O uso de recursos tecnológicos na educação por meio do ensino virtual requer dos professores que estes revejam seus papéis enquanto educadores e construtores do conhecimento, como forma de melhorar a aprendizagem e o envolvimento dos alunos (CHISM, 2006). O papel que o docente desempenha nesse processo é crucial, pois este pode atuar como facilitador e integrador entre o aluno e a tecnologia na aprendizagem como nova abordagem de ensino ou simplesmente levar os alunos a uma sensação de que seu uso não proporciona um ganho a mais em seu aprendizado.
As falas que seguem deixam claro o entendimento de que papel docente seria direcionar o uso de tecnologias no aprendizado no contexto de ensino, especificamente, o uso do moodle como ferramenta complementar de aprendizagem durante a formação:
O moodle era bem explorado por alguns professores e muito pouco explorado por outros, então, assim, é uma ferramenta que auxilia significativamente, considerando que a turma toda era de pessoas bem ocupadas (E1).
Alguns professores sequer sabiam utilizar a plataforma e pouquíssimos utilizavam recursos como chats, como vídeos, como discussões on-line e ficava muito do tipo para dizer que existia (E9).
Se percebia que enquanto uns sabiam muito sobre o assunto, outros tinham extrema dificuldade em manusear essa tecnologia (E10).
Alguns simplesmente não utilizavam da ferramenta e ficava restrito a encontros quinzenais ou semanais, enquanto que outros utilizavam muito a ferramenta, que auxiliou e complementou a exposição de informações referentes às aulas que eram dadas de forma presencial (E1).
O uso do moodle não contribui tanto, talvez porque os professores não estivessem preparados para lidar com isso ou talvez eles não tenham explorado tanto isso, e a gente também, por outro lado, não estava tão acostumado com aquele ambiente virtual (E7).
Alguns professores em suas atividades utilizaram links, fóruns, vídeos, atividades objetivas etc., explorando as possibilidades e limitações do ambiente virtual e outros por falta de habilidade com a tecnologia nos fizeram perder tempo e perder o efeito que ela poderia proporcionar (E10).
A aplicação de recursos tecnológicos como abordagem pedagógica de aprendizagem pelo corpo docente demanda um conhecimento prévio da tecnologia a ser
utilizada em sala tanto por parte dos professores quanto pelos alunos, permitindo um suporte para que estes possam utilizá-la com todo o potencial no processo de aprendizagem. Um corpo docente não capacitado acerca de novas metodologias de ensino ou relutante em aprender e a realizar ajustes em suas abordagens normais de ensino representa um entrave significativo a mudanças (CHISM, 2006).
A falta de suporte no uso da tecnologia em sala é visível no discurso do entrevistado que segue:
Em algumas disciplinas, a gente não contava muito com esse suporte na ferramenta, e eu não sei como era isso por parte dos professores, se cada um optava “eu faço ou não faço” ou existia um padrão que não tava sendo respeitado (E1).
O uso de ambientes virtualmente interativos pelos professores para o desenvolvimento do conhecimento pelo aluno torna-se significativo para a aprendizagem, em um curso composto por profissionais que dispõem de pouco tempo fora do contexto de ensino. A criação de ambientes interativos por meio do uso de tecnologias permite que o conhecimento seja criado ativamente pelos sujeitos, muitas dos quais possuem ferramentas e recursos que as suportem e as complementam (GRAETZ, 2006). A fala do entrevistado E7 remete a uma necessidade de uso da tecnologia pelo professor de modo interativo e dinâmico em seu ambiente educacional:
O uso do moodle poderia ter sido mais interativo, mais dinâmico. Faltou uma contrapartida do professor. Tinha postagem de texto, mas não tinha interação lá mesmo (E7).
A inserção da tecnologia na aprendizagem dos alunos permite que estes possam ter acesso a informações em tempo real a respeito de conteúdos diversos em horários pré- determinados pelos próprios usuários do sistema, respeitando os horários de envio de atividades, e promove uma flexibilidade no desempenho das atividades de ensino- aprendizagem, contribuindo tanto para a obtenção de conhecimento ao viabilizar interações, discussões, trocas de conhecimento, entre outros, quanto para o processo de formação profissional.
Os relatos dos entrevistados a seguir reiteram os ganhos com o uso da tecnologia na aprendizagem por meio do acesso a informações em horários convenientes para seus usuários, da possibilidade da livre expressão das suas opiniões, além da criação de múltiplos conhecimentos de forma interativa e virtual.
Quando você usa a ferramenta de tecnologia, você consegue ter acesso às informações e participar em horários mais convenientes (E1).
Quando você utiliza um chat, quando você manda sua discussão on-line para todo o grupo, isso é muito legal (E3).
Contribui até porque quando tinha os chats dava pra gente se posicionar, colocar a opinião ali, se posicionar enquanto aluna e o fato de eu poder me posicionar num ambiente virtual me ajudava muito, porque eu tinha essa flexibilização (E6).
O uso da tecnologia na formação de um mestre, ela possibilita múltiplos conhecimentos, claro que utilizada de forma adequada e não de forma resumida [...], mas como elemento agregador, como elemento expansor e não redutor de conteúdo. É essencial! E hoje em dia eu não vejo como separar os processos de aprendizagem que formem sujeitos competitivo sem acesso à tecnologia (E9)
A tecnologia tem reconfigurado a educação devido às mudanças empreendidas dentro do contexto escolar por meio do uso de ferramentas tecnológicas como recurso pedagógico, em que a aprendizagem antes realizada em um ambiente físico real foi transportada para além dos portões da universidade, graças aos avanços na comunicação e nas tecnologias de informação, que, por sua vez, modificaram significativamente o cenário e as relações professor-aluno tradicionalmente constituídas (KUUSKORPI; FINLAND; GONZÁLEZ, 2011).
O tópico a seguir apresenta algumas reflexões acerca das experiências proporcionadas pela dimensão tecnológica do ambiente, descrita por meio dos relatos dos egressos do MPGOA.