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EMBODIED EMISSION METHODOLOGY

Como informado anteriormente, nesta pesquisa foram analisados discursos captados com três mulheres residentes em área rural – Raquel, Laura e Katia –, mães de crianças com menos de 4 anos de idade, residentes em uma região rural da cidade de Pouso Alegre, Minas Gerais, Brasil, pertencentes às famílias agrícolas.

Em síntese, pode-se dizer que as mulheres-mães entrevistadas são bem jovens, e ficaram grávidas entre 17 e 20 anos de idade, contrariando os dados do Censo 2010 (IBGE, 2010), que verificou que a gravidez tem chegado mais tarde para as mulheres brasileiras. O estudo do IBGE mostra queda no número de mulheres que têm filhos na faixa de 15 à 24 anos enquanto, simultaneamente, cresce a proporção de mães que têm entre 25 e 39 anos. O estudo também mostra que a postergação da maternidade é maior entre as mulheres com maior escolaridade, fato esse que talvez esteja ligado à gravidez das mães entrevistadas, que em geral, relataram baixa escolaridade.

As mães entrevistadas, de modo geral, relataram muitas mudanças na rotina após dar à luz, mudanças ligadas, principalmente, aos aspectos psicológicos, trabalho e liberdade. Apesar de alegar que ser mãe é “maravilhoso”, “é tudo”, “é muito importante”, elas não se preparam para ser mãe e demonstraram que a maternidade mudou drasticamente sua vida, principalmente no que diz respeito ao trabalho.

Um ponto muito relevante que perpassou a fala de todas as entrevistadas são as questões relacionadas ao trabalho, de modo geral, elas informaram que após dar à luz tiveram de deixar de trabalhar pelo menos por algum tempo. Um fato que pode ser um agravante, no caso das mães de área rural pertencentes a uma família agrícola, é que, diferente do que acontece em área urbana, elas normalmente não dispõem dos benefícios da licença-maternidade ou paternidade, dado que o trabalho que exercem é considerado autônomo, como relata a entrevistada Raquel: “[...] é

complicado, porque, como uma pessoa daqui da roça, se trabalha por conta própria ou se trabalha por boca, nem por contrato não é [...]”.

Isso faz com que as mães de área rural tenham de passar por momentos de ambiguidades de sentimentos, pois dar à luz, que foi por todas elas descrito como um “sentimento maravilhoso”; “emocionante”; “curti muito”, por outro lado pode ser um momento de muitas dificuldades, como relata a entrevistada Laura:

“Eu fiquei meia depressiva no começo, eu arrependi, sabe. Eu ficava, meu Deus o que eu te fiz, porque eu só chorava, não tinha vontade de fazer nada, não cuidava da minha filha, da primeira, não conseguiu cuidar dessa última agora, eu comecei a chorar. Minha mãe que ajudou, eu, com meu marido, eu não dormia, também não queria cuidar deles, minha vontade era sumir, abandonar eles, entregar eles pra alguém, dar pra adoção, e agora sim eu vejo que sem eles eu não sou nada, eu não vou viver sem eles, eu não consigo”.

O retorno ao trabalho foi relatado pelas entrevistadas como outro momento de dificuldade, pois requereu fazer escolhas que podem ser muito difíceis para as mães entrevistadas: trabalhar ou cuidar do filho. Caso a escolha seja trabalhar, o que para muitas mães não chega nem a ser uma escolha, significa expor os filhos recém- nascidos à condição desumana e até mesmo cruel para o desenvolvimento delas como relatados pelas entrevistadas:

“[...] levantar cedo, levar as crianças, ficar o dia inteirinho dentro naquele rancho, no sol, no carrinho, mamando um mama frio”; “[...] as crianças não iam sofrer igual eles sofrem, naquele frio indo pra roça”; “tem muitas crianças e acabam ficando na roça, com os pais judiado no meio da lavoura, porque aqui praticamente todas as mães trabalham;” “[...] ali precisa por causa das criança do povo do bambu, vem aquelas Maranhenses, aquelas criancinhas tudo pequenininha, com aquele frio todo, tudo na roça, sem roupa, eles vem pra cá”. “[...] todas as mães leva (pra roça) viu, se pegarem não sei o que vai acontecer, porque leva, tem uma mulher aqui em baixo mesmo (vizinha), ela leva as criancinha tudinho pro morango dela”; “Tem

que ajudar o marido, como é que faz? Não tem a creche para colocar a criança? É, e vai fazer o que, vai deixar sozinha? Não pode, tem que levar (pra roça)”; “[...] eu trabalhava no morango, então eu levava ele junto”; “[...] se eu vou trabalhar na roça tenho que levar junto [...]”.

As entrevistadas, de modo geral, relataram que estão frequentemente com os filhos, seja em casa, seja no trabalho, e compartilham os cuidados e a educação dos filhos com o marido, mãe e sogras: “Divido com meu marido, é dividido assim, ele me ajuda e eu ajudo ele, na hora que eu “to” fazendo alguma coisa dentro de casa pra nós, ele vai lá se o neném chora, mama, da banho neles [...]” (Laura); “meu marido, minha sogra me ajudou, minha mãe”. (Katia). Raquel, a única solteira das

entrevistadas, relatou que para cuidar dos filhos fez tudo sozinha: “Era eu e eu e eu”, quando questionada sobre como fazia para ir trabalhar respondeu: “Levo pra roça comigo, às vezes fica em casa sozinho com o maior, sabe, a menor, fica os dois em casa às vezes, quando está chovendo ou clima assim”.

Caso a escolha seja ficar em casa e cuidar das crianças, o problema que surge pode ser de ordem econômica, pois ser mãe de família agrícola significa ser mão de obra importante para os afazeres da lavoura, como relatado pela entrevistada Laura:

“Perde lavoura, perde tudo, aí o que acontece? Teve que, além de apertar, teve que ajudar o moço, arrumar uma pessoa, na época não encontra ninguém, perde o morango”.

Quadro 6 – Aspectos maternos

Entrevistadas* Sentimento materno para ser mãe Preparou-se Mudanças/alterações na rotina

Raquel

“Ser mãe pra mim é tudo, ser mãe, ser pai, ser tudo, ser trabalhadora, ser tudo.”

“Não.” “[...] não tem liberdade mais pra sair, não pode trabalhar, essas partes, tudinho, tudinho mudou, né, mudou tudo”.

Laura “É muito importante, nossa, é tudo [...]

“Ai, eu não me preparei, assim, eu queria filho e arrumei.”

“[...] praticamente mudou tudo, sabe, não me sinto, assim, eu fiquei meia depressiva no começo, eu arrependi, sabe, eu ficava, meu Deus o que eu te fiz? Porque eu só chorava, não tinha vontade de fazer nada, não cuidava da minha filha [...]”

Katia “Maravilhoso.” “Só extinto.” (instinto) “[...] muitas, as rotinas mudaram totalmente, a gente não dorme a noite inteira mais, essas coisas.”

Quadro 7 – Perfil das mulheres entrevistadas

Entrevistada Idade Formação Ocupação Principal Secundaria Ocupação de Filhos Número Cor/Raça Estado Civil Raquel 30 5ª Série Agricultora Frentista 2 Branca Solteira

Laura 24 6ª Série Agricultora Atendente 3 Parda Casada

Katia 24 Médio completo Agricultora Frentista 1 Branca Casada Fonte: Entrevista. Quadro elaborado pelo autor

Quadro 8 – Maternidade e trabalho

Fonte: Entrevista. Quadro elaborado pelo autor

Eixo 1 – Concepções sobre bebê, criança pequena, sua educação e cuidado.

De maneira geral, as entrevistadas definem o bebê como sendo um ser em desenvolvimento, frágil e inocente, caracterizado principalmente pela dependência e necessidade de cuidados provindos do adulto ou cuidador, que em área rural, muitas vezes, pode ser o irmão mais velho (menor de idade) (quadro 9). Duas das três entrevistadas relataram que o nascimento do bebê gerou transformação relevante em âmbito pessoal. Raquel relatou que: “Hoje eu penso que o bebê pra mim é tudo, é a vida, é tudinho. Porque antigamente não, antigamente eu não tinha preocupação né, mas agora, hoje eu com a cabeça mais velha penso que é tudo”.

Laura relata mudança de foco, em que o bebê e os filhos se tornam a prioridade das ações em sua vida:

“É muito importante, nossa, é tudo, é, muda completamente a vida da gente, é, nossa fica totalmente diferente, você não tem a mesma liberdade, que tem antes, tudo é eu, penso assim, eu me dedico mais aos meus filhos que a mim agora, minha preocupação é mais com meus filhos que a mim agora, a minha preocupação é mais com meu filhos que pra mim, eu acho que eles precisam de mais cuidados do que eu agora”.

Entrevistadas* Deixou de trabalhar? Motivo

Raquel

“Já, cheguei a ficar um ano sem trabalhar, quando era

pequenininho não podia ir pra roça.”

“[...] não ter onde deixar seus filhos, tem que levar pra roça”; “[...] não tem como trabalhar e cuidar do filho, ainda mais eu que sou sozinha, não tem marido não tem nada.”

Laura “Dele eu ainda ajudava o meu namorado, agora ela (filha de seis meses), desse tamanho.”

“Não tem com quem deixar, esse é o problema, a minha menina vai pra escola meio período, mas e o outro meio período que ela fica, como é que vai fazer? Ela já é maiorzinha, mais fácil, mas mesmo assim.”

Katia “Deixei um certo tempo, até ele está com oito meses mais ou

As mães entrevistadas, assim como os homens-pais ouvidos por Galvão (2008), as mulheres-mães ouvidas por Laviola (2010), as mulheres-avós ouvidas por Torres (2014) e as mulheres-mães-negras ouvidas por Silva (2014), também diferenciam com precisão um bebê de uma criança pequena. Segundo elas a diferença é marcada principalmente pela independência das crianças pequenas. Para as entrevistadas, outro ponto que marca a diferença é a idade, a idade do bebê varia entre 0 e 2 anos e o da criança pequena começa à partir dos 2 anos e vai até 11 anos (Quadro 10). Seus discursos apontam também para a autonomia da criança pequena para realização de tarefas cotidianas. Katia descreve que “[...] as crianças pequenas são mais independentes, mas você precisa ficar ali olhando”. Laura já diferencia o

bebê pelas necessidades:

“Bebê, precisa mais de cuidado especifico da gente, e a criança precisa mais o carinho da gente, porque o bebê, ele ainda não entende direito o que é carinho, agora a criança já entende, e o bebê precisa de cuidado físico da gente né, tudo que a gente vai fazer, até uma comida, tudo você tem que dá pra eles, agora a criança depois que ela fica maiorzinha, depois você ensina ela a comer, você dá a comida pra ela”.

Raquel relata que a diferença está presente, muito presente na independência da criança pequena:

“Tem, tem diferença porque é muito dependente da gente né, até crescer, quando é mais velho já vai sabendo se virar sozinho, o menor, até três anos é dependente da mãe, do pai; depende muito, a diferença entre uma criança pequena e o bebê é a dependência”.

Quadro 9 – Concepções sobre bebê e criança pequena

Entrevistadas* Bebê Criança pequena

Raquel

“[...] hoje o bebê pra mim é tudo, é a vida, é tudinho[...] Minha vida, um bonequinho de porcelana que você não pode nem mexer que quebra, frágil, acho que é isso.”

“[...] muito independente da gente né...”

Laura

“Ai, ele é tão especial, não sei nem como descrever sabe, é uma criança tão especial, é a metade de mim que tá neles, porque se não fosse eu eles não “tava” no mundo...”

“Ai, ai, nem sei como falar.” Katia “Ser totalmente dependente da gente [...] Frágil, inocente.” “[...]crianças pequenas são mais independente...” Fonte: Entrevista. Quadro elaborado pelo autor

Um segundo ponto marcante apresentado nos discursos das mães entrevistadas se refere às diferentes necessidades que apresentam os bebês e as crianças

pequenas, segundo elas, o bebê necessita de “tudo”, “toda a atenção”, que vai desde alimentação até higiene. Raquel enfatizou ainda que o bebê necessita de “Cuidados,

carinho, respeito”. Laura já destacou as necessidades do bebê em aspectos mais

ligados a questões de saúde, alimentação e higiene e que ser mãe é “ensinar aprendendo”:

“As necessidades de um bebê é eles querer mamar, igual era na mamadeira, eu tenho que dar, antes era de três em três certinho, marcado no relógio, agora não, o médico falou que não precisa mais, só na hora que ela chorar, especifico se você vê que é fome eu do mamadeira, agora já começou a comer comidinha, ai eu já sei a hora de almoço, a hora de janta, é tudo que ela precisa, é banho, agua, é tudo, tudo que ela precisa, assim tudo que eu acho que é necessário, é um remédio, tudo eu tenho que dar pra ela, roupa, ela não sabe fazer nada, ela está ali pra eu ensinar, aprendendo”.

Já as crianças pequenas apresentam menos dependência em relação ao adulto, sendo capazes de falar, alimentar-se sozinha, além de ajudar com o cuidado dos mais novos e nas tarefas de casa.

Raquel relata que “[...] essa criança pequena, eu acho que a necessidade dela é mais dá um banho, você trocar, pois eu acho que já sabe falar, já sabe ser mais independente, então não tem tanta necessidade de estar em cima, eu penso assim né”.

Laura usou como exemplo sua filha para diferencia as necessidades da criança pequena:

“Ai, a minha filha mais velha, ela já sabe tomar banho sozinha, ela, você põe a comida, ela já sabe comer sozinha, se for mandar pôr ela até põe, eu não mando ela porque eu tenho medo de ela se queimar, evito risco, mas e ela já sabe fazer muitas coisas, ela ajuda eu igual, eu falei pra você, ela ajuda eu com a pequena, se eu vou tomar um banho ela que fica olhando pra mim, mesmo no berço, ela não pega, não põe a mão, mas ela fica lá no berço brincando, com a pequenininha pra eu fica ali, tomando banho”.

Quadro 10 – Concepções sobre diferenças entre bebê e criança pequena

Entrevistadas* Bebê Criança pequena

Raquel

“[...] é muito dependente da gente né, até crescer [...] [...] o menor, até três anos é dependente da mãe, do pai; depende muito [...] [...] a diferença entre uma criança pequena e o bebê é a dependência [...]”

“[...] quando é mais velho já vai sabendo se virar sozinho [...]”

Laura

“Bebê, precisa mais de cuidado especifico da gente, e a criança precisa mais o carinho da gente, porque o bebê, ele ainda não entende direito o que é carinho...” “[...] o bebê precisa de cuidado físico da gente, né, tudo que a gente vai fazer, até uma comida, tudo você tem que dá pra eles...”

“[...] a criança depois que ela fica maiorzinha, depois você ensina ela a comer, você da a comida pra ela.” Katia “Ser totalmente dependente da gente.”

“[...] as crianças pequenas são mais independente, mas você precisa ficar ali olhando...”

Fonte: Entrevista. Quadro elaborado pelo autor

Quadro 11 – As necessidades do bebê e da criança pequena

Entrevistadas* Bebê Criança pequena

Raquel “Tudo, a mãe, é tudo, tudo é dependente.

“Essa criança pequena eu acho que a necessidade dela é mais dá um banho, você trocar, pois eu acho que já sabe falar, já sabe ser mais independente, então não tem tanta necessidade de estar em cima, eu penso assim né.”

Laura

“As necessidades de um bebê é eles querer mamar, igual era na

mamadeira, eu tenho que dar, antes era de três em três certinho, marcado no relógio, agora não, o médico falou que não precisa mais, só na hora que ela chorar, especifico se você vê que é fome, eu do mamadeira, agora já começou a comer comidinha, ai eu já se a hora de almoço, a hora de janta, é tudo que ela precisa, é banho, agua é tudo, tudo que ela precisa assim tudo que eu acho que é necessário, é um remédio, tudo eu tenho que dar pra ela, roupa, ela não sabe fazer nada, ela está ali pra eu ensinar, aprendendo.”

“A minha filha mais velha, ela já sabe tomar banho sozinha, ela, você põem a comida ela já sabe comer sozinha, se for mandar por ela até põem, eu não mando ela por que eu tenho medo de ela

queimar, evito risco, mas ela já sabe fazer muitas coisas, ela ajuda eu igual eu falei pra você ela, ajuda eu com a pequena, se eu vou tomar um banho ela que fica olhando pra mim, mesmo no berço, ela não pega, não põem a mão, mas ela fica lá no berço brincando, com a

pequenininha pra eu fica ali, tomando banho.”

Katia “Toda atenção...” “Toda atenção, pra criança também, tem que estar sempre atenta de olho.” Fonte: Entrevista. Quadro elaborado pelo autor

De forma geral, as mães entrevistadas relatam que o bebê tem papel central no seio familiar, sendo descrito por elas como: “foco da casa”, “tudo é pra eles” (quadro

Quadro 12 – Papel ocupado pelo bebê na família

Entrevistadas* Bebê

Raquel “O Papel dele eu acho que é o foco da casa, acho que é isso, porque tudo é em volta dele, o bebê.”

Laura

“O Papel do bebê na minha família é tudo, eles tão tudo reunidos ali, sabe, igual eu falei, precisa mais de cuidado então qualquer coisinha ta todo mundo em cima, e nasceu também fica ai aquele chamego, fica a família inteira naquele babando naquela criança até ela fica, tem aquele mais velho que ta passando e quando vem aquele pequenininho eles ficam tudo em cima do bebê, fica mais atencioso no bebê.”

Katia “Acho que é principal, é tudo pra ele.” Fonte: Entrevista. Quadro elaborado pelo autor

Foi identificado na fala das mães entrevistadas, assim como nas pesquisas de Laviola (2010), Torres (2013) e Silva (2014), o uso de adjetivos no diminutivo quando se referiam aos bebês e às crianças pequenas, fato esse que pode sugerir uma suposta condição de “fragilidade” ao tamanho físico quando comparado a outras etapas da vida. Algumas das palavras utilizadas foram: “bebezinho, jeitinho, educadinho, bocudinha, horinha, menininho, curtinhas, pouquinho, priminho, novinho, maiorzinho” (Quadro 14).

Quadro 13 – Palavras usadas no diminutivo quando direcionadas a bebês e crianças pequenas

Fonte: Entrevista. Quadro elaborado pelo autor

Quanto à melhor forma de educar, as entrevistadas relacionaram o educar a uma forma de controle, imposições de regras, de certo e errado, com visíveis preocupações com a segurança e imposições de regras, e em geral, não relacionaram o educar a uma educação formal em creche ou pré-escola. Elas também informaram que enfrentaram dificuldade com a educação dos filhos e quando questionadas se fariam algo diferente elas foram unânimes e afirmar a necessidade de mudanças na educação oferecida a eles.

Raquel afirmou: “Eu mudaria tudo, acho que eu não fui, sei lá, uma boa mãe para

educar. Eu acho isso, eu acho que eu deixei muito livre, criei meio soltinho”.

Entrevistadas* Palavras no diminutivo

Raquel “bebezinho”, “jeitinho”, “educadinho”, “bocudinha, “pequenininho”, “soltinho”, “bonequinho”, “soltinha”, “criancinhas” Laura “pequenininha”, “cuidadinho”, “coisinhas”, “criancinha”, “criancinhas”, “inteirinho”, “pequenininho”, “manhazinha”, “pouquinho”, “comidinha”, “horinha”, “menininho”,

“curtinhas”, “cintinhos”, “arminha”.

Laura afirmou a necessidade de diálogos com as crianças como uma maneira de educar:

“A, eu fazia, a não sei, só sei que meus filhos não merecem apanhar igual eles apanhava não, bater sabe, é ai eu não sei, acho que mais na conversa você consegue mais coisas, do que a gente batendo, brigando pra ver se vai resolver, se resolvesse meu menino “tava bão”, ai eu acho que conversando, sentar ali, conversa com a criança com calma eu acho, acho que vai resolver mais”.

A fala de Katia foi pautada pela necessidade de uma postura menos passiva com o filho: “Faria, seria mais rígida com ele, ele ficou muito mimado”.

Quando perguntadas sobre a melhor forma de educação e cuidado, as mães de forma geral tiveram dificuldade para responder. Katia respondeu que “estando perto das mães e dos pais” seria a melhor maneira, logo depois voltou atrás e afirmou

que melhor seria “meio-termo, meio na escola e meio com os pais”. Laura foi quem demonstrou maior interesse pela educação do bebê em âmbito extradomiciliar, sendo enfática em afirmar que a melhor opção para a educação e cuidado do bebê é a “escola”, justificando a resposta com a seguinte afirmação: “É, porque a gente, o povo

precisa trabalhar e é um serviço que precisa ficar ali em cima, e como você faz? Serviço, morango, serviço, morango e serviço e bebê, serviço e bebê, serviço e bebê, não dá, ou é um ou é outro”.

Quadro 14 – A melhor maneira de educar

Entrevistadas* Bebê

Raquel “Importante é a gente estar em volta, cuidando, educando né, acho que é isso, tendo sei lá, cuidando.

Laura

“Ai, eu não sei, é assim, eu sei que eles estando comigo eles estão bem seguros, a minha menina, mesmo, a mais velha já estuda né [...], e eu não sei, eu acho que estando em casa comigo eles tão sendo bem-cuidados, né, aí eu não sei o que se passa lá [...] Dentro de casa não é assim, na escola é assim, aqui não, ai tudo ela se refere à escola, sabe, a pequeninha não porque ela é bem-cuidada, se eu posse ela na creche eu queria que ela fosse bem-cuidada, banho, comidinha né [...].”

Katia “Sempre tentando educar da melhor forma possível, ensinando o que é certo o que é errado.

Fonte: Entrevista. Quadro elaborado pelo autor

De modo geral as mães entrevistadas apresentam conhecimento sobre a idade em que é possível matricular os filhos, tanto na creche como na pré-escola. Em relação à idade apropriada para o bebê começar a frequentar a creche, as mães entrevistadas, de modo geral, concordam com a entrada na creche com a idade prevista na LDB.