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DEL II – ANALYSE OG DISKUSJON

3. KILEN SYD – VESTFOLD JORDSKIFTERETT

3.3 N ORMATIV ANALYSE AV JORDSKIFTEAVGJØRELSEN

3.3.2 Vurdering og diskusjon av jordskifterettens resonnementer

A segunda proposta metodológica laboviana para análise da variação estilística está descrita em Labov (2001): “The Anatomy of style-shifting.” Verifica-se que o modelo continua contextual e se avança em relação à primeira abordagem, o de 2008[1972], sobretudo, no detalhamento dos tipos de contextos em que o estilo monitorado será realizado ou o estilo casual. Para tanto, o estudioso americano manipula o tópico da entrevista sociolinguística, explicitando que alguns tópicos (contextos, módulos, partes, etc.) podem desviar (ou chamar) a atenção do falante ao que é falado e, assim, emergir estilos variados dos usos linguísticos.

Esse modelo teórico-metodológico de investigação da variação estilística foi inicialmente desenvolvido pelo referido autor no Projeto Variação e Mudança Linguística, na Philadelphia, no qual se investigaram as distinções estilísticas, fala casual x fala monitorada, acerca de três variáveis sociolinguísticas: /dh/, /ing/ e /Neg/.

Essa nova proposta de análise está organizada em oito critérios contextuais (ou categorias/estilos) que, por sua vez, subdividem-se em quatro contextos denominados de “fala casual” e em mais quatro categorizados de “fala cuidada/monitorada”. E todos seguem uma ordem decrescente de objetividade (sequência) num modelo arbóreo. Esses contextos que constituem módulos internos de uma entrevista sociolinguística formam eixos que norteiam o pesquisador na tarefa de controlar e definir os contextos que favorecem ou não o uso do estilo casual ou do estilo monitorado. O quadro 2, a seguir, exibe a configuração desses contextos:

Quadro 2: Configuração interna dos contextos na The Decision Tree45 (LABOV, 2001)

CONTEXTOS ESTILOS/DESCRIÇÃO

Eixo “Casual Speech” Fala vernacular.

Narrative Narrativas de caráter pessoais.

Group Fala direcionada a uma 3ª pessoa ou a alguém fora da cena da realização da entrevista.

Kids

Discutem-se tópicos voltados para infância, jogos e experiências vividas durante a fase infantil da vida dos informantes.

Tangent

Assunto que diverge daquele proposto pelo entrevistador e representa um forte interesse do entrevistado abordar.

Eixo “Careful Speech” Fala monitorada

Response Corresponde à 1ª sentença de cada resposta da entrevista.

Language

Refere-se às questões acerca de gramática, atitudes linguísticas. Remete-se aos aspectos avaliativos e perpetuais dos informantes, verificando seu grau de reconhecimento de fenômenos sociolinguísticos.

Soapbox

Expressões de opiniões generalizadas, por exemplo, acerca de discursos sobre crimes, corrupção ou sobre questões políticas e comportamentos das minorias.

Residual

Vincula-se aos trechos da entrevista que não se enquadram em nenhum dos estilos anteriormente descritos.

(Fonte: Adaptado de LABOV, 2001, p. 90-93).

Segundo Labov (2001), os contextos que mais favorecem o uso do estilo denominado de “casual” são: os contextos que envolvem a fala não como uma resposta a uma pergunta, a conversa sobre os tópicos relacionados à infância, jogos ou experiências vividas durante a infância e questões discutidas sobre perigo de morte. Nesse modelo de investigação da variação estilística de Labov, esses contextos correspondem ao estilo Narrative na The Decision Tree.

Esquematicamente, os oito contextos estilísticos formam uma árvore, conforme se pode visualizar na reprodução da figura 3.

45 Ressalta-se que optou-se por manter a nomenclatura original, mesmo que no Português hajam termos

Figura 3: The Decision Tree para análise estilística na fala espontânea em uma entrevista sociolinguística.

(Fonte: LABOV, 2001, p. 94).

A figura 346 representa os trechos ou módulos que formam uma sequência textual na

entrevista sociolinguística, na qual cada nó da árvore corresponde a um contexto favorecedor ou não do uso de determinada variante linguística. O primeiro nó da árvore corresponde à primeira sentença que é dita pelo informante logo após a pergunta feita pelo pesquisador; logo, em seguida, são realizadas perguntas relacionadas à história pessoal do falante e, assim, sucessivamente, cada nó corresponde a um determinado contexto. Na verdade, esse modelo mostra como ocorre o “passeio da fala do informante” por uma entrevista sociolinguística: ora, priorizando o estilo vernacular (Casual Speech), nos nós: Narrativa, Infância, Vizinhança/Comunidade ou em Tangent; ora, fazendo emergir o estilo monitorado (Careful Speech), nos nós: Resposta, Linguagem, Soapbox e Residual.

Ainda, de acordo com esse modelo representado na figura 3, para Labov (2001), os quatro primeiros nós da árvore (Response e Language, para fala com maior audiomonitoramento; e, Narrative e Group, no eixo da fala vernacular) são os que apresentam

46 Diversos são os estudos já realizados no PB utilizando esse modelo. Para maiores detalhes consultar Görski,

maior objetividade e, assim, maior segurança para o pesquisador, quanto ao uso preciso da variante ao se analisar a variação estilística. Sendo assim, a tarefa do pesquisador é isolar as ocorrências das variantes linguísticas analisadas de acordo com suas realizações nos contextos, ou seja, nos nós que formam a árvore e, consequentemente, atribuir os valores conforme a sequência de ordem/objetividade proposta por Labov (2001).

Assim, o modelo proposto por Labov (2001) pode constituir uma ferramenta descritiva confiável de verificação do audiomonitoramento que o falante faz da própria fala durante a realização de uma entrevista sociolinguística, visto que essa abordagem oferece um caminho descrito a ser perseguido pelo pesquisador. A The Decision Tree, na verdade, apresenta de forma metodológica a maneira de captar a frequência de uso de determinadas variantes linguísticas que ocorrem num continuum de variação: do estilo mais monitorado ao menos monitorado e vice-versa e, assim, pode-se atribuir uma explicação ao significado social do uso dessas formas. E, sobretudo, se a ela acrescentar outros instrumentos de mensuração ou de análise de usos linguísticos, como por exemplo, associar simultaneamente à descrição e à análise uma abordagem não só quantitativa, mas qualitativa, como se pretende fazer neste trabalho.

Diante do exposto, pode-se ainda questionar: qual a finalidade desse procedimento técnico? Labov defende que ele: “is designed to filter out a subsection that is plainly distinct from main body of speech by its topical and contextual character” (2001, p. 93).47

Neste sentido, e, em consonância com o seu modelo anterior, o pesquisador americano reafirma que a entrevista sociolinguística é uma ferramenta capaz de captar a variação estilística em dados da fala espontânea, de um lado; seus achados têm demonstrado que essa técnica de separação de estilos contextuais tem uma significativa base nas atividades de fala que ocorrem em uma comunidade de fala, do outro lado; e, assim, tem exibido resultados confiáveis e seguros, podendo ser replicada em estudos posteriores. Desse modo, ele consegue atrelar variação social, realizada por meio da análise de variáveis fonológicas e fatores sociais, com variação estilística, identificando os contextos de monitoramento ou não de uso dessas variáveis investigadas.

Segundo Görski (2011), uma das críticas a esse modelo está relacionada à mistura de critérios que compõem a noção de contexto adotada por Labov em sua proposta, pois essa definição estilística laboviana passeia por diferentes estâncias da configuração da The Decision Tree, por exemplo, os contextos Response, Group e Tangent compartilham aspectos do

47 “É projetado para filtrar uma subseção que é claramente distinta do corpo principal do discurso de seu caráter

envolvimento com o ato conversacional (alternância de turnos) e estão em eixos estilísticos diferentes; o contexto Narrative tem uma dimensão textual, quanto é, também, o contexto Tangent; e, Language e Kids remetem-se a assuntos e tópicos, como ocorre com o contexto- estilo Soapbox. Assim, talvez seja necessário rever a noção de contexto utilizada pelas entrevistas sociolinguísticas. Voltar-se-á a essa questão posteriormente.

Já para Hora & Wetzels (2011), diversas são as críticas formuladas ao modelo laboviano da The Decision Tree: (i) dificuldade de mensurar a atenção dada à fala; (ii) dificuldade de operacionalizar a separação do que é fala casual e fala cuidada nos estilos- contextos; (iii) natureza unidirecional da proposta; e (iv) o falante é concebido como passivo.

Contudo, a questão da passividade do falante parece que é questionável, haja vista que, entendendo que o falante não é usuário de um estilo único, mas variado, e que a The Decision Tree propõe ou indica a possibilidade do falante usar estilos diferentes de acordo com a organização interna da entrevista sociolinguística por meio de módulos (contextos) que obedecem a critérios sob um eixo e, ao mesmo tempo, seguem uma escala de objetividade que pode expressar a intenção do falante, compreende-se que a passividade pode ser excluída ou atenuada. A questão pode ser revista frente aos dados que serão analisados posteriormente.

Particularmente, entende-se que outra crítica, que pode ser atribuída ao modelo de análise estilística de Labov (2001), diz respeito à dificuldade de operacionalização quanto à divisão de alguns critérios-contextos que formam a árvore, o que pode tornar o modelo bastante subjetivo e, assim, não corresponder satisfatoriamente às suas ideias iniciais quando foi formulado. Por exemplo, com relação ao Módulo Response que, de acordo com a proposição do autor, é fácil reconhecer onde se inicia esse galho na árvore, porém, não é explicitado detalhada e didaticamente onde se termina esse estilo-contexto. Assim, questões relacionadas ao tamanho ou mesmo especificação de um critério que fixasse ou norteasse o pesquisador poderiam facilitar a investigação. Sendo assim, neste trabalho, adotou-se um critério que, possivelmente, amenizará parte dessas questões e que será discutido posteriormente ao apresentar a metodologia.

Ainda, com relação às críticas, o próprio Labov (2001) admite limitação metodológica em seu modelo. Para o autor, não é possível verificar se decisões individuais baseadas na classificação da árvore estão contribuindo para diferenciação estilística. Porém, ressalta-se que o foco do autor não é o estilo individual (como propôs Eckert, 2000, 2008), mas o comportamento sociolinguístico de uma comunidade de fala. Todavia, reconhece-se que o modelo laboviano continua produtivo, e achados, aparentemente, contraditórios ou preliminares não invalidam a proposta no seu conjunto.

Neste sentido, pretende-se adotar essa proposta de análise estilística e investigar o comportamento das variáveis /ʎ/ e /l/, verificando se essas variáveis exibem variação regular em estilos e contextos diferentes no corpus a ser estudado. Também, ao se ancorar nesse modelo, visa-se, conforme os dados permitirem, propor revisão de alguns aspectos da abordagem laboviana e/ou apontar novas categorias de análise que possam submergir. Já se verificou, conforme se assinalou anteriormente, que há uma série de críticas ao modelo, daí ser necessário refinamento conceitual e metodológico da proposta.

Na seção seguinte, apresentam-se as sumarizações esboçadas neste capítulo.

2.9 CONCLUSÕES DO CAPÍTULO

De modo ainda geral, algumas constatações podem ser apresentadas neste final de capítulo. Com relação à avaliação, pôde-se perceber que essa prática consiste no resultado exibido ou falado acerca do posicionamento que o falante/ouvinte tem, não só sobre o que ouve, mas também de quem ouve/fala e de suas características sociais, tais como: sexo, idade, nível de escolaridade, profissão, dentre outras. Sendo assim, a avaliação subjetiva dos usos linguísticos está no cerne das questões sociolinguísticas.

Nele, também, procurou-se inicialmente arrolar algumas definições de atitudes linguísticas. Verificou-se que há na literatura específica uma série de conceituações e definições envolvendo essa temática. Isso ocorre devido à complexidade conceitual relativa à própria natureza constitutiva das atitudes linguísticas. Contudo, para os propósitos desta investigação, assumem-se as definições propostas por Oppenheim (1982), a de Sarnoff (1970) e a de Bisinoto (2000) que evidenciam os aspectos processual e sociolinguístico relacionados às atitudes linguísticas. Assim, pode-se depreender que elas constituem fenômenos sociais e concretizadas por meio dos usos sociolinguísticos.

Reconheceu-se que a tarefa de investigação estilística foi e continua sendo um desafio teórico-metodológico no interior da Linguística, apesar dos avanços e da existência de diferentes modelos de pesquisa existentes. Tanto Bell (1984) quanto Labov (2008 [1972]) reconhecem que a dimensão estilística da variação ainda não recebeu o espaço que lhes é cabível nas análises sociolinguísticas ou, por ser posta em segundo plano, ou em consequência a essa, pela ausência de técnicas precisas que possibilitem a mensuração de estilos diferentes.

Neste trabalho, seguindo a perspectiva formulada por Labov (2001), as variantes [j], [l] e [Ø] vão ocorrer mais nos contextos pautados pelo eixo da fala casual (Narrative, Group,

Kids e Tangent), enquanto que as variantes [ʎ] e [w] serão favorecidas pelo eixo da fala cuidada (Response, Language, Soapbox e Residual).

No capítulo seguinte, será traçado o percurso metodológico desenhado para a presente investigação