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Paulo Freire (1921-1997), pernambucano, nascido no Recife em 1921, participou de inúmeros movimentos culturais, sobretudo, na elaboração de projetos experimentais para os trabalhadores adultos analfabetos (SCALCON, 2002).

Dentre as experiências de Paulo Freire com a Educação Popular, destaca-se a realizada no início de 1963, em Angicos, uma pequena cidade no estado do Rio Grande do Norte, em que 300 adultos foram alfabetizados em 40 horas (GERMANO, 1997).

Embora, anos antes do golpe militar (1964) tenham sido muito ricos em movimentos e campanhas de alfabetização popular, coube a Paulo Freire o papel de destaque, sendo reconhecido internacionalmente. Além disso, foi oficializado pelo governo brasileiro, pouco antes do golpe militar, o Plano Nacional de Alfabetização, o método de Freire, apropriando-se de um processo de fortalecimento e reconhecimento público (GERMANO, 1997).

No período de Ditadura Militar no Brasil, iniciado em 1964, cuja principal preocupação era conter, combater os movimentos sociais, Paulo Freire que apresentava ideias pedagógicas com intuito de promover mudanças sociais, foi preso, processado, considerado subversivo, foi exilado. Assim, iniciam-se as práticas educativas de Paulo Freire pelo mundo, tendo percorrido mais de 50 países, lecionado nos mais importantes centros universitários

internacionais e aplicado o seu método de alfabetização em nações da Ásia, da África e da América Latina (GERMANO, 1997).

Ainda no período de exílio, Paulo Freire escreveu a sua primeira obra “A educação como prática de liberdade”, publicada em 1967, em que desenvolveu um pensamento pedagógico político, a pedagogia libertadora (SCALCON, 2002).

Na pedagogia libertadora a “escola é substituída por uma unidade de ensino denominada ‘Círculo de Cultura’, a qual, como um grupo de trabalho e de debate congrega homens do povo, trabalhadores e um coordenador” (SCALCON, 2002, p.85). Freire (1976, p.103) define o “Círculo de Cultura” enquanto espaço educacional:

[...] em lugar de escola, que nos parece um conceito, entre nós, demasiado carregado de passividade, em face de nossa própria formação (mesmo quando se lhe dá o atributo de ativa), contradizendo a dinâmica fase de transição, lançamos o Círculo da Cultura. Em lugar de professor, com tradições fortemente “doadoras”, o Coordenador de Debates. Em lugar da aula discursa, o diálogo. Em lugar de aluno, com tradições passivas, o participante de grupo. Em lugar dos “pontos” e de programas alienados, programação compacta, “reduzida” e “codificada” em unidades de aprendizado.

Freire (1976) explica o “Projeto de Educação de Adultos” que desenvolveu em Recife a partir do “Círculo de Cultura”. Inicialmente, ocorriam grupos de debates com problemas que os adultos analfabetos gostariam de discutir, por exemplo, “analfabetismo”, “democracia”, “evolução política do Brasil”, dentre outros temas. No vigésimo dia de debates, aplicavam os testes de medição de aprendizagem e os resultados eram positivos. Portanto, esse método parte dos conhecimentos da realidade dos adultos analfabetos, de suas experiências, vivências e por meio de uma relação dialógica faz com que esses sujeitos elaborem novos conhecimentos.

Com altos índices de analfabetismo no Brasil, Paulo Freire assumiu o compromisso pedagógico com a educação popular, seu alvo inicial, foram os adultos analfabetos (FREIRE, 1987). Destaca Saviani (2009) que Paulo Freire se inspirou em uma concepção humanista moderna de filosofia da educação por meio do existencialismo cristão e defendeu uma pedagogia ativa, centrada no aluno, no diálogo e na troca do conhecimento.

Na obra pedagogia do oprimido, publicada em 1974, no Brasil, Freire justifica o título, afirmando que é necessário transformar o oprimido em um sujeito da realidade histórica, humanizando-o, lutando pela liberdade, pela desalienação, pelo trabalho livre, enfrentando uma classe dominadora (1987).

Paulo Freire fez críticas à educação bancária, sendo um instrumento de dominação em que se considera o educador como sujeito, e o aluno enquanto receptor de conteúdos, memorizando mecanicamente, sem um diálogo entre professor - aluno.

Em síntese, pode-se afirmar que o método Paulo Freire (1987) compreendia três etapas:

1. Investigação temática: trata-se do pensar do povo, referindo-se a realidade. “(...) Ocorre no domínio do humano e não no das coisas, não pode reduzir-se a um ato mecânico. Sendo processo de busca, de conhecimento, por isso tudo, de criação, exige-se de seus sujeitos que vão descobrindo, no encadeamento dos temas significativos, a interpretação dos problemas”. (FREIRE, 1987, p.57)

2. Temas geradores: nesta etapa, faz-se a codificação e decodificação desses temas de maneira conscientizadora em que insere, ou começa inserir os homens a pensar sobre seu mundo de maneira crítica.

3. Problematização: Superação da primeira visão ingênua de mundo, por meio de uma visão crítica, assim, “aprofundando a tomada de consciência da situação, os homens se “apropriam” dela como realidade histórica, por isto mesmo, capaz de ser transformada por eles”. (FREIRE, 1987, p.43)

Nota-se que Paulo Freire defende uma prática pedagógica crítica, com uma alfabetização direta, ligada a democratização da cultura.

O aprendizado da escrita e da leitura como uma chave com que o analfabeto iniciaria a sua introdução no mundo da comunicação e da escrita. O homem, afinal, no mundo e com o mundo. O seu papel de sujeito e não de mero e permanente objeto. (FREIRE, 1976, p.109)

Deste modo, a pedagogia libertadora, proposta por Paulo Freire, é uma forma de intervenção no mundo em busca de melhores condições de vida para as camadas populares (FREIRE, 1996).

O autor em questão mostra-se preocupado com a natureza humana, e afirma:

Há um século e meio Marx e Engels gritavam em favor da união das classes trabalhadoras do mundo contra sua espoliação. Agora, necessária e urgente se fazem a união e a rebelião das gentes contra a ameaça que nos atinge, a da negação de nós mesmos como seres humanos submetidos à “fereza” da ética do mercado. (FREIRE, 1996, p.129)

Em síntese, Paulo Freire buscou a superação da opressão e desigualdades sociais lutando por uma sociedade democrática, justa e por uma educação libertadora, que reflete sobre a realidade existencial.