DEL III – AVSLUTNING
8. KONKLUSJON
8.2 U TFORDRINGER VED BRUK AV JORDSKIFTELOVENS BESTEMMELSER I K ILEN S YD
8.2.2 Ekspropriasjon som alternativ
Quanto à primeira indagação (você conhece alguém que fala diferente de você?), o grupo 4M avalia com precisão, remete à divisão do Brasil em regiões e afirma que o falar está ligado à cada região. No primeiro momento, nega a resposta, mas, depois, a admite positivamente; e, ainda, aponta a tendência de avaliação linguística que ocorre entre as regiões Sul/Sudeste avaliando os falantes do Nordeste e vice-versa, confirmando o que aponta Hora (2011). Para o grupo 4M, a região Sul do país fala diferente do Nordeste e indica até a razão de ela ser: devido a aspectos culturais e/ou de localização do Estado do falante. Assim, a língua em uso exibe traços que caracterizam os seus falantes. A análise de atitudes linguísticas pode evidenciar essa realidade dialetal. Os trechos 24 e 25 sintetizam esses achados.
TRECHO 24: não conheço... sei que existe o modo... cada um tem seu modo de falar... de se expressar... muda de região para região... homi... a região... eu acho é a região SUL, Sudeste... né?... Nordeste é diferente... (JAS).
TRECHO 25: AH:::... eu conheço muita gente... cada um fala de seu jeito de falar... né?... então... tem... rapaz não tenho nem noção não ( )... não sei se é por causa de:::.... algum estado... alguma coisa assim... você VÊ que já tem aí lugares do Sul que fala bem diferente da gente... acho que é devido a cultura dele... alguma coisa assim... (JAO).
Verifica-se que o membro do grupo 4M, JGS reconhece, com precisão, diferenças dialetais e enumera-as: nordestinos, gaúchos e cariocas falam de modo diferente. Usa até palavras para enfatizar sua percepção. Essa percepção fica evidente no reconhecimento do aspecto prosódico apontado pelo informante: ‘chiando’ (assoprando, que ocorre na fala carioca) e que caracteriza o sotaque daquela comunidade de fala (HORA, 2011, p. 33). Entende-se que esses achados levam a pensar nos processos de estereótipos, nos termos de Labov (2008 [1972]). Além disso, percebe-se que o grupo 4M demonstra aspectos de questões relacionadas à consciência do falante acerca de sua própria fala e da de outrem, conforme se pode ver no trecho 26:
TRECHO 26: assim:::... mas... assim... só... assim... as pessoas qui... SEI... eu já vi... assim... pessoas do... do... PRONTO... o nordestino... ele... ele tem uma maneira de falar... né?... já... o mineiro... eu já vi mineiro falano... ele tem outro jeito de falar ou... os gaúchos... também... né?... o pessoal do Rio... ele já tem aquele negócio... assim de... mais chiado... assim... eu já vi... já presenciei já... (JGS).
Hora (2011), analisando a variação dialetal e questões de atitude no falar pessoense, também encontrou indícios que sinalizam a consciência do falante acerca de fenômenos variáveis que ocorrem na língua ou relacionados aos processos de estereótipos. Ainda, segundo esse autor, seus informantes também foram capazes de indicar diferenças linguísticas entre os falantes gaúchos (com a realização do “esse”) e o falar carioca com o chiado ou “assoprado” e a palatalização dos segmentos oclusivos dentais /t, d/. Assim, os dados aqui encontrados e os de Hora (2011) apontam para a direção que tanto falante quanto ouvinte têm consciência da realização de processos sociolinguísticos que ocorrem nos usos da língua.
Quanto à segunda pergunta (o que você acha da sua forma de falar?), membros do grupo 4M expressam dificuldades para avaliar seu próprio falar, indo na contramão dos outros informantes que não demonstram tanta dificuldade em avaliar seu próprio falar. É tanto que exibem respostas curtas para o que foi indagado, conforme ilustram os trechos 27 e 28, respectivamente:
TRECHO 27: rapaz... sei lá... meu jeito de falar é um pouco tímido... parece que sim... (JAO).
TRECHO 28: não sei... é difícil... né?... o modo de falar?... tem... (JGS).
Por outro lado, o membro JGS avalia positivamente seu modo de falar, pois, para ele, tudo se dá de acordo com a cultura, Estado e o lugar onde se reside. As pessoas falam diferentemente, mas não errado. Assim, percebe-se que se sobressai certa consciência das diferenças linguísticas, quase que igual à de um pesquisador dos estudos sociolinguísticos, conforme é apresentado no trecho 29:
TRECHO 29: eu acho assim... dependendo do... porque é... da cultura de cada membro... né?... do estado... do... eles acham que tão falano certo... né?... e... a gente acha qui a gente tamos falando certo... acho que depende do local assim... mas qui... acho que todos eles estão certo... agora... eu... eu acho assim... (JGS).
Entende-se que esses apontamentos levam ao que Goffman (1998, p. 14) tem referido como regras culturais que existem em diferentes situações sociais de interação e, dentre elas, o uso da língua. Para o estudioso da interação, regras culturais estabelecem como os indivíduos devem se conduzir em virtude de estarem em agrupamento e estas regras de convivência, quando seguidas, organizam socialmente o comportamento daqueles presentes à situação. Dessa forma, confirma-se o que apontam os estudos labovianos ao defender que a língua constitui um tipo de comportamento social.
Assim sendo, verifica-se que os falantes não só compartilham entre si um conjunto de categorias sociais, culturais e comportamentais relacionados aos aspectos do vestir, da realização de cerimônias, jogos esportivos, práticas religiosas, jurídicas e/ou políticas, danças, músicas, dentre tantos outros, mas também, e sobretudo dividem e compartilham traços de uma dada variedade linguística.
Com relação à terceira pergunta (o que você mudaria na sua forma de falar?), o grupo 4M exibe uma atitude positiva em relação ao seu falar, pois o avalia como ‘normal e bom’, embora o considere ‘puxado’ e queria um meio de “aperfeiçoar” seu falar. Essas conclusões podem ser vistas nos trechos 30 e 31, respectivamente:
TRECHO 30: rapaz... eu... eu... no meu jeito de falar?... eu acho qui... pra mim assim... o:::... se eu pudesse assim:::... eu mudava... assim:::... o jeito de... porque a gente ( )... às vezes fala um pouco... meio puxado... assim... eu queria... se eu pudesse mudar... se existe um meio assim de... da pessoa estudar... a:::... falar o jeito de falar... mai... eu... eu acho que falo normal... pra mim... tá bom... assim mesmo... (JGS).
TRECHO 31: não é:::... o seguinte... pra mim é:::... quem não acha bom melhorar o modo de falar... de estar... o modo de:::... estar... (JAO).
Finalmente, quanto à última pergunta (o que é falar certo para você?), o grupo associa o “falar errado” com pessoas sem escolarização, oriundas da zona rural e classe social baixa.
Esse dado também aparece nos resultados de Hora (2011, p. 31): “falar bonito e melhor está associado à escolaridade. Analfabeto fala feio.” Segundo Garrett, Coupland & Williams (2003), parece que há uma tendência de associação estereotipada de baixa competência ou baixa realização com dialetos de baixo prestígio social, sobre os quais recaem uma severa avaliação social de diferentes e diversos segmentos da sociedade. Verifica-se que, nesse processo de associação, essa etapa é uma das mais perniciosas, porque gera uma série de outros processos dentre os quais o do preconceito linguístico. Os trechos 32 e 33 sintetizam parte desses resultados.
TRECHO 32: falar certo:::... - tá engrossando agora... ((risos)... falar certo assim... eu acho qui... ahn:::... hoje em dia... as pessoa fala mais errado... é aquelas pessoas que nunca foram a uma sala de aula... pessoas assim... analfabetos... pessoas... dependendo também assim... da... da... do ( )... a gente vê aquelas pessoas... pobrezinhas... qui mora no sítio... fala errado... né?... tudo errado... assim... mai... assim... pra mim... falar errado... são essas coisas mesmo... as pessoas que... não tiveram... um bom estudo:::... e... aquelas pessoas pobres... que não costuma frequentar... a sala de aula... eu acho que essas pessoas... falam mais errado... (JGS).
TRECHO 33: AH:::... existe... isso é claro... existe isso ai é claro... é o denominador muito... muitíssimo... errado... fala muito... na nossa região aqui não é só... na nossa região que fala demais... até no setor de periferia... setor atrasado... pronto... aí... até já sabe que o pessoal não tem cuidado... nunca teve educação... vai à escola... faz uma primário... um primário mal feito e lá vai... e quando você tem um primário quando não é bem feito... você tá no meio ambiente que... só o pessoal fala certo... você procura falar certo... não é isto?... quando a pessoa fala errado... a pessoa só procura aquele ritmo... aquele caminho de falar errado... (JAO).
Assim, para o grupo 4M, o falar “errado” ocorre em várias regiões do Brasil e não só na Paraíba; está vinculado a pessoas sem estudo e o cidadão aprende o certo quando estiver em determinados ambientes. As teorizações da Linguística têm apontado que “a língua padrão é associada à educação e poder no cenário nacional” (BLOM & GUMPERZ, 1998 [1972, 1986], p. 55,). Verifica-se, desse modo, que há representações sociais que circulam nas comunidades de fala e, sobretudo, a de atribuir o “bom falar” a um alto nível de escolarização dos falantes. Esse achado foi encontrado nas outras amostras também.
Para o grupo 4M, foram identificadas as seguintes avaliações, atitudes e percepções exibidas no quadro 11.
Quadro 11: Resultados das avaliações, atitudes e percepções do Grupo 4M
Cada falar está ligado a cada região do Brasil: Sul/Sudeste x Nordeste (vice-versa), por exemplo; Aponta fatores para a diversidade linguística: aspectos culturais e/ou a localização do Estado do falante; Nordestinos, gaúchos e cariocas falam diferentemente;
A fala carioca é identificada com a forma de falar ‘chiando’, assoprando. Remete-se à palatalização de /t, d/ naquela variedade linguística;
Expressa dificuldades em avaliar a própria forma de falar, mas é “normal e boa”, embora a considere ‘puxado’;
As pessoas falam diferentemente, mas não errado; Quer ‘aperfeiçoar’ a fala;
Falar errado está vinculado às pessoas sem escolarização, oriundas da zona rural e da classe social baixa; e
O falar errado ocorre em várias regiões brasileiras e não só na Paraíba.
(Fonte: Próprio do autor).
5.1.5 Grupo 5M (RMM, LMS, RPA). Este é o grupo dos que representam os informantes