2 Arbeidarforfattarar, arbeidarlitteratur, og den litterære arbeidarkroppen 16
2.2 Kristofer Uppdal: Resepsjon og status
2.2.6 Ei skapingsforteljing og eit metaperspektiv
A dominação da realidade para Freire é uma recriação, uma conformação das épocas históricas. O homem deve participar do tempo, fazendo cultura, desafiando e respondendo ao desafio. Controlar a indisciplina, então, é responder ao desafio e viver esse desafio.
A partir das relações do homem com a realidade, resultantes de estar com ela e de estar nela, pelos atos de criação, recriação e decisão, o vai dinamizando o seu mundo. Vai dominando a realidade. Vai humanizando-a. Vai acrescentando a ela algo de que ele mesmo é fazedor. Vai temporizando os espaços geográficos. Faz cultura. E é ainda o jogo dessas relações do homem com o mundo e do homem com os homens, desafiando e respondendo ao desafio, alterando, criando, que não permite a imobilidade, a não ser em termos de relativa preponderância, nem das sociedades nem das culturas. E à medida que cria, recria e decide, vão-se conformando as épocas históricas. É também criando, recriando e decidindo que o homem deve participar destas épocas (FREIRE, 1979b, p. 43).
Participar das mudanças é humanizar-se. Para Paulo Freire, reconstruir então uma nova forma de tratar disciplina e indisciplina é permitir que a mudança se instaure. A superação nas atitudes mostra que o homem é um ser que não precisa aceitar a opressão; mesmos sendo doloroso, pode abster-se da acomodação, lutando para ajustar a situação de modo a traçar novas linhas nas relações sociais e educacionais.
Ajustando a liberdade, há que se conseguir a humanização na relativa preponderância da criação e recriação. Humaniza-se assim na liberdade proposta para o diálogo contínuo, que é a participação humanizadora, com reconhecimento de tarefas concretas, sem renúncias e verdadeiramente esperançosa.
Humanizar-se é estar no e com o mundo, sem padronizar respostas.
Entendemos que, para o homem, o mundo é uma realidade objetiva, independente dele, possível de ser conhecida. É fundamental, contudo,
partirmos de que o homem, ser de relações e não só de contatos, não apenas está no mundo, mas com o mundo. Estar com o mundo resulta de sua abertura à realidade, que o faz ser o ente de relações que é (FREIRE, 1979b, p. 39).
Há pluralidade nas relações humanas, na medida em que ele responde aos desafios, sem padronização das respostas e, nas variações dessas respostas, altera-se o próprio ato de responder: “Faz tudo isso com a certeza de quem usa uma ferramenta, com a consciência de quem faz algo que o desafia” (FREIRE, 1979b, p. 40).
Pelo fato de não se conseguir lidar com a violência cada vez mais intensa dentro da escola, vem a constatação do que diz Freire (1979b, p. 44): “E se supera na medida em que temas e tarefas já não correspondem a novos anseios emergentes, que exigem, inclusive, uma visão nova dos velhos temas”.
Adequar-se, constituindo novos desafios, regressar e avançar, numa ilusão plausível, isso requer a superação de ideais, consentindo na modificação contínua de atitudes e engajamentos, mas caminhando para anseios emergentes na época de viver em busca de novos e antigos valores e aspirações.
Freire (1979b, p. 44): “Sua humanização ou desumanização, sua afirmação como sujeito ou sua minimização como objeto dependem, em grande parte, de sua captação ou não desses temas”. Temas essenciais a qualquer reflexão. Ele chega a mostrar um lado da realidade desumanizadora.
Mas, infelizmente, o que se sente, dia a dia, com mais força aqui, menos ali, em qualquer dos mundos em que o mundo se divide, é o homem simples esmagado, diminuído e acomodado, convertido em espectador, dirigido pelo poder dos mitos que forças sociais poderosas criam para ele. Mitos que, voltando contra ele, o destroem e aniquilam. É o homem tragicamente assustado, temendo a convivência autêntica e até duvidando de sua possibilidade (FREIRE, 1979b, p. 45).
Conforme conclusão na mencionada tese de mestrado que defendi, para a construção de uma sociedade justa e solidária, a caminhada educacional deve ser embasada nos preceitos legais e constitucionais, no respeito à proteção da realidade social, constituída de dificuldades a superar cotidianamente.
Reafirmando a importância do estudo do diálogo como forma de amenizar os conflitos na escola e fundamentado na teoria freireana, este capítulo versa sobre a ampla importância do diálogo e sua principal função no grupo social.
Somente quem viveu intensamente poderia elaborar uma teoria tão integral como a de Paulo Freire, que tinha total facilidade de praticar e comunicar o que pregava. Sua dinâmica, sempre amparada na teoria, ensinava pela práxis. Apenas se tornava teoria porque havia sido praticada. Paulo Freire (2002) afirmava conseguir escrever somente sobre o que experimentara, o que praticara.
Freire (2002, p. 154) afirma que o respeito ao conhecimento deve ser o caminho mais curto à disponibilidade para o diálogo. “O sujeito que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como inconclusão em permanente movimento na História”.
Isto não deve significar, porém, que as diferenças de opções que marcam os distintos discursos devam afastar do diálogo os sujeitos que pensam e sonham diversamente. Não há crescimento democrático fora da tolerância que, significando, substantivamente, a convivência entre dessemelhantes, não lhes nega, contudo, o direito de brigar por seus sonhos.
[...]
O diálogo é a confirmação conjunta do professor e dos alunos no ato comum de conhecer e reconhecer o objeto de estudo. Então, em vez de transferir o conhecimento estaticamente, como se fosse uma posse fixa do professor, o diálogo requer uma aproximação dinâmica na direção do objeto (FREIRE, 2014c, p. 22).
O diálogo entre diferentes transforma o mundo. A posição de Freire (1979b) é que o diálogo é o encontro amoroso dos homens que, mediatizados pelo mundo, o ‘pronunciam’, isto é, o transformam, e, transformando-o, o humanizam para a humanização de todos.
Assim, pelo diálogo o homem pode transformar o mundo. Características da indisciplina e ato infracional podem vir a demonstrar a falta de interação e diálogo entre as pessoas que na escola convivem.
A partir das relações do homem com a realidade, resultantes de estar com ela e de estar nela, pelos atos de criação, recriação e decisão, o vai dinamizando o seu mundo. Vai dominando a realidade. Vai humanizando-a. Vai acrescentando a ela algo de que ele mesmo é o fazedor (FREIRE, 1979b, p. 43).
Quando discorre sobre a essência do diálogo, Freire mais uma vez afirma não existir palavra verdadeira sem a prática. E sem a palavra verdadeira não há que se transformar o mundo. Daí a importância da palavra para adentrar o diálogo. Ela constitui a base do diálogo, sem o qual não há transformação. Diálogo é palavra verdadeira, condição para modificar quadros reais – fundamento da afirmação e resolução do problema proposto. Se necessário
provar que o diálogo pode vir a amenizar os conflitos na escola, hei de embasar a construção dos argumentos na teoria freireana: havendo diálogo, há transformação. Então há mudança do quadro real da escola. Teoricamente é possível essa transformação.
A existência, porque humana, não pode ser muda, silenciosa, nem tampouco pode nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os homens transformam o mundo. Existir, humanamente, é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes, a exigir deles um novo
pronunciar (FREIRE, 1987, p. 78).
Sendo o diálogo uma forma de transformar o mundo, é encontro dos homens e não se esgota, trazendo o ganho da significação. Freire (1987) sustenta que o diálogo é uma exigência existencial. No conflito surge a prática de impor a opinião, o que não é diálogo. Dialogar significa trocar ideias para pronunciar o mundo. Sua aspiração máxima é o comprometimento da palavra verdadeira. Segundo Freire (1987, p. 79): “Não há diálogo, porém, se não há um profundo amor ao mundo e aos homens”. Ele impõe como requisitos à existência do diálogo: profundo amor ao mundo, humildade, fé nos homens, confiança, esperança, pensar verdadeiro. Consta na p. 81: “Não há também diálogo, se não há uma intensa fé nos homens”.
A característica essencial para o diálogo se completar: conhecer as condições estruturais em que o pensamento e a linguagem do povo se constituem. Para Freire (1987, p. 87): “O momento deste buscar é o que inaugura o diálogo da educação como prática da liberdade”. A tomada de consciência do povo, a coerência do pensar e agir.
Em Freire (2011e) consta que a disciplina deve ser construída e assumida pelos alunos. Então, um caminho que se evidencia na literatura: diálogo é a via efetiva de redução e prevenção de conflitos na escola, enfocando indisciplina e ato infracional. Essa é a pretensão desta pesquisa. Por isso o diálogo em discussão e análise.
De início, talvez pela formação, eu fazia restrições à obra de Paulo Freire. A prática cotidiana fazia-me acreditar que ele e seus princípios eram “uma utopia”. Nos seus ensinamentos, pude identificar a forma concreta de propiciar educação diferenciada da que tivemos ou verificamos até hoje. Faço alguns destaques que me chamaram a atenção no transcorrer dos estudos, mais precisamente sobre a educação que humaniza, começando por “a minha prática deve ser a que enfoquei no meu discurso”. Passeando pelos fichamentos, em cada um sobressai, pela ordem: sem limites, não haverá democratização da sociedade e não se fará a leitura de mundo; deve imperar respeito às diferenças, ideias e posições; há necessidade
de compreensão do processo; o discurso e a ação tornam possível a transformação. O “estar com” está presente na fala de Freire.
Admitir a liberdade e que as pessoas são livres no discurso é algo possível para todos; não agir em favor da liberdade é engodo. Ação para mudança, da prática para a transformação, cabe a cada indivíduo, mas é uma tarefa de reconhecimento que se dá somente com a própria prática, não só pela teoria.
Para conhecimento de mundo, as pessoas devem libertar-se de conceitos pré- formados. Somente se conhece verdadeiramente o mundo das pessoas convivendo com elas, no sofrimento das diversidades, das perseguições, dos preconceitos. Para ser autêntico, o educador deve despir-se de todos os conceitos firmados em si e deixar-se invadir pelos conceitos dos discentes. Aluno indisciplinado pode ser sinônimo de pessoa carente de atenção, de sentimentos, de muito pouco conviver.
Freire explica a problemática das “situações-limite”. Compilar seus ensinamentos é extremamente valioso à minha análise, que de fato são estudos de situações-limite entre atitudes de indisciplina e ato infracional. Um dos meus principais destaques: “Esta é a razão pela qual não são ‘situações-limite’ em si mesmas geradoras de um clima de desesperança, mas a percepção que os homens tenham delas num dado momento histórico, como um freio a eles, como algo que eles não podem ultrapassar”.
Em todas as dimensões se aprende quando não há solidão, silêncio, apatia e total adaptação. O mundo está em movimento, do qual se extrai a vida diária – o cotidiano de repressão e libertação. As condições históricas levam à desesperança; somente o engajamento na reconstrução de conscientizar o oprimido leva a esperança da humanização, da razão plena de viver em sociedade. Para Freire, comunicar-se é fazer troca. Denota não haver pessoas apenas ouvintes, passivas, que só recebem. A educação deve ser libertadora. O ensinar para Freire exige rigorosidade metódica, pesquisa, respeito ao saber dos educandos, criticidade, estética e ética, corporificação das palavras pelo exemplo, aceitação do novo, rejeição a qualquer forma de discriminação, reflexão crítica sobre a prática, reconhecimento e assunção da identidade cultural. Enfim, ensinar não é transferir conhecimento.
Quando Freire fala de política e educação e política, deixa patente seu olhar para a democracia, o educador progressista e sua posição quanto à escolha da posição a tomar. Ele tem que se posicionar.