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Effekter og resultater

2.1 Bidrag til å nå hovedmålet

2.1.1 Effekter og resultater

A abordagem do objeto de estudo, bem como a análise crítica de dados da realidade dos sujeitos envolvidos, ambas serão evidenciadas no interior de cada capítulo. Aqui elas serão apresentadas e discutidas com base nas objeções que podem se apresentar para a elaboração dessa tese, além de ressaltar-se os aspectos positivos que tal escolha metodológica proporcionou, numa situação onde a tradição oral é marcante.

A limitação comumente identificada nessa metodologia – o subjetivismo – converte-se, no presente caso, em relevante critério para nossos objetivos. Permite alcançar aquilo que, internamente nos sujeitos, se tornou significativo dos legados recebidos a partir do exterior. Pois o momento do relato os coloca numa posição que permite iluminar o que receberam, acrescentando a isso sua interpretação; na forma simbólica; os fatos saem da opacidade ao expressar-se a vivacidade que os sujeitos lhes conferem: o encadeamento, os temas, a entonação, as pausas, os recortes, a ênfase, a

emoção, elementos presentes nos relatos do sujeito que se deixa captar por seu intermédio.

Para alcançar esse impulso que se abre em direção ao sentido, buscamos aproximar, ao máximo, nosso olhar do de Benjamin, que, a partir da teoria estética, atinge a crítica da cultura; e, ainda, do de Freud, que, pela psicanálise, busca a tomada de consciência do inconsciente pulsional. Nosso ponto de partida é o “texto”, falado, que, segundo Benjamin, é revelador por conter, in nuce, o modelo da relação cognitiva que deve se instaurar entre o sujeito e seu domínio de objetos, para aproximar a percepção como característica do pensamento. Ao tomarmos a percepção dos sujeitos para lançar luz sobre a realidade que investigamos, visamos essa possibilidade do resgate da consciência por suas recordações verbais.

Percepção que é, aqui, tomada, segundo a teoria metapsicológica, de Freud, como consciência (psicológica) na qual:

“...a consciência seria função de um sistema, o sistema percepção- consciência (Pc-Cs). Do ponto de vista tópico, o sistema percepção- consciência está situado na periferia do aparelho psíquico recebendo ao mesmo tempo as informações do mundo exterior e as provenientes do mundo interior, isto é as sensações que se inscrevem na série desprazer-prazer e as reminiscências mnésicas.” (LAPLANCHE &

PONTALIS, 2001, p.93).

Os autores ainda destacam alguns aspectos, importantes para nossa compreensão, sobre esse sistema, no qual Freud assimila a consciência à percepção. Segundo tais autores, Freud considera como essência desta última “a capacidade de receber as qualidades, sensações muito variadas de diferença e cuja diferença depende das relações com o mundo exterior.” (ibid., p.94). Ao mesmo tempo, assinalam um problema, no fato de ter Freud situado, na consciência, o que chamou de “processo de pensamento”, uma vez que, aí, estariam tanto revivescência de recordações, como o

raciocínio, ou seja, processos que envolvem “representações”. Foi este o modo pelo qual. Freud sustentou, em sua teoria, a tomada de consciência dos processos de pensamento, pela dependência de sua associação com “restos verbais” (Wortreste):

“Estes (em virtude do caráter de nova percepção que se liga à sua reativação – as palavras rememoradas são, pelo menos em esboço, repronunciadas,) permitem à consciência encontrar uma espécie de ponto de enraizamento a partir da qual a sua energia de sobreinvestimento pode se irradiar.” (LAPLANCHE & PONTALIS,

2001, p.94).

Por intermédio desse mecanismo, torna-se possível a atribuição de qualidade ao pensamento, por ser possível a associação entre as recordações verbais “cujos restos qualitativos são suficientes para atrair a atenção da consciência a partir de um novo investimento móvel [que] se dirige para o pensamento.” (Ibidem, p.94).

Nesse sentido pode-se questionar, se o ‘esclarecimento’ não estaria sendo hipostasiado ao ser referido a grupos que ainda não lograram sequer superar seu estágio de barbárie, o que permitiria refutar completamente a validade deste estudo, ao tomar como dado para crítica a expressão de sujeitos submetidos a essa condição.

Se as teses levantadas por Adorno & Horkheimer, em 1974, de que “o mito já é esclarecimento e o esclarecimento acaba por reverter à mitologia” (ADORNO & HORKHEIMER, 1985, p.15) são verdadeiras, o estudo aqui desenvolvido não é uma hipóstase, pois ele pode revelar a forma particular aqui assumida, nesse momento de passagem à modernidade, na Amazônia.

Outro argumento, no sentido de não validação, poderia atacar a questão da via de acesso aos dados adotada: a expressão do pensamento dos sujeitos a respeito da percepção que possuem da realidade. Tal argumento vem fundamentado na assertiva de que, transformada em ideologia, a realidade não poderia ser assim revelada, senão sob sua forma alienada e distorcida. É enquanto contingência que essa situação favorece o

contra-argumento de que a sua apreensão e compreensão se fazem necessárias, a fim de trazer à tona tais conteúdos, na posição de objeto da razão que entra em conflito com ela própria, em contraposição à realidade.

Na mesma direção, há ainda uma outra objeção, dessa vez com relação ao sujeito. Se, como afirmam Adorno & Horkheimer, o homem selvagem ainda não se distinguia da natureza e no esclarecimento ele se coisifica pela reificação da razão que elimina a consciência, ao transformá-la em aparato da engrenagem econômica (Ibidem, p.42), o acesso ao estado de consciência do homem não se faz possível. A contra- posição leva em conta o reconhecimento de que a dominação subjaz a ambos –selvagem e civilizado -, assumindo, no ‘esclarecimento’, o pressuposto objetivo das esferas social e política, ficando assim reduzidas as possibilidades de alterá-la, sem antes alterar as próprias condições objetivas. Porém, essa mesma limitação de transformação das condições objetivas de vida é que transfere para a esfera subjetiva a tentativa de contrapor-se à ausência de consciência, sem que deixemos de atentar para as condições objetivas em que ela é mantida.

O processo civilizatório tem sido marcado pela repressão e pela renúncia, pois, como mostra o próprio Freud (1992), em “O mal-estar na cultura”, a felicidade não é um valor cultural (p.678-82). A renúncia à felicidade, no sentido estrito, atribuído pela psicanálise, como “programa do princípio do prazer”, que é promovida pela cultura, não impede que esse continue a operar, ainda que “todas as normas do universo sejam-lhe contrárias” (ibid., p.676). Isso está a exigir de nós um olhar que se volte para as circunstâncias em que tais condições psicológicas são delineadas a partir das forças da sociedade que a define. Marcuse (1968), em “Eros e civilização”, empreende uma interpretação da teoria freudiana acerca do processo civilizatório, apoiado na “subjugação dos instintos humanos” (p.27) e extrai da obra de Freud a possibilidade histórica de uma civilização não-repressiva. Essa utopia está descartada, pelo autor, de

vir a se efetivar nas sociedades desenvolvidas, onde o progresso já criou formas eficazes de controle social e dominação associando-as à satisfação de necessidades, o que tornou mais fácil a luta pela existência e torna sem efeito o princípio de contradição no interior de sua lógica (p.13). Eis por que Marcuse a remete para as populações mais novas de países atrasados, em função das condições aí presentes:

• O atraso caracterizado em sua pobreza e fraqueza forçaria à renúncia da ciência e da tecnologia, para manter sob seu controle a engrenagem produtiva voltada para a satisfação e desenvolvimento de suas necessidades vitais, tanto individuais, como coletivas;

• A ausência de condições favoráveis à tecnologia e á industrialização, exploradoras e repressivas, visando a uma produtividade agressiva. (MARCUSE, 1968, p.18).

A abordagem tem seu fio condutor construído por meio de um conjunto de questões levantadas mediante o contato com a realidade e apresentadas sob a forma de temas aos sujeitos da pesquisa. Suas respostas, comentários, exemplos, interpretações são, em seguida, analisadas à luz dos aportes teóricos adotados.

Essas questões orientaram, também, a estruturação das categorias de análise dos dados e informações, obtidos das respostas dos sujeitos, relevantes para nossa pesquisa, que serão discutidas no interior dos capítulos desenvolvidos. Como sabemos, a modernidade tem sido referida a três esferas distintas - cultural, política e econômica - nas quais se pressupõe processos de racionalização e autonomia. Entretanto, a modernidade tem sido reduzida a uma visão funcional cuja ênfase tem recaído apenas na eficácia do funcionamento de estruturas sociais da totalidade, diferindo substancialmente dos princípios que nortearam seu ideal emancipatório de tendência

racionalista, individualista e universalista. Baseado nesse ideal, o racionalismo substitui a fé na religião pela ciência, o individualismo permite ao homem ser visto como indivíduo e não apenas como parte do coletivo e, o universalismo postula a igualdade da natureza humana.