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Para entender melhor a especificidade do curso de Administração procurei diversas fontes. A primeira consultada foi o Conselho Federal de Administração – CFA (www.cfa.org.br). Através dessa consulta, descobri a existência da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração - ANPAD (www.anpad.org.br) e da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração - ANGRAD (www.angrad.org.br). Outros órgãos consultados foram o Ministério da Educação – MEC (www.mec.gov.br) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP (www.inep.gov.br), através dos quais busquei resultados de Exames. No link do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que teve sua primeira edição em 2004, encontrei os resultados do ENC–Provão (Exame Nacional de Cursos) que ocorreu no período de 1996 a 2003 (www.resultadosenc.inep.gov.br).

Realizando uma pesquisa na página de internet do CFA (Conselho Federal de Administração) encontrei um breve histórico do Ensino de Administração no Brasil e também algumas informações sobre os resultados do ENC-Provão. Portanto, após levantar outros dados do ENC-Provão na página do INEP, descrevo abaixo as informações consideradas por mim relevantes.

Um breve histórico

O início do ensino de Administração no Brasil se deu com a criação, em 1941, da Escola Superior de Administração de Negócios – ESAN/SP (www.esan- sp.edu.br/estrutura.html), inspirado no modelo do curso da Graduate School of Business Administration, da Universidade de Harvard. A ESAN/SP, desde 2002, faz parte do Centro Universitário da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial).

Capitulo 2 O curso de Administração de Empresas e a Matemática

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Um dos cursos de Administração mais bem conceituados do país foi criado em 1952, pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da Fundação Getúlio Vargas – EBAPE/FGV. Em 1954, foi criada a Escola Brasileira de Administração de Empresas de São Paulo, vinculada à FGV, surgindo o primeiro currículo especializado em Administração. Outro curso muito bem conceituado é o da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA/USP, que foi criado em 1963. Vale ressaltar que a FEA foi criada em 1946, mas só tinha os cursos de Ciências Econômicas e Ciências Contábeis. Os cursos de Administração só surgiram em 1963.

A profissão de Administrador só foi regulamentada em 1965 e então foi criado o Conselho Federal de Administração – CFA (www.cfa.org.br):

Lei nº. 4.769, de 9 de setembro de 1965

Art. 2º A atividade profissional de Administrador será exercida, como profissão

liberal ou não, mediante:

a) pareceres, relatórios, planos, projetos, arbitragens, laudos, assessoria em geral, chefia intermediária, direção superior;

b) pesquisas, estudos, análise, interpretação, planejamento, implantação, coordenação e controle dos trabalhos nos campos da Administração, como administração e seleção de pessoal, organização e métodos, orçamentos, administração de material, administração financeira, administração mercadológica, administração de produção, relações industriais, bem como outros campos em que esses se desdobrem ou aos quais sejam conexos.

Art. 6º São criados o Conselho Federal de Administração (CFA) e os

Conselhos Regionais de Administração (CRAs), constituindo em seu conjunto uma autarquia dotada de personalidade jurídica de direito público, com autonomia técnica, administrativa e financeira, vinculada ao Ministério do Trabalho.

Em 1973, foi criada a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração - ANPAD (www.anpad.org.br) e somente em 1991 foi criada a Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração – ANGRAD (www.angrad.org.br), com o objetivo de elevar a qualidade de ensino da Administração por meio de troca de experiências entre os cursos.

Na década de 90, deu-se o início da expansão dos cursos superiores e houve um grande aumento no número de cursos de Administração oferecidos no

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Brasil. Esse aumento foi comprovado pelo Exame Nacional do Curso de Administração (Provão) que teve a sua primeira realização em 1996. Desse ano até 2003, esse Exame comprovou um aumento do número de cursos participantes de 122,7%. Esse aumento se deu, principalmente, com o aumento de instituições privadas. Isso porque, dentre os 746 cursos participantes em 2003, 621 são de instituições privadas.

Os problemas do curso de Administração

Segundo dados retirados do Relatório do Exame Nacional de Cursos 2003 ENC – Provão (http://www.inep.gov.br/superior/provao/), o grande problema que se vê ao analisar os resultados do Provão é quanto aos conceitos obtidos. Em 2003, considerando os conceitos relativos, 73,4% dos cursos de administração obtiveram notas C, D ou E, sendo que notas acima de 46,3 já receberam conceito A. Considerando os conceitos absolutos, 42,2% das instituições obtiveram conceito C e 56,7% obtiveram conceito D. Outro dado importante consiste na análise de instituições privadas. Considerando somente essas instituições, apenas 20,6% obtiveram conceito A ou B, já nas instituições Federais e Estaduais essa porcentagem aumenta para 63,6% (Estaduais) e 67,3% (Federais). Esses resultados não são muito diferentes dos resultados obtidos nos exames anteriores. Poderíamos até pensar que a prova não foi formulada de acordo com os cursos, mas, de acordo com um questionário respondido pelos alunos, 63,1% dos alunos responderam que o curso deveria ter exigido um pouco ou muito mais e, quanto à prova, 43,6% dos alunos responderam que “estudou muitos desses conteúdos durante o curso, mas nem todos aprenderam bem”. Portanto, o grande aumento do número de cursos não está sendo acompanhado pelo aumento da qualidade.

Outro problema comprovado pelo Provão 2003 é quanto ao número de alunos por turma. Durante a maior parte do curso, considerando apenas as aulas teóricas, apenas 22,6% dos alunos freqüentaram turmas de até 30 alunos, 52,2% freqüentaram turmas de 31 e 50 alunos e 24,1% freqüentaram turmas de mais de 50 alunos. Vale ressaltar que esses dados são referentes a todo o Brasil e as turmas menores são mais freqüentes nas Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul,

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nas Instituições Estaduais e Federais. Portanto, posso concluir que, no Estado de São Paulo (onde estão localizados 30,4% do total do Brasil), nas instituições privadas, o número de alunos por turma é quase sempre bastante elevado.

Pesquisando nos congressos de Administração, encontrei um trabalho de Melo Jr. (2002) sobre o curso de Administração: ele escreve sobre alguns problemas do curso, citando os dados obtidos na página do Conselho Federal de Administração, com base no resultado do quinto Exame Nacional de cursos, o Provão. Segundo esses dados, as médias obtidas nessa prova estão em queda desde o ano de 1997. Ele também resume as críticas realizadas pelos alunos:

[...] recursos tecnológicos insuficientes, aulas com turmas numerosas (ensino massificado), pouca exigência acadêmica do curso, uso de material informal (apostilas, etc...), pouca atividade de pesquisa nas disciplinas, carência de aulas práticas, pouca utilização de material teórico formal (livros), falta de novas disciplinas, alta granularidade de disciplinas. (MELO JR., 2002)

Segundo Melo Jr. (2002) há quatro causas dos problemas do ensino de Administração:

1. Falta de objetividade do ensino de Administração; 2. Falta de estratificação do ensino de Administração;

3. Falta de instrumentos de seleção de alunos para graduação; 4. Falta de instrumentos de avaliação dos graduados.

O autor conclui que é necessária uma mudança no currículo de Administração e, portanto, faz uma proposta para se instituir um ciclo básico e outro de habilitações específicas. Portanto, ele acredita que, com essa modificação, o curso vai se tornar menos amplo e consequentemente mais direcionado a campos de trabalho mais específicos.

Apesar de eu considerar interessante essa proposta, parece que o Conselho Nacional de Educação não concorda com a formulação de habilitações específicas, pois no parecer n.23 de 2005 o CNE deixa claro que “as linhas de formação específicas nas diversas áreas da administração não constituem uma extensão ao nome do curso, como também não se caracterizam como uma habilitação, devendo as mesmas constar apenas no projeto pedagógico”.

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