DEL II – ANALYSE OG DISKUSJON
4. KILEN SYD – AGDER LAGMANNSRETT
4.2.4 Verdier
4.2.2.1 Estilo
A primeira variável estilística selecionada pelo Goldvarb X como fonte de condicionamento do uso de /λ/ foi a variável Estilo. A tabela 14 exibe e detalha os resultados estatísticos alcançados.
Tabela 14: Efeito da variável Estilo sobre o uso de /λ/
FATORES APLICAÇÃO/TOTAL =
FREQUÊNCIA PESO RELATIVO
Fala Vernacular (Casual
Speech)
488/630= 77.5% 0.27
Fala Monitorada (Careful
Speech)
406/475 = 85.5% 0.78
Total 894/1105 = 80.9%
Input 0.848
Significância: 0.186
A tabela 14 descreve os percentuais e pesos relativos referentes à variável Estilo. Percebe-se que o estilo de fala que se dá no eixo monitorado é o fator influenciador para o uso da variante [λ] com índice de peso relativo favorecedor de (0.78). Ou seja, o uso dessa variante ocorre mais no estilo monitorado (Careful Speech) do que no estilo vernacular (Casual Speech). Os resultados encontrados para essa variável eram os teoricamente esperados e, assim, confirmam a hipótese central da presente investigação -, ao mesmo tempo, corroboram com as teorizações da Linguística que apontam a existência, principalmente, de dois eixos da fala: um que possibilita a emersão de variantes que gozam de pouco prestígio, por fugirem da norma social estabelecida e mais frequente na fala realizada com menos atenção a ela dedicada, e outro que favorece, de acordo como contexto de uso, formas linguísticas que estão canonicamente estabelecidas pela norma social como de maior prestígio.
Esses achados também apontam que o componente atenção dada à fala é relevante, sobretudo, porque os dados que foram analisados são dos mesmos informantes que produziram as diferentes realizações fonético-fonológicas do fonema /λ/ nos dois eixos já apontados. Além do mais, assume-se que, é praticamente impossível, durante a realização da entrevista sociolinguista aqui empreendida, a qual durou aproximadamente 1 (uma) hora, que os falantes exibissem durante toda ela um único comportamento: o de monitoramento. Na verdade, os usos
linguísticos se dão em um contínuo que varia do eixo vernacular (Casual Speech) ao não vernacular (careful Speech) e vice-versa.
Também admite-se que esses resultados, como nas realizações de traba/λ/a ~ traba[j]a ou em mu/λ/er ~ mu[l]é, estão relacionados à natureza do fenômeno variável que envolve o segmento /λ/, sobretudo, porque suas variantes podem ser consideradas um estereótipo e seu uso está associado a falantes de baixa escolaridade ou de falantes não residentes em grandes centros urbanizados.
Entende-se que, como essas formas não são portadoras de alto prestígio social, foram, em sua maioria, evitadas pelos informantes e, sendo assim, os pesos relativos exibidos para os fatores, considerados para a referida variável, lançam luzes nessa discussão, principalmente, porque são índices probabilisticamente bastante distantes, respectivamente, (0.78) para o estilo monitorado e (0.27) para o estilo vernacular.
Todavia, também se reconhece que esses achados podem estar revelando uma realidade particular da comunidade de fala examinada, ou que essa configuração sociolinguística está relacionada à natureza do fenômeno analisado. Chega-se a essa conclusão ao se observar os pesos relativos do efeito da variável contexto sobre o uso de / λ/, na tabela 16, a seguir.
4.2.2.2 Contexto
A segunda variável estilística selecionada pelo Goldvarb X como condicionadora do uso de fonema lateral palatal /λ/ foi o contexto. A tabela 15 ilustra os índices fornecidos para essa variável.
Tabela 15: Efeito da variável contexto sobre o uso de /λ/
FATORES APLICAÇÃO/TOTAL = FREQUÊNCIA PESO RELATIVO
Vizinhança (Group) 23/30 = 76.7% 0.62 Narrativo (Narrative) 276/351= 78.6% 0.68 Infância (Kids) 132/161 = 82.0% 0.76 Total 431/542 = 49.1% Input 0.848 Significância: 0.186
A tabela 15 apresenta os efeitos da variável contexto sobre o uso da variante [λ] na variedade paraibana. Verifica-se que os contextos, no escopo da entrevista sociolinguística, denominados de vizinhança, narrativos e infância são os fatores influenciadores do uso da já referida regra variável em discussão, todos com pesos relativos, respectivamente, (0.62), (0.68) e (0.76) de favorecimento de aplicação da regra.
Sendo assim, percebe-se que esses resultados não são os esperados teórica e metodologicamente. Ocorreu justamente o inverso. Segundo a proposta de Labov (2001), esses contextos denominados de Group, Narrative e Kids são pertencentes ao estilo de fala do eixo vernacular, ou seja, devem, por hipótese teórica, favorecer a emersão dos usos linguísticos menos prestigiados, no caso do presente estudo, as variantes [j, l, Ø]. Porém, de acordo com a tabela 16, a variante [λ] é a favorecida nesses contextos. Desse modo, indaga-se: por que se chegou a esses resultados destoantes da perspectiva de análise adotada?
A explicação reconhecida, mas, de forma geral e explanatória, é a de que, na comunidade de fala pesquisada, pode estar surgindo uma nova norma sociolinguística vinculada tanto ao fonema /λ/ quanto por suas variantes e, sendo uma norma sociolinguística compartilhada pelos falantes dessa comunidade, pode gozar de prestígio e aceitação independente do contexto usado.
Neste sentido, para visualizar a distribuição do uso de /λ/ nos dados pesquisados, propõe-se a figura 5 para o falar paraibano, a partir dos pesos relativos e distribuídos por estilos- contextos, com respectivos percentuais de ocorrências.
Figura 5: The Decision Tree para o falar paraibano, relacionada ao fonema /λ/ e suas
(Fonte: Própria do autor).
Neste sentido, percebe-se que o segmento /λ/ se demonstra pouco sensível aos contextos específicos da subdivisão adotada nas entrevistas sociolinguísticas, uma vez que os resultados alcançados indicam que ocorre independentemente do contexto. Contudo, isso só ocorre ao tomá-lo isoladamente. É tanto que, quando se consideram os resultados tomando a variável estilo como eixos favorecedores de uso linguísticos variáveis, os pesos relativos já indicam que o estilo é fonte de condicionamento.
Desse modo, pergunta-se: (i) a subdivisão utilizada na entrevista sociolinguística é irrelevante? Ou, (ii) a natureza sociolinguística de cada fenômeno investigado é que determina a relevância de usos por contextos-estilos? Inicialmente, assume-se que a segunda questão se mostra mais relevante.
Esses resultados podem indicar uma direção: será que realmente ainda é um estereótipo a variação de [λ ~ j, l, Ø] na comunidade de fala investigada, já que os resultados exibidos na figura 5 foram os não esperados teoricamente? Sendo assim, entende-se e até se justifica a necessidade de se realizar o teste de avaliação, atitude e percepção linguísticas envolvendo essas variantes e, assim, confrontar os resultados de produção linguística com os de percepção.
De outro lado, também assume-se que os resultados aqui alcançados e, a partir do que exibe a figura 5, cada fenômeno sociolinguístico tem sua configuração delineada especificamente de acordo com estratificação social de cada comunidade de fala investigada. Possivelmente, se fosse outra comunidade de fala, com outra configuração social, os resultados seriam diferentes dos que foram esboçados na tabela 16.