5. Funn og analyser
5.2. Beskrivelse av trinnene
5.4.3 Endring versus status quo
Como vimos anteriormente, a escolha, seleção e ordenação dos condicionantes projetuais se materializam no projeto. No entanto, muito mais do que reconhecer e organizar elementos que encaminhem as soluções procuradas a partir da análise e síntese desses condicionantes, o projetar exige que o projetista lance, sistematize e apresente suas ideias. Para tanto é necessário seguir alguns caminhos que orientam o processo de projetação, os quais permitem que “o produto arquitetônico final possa ser alcançado de modo criterioso, não incorrendo em erros e fazendo com que o projeto se torne adequado ao tema proposto, viável e completo” (ODEBRECHT, 2006, p.15).
Cabe, aqui, distinguir quatro tipos de entendimento que se complementam: as etapas do projeto (questão técnica ligada à representação e apresentação da proposta), os métodos projetuais (modo de trabalho, caminho seguido pelo projetista para elaborar a proposta), o processo de concepção do
projeto arquitetônico (processo subjetivo que alicerça a atividade criativa em termos de diferentes possibilidades de seleção, sistematização e organização das ideias iniciais norteadoras da proposta arquitetônica) e os modos de
ordenar os elementos compositivos. Para esclarecer tais tópicos, eles serão
comentados a seguir.
3.2.1 Quanto às etapas do projeto
Tradicionalmente o projeto de arquitetura baseia-se no uso do desenho como principal instrumento para a representação-materialização das ideias do projetista (embora não seja a única), sendo por meio da linguagem gráfica que a arte e a técnica se fundem para gerar a proposta (BROADBENT, 1982). Por sua vez, Corona Martinez (2000) esclarece que “as representações gráficas do objeto futuro constituem a parte principal do projeto” e, embora aquilo que se ‘idealiza’ ainda não exista propriamente, a possibilidade de representá-lo poderá antecipar a soluções de problemas.
Broadbent (1982) já indicava que, em geral, os projetistas apontam direções e estratégias para elaboração do projeto, havendo relativo consenso quanto à projetação passar por uma sequência de etapas pautadas pela gradativa definição dos elementos da proposta e pela necessidade de tomar decisões que irão influenciar o resultado final. Assim, embora projetar não seja apenas uma questão de seguir e/ou cumprir uma seqüência de etapas, a literatura aponta um caminho mínimo a seguir, que geralmente envolve: conhecimento do problema, definição do partido arquitetônico, estudo preliminar, anteprojeto e projeto.
A definição do partido arquitetônico corresponde ao lançamento da ideia inicial que irá conduzir o desenvolvimento da proposta. Sua definição pressupõe que o projetista antevê o projeto finalizado, tanto no que se refere às questões formais como às funcionais e tectônicas, o que, em termos estruturais, significa que o projetista já antecipa o tipo de sistema construtivo a adotar e reúne conhecimentos (no mínimo básicos) sobre seu funcionamento.
Partido, na arquitetura, é o nome que se dá à consequência formal de uma série de determinantes, tais como o programa do edifício, a conformação topográfica do terreno, a orientação, o sistema estrutural adotado, as condições locais, a verba disponível, as condições das posturas que
regulamentam as construções e, principalmente, a intenção plástica do arquiteto (CORONA, LEMOS, 1972, p. 360).
Após a definição do partido acontecem os estudos preliminares, desenvolvidos de acordo com a natureza do projeto, e as experiências pessoais do projetista, cujo objetivo é definir a obra arquitetônica em suas linhas gerais, representando a ideia de maneira a transmiti-la para outros interessados. Geralmente, além de diagramas e gráficos que nortearão a solução projetual, o arquiteto recorre a esboços (desenhados á mão livre ou em programas computacionais de modelagem) e a simulações (como as maquetes volumétricas, físicas ou virtuais). Nesse sentido, as ferramentas computacionais quando dominadas pelo projetista, podem ser utilizadas não apenas para a finalização gráfica do projeto, mas, principalmente auxiliar na elaboração do mesmo desde sua fase inicial.
Os programas de computador são rígidos pela sua estrutura lógica, que estabelece o que se pode e o que não se pode fazer. O uso do computador serve a diferentes maneiras de pensar e projetar, ou, no ensino, a diferentes teorias do projeto. (ROCHA, 2005)
Projeto de arquitetura pode ser compreendido como um processo pelo qual uma obra de arquitetura é concebida através de uma representação espacial, bidimensional e tridimensional. O projeto arquitetônico é essencial para que a obra saia como planejada. (ODEBRECHT, 2006)
Segundo a ABNT, Norma NBR 13531/1995 que trata da Elaboração de Projetos de Edificações – Atividades Técnicas, o Anteprojeto arquitetônico pode ser definido como:
Etapa destinada à concepção e à representação das informações técnicas provisórias de detalhamento da edificação e seus elementos, instalação e componentes, necessárias ao inter-relacionamento das atividades técnicas de projeto e suficientes à elaboração de estimativas aproximadas de custos e de prazos dos serviços de obra implicados. (NBR 13531/1995, p.04)
Ressalta-se que nesta etapa, características da obra e suas dimensões iniciais podem ser alteradas, pois não é ainda a etapa final. Neste momento, o cliente toma conhecimento da proposta e discutindo com seu projetista, aprova ou não as ideias apresentadas, indicando possíveis modificações (IAB/RJ,
1995). Esta etapa difere da etapa final: Projeto Executivo, cujas informações e elementos técnicos já estão definidas e passíveis de serem executados.
Embora a projetação arquitetônica envolva a passagem por todas estas etapas, essa prática não é linear ou estática, pois permite muitas idas e vindas entre elas, levando ao projetista adotar vários procedimentos processuais, de acordo com o método projetual escolhido.
3.2.2 Quanto aos métodos projetuais
Método é um procedimento regular, explícito e possível de ser repetido para se conseguir alguma coisa, seja material ou conceptual (STROETER, 1986, p.145).
Sendo passível de repetição, o método tem por objetivo indicar o caminho a ser percorrido para se atingir a um fim. Sob esse ponto de vista, o modo como os projetistas trabalham envolve um (ou mais de um) método de trabalho com o qual se identifiquem, ou mesmo a possibilidade do profissional desenvolver sua própria maneira de projetar. Justamente devido a tantas possibilidades, não se questiona aqui a eficiência deste ou daquele método, sendo suficiente traçar um quadro geral das principais tendências nesse campo.
Como comentado, no projeto arquitetônico muitas vezes o método se confunde com as etapas de projetação, embora desde a ideia inicial até o projeto finalizado, o projetista siga um caminho metodológico escolhido de acordo com suas convicções pessoais e backgroud, que é mais sofisticado do que a simples sequencia de etapas (supracitadas) e no qual irá passear entre a técnica e arte, entre a teoria e prática.
O método mais tradicional de projeto é o desenho exaustivo baseado na tentativa e erro: “tentar, errar, corrigir, tentar novamente, errar, corrigir”, e assim por diante, em um processo de idas e vindas que só termina quando o produto atingir a qualidade almejada. “Através da elaboração de croquis a idéia vai sendo aperfeiçoada, e o próprio desenho re-alimenta o processo criativo” (STROETER, 1986).
Outro modo de atuação tradicional consiste na adoção de um modelo, ou seja, a reprodução de um exemplar entendido como padrão, com o cuidado
de não implementar variações significativas em relação à proposta original, o que garante seus elementos compositivos sejam preservados. Um exemplo desta fase são as construções parisienses, que mantém a mesma escala, unidade e ritmo em suas fachadas. No Renascimento a proposta arquitetônica do aprendiz derivava do modelo sugerido pelo mestre, e ainda hoje esse processo analógico é utilizado como ponto de partida para as novas soluções arquitetônicas (MAHFUZ, 1995).
Vigentes até a atualidade e adotados por correntes consideradas “artísticas”, estas modalidades de projeto representam aquilo que os teóricos denominam “caixa preta”, correspondendo a propostas intuitivas baseadas na inspiração e no talento (JONES, 1970; STROTER, 1986). Neles os elementos e processos que levam a decisões projetuais são obscuros, frutos de uma atividade mental não-consciente ou pelo menos não-esclarecida.
Em contraposição à caixa-preta e seguindo a tendência racionalista- cientificista que caracterizou o século XX, surgiram os métodos da chamada ‘caixa de vidro’, que valorizam processos de projetação alicerçados por procedimentos objetivos (BROADBENT, 1982; DEL RIO, 1998). De acordo com essa corrente o projetista tem plena compreensão de todo o processo que elabora mentalmente, e com base nesse conhecimento constrói a solução projetual. O “problema” inicial é analisado minuciosamente em todos os seus aspectos (programa, terreno a ser construído, sistema estrutural e construtivo, materiais), considerados como partes a serem resolvidas, e há um método que ordena o processo conceptivo. Tal tendência se consolidou com o movimento moderno, quando o “fazer arquitetura” cedeu ao apelo funcionalista e foi sistematizado por meio da utilização de técnicas baseadas na construção de gráficos (como organogramas, fluxogramas e diagramas) para melhor entendimento dos problemas de projetação e de regras operacionais que guiavam a composição arquitetônica (CORONA MARTINEZ, 2000; JONES, 1992).
Dentre os autores que caracterizam este período, Alexander (1974) pautou sua teoria em bases matemáticas, de modo que a metodologia proposta busca a racionalização da problemática presente no ponto de partida da concepção arquitetônica, decompondo suas variáveis e ordenando-as em gráficos e fórmulas matemáticas. A representação do programa resulta em uma
rede de conjuntos e subconjuntos numéricos que interagem. No entanto, a complexidade das fórmulas dificulta sua aplicação ao projeto arquitetônico, pois elas sistematizam e estruturam o ‘problema’, mas não o solucionam.
Por sua vez, Durand (apud CORONA MARTINEZ, 2000) estabelece que a metodologia projetiva está pautada na composição de elementos e partes da edificação, desta combinação resultando um conjunto que seria a obra arquitetônica.
Ao analisar cerca de trinta e cinco (35) métodos de projetação utilizados por autores modernistas, Jones (1992) concluiu que a base metodológica que permeia seus trabalhos está centrada em procedimentos lógicos, manutenção de banco de dados, classificação e avaliação de informações e processos inovadores. Assim, ante as inúmeras possibilidades surgidas a partir da racionalização do problema e antevendo o ‘produto’ final, o projetista seleciona alternativas possíveis e define estratégias para materialização de uma ideia através do desenho (GÓES, 2005).
Na busca por soluções inovadoras, a arquitetura contemporânea combina racionalização e intuição, recorrendo ao uso de diversos recursos no processo projetual, quer aqueles já comentados, quanto, principalmente, as ferramentas computacionais, que permitem grande variação nos métodos compositivos, sejam soluções simplificadas ou complexas (CHIZZOTTI, 2006). Alguns destes novos métodos se baseiam na justaposição ou subtração de formas/figuras geométricas e outros na sua decomposição. A Teoria dos Fractais, por exemplo, trabalha a subdivisão de uma forma (geométrica ou orgânica) em partes (ou frações), sem que estas percam suas propriedades iniciais. Assim, elementos aparentemente “disformes” são pequenos fragmentos de uma forma maior, que foram cuidadosamente escolhidos e se repetem a fim de gerar uma solução harmônica, possibilidade compositiva que permite grande liberdade formal aos arquitetos contemporâneos (GIRAD, 1989). Frei Otto aproveitou esses conceitos e os traduziu em estética, mínimo impacto ambiental e menor interferência visual de suas obras, trabalhando simultaneamente sistema estrutural e formas orgânicas na concepção do partido (BOGÉA, LOPES, REBELLO, 2006; ROLAND, 1973).
Outra corrente a considerar é a desconstrutivista, que surgiu em oposição à racionalidade modernista sendo caracterizada pela fragmentação,
pelo desenho não linear e pela livre manipulação da superfície das estruturas ou da sua aparência. O uso de formas não lineares para distorcer e deslocar alguns dos princípios elementares da arquitetura (como a estrutura ou o envoltório - paredes, piso, cobertura e aberturas), faz a aparência visual final dos edifícios desconstrutivistas se distingue pela imprevisibilidade, correspondendo a uma espécie de “caos” controlado. Potencializando tais ideias, na contemporaneidade o uso da informática tem se mostrado essencial em muitos aspectos do processo projetual da arquitetura (PIAZZALUNGA, 2005), uma vez que permite ao projetista realizar modelagem tridimensional e animações (virtual e física) que auxiliam significativamente a concepção de objetos e espaços complexos.
Com base nesse quadro geral, essa tese se propõe a verificar se os projetistas (profissionais ou em formação) apontam semelhanças e diferenças entre o modo de projetar da arquitetura convencional e o processo de concepção de espaços desmontáveis para eventos.
3.2.3 Quanto ao processo de concepção projetual
Independentemente do modo como o projeto se desenvolve em termos metodológicos, parte da literatura na área dedica-se a discutir o processo conceptivo em si, tentando elucidar como se forma a ideia preliminar que gera o projeto, ou seja, tendo como foco o processo inventivo ligado à capacidade cognitiva, perceptiva e intuitiva do projetista.
Jones (1992) considera fundamental analisar não o resultado final, mas o processo de criação antes da materialização da proposta arquitetônica, defendendo que o pensamento que anteveem a representação gráfica, a ideia é considerada a etapa mais importante no processo projetual.
Analisando o ato de projetar sob a ótica de Durand, Viollet-le-Duc e outros teóricos clássicos, Corona Martinez (2000) aponta que a ação projetiva passa por um processo de contínua alteração do objeto proposto (desde a sua idealização até a sua finalização), de modo que o projetar seria um processo, com base no qual a obra (até então idealizada apenas no desenho) vai sendo gradativamente lapidada. Este processo compositivo resulta da criação e agrupamento de elementos, gerando planos, massas e, por conseguinte,
espaços. O autor explicita, ainda, que há várias maneiras de se chegar ao exercício da concepção, a maioria das quais passa pelo uso da representação gráfica como meio de exteriorizar a obra arquitetônica, idealizada/pensada e definida por meio de elementos construtivos.
Por sua vez, várias correntes de pensamento ligadas à filosofia e à psicologia, como as teorias behavioristas, cognitiva e da Gestalt, apontam a possibilidade de trabalhar a composição através de métodos associativos relacionados às teorias do pensamento, explicando que, antes de definir graficamente uma proposta o projetista procura mentalmente soluções para os problemas complexos impostos pelos múltiplos condicionantes projetuais que se apresentam, as quais geralmente surgem na forma de ‘insights’ (BOUTINET, 2004; LAWSON, 2011).
Discutindo a atividade mental que alicerça a proposta projetual, ao definirem a sua arquiteturologia (ciência que trata do conhecimento sobre a arquitetura, buscando entender como ela é feita, e não, necessariamente, conhecer o seu produto final) Boudon et al. (2000) analisam a concepção arquitetônica com base em cinco pontos: ideia, percepção, usos, sistema e discurso, que resumimos a seguir com base na tradução livre de explanações dos autores.
IDEIA - totalmente inerente ao projetista, deriva de conhecimentos e
crenças pessoais do arquiteto, sendo um ato meramente intelectual, que passa pela cognição e conduz á criação inicial; antecede à representação gráfica e corresponde ao momento em que o arquiteto define uma linha de partida para a elaboração da proposta.
PERCEPÇÃO - liga o projetista aos usuários das edificações. Ao projetar,
entretanto, o projetista se alimenta da sua própria vivencia especial e da utilização (anterior) de ferramentas de avaliação do espaço a fim de formular hipóteses perceptivas (sobretudo visuais, mas também de outras naturezas, como táteis, lumínicas e auditivas), o que torna a percepção uma importante ferramenta auxiliar do ato de conceber.
USO - está diretamente ligado a questões sociais, culturais e temporais.
Também nesse caso o projetista formula hipóteses a serem testadas no futuro, pois embora aparentemente possamos classificar um espaço pelo seu uso, a natureza dessa utilização pode variar conforme o interesse e as necessidades do(s) usuário(s), podendo mudar no tempo.
SISTEMA – há uma relação direta entre as partes do projeto e o todo
resultante, de modo que a concepção é influenciada por vários sistemas (como o econômico, o social e o urbano, entre outros), dentre os quais os autores destacam o sistema estrutural como uma importante contribuição para a atividade projetual.
DISCURSO – “os arquitetos produzem discursos verbais e escritos” que
fundamentam suas decisões arquitetônicas e legitimam o processo que resulta na concepção do objeto arquitetônico, material que precisa ser analisado para a adequada compreensão da obra.
Com base nesses pontos, os autores argumentam que a concepção do espaço arquitetural passeia pelo campo da abstração, pois antes da materialização do projeto, ele é imaginado intelectualmente por meio deformas e elementos que serão posteriormente representados graficamente (BOUDON
et al., 2000). Nesse caso, a abstração ‘pensa’ a edificação real e exige sua
posterior representação por meio de desenhos ou imagens que traduzem o exercício mental realizado durante o processo conceptivo.
Por sua vez, ao analisar as especificidades do projeto arquitetônico Mahfuz (1995) esclarece que a “essência” do projeto se resume às relações estabelecidas entre seus componentes, pois “na composição arquitetônica, o
sentido de progressão é das partes para o todo, e não do todo para as partes”.
Para ele, a ideia conceitual, base para a definição do partido, corresponde a uma imagem exclusivamente mental, logo, não tem forma e é desprovida de organização espacial. Como desse conceito inicial gera o partido que, como essência do projeto, corresponde à ideia principal definida com base em todos os aspectos importantes no processo de projetação, exceto a sua materialização (embora o processo de materialização do partido possa transformá-lo).
O autor discute, ainda, os elementos que compõem a totalidade arquitetônica, apontando quatro modos de organização das “partes“ arquitetônicas que compõem esse todo: inovativo, tipológico, mimético e normativo - sinteticamente descritos como segue, com base do texto original (MAHFUZ, 1995).
INOVATIVO - baseado na tentativa de aplicação de técnicas de materiais de
forma inovadora, nova, diferente, em geral realizada de forma empírica. Um exemplo é o bricoleur, usado pelos primeiros construtores na tentava de solucionar os “problemas” de acordo com o material construtivo disponível, de modo que muitas vezes o resultado inovador derivava apenas maneira de aplicação destes materiais diferente da usada anteriormente, não modificando a concepção baseada na funcionalidade ou na forma compositiva propriamente dita. Embora este método esteja baseado na aplicação e na analogia das formas, ele apresenta como diferencial a
possibilidade de trabalhar aspectos similares nas construções, mas com detalhes diferentes.
TIPOLÓGICO - sugere o conceito de “tipo” na arquitetura, entendido como
diferente de modelo. Apresentando aspectos que servem de referência, cujos aspectos podem estar relacionados à forma em si, o “tipo” pode ser definido através de uma forma repetida, ou mesmo, através da repetição de uma estrutura organizacional e/ou estrutural. Assim, projetar de maneira tipológica seria adotar um “padrão”, e a partir dele propor diversas obras arquitetônicas.
MIMÉTICO - do grego, mimesis, imitação, não corresponde apenas à cópia
pura e simples de edifícios e elementos arquitetônicos, e sim na “criação” de novos artefatos arquitetônicos a partir de uma mesma base. Logo, essa “imitação” não significa reproduzir com fidelidade uma construção, e sim trabalhar os conceitos subjacentes a ela, fazendo sua re-leitura e nova aplicação, interpretado a realidade. Na Renascença o método mimético foi utilizado amplamente pelos projetistas e teóricos. Aristóteles defendia o uso da representação arquitetônica baseada em um modelo anterior, mas concebido a partir da compreensão do artista sobre o elemento arquitetônico. Pode-se dizer que a partir dessa ideia surgiu o conceito de modelo na arquitetura.
NORMATIVO – indica que as formas arquitetônicas são criadas com auxílio
das normas estéticas, ou de princípios reguladores. A obra de criação arquitetônica seria derivada dessas normas estéticas. Neste sentido, as regra/norma é base da teoria de projetação arquitetônica. As normas podem ser obtidas através de um sistema ou traçado geométrico, relativo à proporção, ou definidas a partir de uma forma geométrica elementar como determinante da forma plástica resultante da obra arquitetônica.
Complementando essa argumentação, Lawson (2011, p. 110) indica de que o projetar envolve habilidades complexas, sobretudo por se referir a resolução de problemas pouco estruturados (KOWALTOWSKI et al, 2012), exigindo do projetista interpretações subjetivas, bem como juízos de valor.
Projetar não é um fim em si mesmo. Toda questão do processo de projeto é que ele resultará em uma ação para mudar ambiente de alguma forma (...). Ao contrário do artista, o projetista não está livre para concentrar-se exclusivamente nas questões que lhe parecem mais interessantes. É óbvio que uma das habilidades de quem projeta é a capacidade de fascinar-se rapidamente com problemas antes desconhecidos. (LAWSON, 2011, p.123)
Em resumo, considerando a diversidade da argumentação dos autores e as teorias por eles defendidas, pode-se entender que o projetar corresponde a um processo metodológico e mental complexo embasado por importantes definições que vão desde o conceito que explica a obra até as intenções estéticas e as técnicas construtivas que a caracterizam. Ao exercício mental
propositivo segue-se um cuidadoso trabalho de representação visando delimitar o objeto arquitetônico a ser posteriormente executado. É, portanto, fruto da relação intrínseca e indissociável entre a teoria e a prática, sempre.
Nesta tese alguns dos aspectos supracitados serão utilizados na análise dos anteprojetos elaborados pelos estudantes como resposta ao exercício proposto.
3.2.4 Quanto ao modo de ordenar os elementos compositivos
Vários autores discutem o projetar com base nos elementos utilizados pelo projetista na composição arquitetônica, tais como Alexander (1974), Arnheim (2006), Broadbent (1982), Ching (2002), Gomes Filho (2003), Jones (1998), Naveiro e Oliveira (2001), Pinon (1998). Dentre eles esta tese destaca a obra de Francis Ching, em especial o livro “Arquitetura: forma, espaço e ordem” (2002), publicação bastante conhecida nos cursos de graduação brasileiros, fato que orientou nossa escolha por utilizá-la como uma das bases para análise dos projetos dos estudantes que participaram do exercício que alimenta a pesquisa realizada.
O autor considera que “O projeto é, acima de tudo, um ato deliberado,