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“Desde 1995 que a Rádio tem à sua disposição tecnologia de emissão digital desenvolvida pelo programa Eureka 147 apoiado pela União Europeia.” (Conferência sobre Rádio Digital, 2000).

Para Mcluhan (2008) este foi um momento de não retorno, em que o resultado do cruzamento da Rádio com a Internet, foi a da fertilização dos processos e das dinâmicas radiofónicas, modificando para sempre o futuro da rádio. Isto porque, este processo de convergência, entre os sistemas de comunicação, as tecnologias da informação e as redes integradas, que possuem uma grande capacidade de conter informação em formato digital e a emergência de diversos dispositivos e plataformas para se ouvir áudio, conduz a um conjunto de novas considerações sobre o futuro da Rádio (Del Bianco e Esch, 2010). Porque a adaptação às novas configurações e o aproveitamento ou não das novas oportunidades, poderá resultar no nascimento de algo ainda inominável (Portela, 2006). Será então de esperar que a Rádio desperte como uma fénix das cinzas e fortalecida se transforme numa nova tecnologia emergente? Ou sucumbirá por dificuldades de identidade, absorvida por uma panóplia de novas configurações? Qual o futuro da Rádio?

Este futuro é na verdade investigado por diversos autores, que asseguram que a digitalização impõe mudanças na maneira tradicional de se fazer Rádio (Peruzzo Paez, 2010) e assim, o futuro da rádio digital está intimamente ligado à necessidade de produzir conteúdos específicos (Bufarah, 2003), multimédia e originais. Uma vez que a rádio sustentada por este novo espaço de comunicação, a Internet, adquire todas as suas faculdades e assim tem que adaptar a sua postura radiofónica convencional. Tal como refere Alves (2003: 6) “(…) o rádio viu a possibilidade de disponibilizar arquivos, de transmitir em diferido, de ganhar outra temporalidade, de estreitar a relação com o ouvinte, usuário, que participa activamente na programação.”. Obrigando a alterações nos modos de produção, a uma reorganização de cenários (Alves, 2003), que possibilitam uma maior penetração e maior impacto global, uma vez que é possível a diversificação de apresentação dos produtos, utilizando para isso, o hipertexto e o hipermédia “(…) evolução do hipertexto (…) ter acesso a fotos, ilustrações, videoclipes, animações, arquivos sonoros e de vídeos.” (Carvalho, 2007: 2).

Torna-se óbvio que a “(…) rádio servindo-se da rede passa a ganhar novas potencialidades abre espaço para algumas utopias adormecidas, (…)” (Carvalho, 2007: 3), educativas e formativas uma vez que permite a remoção da barreira da distância, a geração de uma nova linguagem, o estabelecimento de relações horizontais que permitem o intercâmbio de posições entre criadores e utilizadores, a acessibilidade e a comunicação.

Os radioouvintes e os ouvintes de Peruzzo Paez (2010) passam a assumir o papel de “emissores, produtores e falantes.”. Tudo porque é viável:

 a acessibilidade e a hipertextualidade. Segundo Pretto (2010), é dada a possibilidade de apropriação personalizada e significativa de conhecimento individual em qualquer espaço e momento.

 a multidrecionalidade, uma vez que são alocados mecanismos que transformam o ouvinte num verdadeiro emissor/programador colocando-o em interação com todo o universo de pessoas conectadas.

 e ainda, a bissensoralidade, uma vez que neste novo meio a mensagem assenta na linguagem scripto, áudio e visual envolvendo totalmente o internauta, incitando a imersão cognitiva

Portela (2006) afirma que a Rádio na Internet é, efetivamente, um novo meio e aconselha uma reflexão sobre as mudanças operadas nas suas principais características quando se adapta ao modo de exploração radiofónica da internet, no que diz respeito à:

 universalidade, embora seja expectante que a rádio configurada pela internet obtenha um maior alcance, esta não é ainda uma realidade. Portela (2006) chama atenção para o facto da Rádio Hertziana possuir uma excelente facilidade de consumo, ilustra a sua declaração com o simples facto de um telemóvel de 3ª geração conseguir captar as ondas hertzianas, ao contrário da disposição na Internet em que é necessário ter um computador com acesso à Internet, para ser possível explorar os conteúdos radiofónicos. Esta configuração exclui um grande número de indivíduos, não por ser apenas socioeconomicamente mais limitante, mas também pela complexidade da linguagem usada, que ultrapassa a simplicidade Uni-sensorial.

 linguagem, muitos autores defendem que a rádio ainda procura na internet a sua linguagem específica, para o desenvolvimento de novos conteúdos. Mas sem dúvida, que as novas formas se revestem das características do hipertexto, da multimedialidade e da interatividade.

 simultaneidade e instantaneidade, diz respeito à nova temporalidade adquirida no espaço da Internet. Com o fenómeno do podcasting, a rádio perde para todo o sempre uma das suas características históricas que é a da partilha do tempo real entre o emissor e recetor, no entanto adquire “(...) uma certa intemporalidade e ainda condições melhoradas de compreensão, uma vez que pode ser escutada repetidas vezes.” (Portela, 2006: 54). Esta característica possibilita que o utilizador possa construir a sua própria mensagem, deixando de estar dependente de uma linha de programação já predefinida, configurando-se mais interventivo.

 individualização, ao configurar-se na rede permite a criação de um novo sistema de relações sociais mais centradas no individuo, como afirma Castells (1999) trata-se da privatização da sociabilidade, construída em torno de interesses específicos, conduzindo a uma fragmentação das audiências, que passa pela diversificação da oferta de estações e de conteúdos. A interação passa a ser individualizada, baseada na seleção do tempo e do lugar. Assim, o conceito de meio de massas é praticamente substituído quando a rádio procura corresponder aos desejos de cada utilizador, a materializar, assim, o individualismo em rede (Castells, 1999) e a transformar o seu modelo de comunicação, que para Portela (2006)

constitui uma ameaça à opinião pública. O hipertexto individual/pessoal de Castells (1999) é assim um obstáculo para a definição de uma linguagem comum e de um significado comum.

 e globalização, ao apoderar-se da internet, apodera-se de uma antena de maior alcance. “O distante torna-se próximo e o local projeta-se a limites antes impensáveis.” (Portela, 2006: 56). Não há dúvida que a Rádio para Macluhan (2008) inverte a tendência da evolução, implodindo o mundo à dimensão de uma aldeia.

Assim, é urgente saber, como usar as novas ferramentas da Rádio a favor da Educação, este é o desafio lançado por Peruzzo Paez (2010) no sentido de incitar a criatividade, a reflexão e a experimentação, principalmente de novas estratégias pedagógicas.