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O Livro de Ezequiel está ambientado no século VI a.C. O profeta viveu desde a primeira fase do cativeiro babilônico, quando Joaquin e parte de sua corte foram exilados para

172 HARRIS, R. Laird. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 197. 173 ALONSO SCHÖKEL, Luís. Profetas I, p.199.

a Babilônia (597 a.C. – 2Rs 24,8-17). O texto de Ezequiel já expressava a dor do afastamento da terra e a ira por ver os povos vizinhos, como Edom, apoiando a política imperialista da Babilônia. Todavia, o texto também manifestava a compreensão teológica de que a ação da Babilônia fora desejada por Javé para corrigir o seu povo, Judá.

O oráculo contra Edom revelou-se através de imagens de sentimentos rancorosos. Além disto, a justiça divina foi manifestada de forma vingativa através de ações violentas e destruidoras para a nação edomita, a saber:

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Assim disse o Senhor Javé:

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Por que fez Edom agir com grande vingança para a casa de Judá?

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Certamente serão punidos

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Se vingaram neles.

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Por isso, assim disse o Senhor Javé:

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Estendi minha mão sobre Edom

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Fiz cortar diante dela o ser humano e o gado

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E Dedã em espada cairão.

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Dei a minha vingança em Edom por mão de meu povo Israel

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Fizeram em Edom conforme minha ira e conforme meu ódio

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Conheceram minha vingança,

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Oráculo do Senhor Javé!

No Livro de Ezequiel, a Coleção de OCN foi colocada entre a primeira e segunda atividade do profeta. Ocupam o centro do livro talvez para afirmar que o profeta estava entre as nações para com elas contender, para anunciar o julgamento divino e posterior salvação para seu povo.174 O Livro de Ezequiel se estrutura assim: Relato da vocação (1,1-3,15);

Oráculos de condenação dirigidos ao próprio povo (4-24); Oráculos de condenação a países estrangeiros (25-32) e Oráculos de Salvação (33-48).175

174 ALONSO SCHÖKEL, Luís. Profetas II, p.799. 175 Idem, 698.

Esta Coleção não mencionou uma proclamação profética contra a Babilônia. Todavia, enfatizou as nações vizinhas de Judá por sua capacidade de resistir ou não ao poder deste império. As nações vizinhas de Judá, nesta Coleção, foram criticadas por uma ótica: foram acusadas por terem se portado como más vizinhas, alegrando-se e beneficiando-se da desgraça a que foi submetida a terra de Judá.176 Por isto, os pecados das nações, denunciados nesta

coleção, destacavam o rancor contra o povo eleito e/ou o orgulho diante de Javé. Por causa destes pecados Javé os puniria com grande catástrofe ou com a cessação do domínio regional.

As nações que mais resistiram a Babilônia receberam destaque maior na Coleção (Tiro, Sidon e Egito). Estas foram criticadas por sua postura de orgulho e soberba, não se portando como auxiliadoras das nações menores. As nações menores do entorno de Judá receberam menor atenção literária, mas as proclamações dirigiam mensagens de julgamento e destruição por causa do desprezo com que trataram Judá em seus dias de calamidade, frente a opressão e ofensiva babilônica.177

Nesta coleção também foram sete as nações que receberam a mensagem de Javé (Amon, Moab, Edom, Filistia, Tiro, Sidon e Egito). As quatro primeiras receberam denúncias e punições por terem se alegrado com a desgraça de Judá, a saber: Amon foi criticada por afirmar o contentamento com a destruição do templo de Jerusalém, de Israel e de Judá (25,3); Moab e Edom desfizeram da aliança de Javé com Judá, considerando-a uma nação como as outras (25,8), sendo que Edom recebeu o agravamento da crítica por ter agido com vingança no dia da calamidade de Judá (25,12) e a Filistia foi criticada por ter agido com vingança e desprezo diante da destruição de Judá (25,15). Esta primeira seção possui uma estrutura semelhante: há a comunicação da denúncia contra as nações e, logo em seguida, o anúncio do castigo que sobreviria às nações vizinhas. As três últimas nações receberam mensagens de denúncia e castigo da parte de Javé, mas sua estrutura não possui qualquer semelhança com as quatro primeiras. Há um prolongamento do conteúdo nestes oráculos por serem consideradas nações fortes e orgulhosas, por causa de suas capacidades econômicas (comércio), políticas e bélicas (forças de resistência).178

Os OCN apresentam um Deus revoltado com as posturas das nações vizinhas de seu povo. Diante da satisfação demonstrada por essas nações, Javé anunciou também sua vingança a esses povos. Javé permitiria que essas nações também fossem maculadas e destruídas, como permitira a Israel e Judá. A visão de um Deus universal, que está no controle

176 ALMADA, Samuel. La Profecia de Ezequiel: señales de esperanza para exilados – oráculos, visones y

estructuras, p.111.

177 ALONSO SCHÖKEL, Luís. Profetas II, p.800.

de todas as ações político-militares da história, foi colocada à serviço de um discurso teológico nacionalista, desejoso de vingança da parte de Deus, para essas nações. Isto, porque essas nações demonstraram satisfação e alegria na destruição de Judá. Não apenas isto, as nações participaram da destruição como parte de sua própria vingança contra Judá e Jerusalém.

O oráculo contra Edom (25,12-14) se estrutura da seguinte forma: Possui uma introdução com a fórmula do mensageiro (v.12a); Uma pergunta retórica como fórmula acusatória de Javé às atitudes de Edom contra Judá (v.12b); Seguindo-se a grave punição de Javé sobre Edom como manifestação da justiça e vingança (v. 12c-14b); por fim, a conclusão oracular (v.14c).

Estudo da Mensagem

A introdução (v.12a) e a conclusão (v.14c) do oráculo afirmam a origem da mensagem divina: Palavra de Javé ao seu profeta. A demanda apresentada contra Edom em Ezequiel estava profundamente relacionada ao tema da vingança. No Antigo Oriente, a vingança configurava-se como forma legítima de justiça, pois uma injustiça se compensava com um castigo e ficava, assim, suprimida179.

A queixa divina, apresentada na pergunta retórica (

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Por que fez Edom agir com grande vingança para a casa de Judá? - v.12b), evidenciou certa incompreensão para o desejo de vingança de Edom para com o povo de Judá. Apresentou um tom inconformado com as ações de Edom, um certo desconhecimento das razões possíveis para o desejo de vingança contra Judá.

Não se pode desconsiderar a opressão que Edom sofreu da parte de Judá, durante o período histórico da monarquia. Certamente, os longos anos de submissão político-econômica nutriram sentimentos de injustiça e profundos desejos de vingança contra Judá. Tais razões históricas parecem justificar as ações e o desejo de vingança da parte de Edom contra Judá, mas o texto asseverou o descontentamento divino diante de tais atitudes. Javé não aceitou as razões de Edom quando este empreendeu vingança como forma de reparar as injustiças do passado. Javé, Supremo Juiz, mesmo permitindo o castigo sobre Judá pelas mãos da Babilônia, não compreendeu como legítima as ações vingativas por parte de Edom. Ao contrário, reverteu a justiça outorgando a vingança contra Edom.

A mensagem do oráculo divino enfatizou as ações vingativas contra Edom. Esta vingança divina foi motivada pelos feitos vingativos contra Judá: Provavelmente, referindo-se ao apoio edomita à campanha babilônica contra Jerusalém, às ações de perseguição contra os fugitivos do cerco e da guerra e também por se aproveitarem da aliança com os babilônios para se apossarem de terras que pertenciam a Judá. Por todas essas ações, o veredicto divino que visava a justiça nas relações internacionais, apresentou vários castigos como forma de punição à crueldade dos edomitas contra Judá.

A vingança divina foi difundida, na teologia do Antigo Testamento, como forma comum da justiça eterna sobre as relações humanas. O dia do juízo divino esteve sempre atrelado ao empreendimento de guerra180, como forma de corrigir a trajetória de pessoas e de

povos. Neste propósito, Javé intervinha na história para resguardar seus valores e o direito estabelecido por estes. Portanto, a vingança divina estava profundamente atrelada à compreensão da história da salvação181. Através do julgamento e do castigo empreendido

(vingança – ), Javé assumia a causa dos seus e, por misericórdia e justiça, oportunizaria um novo tempo pleno dos valores eternos que deveriam reger a vida de seu povo.182

A mão [ ] foi a imagem utilizada, pelo profeta, para designar a imposição da vingança divina contra Edom. No v.13 seria a própria mão de Javé que imporia a desgraça e a destruição sobre o território de Edom, enfatizando importantes cidades como Teman e Dedan. Já no v.14 seria a mão do povo de Israel a agente da vingança divina contra Edom.

A utilização deste substantivo [yadh - ] apresenta a idéia de poder.183 Determina

ações divinas de força irresistível.184 A força empreendida pode designar controle, autoridade,

juízo e destruição.185 Por esta figura de linguagem [yadh - ], a mensagem profética

determina ações divinas de castigo, de opressão, de extrema violência186 empreendida sobre

Edom. A expressão “Estender ou por a mão sobre...” possui quatro conotações básicas, a saber: 1) o ato de matar; 2) gesto da cerimônia de bênção; 3) comissionamento para uma função ou tarefa específica; 4) indica a substituição cerimonial no oferecimento do sacrifício. A mão divina sobre alguém ou sobre um povo poderia designar positivamente bênção e

180 RAD, Gehard von. Teologia do Antigo Testamento, Vol 2, p,120.

181 HARRIS, R. Laird. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 999. 182 Idem, p.1000.

183 WOLFF, Hans Walter. Antropologia do Antigo Testamento, São Paulo: Loyola, 1975, p.101. JENNI, Ernst.

Diccionario Teologico Manual del Antiguo Testamento, Vol.1, p. 924-925. HARRIS, R. Laird. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 591.

184 JENNI, Ernst. Diccionario Teologico Manual del Antiguo Testamento, Vol.1, p. 929. 185 HARRIS, R. Laird. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p.591. 186 JENNI, Ernst. Diccionario Teologico Manual del Antiguo Testamento, Vol.1, p. 925-926.

atividade sagrada, como também, negativamente, poderia designar castigo através da violência e da morte.187

A mão de Javé que puniu (v.13)

O conteúdo da vingança [ ] pela mão divina [ - minha mão] descreveu uma ação poderosa para destruir e dizimar a população [ - ser humano], bens [

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- gado] e cidades [

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- Teman e - Dedan] de Edom. A ação foi descrita como vontade direta de Javé (ações na primeira pessoa do perfeito). Desta forma, o oráculo afirmou que o próprio Javé já havia estendido a mão para fazer destruídas a população, o gado e as cidades de Edom (v.13). Sua justiça viera como juízo destruidor. As idéias verbais consecutivas: estendi [

5

], fiz cortar [

,

] e dei desolação [

*

] confirmam uma violência tão contundente e uma opressão tão crescente que inviabilizaria a vida no território de Edom.

O povo de Edom foi considerado culpado, no oráculo divino, por causa de suas atitudes vingativas contra Judá [

*

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Por que fez Edom agir com grande vingança para a casa de Judá? – v.12]. Certamente, o profeta refletia a indignação judaíta por causa do apoio edomita à política imperialista dos babilônios, agindo com crueldade contra os fugitivos do cerco de Jerusalém, bem como, se beneficiando territorialmente por causa desta aliança. O poder da mão de Javé se dirigiu à Edom com o propósito de cumprir sua justiça histórica sobre as nações. Sua condição de Deus Soberano e de Deus particular de Israel/Judá exigiria ações punitivas que corrigiram as ofensas sofridas e os atos cruéis empreendidos pelos edomitas sobre os judaítas.

A teologia dos OCN destaca que Javé possuía compromissos com a justiça universal. Assim sendo, sua postura soberana, diante das injustiças internacionais, deveria corrigir as nações que impuseram cruel e impiedosamente a violência. Sua mão eterna e potente deveria esmigalhar os opressores, sobretudo, os opressores de Israel/Judá. O veredicto que definiu a justiça impondo a pena, por causa dos atos de vingança de Edom contra Judá, pode ser verificado como uma “vingança de sangue”: medida legal e amplamente difundida na vivência jurídica dos povos no Antigo Oriente188.

187 HARRIS, R. Laird. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p.591. 188 JENNI, Ernst. Diccionario Teologico Manual del Antiguo Testamento, Vol.2, p. 147.

A mão de Javé era o povo de Israel (v.14a)

A última parte deste oráculo apresenta que tal punição fora empreendida pelo próprio povo de Israel (v.14a). A primeira sentença do v.14 descreve que a vingança divina sobre Edom veio pela mão de seu povo Israel [ação através do verbo perfeito -

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Dei a minha vingança em Edom por mão de meu povo Israel]. A mão de Javé era, portanto, a mão de Israel. Desta forma, Israel empreenderia a vingança divina e concretizaria a justiça divina para si. Israel se vingaria de Edom empreendendo mais violência e mais guerra. Ao que parece este oráculo apresentava um ciclo interminável de guerras e vinganças. Quando a justiça, pela violência fosse concretizada, o outro povo também teria de reivindicar seu direito privado à justiça, requerendo vingança e sendo justificado pelo tribunal eterno para novos conflitos e guerras. Se essa lógica fosse estabelecida, como e quando teriam fim as guerras e as crueldades entre esses povos vizinhos?

A tradição dos OCN apresenta uma teologia universal de Javé. Este, como Supremo Rei do mundo, julgava os povos com eqüidade, sem parcialidades. A todas as nações eram impetrados veredictos contra suas políticas equivocadas e opressoras. Mas na coleção de OCN, no livro de Ezequiel, Javé foi visto, muito mais como um vingador nacional (Israel/Judá), do que como um Juiz universal. Suas prerrogativas eternas de justiça estavam voltadas, especialmente, para conservar o bem estar do povo da aliança e punir todos os povos que empreendessem quaisquer ações contra este povo (Israel/Judá). Além disto, os oráculos apresentam justificativas teológicas para essa postura de rivalidades da parte Israel.

A mão e a vingança de Javé são manifestações de sua ira e de seu ódio (v.14b)

A conclusão da parte final do oráculo (v.14b) apresenta um desenvolvimento teológico que justificaria as ações de Israel contra as nações inimigas. Nesta justificativa teológica, Israel era visto como a manifestação da ira [

>

] e do ódio [

(

] divinos. Israel apenas representaria a “mão de Javé”, em suas ações, impondo contra as nações e, especialmente, contra Edom sua vingança e seu juízo eterno.

Esta parte da mensagem foi composta com ações (na 3a pessoa do plural do perfeito: fizeram-

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e conheceram-

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) que denotavam o desejo de fazer manifestada a indignação divina, bem como, a de fazer conhecida a vingança de Javé sobre Edom. Portanto, o oráculo

atribuiu a Javé total responsabilidade pelas ações israelitas/judaítas contra Edom. Israel/Judá eram revelações concretas da ira e do ódio de Javé.

Parece que a teologia do exílio expressa em Ezequiel 25,12-14, como também, em Isaías 63,1-6 e em Malaquias 1,2-5 desenvolveu uma fundamentação literária atribuindo a Javé os sentimentos mais íntimos dos judaítas, por causa da cruel violência na guerra, por causa da falta de solidariedade entre povos irmãos e por causa da apropriação territorial pelos edomitas. A atribuição de sentimentos humanos a Javé (antropopatia) foi um recurso literário e teológico utilizado para justificar o ódio e o desejo de vingança da comunidade do exílio e do pós-exílio, contra Edom – paradigma de inimigo de Israel, frente às realidades difíceis e opressivas que enfrentaram como conseqüência da desobediência à dominação Babilônica.

A mensagem de Ezequiel descreve um Deus profundamente irado. A gravidade dos sentimentos se deve à repetição sinonímica que faz convergir o sentido de dois termos: ira [´af -

>

] e ódio [hamah -

(

]. A ira e o ódio divinos foram descritos por termos que indicam alteração de emoções189, a alteração do semblante190, ou ainda a alteração de

comportamento191. O termo ira [

>

] apresenta a idéia de emoções alteradas pela evidência

respiratória ofegante que pode gerar o avermelhamento das narinas comuns em pessoas profundamente afetadas pela ira.192 Já o termo ódio [

(

] pode descrever duas evidências

físicas que indicam alterações emocionais: a primeira é a de estar quente, excitado, fervente podendo revelar sua indignação e descontentamento através da salivação excessiva formando uma espécie de espuma nos lábios; a segunda descreve um estado tão intenso de agitação corporal capaz de revelar a inquietude e a inconformidade comum em pessoas iradas que revelam a cólera interior no ser humano.193

O discurso literário e teológico de Ezequiel apresenta, na pessoa do Deus Javé, os sentimentos de indignação e de descontentamento contra os edomitas. Este discurso priorizava a teologia da eleição e da aliança entre Javé e o povo israelita/judaíta. Esta teologia, ainda, particularizava o desejo especial pela recuperação da proeminência de Israel/Judá na região siro-palestinense nos períodos do exílio e do pós-exílio. Quando a teologia atribuía a Javé esses sentimentos (ira e ódio/cólera), justificava toda e qualquer ação contra os edomitas, pois estavam debaixo da Vontade Soberana do Deus Javé: seu Deus particular e Deus de todo o mundo.

189 HARRIS, R. Laird. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p.97. 190 JENNI, Ernst. Diccionario Teologico Manual del Antiguo Testamento, Vol.1, p. 807. 191 Idem, p. 808.

192 HARRIS, R. Laird. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p.97. 193 JENNI, Ernst. Diccionario Teologico Manual del Antiguo Testamento, Vol.1, p. 807 e 808.