procurando tirar ele das brincadeiras. De ir aniversário. Das brincadeiras que tivesse álcool. Até chegava a dizer que eu estava doente. (M18).
Stelk (2011) observou que a resolução de problemas foi o fator de coping com maior média entre os técnicos e auxiliares de enfermagem. A estratégia mais utilizada foi “Eu sabia o que deveria ser feito, portanto, dobrei meus esforços para fazer o que fosse necessário”. No entanto, ao fazer uma relação com tempo de serviço na unidade a qual os participantes do estudo estavam inseridos, a autora (2011) percebeu que quanto maior o tempo de serviço na atual unidade, menos os técnicos e auxiliares de enfermagem utilizam a resolução de problemas como estratégia de coping.
Isso pode predizer que uma pessoa sob a situação de estresse por um tempo prolongado tende a não buscar a resolução do problema. No caso das mulheres que convivem com os familiares usuários de drogas isso pode a predispor sinais e sintomas de adoecimento.
Knafl e Deatrick (2006 apud SILVEIRA, ANGELO e MARTINS, 2008) afirmam que a adaptação da família em lidar efetivamente com o estresse e as contínuas mudanças geradas pela situação de doença e hospitalização dependem de inúmeras variáveis, entre elas, destacam-se o nível de demandas e recursos familiares e o repertório de estratégias de enfrentamento e de resolução de problemas da família
Perceber nas experiências anteriores aprendizados pode facilitar a resolução do problema. E isso pode significar gestão positiva das emoções. Lazarus e DeLongis (1983) expõem que os processos de coping variam conforme o desenvolvimento da pessoa. Essa variabilidade ocorre devido a grandes modificações que se processam nas condições de vida, mediante experiências vivenciadas pelos indivíduos.
Mas de primeiro eu sofria mais sabe? Acho que por causa. Assim, eu não trabalhava né? Aí eu ficava esperando só por ele. Aí quando eu comecei a trabalhar eu disse: quer saber, eu não vou esperar por ele não. Aí eu não ligo. Porque eu sou o homem e a mulher dentro de casa. Eu não espero por ele, sabe? Eu sei que o dinheiro dele só dá para ele mesmo (M24).
Moss e Billings (1982 apud GUIDO, 2003) afirmam que na identificação da causa do problema, o indivíduo recorre a experiências passadas e reflete sobre possíveis ações e suas consequências, ou seja, ele avalia e reavalia situações e resolve o problema. As pessoas possuem um repertório de experiências anteriores. Isso pode predispor ações que conduzam para uma maior adesão ao tratamento do familiar usuário de droga, assim como menos adoecimentos mentais a essas mulheres cuidadoras.
Ortiz e Lima (2007) afirmam que para planejar intervenções de enfermagem junto à família é preciso compreender a experiência das famílias, cujas crianças e adolescentes terminaram o tratamento, para que, posteriormente, se possa auxiliar no processo de enfrentamento e adaptação a esse novo período.
5.4.7.3 Reconhecendo acertos e encontrando outras soluções
A mulher, muitas vezes, irá dobrar os esforços para fazer o que for necessário para retirar seu familiar do contexto da droga.
Eu dou conselho. Eu aconselho. Faço de tudo. Mas ele não tá querendo. Um dia ele vai acordar e vai ver. Porque o que está dentro das minhas possibilidades eu estou fazendo. Peço ajuda? Peço. Com as pessoas que sabe lidar (M8).
Eu sou uma mulher muito corajosa. Vou atrás de ajuda. Até no juiz eu já fui. Para internar ele, vencer essa batalha com ele, ou eu deixo ele (M17).
Benute et al. (2011) afirmam que os resultados na sua pesquisa evidenciam que a maior parte das gestantes que receberam o diagnóstico de cardiopatia fetal utilizou-se de estratégias de resolução de problemas, onde esforços são destinados sobre o evento estressor com o intuito de alterar a situação. Pode-se perceber que estas mães procuraram enfrentar o conflito, buscando formas de solucioná-lo.
Segundo Folkman e Lazarus (1984, 1985), esse tipo de estratégia contribui para um enfrentamento eficaz frente ao problema e, que, através da avaliação de resultados, permite um incremento na autoeficácia do cuidador.
Costa e Chaves (2006, p. 511) relatam que os entrevistados pesquisados utilizam predominantemente o fator resolução de problema e acrescentam que estes doentes/cuidadores parecem estar mais bem adaptados às suas experiências com a doença.
Ao reconhecer os acertos e encontrar soluções para situação vivenciada, a mulher favorece um maior repertório de saídas para tratar e afastar o familiar da droga, assim como possibilita maior qualidade de vida, estimulando nessas mulheres os seguintes sentimentos: comprometimento com auxílio prestado ao familiar usuário de droga, autoestima, ligações sociais e fortalecimento do cuidado prestado. O que temos que salientar nesse momento é que essas mulheres precisam de apoio nesse percurso, os profissionais de saúde devem propiciar condições e espaços de cuidados que estimulem o cuidado compartilhado. Elas devem se sentir acolhidas e diante de um cuidado integral.
5.4.8 Pólo teórico Reavaliação positiva: Criando e recreando atitudes, Renovando a fé e