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4. Resultater

4.1. Mottaks- og prosesskontroll

4.3.1 Analyse av totalt tørrstoff

A Psicologia da Educação tem suas raízes na Psicologia científica, como também na Filosofia. Seu nascimento se manifestou nos primeiros ensaios psicológicos, quando a Psicologia buscava o seu reconhecimento e status de disciplina científica. O momento histórico vivido naquele tempo, século XIX, apresentava uma nova demanda social que, conseqüentemente, passou a exigir mudanças no processo educacional da época. Portanto, para compreendermos o motivo da existência do nosso objeto de estudo, necessitamos fazer um breve resgate histórico a respeito das determinantes que lhe deram origem.

A Psicologia é um desmembramento da Filosofia, ciência milenar que interroga a existência humana e sua interioridade. Essa ruptura se fez necessária com o desenvolvimento de uma nova ordem econômica, o capitalismo (BOCK, 2002). Circunstâncias histórica estas que passam a exigir um novo homem e vem revolucionar a concepção de mundo da época, num movimento transformador no século XIX, que tem como uma de suas conseqüências o nascimento da ciência – conhecimento sistematizado e rigoroso da realidade – que se estendeu ao campo da Psicologia e, por sua vez, nas palavras de Larocca, estabeleceu a autonomia científica da Psicologia em relação à Filosofia. Afirma a autora:

Na segunda metade do século XIX, as sociedades industriais capitalistas estão em plena fase de consolidação, especialmente na Europa, berço do primeiro laboratório de Psicologia, fundado por Wundt em 1879, na Universidade de Leipzig, Alemanha. A reivindicação de status científico para a Psicologia, sua independência da Filosofia, seu desenvolvimento indicam uma estreita relação com as necessidades dessa sociedade. (LAROCCA, 1999, p. 14)

Para Bock (2002), o processo de industrialização foi propulsor do desenvolvimento do campo científico. Segundo a autora, o capitalismo coloca o mundo em movimento. A natureza passa a ser investigada. A razão, submetida ao poder centralizador da fé, e a verdade, determinada pela autoridade hierárquica de uma sociedade autoritária, rígida e estática, passa a ser questionada. O homem busca respostas no campo da investigação. Passa a construir conhecimento sistematizado em estudos experimentais e a sentir necessidade de criar espaços apropriados para o estudo dos fenômenos psicológicos. O Laboratório de Experimentos em Psicofisiologia, citado anteriormente, criado por Wilhelm Wundt (1832- 1926) na Alemanha, é resultante desse momento, vindo a consolidar o nascimento da Psicologia que, para Bock (2002, p. 26), foi pedra angular, uma vez que:

[...] esse marco histórico significou o desligamento das idéias psicológicas abstratas e espiritualistas, que defendiam a existência de uma alma nos homens, a qual seria a sede da vida psíquica. A partir daí, a história da Psicologia é de fortalecimento de seu vínculo com os princípios e métodos científicos. A idéia de um homem autônomo, capaz de se responsabilizar pelo seu próprio desenvolvimento e pela sua vida, também vai se fortalecer a partir desse momento.

O ponto de partida histórico da Psicologia ancora-se em uma estrutura social que aspira aos ideais revolucionários franceses de liberdade, igualdade e fraternidade entre todos que “anunciavam a apologia de uma sociedade democrática, com ênfase na possibilidade de mobilidade social onde a herança de berço seria substituída pelo esforço e pelo mérito pessoal o novo aferidor, que determinará o fracasso ou o sucesso dos indivíduos” (CATHARINO, 2001, p. 38). Para tanto, todos deveriam ter as mesmas oportunidades a fim de desenvolver suas aptidões. Com este propósito, a educação formal passa a ser valorizada. A educação ocupa uma “posição privilegiada – uma vez que é ela a responsável por transformar a ‘matéria bruta’ – os potenciais – em habilidades bem desenvolvidas” (CATHARINO, 2001, p. 38).

O pensamento dominante liderado pela burguesia, classe em ascensão, que disputa o poder com a nobreza e com o clero, defende “a emancipação do homem para emancipar-se também” (BOCK, 2002, p. 38). Portanto, a especulação de um homem autônomo e responsável por seu desenvolvimento, livre da interferência divina, é influenciado, do mesmo modo, pelos interesses socioeconômicos e políticos da época.

Para Libâneo (1989, p. 87), paralelamente ao desenvolvimento da Psicologia, no século XIX, o homem define-se como livre, como ser individual capaz de

vender sua força de produção, “já que as novas relações de trabalho supõem o proprietário dos meios de produção e o assalariado livre para aceitar uma relação contratual”. O homem começa a desenvolver um novo sentimento, o individualismo. Tal sentimento, característico das relações sociais do regime capitalista, ganha nova variante com o desenvolvimento da produção. Na concepção de Libâneo, o individualismo é visto como a prevalência do individual que, por sua vez, irá exercer grande influência na estruturação social e científica da humanidade. Libâneo (1989, p. 87) explica:

[...] desgastando-se com a liberação de energia no trabalho, o homem precisa garantir sua privacidade, certo isolamento que lhe possibilite recompor as energias. O culto ao individualismo é, assim, uma necessidade da produção capitalista, é uma conseqüências das relações específicas de produção. Não interessando explicar as verdadeiras condições em que o trabalho se dá, e o isolamento individual como conseqüência, esta relação trabalho/isolamento aparece como fazendo parte da condição humana, como comportamento natural.

As necessidades sociais da época, segundo Patto (1984, p. 87) de “selecionar, orientar, adaptar e racionalizar”, buscam caminhos para o desempenho prático e produtivo. A evolução do processo de industrialização requer mão-de-obra especializada, como também respostas e soluções imediatas para o mundo do trabalho. Portanto, em tempos de consolidação de uma sociedade industrial capitalista, passa-se a exigir um novo comportamento social das pessoas, vinculado “à organização racional de uma sociedade à qual os indivíduos deveriam ajustar-se e adaptar-se sem que a estrutura socioeconômica dessa mesma sociedade fosse colocada em questão” (LAROCCA, 1999, p. 14).

Estas transformações socioeconômicas, vivenciadas naquele momento histórico, refletem diretamente na estruturação da Psicologia científica. A valorização da individualidade humana é tida “como um caso particular de personalidade humana básica, o que pressupõe que cada indivíduo possui características que são universais e independem de influências do meio social” (LIBÂNEO, 1989, p. 87) e são incorporadas às concepções científicas da época. E os estudos dos fenômenos psicológicos têm sua área demarcada pelo

status quo racional capitalista que, impregnada pelo seu poder, prevalecerá por muitas

décadas.

Contudo, no início do século XX, a Psicologia como ciência passa a utilizar- se de métodos experimentais das ciências físicas e das ciências naturais em diversas áreas da atividade humana, inclusive na educação. Deste modo, seus métodos e técnicas, a serviço da educação, passam a classificar e avaliar os dons individuais (CATHARINO, 2001). E, ao

mesmo tempo, como conseqüência das transformações socioeconômicas, a teoria educativa sente necessidade de buscar novos caminhos para sua fundamentação científica (COLL SALVADOR, 1999; GUERRA, 2000).

Como resultado do progresso industrial, século XX, alguns países mais desenvolvidos no ocidente dão início à “implantação progressiva [de uma] escolarização generalizada e obrigatória para a maioria da população” (COLL SALVADOR, 1999, p. 21- 22; GUERRA, 2000; BOCK, 2004). Esta inovação provoca nos professores, nos centros de formação educacional e nas instituições de pesquisa educativa, a urgente necessidade de um ensino com maior qualidade. Ao mesmo tempo, a Psicologia ganha status de disciplina científica. Tal reconhecimento faz surgirem esperanças, no meio educacional, de possíveis contribuições “como fonte de informação e de idéias para a elaboração de uma teoria educativa de fundamento científico que permita melhorar o ensino e intervir sobre os problemas que se apresentam na escolarização generalizada da população infantil” (COLL SALVADOR, 1999, p. 22).

A valorização no campo da educação e o reconhecimento científico da Psicologia instigam alguns psicólogos a desenvolver pesquisas no âmbito educacional. Estes direcionamentos de investigações de fenômenos psicológicos deram origem a uma nova ciência. Nasce a Psicologia da Educação, apoiada nos primeiros ensaios da Psicologia científica e, por conseqüência, da nova demanda e necessidade educacional daquele tempo (COLL SALVADOR, 1999, 2000). Portanto, a dedicação de estudiosos da Psicologia ao campo educacional, dá origem a uma nova disciplina científica. Como explica Guerra (2000, p. 72):

[...] o interesse pela utilização dos conhecimentos psicológicos no ensino proporcionou a definição de um campo específico de pesquisas, muito importante para o estudo dos processos educativos, que culminou com a definição da Psicologia da Educação como uma disciplina fundamental ou nuclear para a teoria educativa, por longo período muito valorizada, sendo considerada a mais significativa área da Educação.

Cabe aqui retomar a questão acrescentando-se que as origens da Psicologia científica e das teorias educativas procedem da Filosofia e foram por um longo tempo, até o final do século XIX, mediadas por pressupostos filosóficos. Tanto a preocupação em compreender a interioridade humana, como as primeiras tentativas de explicar os processos de aprendizagem e de desenvolvimento humano tiveram início nas reflexões dos antigos filósofos gregos, posteriormente ressignificadas pela Psicologia científica. Podemos dizer,

então, que, como nos mostram vários autores (MOREIRA, 1994; COLL SALVADOR, 1999, 2000; GUERRA, 2000; BOCK, 2002), a diversidade de pensamentos e concepções filosóficas deu origem a diferentes correntes teóricas que são estudadas até os dias de hoje e permanecem a serviço da educação.