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Eiendoms- og konseptutvikling

In document Tre perspektiver på Coworking (sider 30-35)

A fé bíblica, segundo Zwetsch, “diz respeito ao mundo das realidades históricas e das lutas por justiça social, direitos humanos e preservação da natureza como criação de Deus.” (2008, p.157). Dentro dessa visão o evangelho é compreendido como um elemento que carrega uma mensagem tanto para o indivíduo todo, como também para toda a humanidade. A humanidade caída, marcada por pecados individuais e sociais, é chamada para integrar-se à nova humanidade iniciada por Jesus Cristo; para integrar-se ao Reino de Deus, que possui como uma de suas marcas a justiça.

Note que a Justiça é colocada como uma das marcas do Reino de Deus, o que fundamenta todo o agir da igreja que busca esta Justiça. É a partir deste que a missão da igreja é compreendida e vivida, por isso se faz necessário entender qual o significado e a origem do conceito Reino de Deus.

Este conceito tem suas raízes fincadas na história do povo de Israel, que se estabeleceu inicialmente dentro de uma Teocracia Tribal, na qual Deus era aquele que governava sobre as tribos. Apesar de a ideia de reinado ter começado cedo em Israel (Gn 36.31 e Êx19.6), a instituição de um reino foi acontecer apenas duzentos anos depois do início do período dos juízes, se concretizando com o rei Saul.

Segundo Carriker, o regime Teocrático tribal foi alterado, como reação/consequência aos ataques dos filisteus. Carriker afirma que:

O golpe decisivo aconteceu quando os filisteus cortaram Israel pela metade, capturaram a arca, mataram os sacerdotes da arca e extirparam Silo junto com seu santuário (1Samuel 4). Era uma derrota total, a mais profunda humilhação militar e espiritual. O povo de Deus foi esmagado (1 Samuel 13.19-23) e ficou em desespero, procurou união sob um rei que deveria ser apontado “por uma duração”. O

18 Para maior aprofundamento das ampliações dos conceitos de Padilla sobre a M.I. ver: Padilla, René C.:

O que é missão integral? Viçosa: Ultimato, 2009. E Padilla, René C. Deus e Mamon: Economia do reino na era da globalização, São Paulo: Novos Diálogos, 2011.

carisma falhou e o povo, angustiado, se voltou para a monarquia (1992, p. 85).

A atitude do Antigo Testamento para com a ideia de Reino é ambígua. Por um lado, era entendida como uma apostasia contra Deus, pois Ele era o Senhor que governava. Sendo assim, não haveria a necessidade de um rei humano. Em contrapartida, esse olhar negativo sobre o reinado é contrabalanceado com uma perspectiva que coloca o rei sob a orientação divina, passando assim a assumir um papel de embaixador, representante e cumpridor das vontades divinas. Nessa ótica, o rei tinha a responsabilidade perante Deus de: “governar Israel com justiça, proteger os fracos e dirigir o povo para a verdadeira adoração a Deus” (CARRIKER,1992, p.85).

Essa perspectiva positiva da monarquia é atribuída, no Antigo Testamento, principalmente ao rei Davi. Seu reinado se tornou o padrão para a avaliação dos reis posteriores, pois conseguiu submeter o rei humano ao senhorio divino. Por conta dessa característica, esse reinado e rei são descritos nos seguintes termos: “filho de Deus” (Salmo 2.7), sacerdote de uma ordem única (Salmo 110.4) e até o próprio fôlego que dava vida ao seu povo (Lamentações 4.20). O rei, se permanecesse obediente à vontade divina, poderia ser uma fonte de vida, salvação e benção para o povo de Yahweh (1 Samuel 12.14; Salmo 132.12) (CARRIKER, 1992, p.86). Dentro da perspectiva de monarquia israelita, o conceito de Reino de Deus possuía implicação tanto religiosa quanto política, sendo ambas inseparáveis.

O reinado de Davi se tornou inesquecível por sua prosperidade e avanço territorial. Não é sem motivo que este período é conhecido como a idade do ouro. Porém, já no final do reinado de Salomão, Israel começou a vivenciar um declínio, passando por uma divisão e por um cativeiro. Depois desses dois fatos a nação começou a ansiar pelo Reino de Deus, sendo este, a sua esperança escatológica19.

Carriker afirma que:

A esperança de Israel pelo reino de Deus, depois de sua divisão e ainda mais tarde, em seu cativeiro, só poderia assumir a analogia do reino de Davi redivivo, um novo Davi. O tema do reino davídico olhava para um futuro no qual um filho de Davi reinaria sobre Israel, até sobre as nações, trazendo a maravilhosa idade de prosperidade, justiça e paz. (CARRIKER,1992, p.88).

19Carriker explica essas esperanças escatológicas da segui te fo a: Po es atológi o os efe i os

ao se tido ais a plo (e o ais est ito das últi as oisas , ue só apa e e o fi do pe íodo veterotestamentário) de ter Israel uma orientação para o futuro, uma esperança futura que expressava em referência ao reino. (1992, p.89).

Esta esperança foi desenvolvida de forma mais clara pelos profetas pré-exílicos que anunciaram o Messias, um rei da linhagem de Davi, que seria um vice-rei de Deus, que instalaria a paz e a justiça na terra.

Os apóstolos identificaram Jesus como sendo esse ungido esperado, filho de Davi, aquele que veio inaugurar o reino de Deus (Atos 13.20-23). Carriker resume esse aspecto do reino de Deus com as seguintes palavras:

O conceito do reino, através da sua ligação à dinastia davídica, à Jerusalém e ao templo, adquiriu características religiosas e escatológicas. Ele se referia à fé de Israel e à sua esperança orientada para o futuro pela vinda do messias que inauguraria o reino de Deus. Tanto seu aspecto religioso quanto sua orientação futura teriam grandes significâncias missiológicas por todo o resto da Bíblia, culminando na vinda de Jesus e o registro do Novo Testamento. (CARRIKER,1992, p.90).

Na teologia do Novo Testamento o Reino de Deus se faz presente no mundo através de Jesus Cristo.Com ele foi introduzida na história humana a ordem escatológica, que manifesta-se em salvação, restauração da criação, justiça, paz, e com todas as outras características que sinalizam o aspecto da realização completa na parúsia.

Costas (1973) define o Reino de Deus como uma ordem de vida de natureza escatológica, mas que emite seus feixes de luz sobre a história presente. Ele assim afirma: “Há que se admitir que essa ordem de vida é algo todavia para o futuro, pertencente ao eschaton. Sem dúvida, sua vinda se vislumbra já, na vida e missão da igreja” (COSTA, 1973, p.14). Esse fato apresenta a característica do já e ainda não do Reino de Deus, no qual ele já se faz presente na pessoa de Jesus e nas manifestações de seu reinado por meio da vida e missão da igreja, mas, ainda não de forma plena, pois virá de forma total apenas na segunda vinda de Cristo, a parúsia.

A partir desse pano de fundo, pode-se compreender de forma mais clara o significado do conceito de Reino de Deus; em síntese pode-se dizer que ele se refere ao governo justo de Deus sobre toda criação, organização humana e social. A Igreja deve ser, dentro desse reinado, manifestação ao mundo do reino por meio de seu viver e agir missional. Este conceito parte de uma compreensão de que este reinado não é deste mundo (Jo18.36) e, por consequência, reage às políticas injustas dos reinos da terra como voz profética do Reino de Deus, não esquecendo que Ele é aquele que gera e gere seu reinado na justiça e amor. Sanches, tratando a questão das implicações e significado do Reino de Deus, afirma:

O Reino de Deus se refere ao amplo e justo governo de Deus sobre toda a criação e, de forma restrita, refere-se à organização de vida e de mundo que se realiza diante Dele e em correspondência à sua vontade, que é sempre boa e perfeita para toda a criação[...] O Reino de Deus deve, portanto, também ser compreendido na perspectiva escatológica que ele representa e na perspectiva histórica da sua manifestação em Jesus Cristo.[...] A principal descrição do Reino de Deus em sua

presença no mundo é da restauração da vida e da criação. Esta é a

característica da nova ordem estabelecida por Deus em Jesus Cristo. Onde Deus reina a vida se harmoniza. Mas a mensagem do reino é também juízo, onde todos são chamados a participar dele por meio de Jesus Cristo[...] onde não há sujeição ao Reino de Deus, impera a injustiça que é contraria à justiça, o egoísmo que é contrario a o amor e a morte que contrapõe a vida que ele oferece. O Reino é anunciado pela palavra de Deus e tanto quanto a palavra, ele é acolhido pela fé. A igreja não é Reino, mas ela o expressa em sua vida no mundo20(SANCHES, 2009, p.143).

O fato de a igreja ter a responsabilidade de expressar ao mundo o Reino de Deus determina o conteúdo da mensagem que será anunciada. Desde o início da história da igreja no Novo Testamento pode-se ver que o Reino de Deus é o centro de sua pregação, iniciando com João Batista (Mt 3.2) depois com Jesus. Essa mensagem esteve presente do início de seu ministério (Mc 1.15) até o fim (At 1.3).

Quanto à igreja é interessante notar que, além dos outros registros dos momentos em que o Reino é proclamado por ela, o último relato da história da igreja em Atos descreve o conteúdo da pregação missionária de Paulo, e esse era “o Reino de Deus” (28.31). Além desses relatos soma-se o texto que apresenta de forma clara o conteúdo da mensagem missionária até o fim da história humana. “E este evangelho do Reino será pregado em todo mundo como testemunho a todas as nações, então virá o fim” (Mt24.14).

Esta proclamação carrega uma mensagem de transformação não apenas espiritual, mas também na realidade histórica e social, pois assim como os reinos do Antigo Testamento foram acontecimentos históricos, onde o Reino de Deus abrangia a vida concreta do povo, da mesma forma o reino inaugurado por Jesus possui implicações históricas. Sendo assim, seu reinado é mais que uma filosofia, ou um conteúdo apenas para a intelectualidade, sem valor algum para as demandas e injustiças do presente. Segundo Carriker, “O anúncio missionário do reino é a proclamação de um evento, de um acontecimento acerca da vida, morte e ressurreição de Jesus. Existe não

só afirmação intelectual, com uma doutrina, mas aceitação, transformação e sujeição, com um relacionamento.” (1992, p.95).

Fato é que, por ter havido a associação do reino com a arca e depois com o templo, houve uma forte ligação entre o culto e a fé israelita com o conceito de Reino de Deus, mas somente por esse fato não se pode concluir que o conceito era apolítico, e então a-histórico, restringindo-se, assim, à religiosidade. Ao olharmos para o início da monarquia de Israel, o conceito é também político. Carriker, comentando essas duas esferas, política e religiosa, dentro do conceito de reino, afirma: “era impossível separar totalmente estas duas esferas de ação”. (CARRIKER, 1992, p.96).

A ideia de reino foi se desenvolvendo e assumindo uma característica estritamente espiritual, e aqui talvez resida o grande impasse da discussão sobre a missão da Igreja, pois se o reino de Deus for interpretado apenas com algo que possui implicações exclusivamente espirituais, as questões vigentes ao drama físico-psíquico- social-humano são vistas como assuntos paraeclesiásticos, ao quais a igreja não tem a responsabilidade de responder. Embora essa discussão seja tratada mais adiante neste trabalho, apenas de maneira introdutória, abordando essa questão dentro do conceito de Reino,pode-se dizer que embora o reino de Deus tenha uma face espiritualizada, ele inclui também a política; possui uma tarefa histórica, uma responsabilidade para com a Justiça. Carriker afirma que:

O reino de Deus é sua administração soberana sobre toda criação que, por sua vez, demanda a resposta de adoração e compromisso, uma obrigação que tem ramificações na vida pessoal e social, que atinge fundamentalmente as pessoas e, através delas, todos os seus relacionamentos familiares, comunitários econômicos, etc. O convite para entrar no reino implica numa aliança com Deus. (CARRIKER, 1992, p.96).

É valido ressaltar que o chamado ao Reino de Deus não é uma convocação para uma simples aceitação de conteúdos mentais, mas um convite à obediência, à submissão ao reinado, à ética do Reino. A salvação a partir dessa visão é o voltar-se do homem para Deus, mas também para o seu próximo, ao qual ele expressará os sinais de justiça do reino. Com isso, pode-se concluir que a mensagem do Reino de Deus “não é um chamado ao quietismo social. Não está para tirar o homem do mundo, mas para inseri-lo nele, não mais como escravo, mas como filho de Deus e membro do corpo de Cristo” (PADILLA, 1992, p.33).

É pelo fato de a igreja ser expressão do reino de Deus que ela deve buscar a justiça, deve encarar de maneira profética as realidades injustas instauradas nas relações

humanas. Segundo Zwetsch, “O propósito da Igreja é encarnar os valores do reino de Deus e testemunhar do amor e da justiça revelados em Jesus Cristo, no poder do Espírito para a transformação da vida humana em todas as suas dimensões.” (2008,p.179).

A justiça se direciona às relações entre pessoas; ela busca o ajustamento aos padrões do Reino de Deus em todas as formas de relação, condenando todo tipo de opressão e injustiça. Padilla (1992) entende que nessa busca por justiça o testemunho bíblico apresenta um Deus que assume o lado do enfraquecido. Zwetsch apresenta essa compreensão de Padilla dizendo que este entende que Deus “se coloca a favor do oprimido e contra o opressor, a favor do explorado e contra o explorador, a favor da vítima e contra o agressor” (2008, p.197).

Essa visão é interpretada por muitos como uma compreensão errônea da pessoa de Deus, pois entendem essa ação como uma postura na qual Deus assume um lado específico nas relações humanas. Sendo assim, Deus se torna parcial e injusto em seu relacionamento com a humanidade. Porém, dentro da teologia de Padilla, este fato diz exatamente o contrário; é entendido como a expressão da imparcialidade e justiça de Deus, pois compreende que é pelo fato de Deus ser Deus dos deuses e Senhor dos senhores que Ele se coloca em uma posição de fazer justiça ao órfão e à viúva, de amar o imigrante, e lhe dar pão e roupa (Dt 10.17-19) buscando assim justificar, tornar justas as relações.

A justiça pode ser compreendida a partir do conceito de shalom(paz); este traz a ideia de abundância de vida para a totalidade humana,configurando-se como base para a redistribuição do poder social, político e econômico. Sendo assim esta paz deve ser estendida às pessoas e às comunidades, atingindo os povos e nações. Zwetsch afirma que: “Padilla anota que a luta dos cristãos pela paz mundial é fundamental para a cidadania global, sobretudo no que tange à prioridade da justiça em relação aos pobres e oprimidos.” (2008.203).

É fundamental, portanto, que a igreja compreenda e responda a este chamado à justiça que promove a paz, e torna justas as relações humanas, se quiser possuir relevância em seus dias. As igrejas da Ásia, África e América Latina despertaram para esse fato e entenderam que “em meio à pobreza e opressão, a relevância do evangelho se dá a partir das questões da justiça e da paz”(ZWETSCH, 2008, p.203). A partir desse fato pode-se compreender a razão pela qual as teologias originadas nesses lugares

demonstraram uma aproximação maior com as realidades socioeconômicas e políticas, já que neles há um alto índice de pobreza e estruturas opressoras que vitimam milhares.

Dentro dessa teologia dos países de terceiro mundo, as igrejas são desafiadas a romper com a barreira limitadora que entende que sua missão é apenas cultivar uma experiência religiosa individual. Nessa teologia as igrejas se veem com um chamado a se lançar na luta por justiça e paz em seus próprios contextos e em todo o mundo.

Realizar esse rompimento com a antiga compreensão, individualista e egoísta, é indispensável para viver a fé cristã. Essa é uma das questões mais desafiadoras à igreja, porque neste ponto as igrejas passam a se compreender como a comunidade global de Jesus Cristo, que segundo Zwetsch é “chamada por Ele para ser sua testemunha num mundo marcado pela globalização imperial, por injustiça e pobreza, guerra e violência, materialismo e a destruição da criação de Deus”. (2008, p.198).

A M.I. entende que o desafio que é colocado a todos os cristãos é o de “redescobrir o poder transformador do reino e da justiça de Deus no meio dos reinos deste mundo.”(ZWETSCH, 2008, p.204). Este ato fará a igreja se levantar em uma atitude profética contra a centralização de poder global, e confessando Jesus como Senhor dos senhores; também fará com que ela se posicione para denunciar todos os males sociais causados pelo pecado e proclamará, a partir de seu estilo de vida, a centralidade do reino de Deus numa comunidade restaurada por justiça, e que busca a paz para todos os seres humanos.

No conceito de Padilla, a Igreja deve não somente buscar a justiça para os outros, mas antes praticá-la, e esta deve abranger não somente o indivíduo, mas deve também alcançar estruturas sociais, tais como: sistema penitenciário, econômico, político, dentre outros, sabendo que o meio para se alcançar essas estruturas muitas vezes requer ações políticas, e estas por sua vez, devem ser compatíveis com os princípios bíblicos. Na compreensão da Missão Integral essas ações são indispensáveis para que possa haver uma facilitação para a libertação humana da pobreza e da opressão, e para instaurar a justiça.

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