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DEL II – ANALYSE OG DISKUSJON

4. KILEN SYD – AGDER LAGMANNSRETT

4.2.2 Ankene

Espectro Estilístico 3: Descrição Estilística do Grupo C

CONTEXTOS-ESTILOS

VERNACULAR (CASUAL SPEECH) NÃO VERNACULAR (CAREFUL SPEECH)

Contexto VARIÁVEIS Contexto VARIÁVEIS

/ʎ/ /l/ /ʎ/ /l/ Ordem Sequência [ʎ] [j] [l] [Ø] [w] [Ø] [ɫ, r, j] Ordem Sequência [ʎ] [j] [l] [Ø] [w] [Ø] [ɫ, r, j] Narrative 131 (77.1%) 18 (10.6%) 16 (9.4%) 5 (2.9%) 172 (70.2%) 57 (23.3%) 9 (3.7%) de [ɫ]. 7 (2.9%) de [r] Response 46 (92.0%) 2 (4.0%) 2 (1.2%) 1 (2.0%) 58 (76.3%) 17 (22.4%) 1 (1.3%) de [ɫ] Group 8 (88.9%) NO 1 (11.1%) NO 14 (77.8%) 4 (22.2%) NO Language 2 (100%) NO NO NO 6 (75.0%) 2 (25.0%) NO Kids 55 (79.7%) 1 (1.4%) 12 (17.4%) 1 (1.4%) 72 (71.3%) 29 (28.7%) NO Soapbox 65 (91.5%) 1 (1.4%) 2 (2.8%) 3 (4.2%) 53 (65.4%) 24 (29.6%) 1 (1.2%) de [j]. 3 (3.7%) de [r] Tangent 44 (91.7%) 3 (6.2%) NO 1 (2.1%) 50 (80.6%) 12 (19.4%) NO Residual 16 (84.2%) 1 (5.3%) NO 2 (10.0%) 23 (71.9%) 9 (28.1%) NO

O Espectro Estilístico nº 3 apresenta os resultados da variação estilística dos informantes do sexo feminino e masculino, idosos e com mais de 8 (oito) anos de escolaridade. Após a submissão ao Goldvarb X, obtiveram-se os seguintes percentuais e variantes linguísticas na amostra em discussão: 438 ocorrências para o fonema lateral palatal e suas variantes, sendo desse total, 367 realizações de [ʎ], o que corresponde a 83.8% e 71 ocorrências de [l, j, Ø], o que perfaz um percentual de 16.2%; já, com relação ao fonema /l/ pós-vocálico e suas variantes: correspondem à soma de 623 realizações, sendo desse total, 448 ocorrências da variante [w], ou seja, 71.9% e 175 realizações das demais variantes encontradas na amostra desse fonema, [Ø, ɫ, j, r], o que corresponde a 28.1% desse total. São exemplos das ocorrências encontradas as realizações, respectivamente: traba/ʎ/adores ~ traba[ʎ]adores; traba/ʎ/ador ~ traba[j]ador; /ʎ/e ~ [l]e; fi/ʎ/a ~ fi[Ø]a, dentre outras; e rea/l/ ~ rea[w]; mi/l/ ~ mi[ɫ]; vo/l/tou ~ vo[r]tou; fáci/l/ ~ fáci[Ø], dentre outras.

Algumas constatações emergem desse espectro estilístico: verifica-se que outras variantes do fonema /l/ pós-vocálico surgem, respectivamente, [ɫ, j, r], que foram realizações não verificadas na amostra já descrita (Grupos A); além do mais, essas variantes foram apenas encontradas na fala de dois dos três informantes masculinos, respectivamente, JQN e JAS. E esses informantes são os mais idosos de todo o corpus analisado. Juntas, essas variantes correspondem ao percentual de 5.9%, sendo 10 realizações de [ɫ], 1(uma) de [j] e 10 de ocorrências de [r]. São exemplos dessas realizações as ocorrências de mi/l/ ~ mi[ɫ]; fa/l/tar ~ fa[r]tar; fa/l/tei ~ fa[r]tei; ba/l/cão ~ ba[j]cão.

Neste sentido, mesmo reconhecendo que foram em número reduzido, as realizações dessas três variantes, no total de 21 dados encontrados, verifica-se que a variável idade é saliente para o uso de fenômenos sociolinguísticos, atuando, possivelmente, como um condicionador de usos dialetais em comunidades de fala. Além do mais, corrobora com outros estudos variacionistas que, por exemplo, associam o uso da variante [ɫ], na variedade do Nordeste brasileiro, aos informantes mais idosos.

Dando continuidade à descrição e análise, percebeu-se que, novamente, a variante considerada de maior prestígio social, [ʎ], é mais frequente no estilo do eixo da fala não vernacular (Careful Speech), com índices probabilísticos, respectivamente, de 91.3% e 79.9% no eixo da fala vernacular (Casual Speech); já com relação à variável /l/, em coda silábica, os percentuais encontrados entre os dois estilos são praticamente iguais, uma vez que no eixo da fala vernacular (Casual Speech) ocorrem 72.3% e no estilo da fala monitorada ou não vernacular (Careful Speech), o índice é de 71.1%. A tabela 7 exibe de forma sumarizada a distribuição das variantes [ʎ, w] por estilos analisados, na amostra do Grupo C.

Tabela 7: Distribuição de [ʎ, w] por Estilos (Grupo C)

VARIÁVEL/VARIANTES FATORES/ PERCENTUAL

ESTILO VERNACULAR (CASUAL SPEECH) ESTILO MONITORADO (CAREFUL SPEECH) /ʎ/ 79.9% 91.3% [j, l, Ø] 20.1% 8.7% Total 100% 100% /w/ 72.3% 71.1% [Ø, j, r, ɫ] 27.7% 28.9% Total 100% 100%

(Fonte: Própria do autor).

Esses resultados podem estar apontando para duas direções: a primeira, tomando como parâmetro o uso de /ʎ/, a de que o nível de escolaridade do falante constitui uma variável significativa ao se analisar usos sociais da fala, pois no caso deste estudo, as variantes de /ʎ/, respectivamente, [j, l, Ø], entendidas como estereótipos na classificação laboviana, foram evitadas no eixo da fala não vernacular (Careful Speech) mais do que estilo vernacular (Casual Speech); um indício dessa realidade nesta amostra é que todos os informantes têm mais de 8 anos de escolaridade e altos níveis de letramento, ocupam a função de professor, no caso de MLS, JAS e JS (todos informantes femininos) e, JSS e JQN (mesmo que este só concluiu o Ensino Médio na modalidade profissionalizante/Magistério) e JAS que, sendo líder sindical, participa ativamente de diversas discussões políticas que integram o cenário nacional e local.

A segunda, tomando como parâmetro o uso de /l/ pós-vocálico: possivelmente, os índices são não tão destoantes porque o uso da variante [Ø] não constitui um estigma ou estereótipo na comunidade de fala examinada, constituindo o que Tarallo (2004 [1985]) definiu como processo de variação linguística: “luta” entre duas formas alternativas que têm o mesmo referencial e que, provavelmente, ainda não despertou maior consciência sociolinguística na comunidade de fala jacarauense.

Com relação à distribuição das variantes de menor prestígio social pelos estilos analisados, as variáveis tiveram comportamentos diferentes e alcançaram os seguintes percentuais: para as variantes do fonema /ʎ/, verifica-se que ocorrem mais no estilo não monitorado (Casual Speech), com percentual de 20.1% contra 8.7% no eixo da fala monitorada (Careful Speech); já, para as variantes de /l/ pós-vocálico, os índices não indicam diferenças substanciais e significativas, pois atingiram no estilo vernacular o percentual de 27.7% e, no estilo da fala monitorada, 28.9%.

Considerando novamente a variável sexo, as variantes de maior prestígio social, [ʎ, w], ocorreram de forma mais frequente na fala dos informantes femininos do que na fala dos informantes masculinos, respectivamente, com índices percentuais de 92.0% e 76.0% para as mulheres, contra 77.7% e 68.8%, na fala masculina, para as duas variantes em discussão. Esses resultados mais uma vez confirmam as hipóteses levantadas para este estudo, sobretudo, ao associarem-se a outras investigações que apontam a predominância na fala feminina com relação aos usos sociais avaliados positivamente e portadores de maior prestígio social em comunidade de fala. A tabela 8 ilustra a distribuição das variantes de maior prestígio de acordo com o sexo dos informantes pesquisados.

Tabela 8: Distribuição das variantes [ʎ, w] segundo o Sexo (Grupo C)

VARIÁVEL/VARIANTES FATORES/ PERCENTUAL

MASCULINO FEMININO /ʎ/ 77.7% 92.0% [j, l, Ø] 22.3% 8.0% Total 100% 100% /w/ 68.8% 76.0% [Ø, j, r, ɫ] 31.2% 24.0% Total 100% 100%

(Fonte: Própria do autor).

Ainda, com relação a esta amostra em discussão, volta-se a destacar que as informantes que a constituem são falantes com elevado grau de escolaridade (das três, uma tem curso de especialização e outra a graduação); as três exercem a profissão de professora, e mantêm contato permanente com o mundo da escrita – sabe-se que a escrita, geralmente, é uma porta fechada para o mundo da variação linguística. Assim, por hipótese teórica, os resultados são os esperados para esses informantes, pois, além de serem os falantes com maior idade, também são os que têm maior nível de escolaridade, visto que as diversas teorizações da Linguística têm demonstrado que a escola tem funcionado como gatilho no controle de uma série de processos, fenômenos ou variáveis sociolinguísticas, assim, quanto maior o grau de escolaridade do falante, maior será o seu controle dos usos sociais que fizer da língua em diferentes situações sociocomunicativas.

Esses achados podem ser associados aos encontrados com as variantes de menor prestígio ao serem distribuídas pelos eixos da fala: com relação às variantes de [ʎ], elas são mais produzidas pelos informantes do sexo masculino do que pelos informantes do sexo

feminino, respectivamente, com percentuais de 22.3% e 8.0%. Provavelmente, essas diferenças de percentuais de uso podem ser atribuídas aos informantes femininos que priorizam as formas linguísticas de maior prestígio – mesmo que também usem as formas desprestigiadas -, porque são estes que geralmente procuram usar as variantes linguísticas que mais estão associadas às formas socialmente valorizadas pela sociedade. Verificou-se, também, que a variante, nesta amostra, mais produzida é a forma alveolar [l], em realizações do tipo mu/ʎ/er ~ mu[l]é; /ʎ/e ~ [l]e, agora, tanto pelos informantes masculinos quanto pelos informantes femininos, perfazendo o percentual, com relação a essa variante, respectivamente, de 9.6% e 4.3%.

Já, com relação às variantes do /l/, em coda silábica, verificou-se que não há diferenças estatísticas salientes entre os falantes do sexo masculino e os do sexo feminino, no que diz respeito ao uso da variante [Ø], pois o Goldvarb X forneceu, respectivamente, os seguintes percentuais: 25.3% e 24.0%. Todavia, ao se observarem os dados de forma qualitativa, percebe- se que o uso dessa variante se dá mais na fala dos informantes masculinos, ou seja, foram contabilizadas 90 ocorrências dessa variante para os falantes masculinos, enquanto que, para os informantes femininos, 64 realizações de [Ø]. Como já foi assinalado anteriormente, o comportamento feminino ainda diferiu do dos homens ao não produzirem as outras variantes, [ɫ, j, r]. Assim, pode-se conjecturar que as diferenças entre a fala de informantes masculinos e informantes femininos ocorrem no âmbito social e não no campo biológico, e apresentam fortes e significativos indícios de diferenças estilísticas entre eles. Haveria assim uma maior percepção das mulheres com relação às formas linguísticas desprestigiadas? São necessárias investigações posteriores.

Assim sendo, tomando as realizações das variantes em discussão, de acordo com os estilos-contextos que estruturam a entrevista sociolinguística, o Goldvarb X indicou a seguinte distribuição por percentagem: com relação às variantes do /ʎ/, no eixo da fala vernacular: Narrative, com 22.9%; Kids, com 20.2%; Group, com 11.1% e Tangent, com 8.3%. Estes estão em perfeita harmonia com as teorizações de Labov (2001), ao se verificar que foi o contexto denominado de narrativo (Narrative) das entrevistas sociolinguísticas que mais favoreceu a emersão das formas vernaculares do falar. Assim, depreende-se que há formas que emergem em determinados contextos e em outros não, o que configura a variação estilística e, neste caso, com relação aos usos de /ʎ/.

Quanto ao eixo da fala monitorada, os dados apontam a seguinte distribuição: Residual, com 15.3%; Soapbox, com 8.4% e Response, com 8.0%. Não foram verificadas realizações para o contexto Language. Mais uma vez os dados se aproximam das teorizações labovianas, sobretudo, ao se perceber que é no contexto de resposta (Response) que menos

ocorrem as variantes de baixo prestígio social, o percentual aqui encontrado reafirma essa postulação, ao exibir o menor índice na sequência/ordem do modelo laboviano, apenas 8.0% ao comparar com os demais contextos.

Já, no que diz respeito às variantes desprestigiadas de /l/ pós-vocálico, assim foram distribuídas, considerando o percentual e o contexto-estilo de realizações da variante [Ø], no estilo monitorado (Casual Speech): Kids, com 28.7%; Narrative, com 23.3%; Group, com 22.2% e Tangent, com 19.4%. Mais uma vez percebe-se que o contexto da narração, no qual o informante trata de tópicos relacionados à sua vida pessoal e aos aspectos da sua trajetória de vida, é favorecedor da emersão de variantes que não gozam de prestígio social. No eixo da fala monitorada (Careful Speech), obtiveram-se os seguintes percentuais por contexto considerado: Soapbox, com 29.6%; Residual, com 28.1%; Language, com 25.0% e Response, com 22.4%. Novamente, os dados se alinham teórico-metodologicamente com as proposições de Labov (2001), sobretudo, ao se constatar que foi no contexto de resposta (Response) que se obteve a menor taxa de uso das formas variantes desprestigiadas, com o percentual de 22.4% em relação aos outros contextos considerados.

Com relação às variantes [ɫ, j, r], como já se apontou, as ocorrências foram baixíssimas e os percentuais, consequentemente, também: a variante [ɫ] ocorreu no eixo da fala vernacular (Casual Speech), conforme apontam as teorizações variacionistas, e atingiu o percentual de 3.7% - apenas 1(uma) ocorrência no estilo do eixo da fala monitorada, no contexto Soapbox, com percentual de 1.3%. De modo semelhante se deu com a variante [r], que também se deu no contexto de narração, com 2.9% de percentual e no estilo monitorado, no contexto de Soapbox, com 3.7%. Finalmente, com a forma variante [j], esta ocorreu apenas no contexto de fala monitorada, registrando-se apenas 1(um) dado, que perfaz o percentual de 1.2%.

A tabela 9 sumariza e exibe os dados numéricos relacionados com a distribuição das variantes de baixo prestígio de acordo com os estilos-contextos descritos no modelo laboviano (2001).

Tabela 9: Ocorrências de variantes de baixo prestígio segundo o estilo-contexto (Grupo C)

ESTILOS-CONTEXTOS (CASUAL SPEECH)

PERCENTUAL PARA [l, j, Ø] PERCENTUAL PARA [Ø]

Narrative 22.9% 23.3% Kids 20.2%; 28.7% Group 11.1% 22.2% Tangent 8.3%. 19.4% Estilos-contextos (Careful Speech) - - Residual 15.3% 28.1% Soapbox 8.4% 29.6% Response 8.0% 22.4% Language - 25.0%

(Fonte: Própria do autor).

Esses achados podem ser associados ainda mais à análise quantitativa realizada por meio do índice de peso relativo, fornecido pelo programa computacional Goldvarb X ao realizar rodadas multivariadas simultaneamente dos fatores linguísticos, sociais e estilísticos, que podem exercer condicionamento sobre o uso das variáveis em discussão. Por exemplo, como se verá nas tabelas 12 e 14, em relação às variantes [l, j, Ø] serão mais frequentes na fala de informantes de baixa escolaridade e/ou na de analfabetos e mais produzidas no eixo da fala vernacular. Essa constatação pode ser verificada pelo distanciamento que há entre os pesos relativos produzidos para cada fator considerado na análise.

O quadro 7, a seguir, exibe de forma comparativa os resultados alcançados entre os três grupos amostrais descritos e analisados. Assim, tem-se uma visão geral dos achados.

Quadro 7: Quadro Comparativo entre os resultados dos Grupos A, B e C

A predominância do uso de [ʎ, w] se deu nos três grupos amostrais.

As variantes [ł, j, r] da variável /l/ pós-vocálico só ocorreram nos Grupos B e C. Portanto, na fala de informantes mais idosos, com maior nível de escolaridade e em contextos-estilos que favorecem a emergência da fala vernacular.

Nos três grupos, a variante [ʎ] foi mais frequente no estilo monitorado.

A variante [w] foi mais verificada, no Grupo A, no estilo vernacular. E no Grupo B, no estilo monitorado e, no Grupo C, não exibiu diferenças matemáticas significativas quanto ao estilo.

Nos Grupos A e C, as variantes [ʎ, w] foram mais frequentes na fala de informantes do sexo feminino, enquanto, que no Grupo B, na de falantes do sexo masculino.

As variantes de baixo prestígio de /ʎ, l/ emergiram mais nos estilos-contextos da fala casual, independentemente das amostras analisadas.

As variantes de baixo prestígio de /l/ pós-vocálico, também, emergiram nos estilos-contextos da fala monitorada, sobretudo, a forma linguística [Ø].

As variáveis sociais analisadas mostraram-se relevantes, cada qual a seu modo, indicando condicionamento social.

(Fonte: Próprio do autor).

Até o momento, procuraram-se descrever as ocorrências encontradas a partir do ponto de vista mais qualitativo, associando os termos percentuais às características sociodemográficas dos informantes que formaram as três amostras anteriormente descritas, isoladamente, por grupos de análise e de acordo com as variáveis /ʎ/ e /l/.

Contudo, na seção seguinte, apresentar-se-ão os resultados em termos, também numéricos, mas, a partir apenas das rodadas selecionadas pelo Goldvarb X como condicionadoras dos usos linguísticos daquelas variáveis. Para tanto, os dados das três amostras (Grupos A, B e C) de cada variável em análise foram agrupados em um único arquivo e rodados no Goldvarb X.