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E FFEKTEN AV WINBACK - FORBUDET

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7. PRESENTASJON AV FUNN

7.3 E FFEKTEN AV WINBACK - FORBUDET

Para além do caso exemplar que demos conta, o “Jornal do Fundão” foi sempre mantendo uma grande abertura e atenção às causas sociais e aos problemas de saúde. Tal como em todos os outros casos, o papel do jornal fica aqui bem vincado pela sua capacidade de reverter os acontecimentos e mudar as práticas de actuação instituídas.

Existem dezenas de casos que ao longo da história do jornal foram preenchendo as suas páginas, mas que pelo seu elevado número acabámos por abordar aqueles que são mais significativos. O primeiro desses exemplos decorreu, não tanto pela intervenção directa de jornalistas ou membros do corpo redactorial do jornal, mas mais por um espaço que sempre mereceu destaque nas suas páginas, o do correio do leitor.

A 4 de Março de 1956, uma carta intitulada “Um estranho caso que deve ser esclarecido” dava conta da tragédia que se abateu sobre o autor da mesma missiva. Morador na zona do Ourodinho, freguesia das Cortes do Meio, na Covilhã, João Francisco da Silva Ventura contava que num dia dessa semana a sua filha tinha sido vítima de um acidente doméstico e acabou por queimar grande parte do corpo com óleo quente. O homem correu para a beira da estrada pedindo socorro até ao momento em que passa um táxi com dois sacerdotes no seu interior. Estes abrem o vidro do carro para se inteirar do pedido do homem e acabam por dar indicações ao motorista para seguir viagem em direcção ao destino inicial uma vez que os ferimentos não pareciam nada de importante e a pressa dos sacerdotes era muita.

A criança acabaria por falecer, horas mais tarde no hospital, mas o caso parecia querer também “morrer” por ali. O “Jornal do Fundão” acabou por ser a única publicação a tornar pública a carta que recebeu nas semanas seguintes fortes contestações por parte dos sacerdotes e outras autoridades religiosas. Ao ponto do jornal católico “Notícias da Covilhã” também tomar partido no caso servindo de “defesa” dos sacerdotes.

Fernando Paulouro lembra que o “Jornal do Fundão” acabou por publicar uma nota de redacção aludindo à gravidade da actuação dos sacerdotes e à falta de assistência e socorro médicos. Nada que servisse já para limpar a imagem criada com a ousadia do jornal: “quando se vivia numa sociedade profundamente católica, onde os padres eram juízes da consciência e o jornal teve a coragem de afrontar uma má acção

100 destes. Nas missas, por toda a Cova da Beira, os sacerdotes diziam aos paroquianos para não lerem ou comprarem o “Jornal do Fundão” que era uma publicação comunista.”160 António Lourenço Marques, médico e director da Unidade de Dor do Hospital do Fundão lembra, anos mais tarde, em artigo de opinião, a postura do jornal, a de uma: “vibrante denúncia de um cidadão sacerdote, que negou socorro a uma criança queimada, cujo pai pedia auxílio, à beira da estrada. Sim, contra a miséria e a desgraça fruto dos homens e os medos que depois os amordaçam. A actuação do jornal passou sempre por um respeito incondicional da dignidade humana e pela defesa da liberdade.”161

Mas também existe o caso do Bócio Endémico. Uma grave doença que afectava sobretudo as populações do concelho de Oleiros e que podiam ser erradicada através da distribuição de sal iodado. Era precisamente a falta de iodo na água, que na altura não era canalizada, que levava a que muitas pessoas destas localidades fossem afectadas por esta maleita que atinge a tiróide. Um estudo bastante completo é realizado em 1966 por José Lopes Dias e Ferrando Dias de Carvalho, mas apenas três anos depois o “Jornal do Fundão” consegue trazer para as suas páginas as conclusões do mesmo. A Censura tinha sido, mais uma vez implacável, com este tipo de casos, num país onde “não se passava nada”.

A “primavera marcelista” vem abrir algumas portas e a 10 de Maio de 1969, o jornal dá conta dos “Problemas do Bócio – mancha que diminui e envergonha a Beira Baixa.”162 Numa reportagem o jornal adianta que: “milhares de pessoas – crianças,

adultos e velhos – talvez umas vinte mil, continuem a sofrer. Daí a importância enorme do II Colóquio de Estudos Endocrinológicos realizado em Castelo Branco. O que disseram os mais eminentes especialistas portugueses, o que deveria ter sido feito, tem agora de fazer-se sem um minuto de demora, põe à consciência de todos nós e à urgente consideração do Ministério da Saúde um problema graves, um dos maiores da nossa província e, no quadro das doenças endémicas, o maior do país.”163 Depois desta reportagem seguiram-se novas notícias, até que, sensivelmente um mês depois, o regime acabaria por colocar à disposição daquelas populações, sal iodado para ser misturado na água, de forma a tentar erradicar esta doença.

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Entrevista concedida no âmbito deste trabalho

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In: Jornal do Fundão; edição n.º: 2579, de 26 de Janeiro de 1996, página 3.

162

In: Jornal do Fundão; edição n.º: 1165, de 10 de Maio de 1969, página 1.

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101 Figura 8 – Reportagem sobre o Bócio Endémico

102 Por último, lembrar também a actuação do jornal na criação da Unidade de Dor do Hospital do Fundão. Fernando Paulouro, então chefe de redacção, tem conhecimento da situação gravíssima de um homem que acabou por ser deixado à sua sorte pelos hospitais e serviços de assistência social. Um doente que residia num povoado chamado “Casal da Serra” e que padecia de um cancro que “roía” a face. As páginas 18 e 19 da edição número 2388, de 29 de Maio de 1992, são também histórica. Paulouro descreve a agonia e o sofrimento daquele homem e da sua família, mas também a incapacidade dos serviços de saúde em darem uma resposta para estes tipo de casos. O eco do jornal ganha tal dimensão que, o próprio Presidente da República dá instruções ao Ministério da Saúde para agir. Tarde demais, quando o Hospital de Castelo Branco estava a “estudar o caso” o doente é internado, através de António Lourenço Marques, no Hospital do Fundão, onde viria a falecer. A denúncia das actuações ministeriais e a falta de recursos levam depois a uma “emenda” que passou pela criação da Unidade de Dor do Hospital do Fundão.

103 Figura 11 – Repercussões da notícia

Figura 12 – Mobilização cívica perante a notícia do “Jornal do Fundão”

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