Effect of residual stress on ductile fracture
6.3.4 Effect of initial void volume fraction
Segundo McCawley (1993), Q-float é a transformação que, opcionalmente, separa
all, both ou each de um NP sujeito19 e o adjunge à esquerda do predicado da sentença, como nos exemplos (McCawley, 1993:191) a seguir:
(33) a. The guests all have gone home. os convidados todos têm ido casa ‘Os convidados todos foram para casa.’ b. His hands both had scars on them. suas mãos ambas tinham cicatrizes nelas ‘Ambas as suas mãos tinham cicatrizes.’
c. Smith’s partners each hated him for a different reason. Smith.gen colegas cada odiava o por uma diferente razão
‘Os colegas de Smith o odiavam, cada um, por uma razão diferente.’
O autor pretende mostrar que, se essas sentenças têm estruturas profundas nas quais o quantificador é parte de um NP quantificado que está fora da S(entença) hospedeira,20 como em (34a), então o Q-float terá de se aplicar a uma estrutura na qual o NP quantificado ainda se encontre fora de sua S hospedeira, como em (34b), ao invés de se aplicar como em (34c), como se tem pensado.
19
O autor não faz menção a NPs objetos. 20
Nas formas lógicas propostas por McCawley, o quantificador e o NP associado estão fora da oração da qual, aparentemente (i. e., superficialmente), fazem parte. É uma transformação chamada Q’-lowering que vai mover um Q’ para uma posição na S matriz, onde a variável ligada ocorre.
(34a)
(34b)
(34b’)
As transformações se aplicam ciclicamente. O princípio do ciclo diz que quando uma S, por exemplo, S1, é contida por outra, por exemplo, S2, qualquer aplicação de
transformações no domínio21 de S2 precede qualquer aplicação de transformações no
domínio de S1. McCawley argumenta que, se a estrutura profunda da sentença apresenta
o Q’ externo à S hopedeira, como em (34a), então uma estrutura como (34b) somente poderia ser derivada por meio da aplicação de Q’-lowering no domínio de S0. Contudo,
vez aplicado o Q’-lowering a S0, todo o material de S0 passa a S1, e, então, o movimento
indicado em (34b) se aplicaria em S1. O autor argumenta: “[T]he cyclic principle would
be violated, since a transformation would be applying with a domain lower than a domain to which a transformation had already applied”22 (McCawley, 1993:192).
Essa formulação torna o Q-float sensível ao escopo do FQ, que deve corresponder à S a cujo sintagma predicado o FQ se adjunge. Assim sendo, temos que o Q-float pode resolver ambigüidades de escopo. Uma sentença como (35a) (McCawley, 1993:192), por exemplo, ambígua no que diz respeito ao escopo do sujeito quantificado, torna-se não-ambígua se há a flutuação:
(35) a. All the students appeared to be cheating.
a'. (para todo:x pertencente a M) Appear (x is cheating) a”. Appear [(para todo:x pertencente a M) (x is cheating)] ‘Todos os alunos pareciam estar colando.’
b. The students all appeared to be cheating. (=a') ‘Os alunos todos pareciam estar colando.’ b'. The students appeared to all be cheating. (= a”) ‘Os alunos pareciam todos estar colando.’
Isto é, dependendo da S – principal ou encaixada – sobre a qual o quantificador tenha escopo, o Q-float terá um domínio de aplicação diferente. Se esse domínio for a oração principal, então all será adjungido ao V’ da S principal, o que produz a construção em (35b). Se, por outro lado, o quantificador tiver escopo sobre a oração encaixada, a adjunção será de all ao V’ da S mais baixa, produzindo a construção em (35 b').
Paralelamente a essa análise com appear, o autor apresenta uma análise de Q-float em sentenças com verbos auxiliares. A abordagem ao fenômeno proposta por ele implica o fato de quantificadores flutuantes poderem ocorrer não somente antes do V’ principal, mas também antes de verbos auxiliares, o que leva a concluir, por analogia, que os verbos auxiliares que precedem o quantificador flutuante estão fora do seu
21
O domínio de aplicação de uma transformação é a S mais baixa contendo todo o material relevante para a transformação.
22
Tradução livre: “O princípio de ciclicidade seria violado, já que a transformação estar-se-ia aplicando em um domínio mais baixo do que o domínio no qual a transformação já teria sido aplicada.” Segundo McCawley, nenhuma transformação, em domínio algum, pode se aplicar após o Q’-lowering, ou o princípio de ciclicidade será violado.
escopo, ao passo que os que o seguem estão sob o seu escopo. O exemplo (p. 194) abaixo mostra as posições em que o quantificador pode ocorrer:
(36) The students (all) must (all) have (all) been (all) cheating. ‘Os alunos (todos) devem (todos) ter (todos) colado.’
A conclusão está correta, com uma exceção: o tipo de construção com all entre o primeiro auxiliar, must, e o auxiliar seguinte, have (The students must all have been
cheating), é ambígua, pois must, ou seja, o auxiliar que carrega a informação de tempo,
pode, ou não, estar sob o escopo de all. O autor afirma que esse desvio do paralelismo entre a posição de quantificadores flutuantes e seu escopo pode ser explicado com base em uma regra para combinar tempos verbais com verbos auxiliares, que pode alçar, em uma estrutura lógica, um verbo auxiliar por sobre um elemento (aqui, especificamente,
all) que esteja mais alto que ele.
Essa roupagem dada por McCawley ao fenômeno de Q-float é também capaz, como defende o autor, de resolver o mistério relacionado ao fato de a transformação Passiva não poder se aplicar após o Q-float (McCawley, 1993:195):
(37) a. All the workers denounced the manager. todos os operários denunciaram o gerente ‘Todos os operários denunciaram o gerente.’ b. The workers all denounced the manager. os operários todos denunciaram o gerente ‘Os operários todos denunciaram o gerente.’
c. *The manager all was denounced by the workers. o gerente todos foi denunciado pelos operários c'. *The manager was all denounced by the workers. o gerente foi todos denunciado pelos operários
As construções agramaticais em (37c- c') são o resultado da aplicação da transformação Passiva após o Q-float. Uma sentença gramatical como The workers all were criticized
by the manager, “Os operários todos foram criticados pelo gerente”, por outro lado,
seria obtida por meio da aplicação da Passiva e, então de Q-float, nessa ordem. De acordo com a proposta de McCawley, a estrutura profunda de (37a) seria a seguinte:
(38) S0 wp Q’x S1 2 2 Q NP NP V’ all 5 x tp
the workers denounce the manager
Segundo o autor, o único domínio no qual a Passiva poderia se aplicar é S1, porque
depois disso o princípio de ciclicidade barraria a Passiva, ou qualquer outra transformação. Porém, uma vez que a Passiva tenha se aplicado a S1, Q-float não pode
mais se aplicar, pelo fato de a variável ligada x não mais ser o sujeito de S1 (nesse ponto
da derivação, teríamos, em S1, após a aplicação da Passiva, o seguinte resultado: the
2. 2 Q-Float com Deslocamento do DP
2.2.1 Sportiche (1988): Deslocamento do DP com Encalhe do