4. Resultater
4.1. Mottaks- og prosesskontroll
4.4.1. Emulgeringsevne
Atendo-se basicamente às problemáticas educativas e escolares, a Psicologia da Educação dá seus primeiros passos científicos e “assume trabalhos e pesquisa sobre aprendizagem, testes mentais, medidas do comportamento, psicologia da criança e clínica infantil” (COLL SALVADOR, 1999, p. 22). Compartilhando do mesmo pensamento do autor, Larocca lembra da marcante influência do ideário liberal burguês, desde as primeiras relações entre Psicologia e Educação, e afirma “À Psicologia da Educação, neste início, coube a classificação dos indivíduos através de testes de inteligência, aptidões, personalidade, tendo em vista o ajustamento e adaptação dos mesmos às relações sociais vigentes” (LAROCCA, 1999, p. 15).
Segundo Coll Salvador, durante as duas primeiras décadas, a Psicologia da Educação procurou aproveitar e “aplicar na educação todos os conhecimentos potencialmente relevantes proporcionados pelas pesquisas desenvolvidas no âmbito da Psicologia científica nascente” (COLL SALVADOR, 1999, p. 23). No entanto, três áreas ou campos de pesquisa se destacam devido ao grande interesse na educação escolar. São elas: “o estudo e a medida das diferenças individuais e a elaboração de testes, a análise dos processos de aprendizagem e a psicologia da criança” (COLL SALVADOR, 1999, p. 23).
A Psicologia da Educação desenvolve-se com intensidade, nas duas primeiras décadas do século XX e amplia progressivamente suas pesquisas em diversas áreas no mundo educacional. Diversos núcleos de pesquisa são criados e desenvolvidos. No campo da psicologia da aprendizagem, dois pontos significativos, porém, divergentes, são defendidos por dois grandes pesquisadores, segundo Coll Salvador (1999), reconhecidos como os primeiros psicólogos educacionais. Tais concepções provocam grande polêmica entre os estudiosos da época, como mostram alguns autores em seus estudos (LAROCCA, 1999; COLL SALVADOR, 1999; 2000; GUERRA, 2000; WOOLFOLK, 2000).
p. 25) nos traz, é representada por Edward L. Thorndike (1874-1949). De cunho conteudista, propunha “uma transposição à prática escolar dos resultados obtidos nos laboratórios” de estudos psicológicos. Para Thorndike, as pesquisas psicológicas experimentais serviriam de apoio para a fundamentação das propostas educativas. No entanto, o pesquisador advertia que a escola deveria estar sempre atenta a esta relação e levantar suspeitas, caso elas não correspondessem aos seus propósitos.
A segunda, apresentada por Coll Salvador (1999), refere-se à concepção psicoeducativa de Charles H. Judd (1873-1946), defensor da “idéia de que somente os resultados obtidos diretamente a partir dos estudos dos processos de aprendizagem em situações reais de sala de aula poderiam ser generalizados na prática educativa” (COLL SALVADOR, 1999, p. 27). A grande preocupação deste pesquisador era tornar o conhecimento da Psicologia relevante e útil à educação. A finalidade da Psicologia da Educação seria a análise dos processos mentais pelos quais a criança internaliza os conteúdos escolares, ou seja, os conhecimentos acumulados pela sociedade que são sistematizados e transmitidos no processo escolar. Para Judd, o processo de aprendizagem não se restringia a uma seqüência de associação de estímulos e resposta, mas sim ao desenvolvimento das capacidades de organizar, sintetizar e transformar as experiências educacionais. Estas duas concepções psicoeducativas ganharam espaço e cristalizaram-se em duas diferentes linhas de pesquisa que se perpetuam até os dias atuais.
Tendo como base a educação, os estudos em laboratórios forneciam dados de pesquisa, desenvolviam princípios e conhecimentos teóricos psicoeducativos de grande relevância, porém, desvinculados da prática docente. Cabe aqui lembrar que, apesar de Judd (apud COLL SALVADOR, 1999) defender a importância dos estudos da Psicologia da Educação voltados para situações reais de sala de aula, estes também aconteciam nos limites dos laboratórios para que fossem generalizados e úteis à prática educativa, como nos mostra Bzuneck (1999, p. 44):
[...] na ânsia por status no seio da comunidade científica, aqueles pesquisadores isolaram a pesquisa da prática e dos que praticavam. O laboratório, em vez de sala de aula, era o lugar da pesquisa, e o objeto dos estudos eram questões como o movimento dos olhos ao ler, ou a memória de sílabas sem sentido. Essa opção era justificada em parte, para se ficar alinhado com as ciências exatas como a física, e assim participar de uma linha de pensamento considerada progressista, moderna.
Bzuneck (1999) nos mostra que os dois psicólogos educacionais, Edward L. Thorndike e Charles H. Judd, centralizavam suas pesquisas experimentais em laboratório. Correspondendo ao contexto da psicologia daquela época, de conquistar o status de ciência, ambos defendiam o rigor científico em seus estudos. O autor acrescenta que o reconhecimento da relação da psicologia com a prática escolar é recente. Na época “havia, sim, o interesse pela educação, porém, a Psicologia Educacional não se identificava com a formação de professores” (BZUNECK, 1999, p. 44). As pesquisas de aspectos psicológicos desempenhavam papel de destaque, possuíam uma certa superioridade em relação à área educacional. Na tentativa de conquistar o reconhecimento científico, as pesquisas procuravam satisfazer as demandas científicas daquele período. Assim sendo, tanto como as áreas exatas, as investigações educacionais aconteciam nos limites dos laboratórios em condições experimentais. Bzuneck (1999, p. 44) mostra que a prática docente, ou pedagógica, era discriminada e menosprezada, a ponto de haver uma separação física para não prejudicar o prestígio científico de alguns pesquisadores, como foi o caso de Judd:
Em Chicago, Judd isolou de seu departamento de psicologia o setor de formação de professores (as), em parte porque ele acreditava que essa separação contribuiria para assegurar o status científico da psicologia: uma unidade institucional composta sobretudo por mulheres, provavelmente, não granjearia muito prestígio na academia.
A grande ênfase ao conhecimento dos aspectos psicológicos nos estudos dos fenômenos educacionais não permitia espaço para intercâmbios com outras áreas do conhecimento, como, por exemplo, a Filosofia, base das teorias educativas. No decorrer do tempo, tal postura extremista resultou, segundo Bzuneck (1999), na psicologização da educação. A Psicologia não seria um fundamento para as inquietações da prática docente, mas sim, o único elemento capaz de preparar o professor para atuar no âmbito escolar.
Na tentativa de explicar e compreender os fenômenos educacionais, primeiro há de se considerar a diversidade de concepções psicológicas, algumas até mesmo divergentes, que deram origem a diferentes concepções psicoeducativas. Tal diversidade é reconhecida por diversos autores como pertinente à complexidade educacional e às suas variáveis. Segundo Coll Salvador (1999, 2000), a diversidade de vertentes psicoeducativas que coexistem atualmente expressa a importância e o empenho de concepções da Psicologia em intervir nos problemas de âmbito escolar, como também contribuir para o aperfeiçoamento do ensino na busca de uma educação com qualidade.
seu nascimento até os dias atuais, tem-se empenhado no propósito de oferecer qualidade ao processo de ensino-aprendizagem. Como conseqüência dessa intenção, dois pontos de vista foram-se consolidando com o passar do tempo. Um procura, por meio de pesquisas psicológicas experimentais, transpor para a prática escolar resultados obtidos em laboratórios e o outro, por sua vez, procura refletir criticamente a respeito dos fenômenos reais da vivência escolar, preocupando-se com a verdadeira utilidade da disciplina Psicologia da Educação para a prática docente.
Este segundo propósito, conforme se pode depreender dos autores consultados – Coll Salvador (1999, 2000), Bzuneck (1999), Larocca (1999), Guerra (2000) –, além de procurar oferecer qualidade ao processo de ensino-aprendizagem, manifesta a intenção e preocupação de estabelecer uma base científica às teorias psicoeducativas que permita intervir com coerência e efetividade na problemática educativa do âmbito escolar.