5. Methodological Considerations
5.3 Defining and Operationalization of Variables
2.2.3.1 Sistema norte-americano ATSC (Advanced Television Systems Committee)
Fabricantes de equipamentos, operadores de rede (aberta e paga), desenvolvedores de software, instituições educacionais, associações e órgãos de regulamentação fundaram, em novembro de 1982, nos Estados Unidos, o comitê ATSC (Advanced Television Systems Committe). Brennand e Lemos (2007) salientam que o comitê foi criado por 25 organizações e mais de 170 membros, com o objetivo de especificar padrões para a televisão digital. As pesquisas do grupo resultaram na criação do padrão de sistema de televisão digital ATSC, popularmente conhecido como padrão americano de televisão digital.
Os primeiros testes para a criação de um padrão único no país deram-se, em 1993, com a formação da Grande Aliança (Grand Alliance), que concretizou os experimentos iniciais da televisão digital. Neste momento, as transmissões eram realizadas em HDTV e o SDTV era usado apenas para complementar a programação. Bolaño e Brittos (2007) relembram que o ATSC, recomendado em 1995, possui 18 possibilidades com diferentes níveis de resolução da imagem e formatos de tela.
Somente em 1998, o padrão ASTC foi estabelecido nos Estados Unidos. O modelo também passou a ser adotado pelo Canadá (1997), Coréia do Sul (1997), Taiwan (1998), México (1994) e Argentina (1998). Segundo Brennand e Lemos (2007), nos dois últimos países, poderá ocorrer uma revisão do padrão adotado, em especial, no caso da Argentina, que aguarda a implantação do sistema brasileiro.
O padrão ATSC apresenta várias possibilidades frente às opções de configurações para a camada de transmissão, estabelecendo diferentes esquemas de modulação para transmissão terrestre, via cabo e via satélite. De acordo com Montez e Becker (2005), o padrão ATSC usa a modulação 8-VSB, possuindo uma taxa de transmissão de 19,8 Mbps, ocupando uma largura de banda de 6, 7, ou 8 MHz. Em função deste esquema de modulação, o sistema apresenta dificuldades, tanto na questão da recepção por antenas internas, quanto na impossibilidade da recepção móvel do sinal.
Bolaño e Brittos (2007) enfatizam a aplicação de uma série de testes que apresentaram como resultado a deficiência das antenas internas e a tendência em não receber imagens digitais com uma qualidade considerável. Portanto, a recepção seria inadequada em locais com obstáculos como edifícios ou terrenos acidentados. Quanto à dificuldade na questão da recepção móvel, os autores esclarecem que, na época em que o sistema foi especificado, a telefonia móvel e os celulares de terceira geração ainda não possuíam a relevância atual. Assim, essa possibilidade não foi considerada como característica essencial e determinante para o desenvolvimento do sistema.
O padrão ATSC foi desenvolvido com o objetivo de proporcionar variados modos de transmissão, níveis de resolução da imagem e formatos de tela. Em conformidade com Brennand e Lemos (2007), o modelo de negócio escolhido visa à qualidade de vídeo (HDTV - High Definition Television) e de áudio (Surround17 5.1).
Convém, além disso, destacar que foram adotados os padrões MPEG-218 e Dolby19
AC-3 para codificação de vídeo e áudio, respectivamente. O sistema também oferece o acesso a serviços de dados e interatividade.
2.2.3.2 Sistema europeu DVB (Digital Video Broadcasting)
O sistema europeu de televisão digital, o DVB (Digital Video Broadcasting), iniciou em setembro 1993, através de um consórcio composto por mais de 300 integrantes, incluindo fabricantes de equipamentos, operadoras de redes, desenvolvedores de software e órgãos de regulamentação de 35 países. Nos dizeres de Brennand e Lemos (2007), o projeto tinha por objetivo especificar um padrão para o sistema de televisão digital interativa que permitisse simultaneamente a transmissão de sinal e dados.
No final de 1991, o ELD-DVB (The Europen Launching Group for Digital Vídeo
Broadcasting) iniciou os estudos que criariam o novo padrão de televisão digital
europeu. Em 1992, foi desenvolvido o MPEG-1 (Moving Pictures Coding Expert
Group 1), que proporcionava a compressão digital. A nova tecnologia, que permite a
compactação de dados, foi indispensável para viabilizar a transmissão de grandes volumes de informações que o novo sistema de televisão digital exigia. De acordo com Bolaño e Brittos (2007), o MPEG-1 originou o MPEG-2, com uma capacidade
17 Conceito que tem como objetivo proporcionar um ambiente real de áudio, aumentando a sensação
de imersão do telespectador na cena. O equipamento é composto por cinco caixas acústicas, sendo uma caixa central, duas caixas frontais e duas caixas traseiras, além do subwoofer. Disponível em: <http://www.forumsbtvd.org.br/materias.asp?id=36> Acesso em 31 ago. 2009.
18
MPEG é um grupo de softwares criado para comprimir áudio e vídeo. No MPEG-1, àudio e vídeo são associados a uma taxa de 1.5 Mbps. O MPEG-2 foi desenvolvido para televisão, onde as imagens em movimento e áudio são associadas a uma taxa de 10 Mbps. Disponível em <http://www.forumsbtvd.org.br/materias.asp?id=36> Acesso em 31 ago. 2009.
19 Formato de compressão de dados de áudio, que permite armazenar múltiplos canais
independentes. Disponível em <http://www.forumsbtvd.org.br/materias.asp?id=36> Acesso em 31 ago. 2009.
maior de compactar informações, tornando-se o padrão oficial dos sistemas de DVD (Digital Vídeo Disc) e da futura televisão de alta definição.
O sistema DVB surgiu a partir MPEG-2 e divide-se em quatro padrões de transmissão: o DVB–T (terrestre), o DVB-S (satélite), o DVB-C (cabo) e o DVB-H (mobilidade). Bolaño e Brittos (2007) explicam que o padrão obteve bons resultados quanto à adesão, devido ao elevado poder de consumo do mercado europeu. O padrão DVB foi adotado pela União Européia, Austrália, Nova Zelândia Malásia, Hong Kong, Cingapura, Índia e África do Sul.
Montez e Becker (2005) assinalam que, na Inglaterra, existem milhões de receptores digitais instalados. A popularização da tecnologia ocorreu rapidamente, devido ao fato do acesso aos canais ser historicamente pago pelo telespectador, mesmo no sistema analógico. Algumas operadoras de televisão fornecem receptores, sem custo adicional aos seus clientes, com o objetivo de proporcionar um incentivo e, consequentemente, uma maior migração para a televisão digital.
No sistema DVB, ao contrário do sistema norte-americano, é viável a recepção do sinal através de antenas internas. O padrão apresenta uma maior flexibilidade, alternando a taxa de bits enviados conforme o relevo de cada região. Para Bolaño e Brittos (2007), este fato eleva a quantidade de residências que adquirem a condição de receber o sinal. Na Europa, o DVB permite seis modos de transmissão, com resolução de 1.080 linhas, mas o destaque está na multiprogramação, transmitida em SDTV, com formato de tela 4:3.
2.2.3.3 Sistema japonês ISDB (Integrated Services Digital Broadcasting)
O padrão ISDB (Integrated Services Digital Broadcasting), por sua vez, foi estabelecido no Japão, em 1999, pelo DiBEG (Digital Broadcasting Experts Group). O objetivo deste grupo, segundo Brennand e Lemos (2007), criado em 1997, composto por várias empresas operadoras de televisão, era de promover e especificar o sistema de difusão terrestre de televisão digital japonês. O padrão
homologado (derivado do modelo europeu) foi desenvolvido pelo governo japonês, em parceria com as empresas Mitsubishi, LG, Toyota, Sega e Semp Toshiba.
O padrão ISDB permite diferentes configurações para a camada de transmissão, definindo diversos esquemas de modulação para transmissão via cabo e via satélite. Quatro tipos de sistemas foram desenvolvidos para compor a plataforma ISDB: o ISDB-S (satélite), o ISDB-C (cabo), o ISDB-T (terrestre) e o ISDB-TB (mobilidade) popularmente conhecido por One Seg.
Na radiodifusão terrestre, de acordo com Brennand e Lemos (2007), a especificação ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting – Terrestial) pode operar com canais de 6, 7 ou 8 MHz, da mesma forma que o padrão DVB utiliza a modulação COFDM (Coded Orthogonal Frequency DIvision Multiplexing). Mas o padrão ainda possibilita algumas variações, alcançando uma taxa de transmissão que varia entre 3,65 e 23,23 Mpbs. Para as redes de televisão a cabo e as transmissões via satélite, o ISDB adota as modulações 64-QAM e 8-PSK respectivamente.
Bolaño e Brittos (2007) mencionam que uma das motivações para a criação do ISDB foi atender a demanda pela recepção móvel. O padrão é considerado mais avançado por possuir alta qualidade, englobar diversos serviços e funcionar até mesmo em terrenos acidentados. O ISDB apresenta uma desvantagem em relação aos outros padrões, no que diz respeito à questão econômica, tendo em vista que os receptores ainda possuem um alto custo, portanto, tornam-se inviáveis para grande parte da população.
Brennand e Lemos (2007) concordam com a superioridade do ISDB, devido à versatilidade do sistema. O padrão é capaz de promover simultaneamente a recepção baixa de dados em transmissões móveis, mesmo em condições adversas; taxa de dados intermediários (SDTV), para recepção estática; alta taxa de dados (HDTV), para condições adequadas de recepção. O principal benefício que o padrão proporciona é a convivência da televisão de alta definição com a recepção móvel.
O quadro,20 a seguir, apresenta as principais características dos modelos anteriormente relacionados.
Padrão Países Modelo Mobilidade Frequência Modulação
ATSC Estados Unidos, Canadá, Coreia do Sul, Taiwan, México HDTV+ datacasting, para recepções fixas Nenhuma aplicação móvel e/ou portátil e baixa flexibilidade 6MHz Portadora única; modulação digital 8- Vestigial Sideband (VS8) DVB União Europeia, Holanda, Austrália, Nova Zelândia, Cingapura, Índia HDTV+ datacasting, para recepções fixas ou móveis Possibilidade de uso móvel alternativo 8 MHz Multiportadoras (2K ou 8K; coded orthogonal frequency division multiplex (COFDM) ISDB Japão, Brasil HDTV+ datacasting para recepções fixas + móveis Prevê integração com dispositivos portáteis 6MHz Multiportadoras (2K, 4K ou 8K); segmentação em frequência COFDM organizada em 13 segmentos.