Uma vez que foram escolhidas duas turmas da escola para a realização da pesquisa e o objetivo refere-se às concepções, bem como às práticas de ensino e de avaliação da leitura das professoras regentes dessas turmas, os sujeitos da pesquisa foram as professoras de cada uma dessas turmas, Infantil V e 1º ano, assim como os respectivos alunos, compondo duas classes de sujeitos: professoras e crianças.
Minayo (2015) afirma que os sujeitos, em primeiro plano, são hipoteticamente construídos de forma teórica como componentes do objeto de estudo, sendo de importância basilar na pesquisa social. Contudo, a partir do momento em o pesquisador adentra ao campo de investigação, estabelecem-se relações que influenciam a análise a despeito de toda imparcialidade pretendida e perseguida. A autora diz que, no campo, os sujeitos
[...] fazem parte de uma relação de intersubjetividade, de interação social com o pesquisador, daí resultando num produto compreensivo que não é a realidade concreta e sim uma descoberta construída com todas as disposições em mãos do investigador: suas hipóteses e pressupostos teóricos, seu quadro conceitual e metodológico, suas interações, suas entrevistas e observações, suas inter-relações com os colegas de trabalho (MINAYO, 2015, p. 63).
Para respeito e garantia do anonimato, os sujeitos participantes tiveram, ao longo do texto, seus nomes preservados. Com isso, as professoras ganharam pseudônimos inspirados em personagens femininos dos Contos de Fadas (Cinderela, Rapunzel, Bela e Branca de Neve) seguidos de uma sigla (Inf e Prime), a fim de identificar a turma a qual pertenciam. Já as crianças foram nomeadas com as letras inicias de seus três primeiros nomes seguidas por ponto para que não sejam confundidas com as siglas apresentadas nesse trabalho. Essa opção foi eleita por ser uma quantidade relativamente grande e uma só ou mesmo duas iniciais coincidirem, gerando confusão nos dados.
Cada uma das duas turmas em que se realizou o estudo de campo era atendida por duas professoras (regentes A e B)15, perfazendo um número de 4 professoras. Na classe de crianças, a pesquisa contou com 17 alunos do Infantil V e 20 alunos do 1º ano, totalizando, assim, a quantidade de 41 sujeitos. As subseções seguintes se ocupam em fazer uma breve descrição dos sujeitos da pesquisa.
4.3.1 Professoras
No Infantil V, as professoras compartilhavam as experiências propostas aos alunos atendendo às DCNEI, não havendo, dessa forma, divisão de responsabilidade por área do conhecimento, uma vez que a recomendação é de que a prática pedagógica deve orientar- se por uma abordagem interdisciplinar. Já no 1º ano, a professora regente B era responsável pelas áreas de História e Geografia, Formação Humana e Recreação, ficando para a regente A as áreas de língua Portuguesa, Matemática e Ciências, conforme orientação da SME expressa na Portaria nº 246/2015 que “[...] estabelece as normas para a lotação dos Servidores Públicos da Secretaria Municipal da Educação nas Unidades Escolares da Rede Pública Municipal de Ensino de Fortaleza para o ano de 2016, e dá outras providências.” (FORTALEZA, 2015a, p. 8).
O referido documento estabelece no anexo 1, item 3, referente à lotação específica, subitem 3.3, da lotação no Ensino Fundamental, seção 3.3.1, dos professores de 1º ao 5º ano, no inciso V que: “As disciplinas sob a responsabilidade do Professor Regente B (PR-B) lotado nas turmas de 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental são: Língua Portuguesa
15 Terminologia utilizada pela SME de Fortaleza para designar as professionais responsáveis pela turma. A
professora regente A assume dois terços da jornada semanal enquanto que a regente B assume um terço. Desta forma, fica garantido o tempo de estudo e planejamento em serviço das duas professoras.
II (com foco na literatura infantil e nos jogos de linguagem), História e Geografia, Educação Física e Ensino Religioso” (FORTALEZA, 2015a, p. 10).
Entretanto, a coordenação da escola e a docente compreendiam que, como a turma estava em fase de alfabetização, a professora regente B deveria se utilizar dos assuntos das áreas de conhecimento sob sua responsabilidade, com o intuito de desenvolver, sobretudo, a competência leitora das crianças, fato evidenciado por ela na entrevista, confirmado nas observações de sala realizadas e corroborado pela professora regente A da turma.
Mesmo não sendo objetivo da pesquisa, ressaltou-se o fato de que, nas duas turmas investigadas, havia uma articulação e um diálogo entre as professoras com o fim de desenvolver as habilidades de leitura e escrita nas crianças num esforço conjunto em que todas se mostravam responsáveis pela conquista de tais competências. A seguir, apresenta-se uma sucinta caracterização das professoras. Os dados aqui revelados foram obtidos a partir do questionário autoaplicável (Apêndice B) respondido por esses sujeitos.
4.3.1.1 Cinderela-Inf
Professora efetiva da rede municipal de Fortaleza. Regente A das turmas de Infantil V na escola pesquisada, nos turnos matutino e vespertino. Encontrava-se na faixa etária compreendida entre 31 a 40 anos. Com escolaridade a nível de especialização. Dos 6 anos dedicados à educação pública municipal, 2 foram no 1º ano do Ensino Fundamental e 4 no Infantil V. Participava das formações continuadas proporcionadas pela SME. Já participou, quando professora do 1º ano, das formações propostas pelos programas PAIC e Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) e, desde o momento em que assumiu o Infantil V, passou a participar das formações continuadas destinadas à Educação Infantil.
4.3.1.2 Rapunzel-Inf
Professora efetiva da rede municipal de Fortaleza. Regente B das turmas de Infantil IV e V na escola pesquisada, nos turnos matutino e vespertino. Na época de realização da pesquisa, encontrava-se na faixa etária compreendida entre 41 a 50 anos. Seu grau de escolaridade era de especialização. Havia 15 anos e 7 meses que lecionava na Educação Infantil nas turmas mencionadas, tendo sido regente A por muitos anos, há pouco tempo havia optado pela função de regente B. Participava das formações continuadas proporcionadas pela SME para os professores da Educação Infantil.
4.3.1.3 Bela-Prime
Professora alfabetizadora, efetiva da rede municipal de Fortaleza. Regente A do 1º ano do Ensino Fundamental na escola, nos turnos matutino e vespertino. Pertencia à faixa etária no intervalo de 41 a 50 anos. Com escolaridade em nível de especialização, há 15 anos e 8 meses lecionava naquela escola, dos quais os últimos 2 anos e 8 meses foram dedicados ao 1º ano do Ensino Fundamental. Antes fora docente do 2º ano do Ensino Fundamental. Participava das formações continuadas promovidas pela SME nos programas PAIC, desde 2008, e no PNAIC, desde 2013.
4.3.1.4 Branca de Neve-Prime
Professora substituta da rede municipal de Fortaleza há anos. Branca de Neve- Prime apresentou um diferencial em relação às outras três docentes: era professora efetiva aposentada, tendo se submetido à seleção para substituta pelo desejo de voltar à escola, ter contato com as crianças e contribuir com a educação municipal. Seu nível de escolaridade era de especialização. Em todo o tempo de dedicação à rede municipal de ensino, foi professora do Ensino Fundamental nas séries iniciais e gestora de escolas. Há 7 anos e 6 meses, lecionava no 1º ano e no 2º ano de Ensino Fundamental, como regente A por um tempo e, no período da pesquisa, regente B. Participava das formações propiciadas pela SME para o Ensino Fundamental pelos programas PAIC e PNAIC.
Quadro 7 ─ Síntese do perfil dos sujeitos
Crianças
Turma Faixa etária (anos/meses) Sexo
Infantil V 5a5m a 6a4m 8 meninos e 9 meninas
1º ano 6a5m a 7a4m 8 meninos e 12 meninas
Professoras Pseudônimo Vínculo Faixa etária (anos) Tempo de magistério Tempo que leciona na turma Participa de formação continuada Titulação
Rapunzel-Inf Efetiva 41 a 50 15 anos e 7 meses
15 anos e 7
meses Sim Especialista
Bela-Prime Efetiva 41 a 50 15 anos e 8 meses
2 anos e 8
meses Sim Especialista
Branca de
Neve-Prime Substituta
A partir
de 61 35
7 anos e 6
meses Sim Especialista
Fonte: Planilha fornecida pela escola e questionário autoaplicável dos professores.
4.3.2 Crianças
4.3.2.1 Infantil V
Na turma do Infantil V, as crianças participantes da pesquisa tinham entre 5 anos e 5 meses e 6 anos e 4 meses de idade nos meses em que foram entrevistadas. O grupo era composto por 17 crianças, das quais 9 eram meninas e 8 eram meninos, residentes nas comunidades do entorno da escola. A maioria frequentava a escola desde o Infantil III.
4.3.2.2 1º ano
Essa turma era composta por 12 meninas e 8 meninos com idades entre 6 anos e 5 meses e 7 anos e 4 meses no mês em que foram entrevistados, todos pertencentes a comunidades do entorno da escola. Das 20 crianças, 1 não frequentou no período da pesquisa. Das 19 entrevistadas, duas não responderam às questões propostas, por mais que a pesquisadora tenha utilizado da informalidade e tentado se aproximar delas com brincadeiras. Ambas tinham histórico de infrequência na escola, fato comprometedor, segundo a professora, ao processo sistemático de alfabetização, pois essas crianças deixavam de participar dos vários momentos e diversas atividades desenvolvidas na sala de aula e na instituição. As demais, 17, foram ouvidas e mostraram-se bastantes desenvoltas na entrevista.