2 TEORI OG METODE
2.3 R EFLEKSJON
O violoncelista finlandês Anssi Karttunen tem uma movimentada carreira como intérprete solista e de música de câmara, apresentando-se extensivamente com muitas das melhores orquestras e músicos do mundo. Ele é o diretor artístico do festival Musica nova Helsinki. É um defensor apaixonado da música contemporânea e sua colaboração com compositores levou-o a realizar mais de cento e trinta e cinco estréias mundiais de obras de compositores tão diversos como Magnus Lindberg, Kaija Saariaho, Rolf Wallin, Luca Francesconi e Tan Dun. Vinte e três obras para violoncelo e orquestra foram escritos para ele.
Vinte e três obras para violoncelo e orquestra foram escritas por ele: o Concerto para Violoncelo yi1 de Tan Dun, o Concerto para violoncelo de Magnus Lindberg, o concerto de Esa-Pekka Salonen Mania. O Concerto para Violoncelo de Martin Matalon, o Concerto para Violoncelo "Rest" de Luca Francesconi e a ópera de Gualtiero Dazzi "Le Luthier de Veneza". O concerto de Kaija Saariaho "Notes on Light" foi uma comissão da Orquestra Sinfônica de Boston para Anssi Karttunen e a Filarmônica de Los Angeles encomendou um Concerto para violoncelo de Oliver Knussen.
Anssi Karttunen interpreta todas as obras tradicionais para violoncelo e também descobriu muitas obras-primas esquecidas e transcreveu inúmeras peças para violoncelo, ou para grupos de câmara. Karttunen integra o Trio Zebra com o violinista austríaco Ernst Kovacic e o violista canadense Steven Dann. Ele toca com muitas das melhores orquestras do mundo e em recitais de música de câmara em importantes festivais na Europa: Edinburgh, Salzburg, Lockenhaus, Spoleto, Berlim, Veneza, Montpellier, Strasburg, Helsinki etc.
Os CDs de Anssi Karttunen vão desde Bach em um violoncelo piccolo, Beethoven em um violoncelo clássico até concertos para violoncelo do século XX com a London Sinfonietta, Filarmônica de Los Angeles e a Orquestra Philharmonia com Esa-Pekka Salonen. Pela gravadora Sony Classical ele lançou CDs com os
Concertos de Lindberg, Saariaho e Salonen. Pela Deutsche Grammophon lançou um DVD com a obra The Cello Map de Tan Dun, com trabalho de vídeo e orquestra ao vivo, e, mais recentemente, um CD com o Concerto para Violoncelo de Henri Dutilleux. CDs recentes incluem também música de câmara de Brahms e um disco solo pela Toccata Classics, Trios de Kaija Saariaho, música para violoncelo de Magnus Lindberg pela Ondine e Tangos pela Albany Records.
Entre 1994 e 1998 ele foi o diretor artístico da Avanti! Orquestra de Câmara. Ele foi o diretor artístico da Bienal de Helsinki de 1995 e do Suvisoitto-festival em Porvoo, na Finlândia, de 1994 a 1997. De 1999-2005 Anssi Karttunen foi o principal violoncelista da London Sinfonietta. Anssi Karttunen atua também como regente. Ele regeu a obra Kraft de Magnus Lindberg com a Flanders Philharmonic, o conjunto de violoncelos da Filarmônica de Los Angeles, o Gaida Ensemble em Vilnius, entre outros. Ele é um dos membros fundadores da www.petals.org, uma organização sem fins lucrativos dedicada à produção e venda de CDs e partituras na Internet. Seus professores foram Erkki Rautio, William Pleeth, Jacqueline du Pré e Tibor de Machula. Karttunen toca um violoncelo feito por Francesco Ruggieri em Cremona em cerca de 1670. Sept Papillons foi dedicada a ele, que estreou a peça em 10 de setembro de 2000.
1- Qual foi o maior desafio e o maior crescimento que Sept Papillons ofereceu a você, como intérprete?
Anssi Karttunen: É difícil dizer, porque a peça tem feito parte da minha vida agora já há tanto tempo, mas quando eu ensino a peça para jovens violoncelistas eu posso ver que os grandes desafios são: a capacidade de ver as imagens, de ver frases, de ver as metáforas das borboletas, tomar tempo, confiar no silêncio, acreditar no pequeno, entender que a fragilidade é a força, tornar-se a música.
2- Sept Papillons é uma peça com amplo uso de harmônicos. Os harmônicos desempenham um papel essencial na construção tímbrica e formal da peça, contribuindo para a atmosfera etérea da peça. Levando em conta sua formação anterior à peça, você possuía todos os conhecimentos necessários para trabalhar com os harmônicos de Sept Papillons? Caso a resposta seja sim, como foi sua formação com relação ao conhecimento, compreensão e prática dos harmônicos? Caso a resposta seja não, como você enfrentou e superou o desafio de lidar com harmônicos na preparação da performance de Sept Papillons?
Anssi Karttunen: Eu não cheguei do nada [ele diz frio] em Sept Papillons, eu conhecia a música de Kaija e o seu uso do violoncelo já há muitos anos. Os harmônicos fizeram parte da sua linguagem desde o início, como várias outras particularidades de sua música, cores, ruído, etc. Em cada peça sua linguagem tornou-se mais destilada e eu senti mais facilidade de entender o que ela está buscando, mas isso não tornou-a mais fácil de tocar. A responsabilidade cresce a cada momento, mas porque eu tenho mais experiência com a sua música eu posso me deixar ir e acredito que posso me tornar a música se eu me permitir.
3- A partitura de Sept Papillons indica os harmônicos a serem tocados. Entretanto não há uma linha auxiliar indicando as alturas que devem soar com aqueles harmônicos, procedimento encontrado em peças como Spins and Spells, também de Kaija Saariaho e Aye theres the rub, de Marco Stroppa. O que você acha, como intérprete, deste tipo de indicação? Para você esta indicação adicional é necessária ou desnecessária? Por quê?
Anssi Karttunen: Eu acredito na eliminação de tudo da partitura que não é absolutamente necessário, mas ao mesmo tempo ela precisa permanecer tão fácil de ser entendida para o intérprete quanto possível. Em Sept Papillons todos os harmônicos são escritos de uma forma que o intérprete sabe exatamente qual corda e qual a posição tocar. A linha auxiliar seria para não-violoncelistas ou musicólogos. Para o performer qualquer confusão adicional na página tem uma tendência a sobrecarregar o cérebro no momento da performance então eu incentivo os compositores a simplificar sua notação, tanto quanto possível.
4- Há uma rica e interessante contradição na preparação da performance de Sept Papillons: grande controle e domínio técnicos são necessários para uma bem-sucedida performance da peça, que cria, por sua vez, uma atmosfera sutil, frágil, mágica e etérea. Do ponto de vista da intensidade e do volume, a peça exige do intérprete uma gama diversa de dinâmicas de médio e baixo volume. A dinâmica forte é indicada apenas em 2 papillons (IV e VII). Como você trabalhou e compreendeu, como intérprete, a preparação de uma peça tão singular neste sentido?
Anssi Karttunen: O fato de que uma borboleta é pequena e frágil não significa que a gama das suas emoções é pequena. Se alguém alcança a mensagem de cada metáfora musical, é possível ver a enorme gama de cores e dinâmicas entre o
que parece na página pp e p. Ver por trás da tinta e confiar na imagem é o que ajuda. Eu encontro um monte de música, mesmo entre os movimentos.
5- Você realizou algum tipo de abordagem analítica de Sept Papillons antes ou durante a preparação da performance que pôde melhorar ou auxiliar sua interpretação? Caso a resposta seja sim, você pode nos falar sobre isto? Caso a resposta seja não, como você construiu sua interpretação desta obra?
Anssi Karttunen: Uma interpretação é construída no tempo e em muitas performances e a análise se torna cada vez mais clara. Eu mesmo construí uma idéia de cada gesto na peça e uma certa narrativa, mas elas são pessoais e de nenhuma maneira importantes para que mais ninguém saiba, minha análise final é finalmente cada performance. O que é importante é que cada vez que eu toco a peça eu posso recapturar as emoções, os humores, os sentimentos de cada momento e transmiti-los como se eles só tivessem existido naquele momento. Quando eu ensino a peça, eu posso descrever isto para um aluno, mas apenas para mostrar o quanto são pessoais e que cada intérprete tem de encontrar seus próprios equivalentes emocionais para as imagens abstratas.