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5. Main results Paper I

6.1 Discussion of materials

O Chile também foi inserido na economia global mediante a abertura comercial e a liberalização dos mercados. Essa propaganda do modelo neoliberal gerou, como em outros países da América Latina, uma série de efeitos desastrosos, principalmente, para a população que habitava, há várias gerações, esse território. A visão do BM de que, a partir

do crescimento econômico, as mazelas da sociedade - pobreza, conflitos, danos ambientais - poderiam ser resolvidas, falhou também no Chile.

Chile fue el primer país en América Latina que liberalizó sus mercados a la economía internacional, implementando medidas de privatización y desrregulación de actividades productivas del sector público mucho antes de que la oleada de prestamos condicionados del Fondo Monetario Internacional y el Banco Mundial indujeran a las economías latinoamericanas a adoptar la doctrina neoliberal en la década de 1980. Se lideró una modalidad de crecimiento económico por el gobierno militar basado en las exportaciones primarias e intensivas de recursos naturales, en un marco de desrregulación de los mercados y rápida incorporación a la economía global. (ROMERO, 2005, p. 197)

Dessa maneira, o Chile teve como principal atividade a exportação de gêneros primários, o que possuía um baixo valor agregado e não gerava o crescimento econômico desejado. “Pero aún hoy, casi 9 de cada 10 dólares exportados corresponden a extracción y/o leve procesaminento de recursos naturales, lo que se verifica en cuatro sectores productivos primarios: minero, forestal, agrícola y pesquero” (ROMERO, 2005 p. 198).

Esse panorama fez com que o Chile se tornasse palco de investimentos de grandes grupos da indústria florestal. É preciso considerar que parte considerável da receita desse ramo produtivo tem baseado seu crescimento econômico, sendo a segunda atividade mais importante do Chile, perdendo apenas para a indústria da mineração.

Nas florestas chilenas, é onde habitam diversos grupos campesinos, indígenas, pequenos proprietários, entre outros.

Los bosques de Chile cubren una superfície de 15.637.233 hectáreas, lo que representa el 20,7% de la superficie del territorio nacional, que es de 75.662.561 hectáreas. De dicha cifra, 13.430.603 hectáreas (85,9%) corresponden a bosque nativo, esto es un 18,4% del territorio chileno, aproximadamente, mientras que un 3,1%, es decir 2,7 millones de hectáreas, corresponden a plantaciones forestales. (YÁÑEZ; SÁNCHEZ, 2008, p. 7).

É justamente sobre a expansão das plantações florestais, que, hoje, se concentra o maior divergência envolvendo a posse da terra e a apropriação da água, em que residem os principais conflitos agrários do país. A centralidade da questão está entre as empresas de silvicultura com as comunidades Mapuche, que disputam esse território tendo como pauta o controle da propriedade da terra, a apropriação sobre os recursos naturais existentes e a luta pela sustentabilidade dos grupos indígenas.

Para compreendermos e situarmos o conflito no momento histórico, é necessário apresentar o contexto em que surgem as principais contradições desse processo. Como apresentado em outros países da América Latina, o BM tem atuado no sentido de, por

meio das condicionalidades impostas pelos “ajustes estruturais”, alterar na Constituição o direito de posse da propriedade, seja a terra e/ou a água. No Chile, a prática se repete, no entanto, tendo como foco a mudança das leis que protegem as florestas naturais. De acordo com Yáñez e Sánchez (2008),

La primera Ley Forestal promulgada en Chile es el DS Nº 4.363 de 1931, conocida como Ley de Bosques. Dicha ley define los terrenos de aptitud preferentemente forestal, y establece normas para la protección de especies forestales y para evitar la degradación de los suelos, particularmente de aptitud forestal, prohibiendo la corta o destrucción de determinados árboles y arbustos que cumplen funciones de preservación del ecosistema. (YÁÑEZ; SÁNCHEZ, 2008, p. 11)

Até aquele momento é essa mesma lei que regula a exploração da madeira em terras públicas, bem como a proibição do desmatamento a uma distância dos cursos de água e o uso do fogo, sendo este o primeiro regulamento do setor florestal, posteriormente, regulamentado pelo Decreto 701.

En efecto, el DL 701 fue modificado por la Ley Nº 19.561 en 1998 y, posteriormente, por la Ley 20.326 de 29 de enero del 2009, las que extendieron el sistema de bonificación que instaura la legislación forestal a los pequeños y medianos propietarios y a fines específicos de recuperación de suelos degradados, en circunstancias de que previo a estas modificación los incentivos estaban reservados exclusivamente para la industria forestal. (YÁÑEZ; SÁNCHEZ, 2008, p. 11).

Dessa maneira, a alteração da lei dos bosques fez com que o BM fizesse mudanças com o aval e apoio do Estado chileno, que incentivou a expansão da plantação de espécies exóticas, especialmente pinus e eucalipto. Outro ponto importante é a bonificação que o Estado oferece em plantio para recuperação de terras degradadas

La participación ciudadana en las políticas ambientales, clave a la hora de resolver los conflictos, ha sido promovida por el Banco Mundial y se las entiende como “un proceso a través del cual los stakeholders influyen y comparten el control sobre las iniciativas del desarrollo y las decisiones y recursos que los afectan” (Crespo, 1999). Así también este tipo de política está incorporada a las políticas estatales de seguridad, como parte de esta capacidad de poder protector y de guía que asume el gobierno para proteger a la población. Dichas políticas tienen su raíz en las propuestas estadounidenses diseñadas por la Agencia de Protección Ambiental (EPA) como los lineamientos del Banco Mundial más arriba mencionados. Pero esto no se condice con la realidad de países como los nuestros, anclados en la idea que el crecimiento económico basado en la disciplina del mercado sería la garantía para alcanzar la sustentabilidad del desarrollo. (ROMERO, 2005, p. 199).

Podemos destacar, nesse ponto, uma contradição no processo em curso, pois a garantia da sustentabilidade ambiental, assegurada pela expansão econômica dos grandes silvicultores, na prática, não se efetiva. É impossível imaginar essa harmoniosa relação

como vem sendo imposto pelo BM. O progresso econômico, historicamente, realiza-se sobre a exploração desmedida dos recursos naturais, deixando no território apenas os resultados negativos desse modelo predatório de desenvolvimento.

Posteriormente, novas modificações foram inseridas, e, como resultado dos incentivos aos silvicultores, temos uma pressão gerada pelo avanço da plantação exótica (pinus e eucalipto) sobre a floresta natural, bem como nas populações que ali habitam. A seguir, Yáñez e Sánchez (2008) descrevem o avanço da área plantada.

Región del Biobío: Para el período 1998- 2008 indica que la superficie de plantaciones forestales aumentó en 269.090 hectáreas (28,1%), mientras que la superficie de bosque nativo en el mismo período disminuyó en 7.883 hectáreas (-1%). Región de La Araucanía: La disminución en la superficie de bosque nativo es de 46.968 hectáreas, de las cuales un 63% han sido sustituidas por plantaciones forestales de especies exóticas. Región de Los Ríos: La disminución de la superficie de bosque nativo es de 22.991 hectáreas, y la sustitución de bosque nativo por plantaciones representa un 90%. Región de Los Lagos norte: La disminución de la superficie de bosque nativo corresponde a 8.368 hectáreas, un 57% debido a habilitación de terrenos agropecuarios y el resto a sustitución por plantaciones. (YÁÑEZ; SÁNCHEZ, 2008, p. 11 - 12).

Isso quer dizer que a indústria da silvicultura cresce sob os incentivos oferecidos pelo estado chileno. As grandes multinacionais da indústria de papel e celulose atuam livremente, sem regulamentos ambientais que permitam minimizar os impactos desse ramo produtivo. É justamente no processo de incorporação de novas áreas ao processo produtivo que residem os principais conflitos.

A maior parte do avanço das plantações ocorre sobre o território dos ancestrais Mapuche, e eles reagem em defesa de seu território, que, para eles, representa o significado da existência de seu povo.

El conflicto global que deriva de esta situación en relación a la propiedad de la tierra, es precisamente que la expansión forestal hace inviable la demanda indígena destinada a aumentar la cabida territorial de sus predios, los que tras la radicación por medio del otorgamiento de títulos de merced (1984–1989) y posterior división de sus tierras en parcelas individuales (1930–1989), constituyen minifúndios que ni siquiera permiten el desarrollo de una economía de subsistencia. (YÁÑEZ; SÁNCHEZ, 2008, p. 14).

Nesse sentido, os grupos Mapuche têm realizado ações para reivindicar o território de seu grupo étnico, e, dentre elas, destaca-se a ocupação de propriedades das empresas. Nesse processo, o estado chileno e os grupos empresariais ligados ao ramo da silvicultura têm utilizado de certos instrumentos legais para criminalizar as ações realizadas pelos Mapuche, acusando-os por práticas tais como incêndios nas áreas de floresta plantada, ameaças e roubos de gado. “Además, se han utilizado leyes de excepción, como es el caso

de la ley antiterrorista o la ley de seguridad interior del Estado, lo que habilita a la judicatura para agravar las penas asignadas a los delitos comunes y suprimir garantías procesales”. (YÁÑEZ; SÁNCHEZ, 2008, p. 15).

O aumento do conflito vivido pelos povos indígenas acontece por duas vias: pelo avanço das empresas florestais sobre suas terras e pela criminalização de suas ações em defesa de seus territórios. Dentre os principais conflitos entre as empresas e os índios Mapuche, destacamos

Uno de los casos más emblemáticos de criminalización de la protesta social indígena es el de los predios Poluco y Pidenco em disputa con Forestal Mininco, donde fue aplicada la ley antiterrorista en contra de cinco dirigentes mapuche y se les sentenció a cumplir una condena de 10 años y un día [...]. Otro caso emblemático, del que también es parte la misma empresa forestal, es el seguido contra los lonkos Aniceto Norin y Pascual Pichun, ambos autoridades tradicionales mapuche, [...] por un incendio ocurrido en el predio forestal Nancahue y San Gregorio, que concluyó con la imputación de amenazas de incendio de tipo terrorista al no probarse su participación en los hechos. Esta figura, sin embargo, permitió aplicarles la pena de privación de libertad de 5 años y un día. También es digno de mencionar el caso del joven- niño Juan Luis Llanca, procesado por incendio terrorista en el predio El Ulmo, también de Forestal Mininco, formalizado el día 15 de enero de 2003 cuando tenía 17 años y, por tanto, ni siquiera alcanzaba la mayoría de edad. Sin lugar a dudas el caso más dramático es el del también joven-niño Alex Lemun (17 años), baleado en el fundo Santa Alicia de Forestal Mininco, cuando junto a su comunidad (Montitui Mapu) efectuaban una ocupación simbólica de las tierras. El joven Lemun fue muerto con un impacto de bala disparado a muy corta distancia por el teniente de Carabineros Marcos Treuer, quien aún permanece en servicio activo en la institución). (YÁÑEZ; SÁNCHEZ, 2008, p. 19).

Como observado, não existe uma proteção dos direitos indígenas perante as empresas. A articulação elaborada pelo BM da alteração da lei Nº 4.363 é resultado da territorialização sorrateira do capital nesse país. Percebe-se que, ao alterar a lei, que é tida como o único instrumento de garantia do cumprimento das normas, o território fica à mercê dos ditames do capital.

Quem é envolvido e recebe o efeito dessas transformações é a população local, que responde e se manifesta em defesa de seus territórios. Nessa disputa, há vitórias, bem como algumas derrotas, o que, de fato, faz com que eles continuem lutando.

Assinalam-se casos em que a luta dos Mapuches reverteu situações de territorialização da empresa, sendo devolvida a área para os campesinos. “Uno caso emblemático de restitución de tierras en conflicto es Santa Rosa de Colpi y predios aledaños, que acaba de ser entregado por el Estado a las comunidades de Temulemu, El Pantano y Didaico”. (YÁÑEZ; SÁNCHEZ, 2008, p. 19).

Em suma, a realidade do Chile reflete o panorama apresentado pelos diversos países da América Latina. Os investimentos do BM direcionados para o território chileno são o grande desafio enfrentado pelas populações locais, pois o desenvolvimento do capitalismo transforma as variadas estruturas territoriais em mercadoria.