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5. Methodological Considerations

6.1 The International System: Economic Power and Foreign Policy

6.1.4 Economic Power, a Source of Foreign Policy Changes?

A interatividade é classificada por Lemos (2002) em cinco etapas27, que se inicia pelo denominado nível 0 (zero). Neste ponto, a televisão é em preto e branco e existe apenas a oportunidade de assistir a um ou dois canais. O telespectador tem sua ação limitada a ligar ou desligar o aparelho, trocar de um canal para outro, além de regulagens específicas, referentes ao volume e à imagem (brilho/contraste).

O nível 1 (um) é marcado pela implementação da cor e a concessão de novos canais. Neste cenário, em que o número de opções amplia-se, surge o controle remoto, que permite uma ação inovadora na relação entre o telespectador e o meio:

27 Lemos (2002) classifica os níveis de interatividade dentro de um processo histórico. Os primeiros

três níveis, apresentados como interativos pelo autor, são, na verdade, etapas reativas. A interatividade, de forma plena e efetiva, como o próprio autor afirma, ocorre somente no nível 4 (quatro).

o zapping. O controle remoto promove certa autonomia ao receptor, proporcionando ao indivíduo o poder de escolha e a liberdade no ato de assistir à televisão.

Ainda segundo Lemos (2002), o nível 2 (dois) é caracterizado pela integração da televisão com outros equipamentos periféricos como o vídeo cassete, a filmadora, o vídeo game, etc. Esse tipo de situação permite que o telespectador empregue o eletrodoméstico para novas aplicações. Neste ponto, outra questão merece registro, trata-se do fato de o telespectador adquirir a alternativa de gravar programas e assistir no horário que julgar mais adequado. Esta ação interrompe uma linearidade temporal, que, outrora, se fazia imposta pela programação das emissoras.

Os primeiros sinais de uma interatividade no âmbito digital surgem no nível 3 (três), sugerido por Lemos (2002). Neste estágio, o telespectador adquire a chance de opinar ou escolher questões referentes ao conteúdo das emissoras, através de tecnologias como telefone, fax ou e-mail. Este nível pode ser exemplificado pelo programa “Você Decide”, da Rede Globo.

Somente no nível 4 (quatro), ou seja, o estágio atual, de acordo com Lemos (2002), a televisão interativa ensaiaria seus primeiro passos de forma efetiva. O usuário participa ativamente, atuando inclusive sobre o conteúdo das emissoras, no momento em que a transmissão ocorre. Além da produção de conteúdo, neste nível, ainda seria possível escolher câmeras e ângulos, em transmissões de eventos esportivos ou espetáculos culturais.

Montez e Becker (2005) citam a classificação de Lemos (2002) como um panorama da evolução tecnológica da televisão. Mas os autores manifestam a necessidade de acrescentar alguns itens. Isso se justifica pelo fato do telespectador ainda não possuir total controle da programação, nas etapas descritas. Até o nível 4 (quatro), citado anteriormente, o que existe é uma reatividade. O indivíduo apenas reage frente às possibilidades ofertadas pelo emissor. Portanto, o meio não pode ser considerado interativo.

Montez e Becker (2005), desta forma, acrescentam mais três níveis necessários para classificar a televisão como interativa, complementando o trabalho de Lemos (2002). No nível 5 (cinco), o telespectador deixa de apenas selecionar a programação oferecida pelo emissor, segundo suas preferências, para adquirir uma presença mais efetiva frente ao conteúdo. Nesta etapa, existe a possibilidade do usuário enviar um vídeo para a emissora, capturado através de uma filmadora analógica ou webcam, mesmo em baixa qualidade. Para que a emissora possa receber tal conteúdo, surge a necessidade de um canal de retorno.

No nível 6 (seis), a largura da banda expande-se, propiciando a transmissão de dados, por parte do telespectador, com uma melhor definição de imagem e qualidade quase equivalente a da emissora. Neste ponto, a interatividade avança de forma significativa frente ao último nível apresentado por Lemos (2002). Montez e Becker (2005) salientam que, nesta etapa, a relação entre o telespectador e o emissor deixa de ser reativa para tornar-se interativa.

No último nível proposto por Montez e Becker (2005), isto é, o nível 7 (sete), a interatividade é exercida de forma plena. São oferecidas ao telespectador as ferramentas que o tornam apto a produzir conteúdo, tanto quanto o emissor, acrescendo-se a mesma qualidade. O indivíduo possui plenas condições de criar programas na íntegra e enviá-los para a emissora transmitir, rompendo com o monopólio das grandes redes de produção e veiculação. Neste caso, a televisão deixa definitivamente de ser unidirecional e reativa, tornando-se interativa. Nesta etapa, o meio assemelha-se à internet, quando os usuários adquirem condições de produzir conteúdo, desde que tenham o domínio da tecnologia.

Lippman (1998) assegura que a interatividade pode ser definida como uma atividade mútua e simultânea dos participantes, normalmente trabalhando em direção de um mesmo objetivo. Segundo o autor, algumas características são importantes para classificar um meio como interativo. A primeira delas é a interruptibilidade, nesta situação, cada indivíduo deve possuir a condição de manter ou interromper a relação, de acordo com o seu interesse. A segunda característica é a granularidade, em que, ao menor elemento, a relação pode ser interrompida. A terceira marca constitutiva é a degradação suave. Neste caso, os indivíduos

envolvidos devem aprender a obter as respostas que o sistema pode apresentar, mas que não estão disponíveis em um determinado momento. A quarta característica é a previsão limitada, isto é, em um banco de dados ilimitado, um sistema interativo deve contemplar todas as possibilidades e questionamentos acessíveis. A quinta e última característica é o não-default, que se configura como a situação em que o usuário possui plenos poderes para direcionar o fluxo de informações (sem a imposição de um padrão pré-estabelecido) e liberdade para interromper os dados, a qualquer momento.

As questões apresentadas até o momento são relevantes para uma reflexão a respeito do tema interatividade. Após compreender o significado do termo, é possível realizar uma análise dos impactos que este fenômeno provoca no cotidiano da sociedade. A interatividade tende a produzir transformações significativas no modo como os indivíduos relacionar-se-ão com a televisão. Pertinente, pois, é declarar que ela marca o desenvolvimento de uma nova mídia e alavanca um processo de profundas mudanças.