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Unidade de sentido: Amor, sexo e erotismo

Estamos em 1921, na França, e dois adolescentes, ambos com catorze anos, se conhecem e se apaixonam. Humbert mora no hotel que é de sua família, Annabel e sua família são hóspedes.

A troca de olhares e sorrisos nos mostram que existe algo entre eles. Estão na praia, ela deitada na areia deixa escorrer pelo rosto gotas do refresco, Humbert está ao seu lado e observa com atenção o trajeto de cada gota. Ele toca levemente o joelho dela, enquanto fecha os olhos para saborear o gesto.

Se entregam a essa paixão, na intimidade ela tira sua calcinha e entrega a ele. Ele tira um pedaço de fita passamaria desse pedaço de roupa escondido.

O cenário é um celeiro com a porta entreaberta, ele está agachado e a observa de longe. Ela fica de pé diante dele, bem devagar e com um discreto sorriso no rosto, levanta a anágua e mostra lentamente um pedaço de sua calcinha, tira-a e joga para ele, ergue os braços e desamarra o laço atrás do pescoço da anágua, indicando que irá se despir. Humbert segura a peça e retira um pedaço da fita que decora a roupa. A cena sugere uma continuação de toques e intimidades entre eles. Quatro meses depois ela morre de tifo.

A cena descreve os jovens com comportamento bem ousado. Nesta época a virgindade era um forte valor moral e dificilmente os pais costumavam dar liberdade para os filhos.

O erotismo da cena é retratado pela música que acompanha os movimentos, a luz que ilumina a pele dos personagens, e ainda que sem palavras a imagem “fala por si”.

Essa perda marcou sua vida, ele admite que algo se congelou dentro dele, a história sugere que passou a procurar Annabel nas outras mulheres que passaram por sua vida.

Nesta segmentação amor, sexo e erotismo estão entrelaçados, um não existe separado do outro.

Qualquer coisa que acontece na vida de um homem nessa idade pode marcá-lo para sempre. (Humbert).

Ela queria ser enfermeira e eu queria ser espião. (Humbert).

O impacto de sua morte congelou algo em mim. A menina que eu amei havia ido. Mas eu continuei buscando-a por muito tempo depois de ter deixado a infância. O veneno está na ferida, pode vê-la ? E a ferida não cicatrizara. (Humbert)

“O primeiro amor e a primeira vez a gente nunca esquece” – diz o dito popular, e parece confirmar os sentimentos do personagem, mas, neste contexto, talvez Humbert faça referência à infeliz perda de Annabel como se esta fosse a ferida de sua vida. Ele tem consciência de certa dificuldade na relação com outras mulheres.

Ele queria ser espião e a escolha da carreira, parece estar relacionada ao olhar de quem admira a sua amada.

Outro detalhe sutil, neste segmento, é a porta entreaberta do celeiro e nenhuma preocupação em fechá-la, pelo menos até onde as imagens mostram.

Unidade de Sentido: Certas fissuras

Estamos em 1947 e o local é a Nova Inglaterra, Humbert está num trem fazendo uma refeição, sendo servido por um garçom negro, e seu destino é a cidade de Ramsdale.

Ele era um professor de literatura francesa e tira férias antes de voltar a lecionar numa universidade, porque queria terminar de escrever seu livro.

Estava escrevendo um livro sobre literatura francesa para estudantes americanos, foi morar em Ramsdale na Nova Inglaterra.

Vai parar na casa dos Haze, e pretende ver um quarto para alugar. Ao chegar é recebido pela empregada, negra e gorda, que transmite as ordens da patroa gritando.

Charlotte, mãe de Lolita, é uma mulher de meia idade, e ao conhecer Humbert se aproxima para bem perto dele, fita-o nos olhos, descendo e subindo seu olhar na direção dele, com o que ele parece se incomodar.

Ela usa batom e esmalte vermelho, está fumando e solta a fumaça pelo canto da boca, mantendo contato visual com ele. Comenta sobre a profissão de Humbert e diz que adora a língua francesa.

Enquanto mostra a casa, faz questão de dizer que é viúva. Ele conhece a casa, mas não se interessa, parece inventar uma desculpa para ir embora.

Charlotte tenta convencê-lo a ficar, ele arruma uma desculpa para procurar ir embora, porém ela o convence a conhecer o seu maior orgulho: o jardim (Piazza).

Eu deveria ser padre. Mas aceitei aceitando uma cadeira na Universidade de Beardsley, na América. (Humbert)

Eu adoro a língua francesa. (Charlotte)

Nāo diga nada até que veja a Piazza [...]. Trabalho muito para mantê-lo novo e com aspecto saudável. É o trabalho da minha vida.

(Charlotte)

Nesta segmentação sobre sua profissão, Humbert deixa dúvidas do por que ele deveria ser padre? Podemos pensar: porque é um pecador e sendo padre abriria mão da sua sexualidade? Ou, porque encontraria conforto na fé pela dor da perda de Annabel?

Uma cena revela sutilmente um preconceito racial: o atendente no trem e a empregada de Charlotte, ambos negros; e com a função de servir ao homem branco.

Charlotte parece se interessar por Humbert e suas atitudes dão a impressão de estar tentando fazer com que ele se interesse por ela: avisa que é viúva e portanto está disponível para um envolvimento, usa batom e esmalte vermelho, fuma destacando o movimento dos lábios e jogando a fumaça para o lado sem desviar o olhar dele. Quando diz que adora a língua francesa, o contexto da cena nos leva a pensar: que língua ? A língua do idioma ou a de um francês em seu corpo?

É curioso que uma mulher daquela época tenha a sua satisfação pessoal no cuidado com o jardim e não na maternidade, assim como seja tão extrovertida diante de um homem estranho.

O contexto deixa também uma reflexão crítica, a nosso ver, sobre a sociedade americana, certas fissuras na quebra de padrões sociais.

Unidade de Sentido: Intimidade erótica

O cenário é um jardim, a mangueira está ligada e um aparelho se encarrega de levar a água em todas as direções, inclusive para o belo corpo de Lolita, que é bem demarcado pela roupa molhada que salienta suas curvas. Deitada de bruços e pernas cruzadas para o alto, brinca girando o pé e folheando concentradamente uma revista com fotos de astros e estrelas do cinema. A luz do dia ilumina sua silhueta e quando percebe Humbert sorri para ele.

Ela usa aparelho nos dentes e tem trancinhas no cabelo, depois de vê-la, sorri para ela, e decide alugar o quarto.

Lolita descalça está no quintal estendendo roupas no varal. Ela está atrás dos lençóis brancos e a luz novamente emoldura seu corpo. Humbert está sentado na escada, finge ler o jornal, mas sua atenção é para ela.

Ela segura na mão o cesto e salta por cima das pernas dele, dando a impressão de propositalmente ter encostado seu pé na perna dele. Ele sorri fingindo não perceber.

Humbert está em seu quarto, sentado à sua escrivaninha, abre seu diário que tem como marcador de páginas a fita da calcinha de Annabel. Da janela de seu quarto vê Lolita no quintal conversando com uma amiga. E escreve no seu diário brincando com a fita em sua mão.

Outra cena segmentada é a que ele observa Lolita discretamente: ela sentada no chão da cozinha sem as calças do pijama, com a porta da geladeira aberta comendo sorvete, enquanto folheia a revista das celebridades da época.

Quando usa o banheiro Lolita deixa sempre a porta entreaberta mostrando tudo o que acontece na privacidade desse momento, sem nada mostrar.

O dia a dia na casa é cheio de brigas entre mãe e filha. Dolores é uma filha que confronta a autoridade da mãe como toda adolescente.

No quarto de Lolita vemos nas paredes todos os astros de cinema que ela admira.

Em outra cena, ela entra no quarto Humbert mascando chiclete, senta-se diante dele com as pernas abertas, tira o chiclete da boca e gruda na perna. Quando decide, retorna o chiclete na boca. Aproxima-se dele que a observa sentado do outro lado da mesa. Lolita finge prestar atenção em algo que está sobre a mesa, distraidamente senta no colo de Humbert, tira seu chiclete da boca e gruda-o nos papéis encima da mesa. Em seu colo é provocante e meiga ao mesmo tempo. Pergunta se ele quer vê-la mexendo o queixo, ele responde afirmativamente, ela e tão mostra do que é capaz, ambos se olham sorrindo.

A mãe chega em casa e chama por Humbert, Lolita sai correndo esquecendo o chiclete.

Humbert rapidamente retira o chiclete do seu caderno e quando Charlotte pergunta se a filha o está distraindo ele responde que não.

Nesta cena Humbert, Lolita e Charlotte estão juntos no balanço. Lolita usa o mesmo batom de sua mãe, tem as unhas do pé pintadas com esmalte vermelho. Ao se balançarem as pernas de Lolita tocam e roçam a perna de Humbert, apesar de estarem ao lado da mãe e ser este um ato ousado, a menina disfarça segurando nos braços uma boneca.

Se um homem comum, recebe uma foto de um grupo de garotas colegiais, e se lhe pedirem para escolher a mais linda, necessariamente não escolherá a ninfeta entre elas. Tem que ser um artista... Um louco envergonhado, triste e desesperado, para reconhecer o pequeno e fatal demônio e entre elas. Ela está de pé ... Não reconhecida pelas colegas e alheia ao seu próprio e fantástico poder. (Humbert escreve no diário)

Eu queria que um desastre bem grande acontecesse. Um terremoto uma explosão fabulosa. A mãe eliminada na hora, junto com todas as pessoas do mundo e Lolita em meus braços. (Humbert)

Nessas sequências as imagens são carregadas de erotismo: a roupa molhada no corpo de Lolita, cenas dela com o pé descalço que para alguns pode significar sensualidade, a sombra dela atrás dos brancos lençóis, a fita que Humbert segura na mão enquanto escreve seu diário, que também é parte de uma calcinha que foi de sua amada, associado a história que ele viveu com Annabel, desperta a sensualidade pelo que significou para ele esse relacionamento. O encostar proposital do pé e das pernas de Lolita nas dele. Ele a espiando de longe como um

voyer: a cena dela sentada em frente a geladeira, ela em seu quarto sendo

observada por ele, ela com a porta entreaberta do banheiro. A maneira como Lolita senta diante dele, a iniciativa inesperada dela se sentar no colo dele. O batom e o esmalte vermelho que Lolita e sua mãe usam. E em nosso olhar: certa intimidade erótica entre Humbert e Lolita em atitudes implícitas, como o encostar o corpo, os segredos, a proximidade.

Quando Humbert revela para si mesmo em seu diário o poder de uma ninfeta, diz que é preciso ser um louco, ou um artista para reconhecê-la, ou seja, alguém que ousa desafiar os padrões de moralidade, alguém que “foge a regra”, e ele é esse homem que reconhece o demônio que habita em toda a ninfeta. Aqui a sensualidade da ninfeta é demoníaca, perigosa e poderosa.

Quando ele deseja que o mundo acabe e ela em seus braços, nos remete a sensação de nossos desejos diante da paixão, nada mais existe nem ninguém só os apaixonados.

A sensualidade da ninfeta, o demônio como coloca Humbert, talvez esteja na indefinição de ser ela metade menina e outra mulher.

O quarto de Lolita também revela uma grande influência da época: o cinema. Ele está presente nos pôsters que ela colou nas paredes de seu quarto com seus artistas preferidos que se misturam a outras figuras, como: a de “família feliz” (pai, mãe e filha e pai e filha), “amor romântico” nas figuras de um casal de noivos, e também no tipo de leitura que prefere revista como a “Movie Story” e outras apenas com fotos dos artistas da época.

Outro aspecto interessante nas cenas segmentadas é a questão da privacidade, todas as portas estão abertas, tudo parece revelado e no entanto não é claro. O diário de Humbert é, até então a única menção a esse aspecto do privado.

Lolita está na maioria das vezes confrontando a autoridade da mãe, e esta não demonstra carinho ou cuidado com a filha, ao contrário tem-se a impressão de certa rivalidade entre elas. Charlotte, ao perguntar a Humbert se a filha o está distraindo, no balanço ela percebe que eles estão próximos; nos faz pensar que ela percebe algo de íntimo entre ele e Lolita, algo que o “distrai”, no entanto se ela realmente percebeu, nada fez, talvez ela mesma esteja confusa com as mensagens implícitas.

Unidade de Sentido: Caminho livre

Charlotte está com Humbert caminhando para um lago e confessa ter um sonho. Neste momento, fica sabendo os planos dela em afastar Lolita de casa.

Hum, sabe que eu tenho um sonho mais ambicioso? Conseguir uma verdadeira servente especializada como essa alemã [...] e que ela viva em casa. [...] depois do acampamento ela vai direto para um bom colégio interno, com muita disciplina e educação religiosa.

(Charlotte)

As imagens nos revelam que Charlotte, percebe que a presença da filha está atrapalhando seus planos com Humbert e decide propositalmente, afastá-la do caminho. A mãe com essa intenção, quer delegar a educação da filha para uma escola religiosa com muita disciplina e moral. É importante incluirmos a dificuldade que algumas pessoas relatam nesta fase de vida, em que o pai ou a mãe na meia idade convive com a juventude dos filhos, o que para alguns pode trazer sentimentos confusos a respeito das questões que envolvem o envelhecimento.

Outro aspecto dessa segmentação, refere-se novamente ao preconceito racial que agora implicitamente menospreza a capacidade do negro.

Unidade de Sentido: Um adeus

Lolita não quer ir embora e para convencê-la Charlotte diz que ela e o professor Humbert acharam que seria uma boa ideia.

A cena agora é a despedida de Lolita que está colocando sua mala no carro da mãe, ela entra no carro olha para a cima e vê Humbert na janela do seu quarto.

A mãe espera no carro e fala algo para a empregada.

Outra sequência: Lolita, sai do carro correndo ao encontro dele, sobe apressadamente as escadas até o quarto onde Humbert está, ansioso e desesperado, e se joga de braços e pernas abertas envolvendo-o com seu corpo e um beijo na boca. Desce escorregando seu corpo junto ao dele e sai correndo, ele fica com a imagem de Lolita de tranças, as sensações em seu corpo e seu desespero de perdê-la. A música de fundo é a mesma na abertura do filme.

Humbert desolado está sozinho e corre para o quarto de Lolita buscando algo da garota, a empregada com olhar desconfiado vai ao seu encontro e entrega-lhe uma carta de Charlotte.

Ele segura na mão uma boneca de Lolita, deita em sua cama para ler a carta. É uma carta de Charlotte.

Enquanto no filme a voz da própria Charlotte lê em voz alta a carta, as imagens percorrem a parede do quarto de Lolita, com pôsteres de casais apaixonados, noivas, fotos família completam o cenário.

Todos nós pensamos que é uma boa ideia, o Professor Humbert pensa que é uma boa ideia, eu penso que é uma boa ideia e você, vai! (Charlotte aos berros)

Faça finas. (Charlotte para a empregada)

Que diabos faz ali? (Fala da empregada)

Esta é uma confissão, eu te amo. Sou uma mulher sozinha e apaixonada e você é o amor da minha vida. E agora você já sabe. Assim que ler isto, por favor, rasgue essa carta e vá e embora. Voltarei para o jantar. Vá embora antes que eu volte. Veja querido se eu lhe encontrar em casa, o fato de sua presença significará só uma coisa. Que você me ama tanto como eu a você, que me quer como sua companheira, e que está disposto a unir-se a mim para sempre, e ser o pai da minha filha. (Carta de Charlotte para Humbert)

Esta segmentação demonstra a tentativa de Charlotte mostrar para a filha que Humbert também participou da decisão de enviá-la para um colégio interno, que eles haviam “combinado”. Interessante como ao longo dessa sequência a voz de Charlotte vai deixando aquele tom suave e sedutor para um tom estridente e descontrolado, o que nos faz achar que a voz dela suave também era um recurso para se fazer interessante para os olhos de Humbert.

Temos novamente uma questão preconceituosa, quando Charlotte pede para a empregada se fazer fina em sua postura na calçada. Outro aspecto é que ela percebe que existe algo errado no comportamento dele: o que ele poderia estar fazendo no quarto da menina?

A carta de confissão do amor de Charlotte para Humbert, revela a influência do amor romântico, do sonho do casamento, do amor que pode não ser correspondido e mais uma vez, ela surpreende ao tomar a iniciativa, pois para a época eram os homens que tomavam. O romantismo também se faz presente pela imagem na decoração no quarto de Lolitta.

A cena do beijo de Humbert e Lolitta é carregada de erotismo, pela situação de despedida e o risco de mais uma vez ele perder o seu amor. Podemos quase que sentir a sua dor, e a cena nos remete também ao seu sofrimento pela perda de Annabel. A angústia do personagem chega a comover, a expectativa e ansiedade ao perceber que ela está subindo as escadas, o beijo, o abraço que envolve o corpo todo dele, a separação, tudo mostrado com muita intensidade.

Lolitta por sua vez nos deixa a dúvida: ela fez isso por ele, porque também gostava dele ou para magoar a mãe; ela queria magoá-lo também?

Unidade de Sentido: Conveniências

Humbert se casa com Charlotte, talvez pelo desespero de ficar longe de Lolitta, de certa maneira, um casamento por conveniência.

Ele é um marido solícito, ajuda nas tarefas diárias como: cortar a grama, lavar a louça; mas não é na cama, evita fazer sexo e ainda dá a ela pílulas para dormir.

Charlotte está no colo de Humbert , pela primeira vez sem o batom vermelho nos lábios e percebe que ele tem uma gaveta trancada, ele desconversa. Ela acaba descobrindo o diário.

Novamente, Humbert se vê prestes a perder o seu amor, ela ameaça levar Lolita.

Para acalmar os ânimos ele prepara uma bebida, como se isso pudesse resolver a situação. Ele atende o telefone de alguém que informa que ela está morta. Volta para casa, bebe, queima as cartas que Charlotte iria enviar para a filha, guarda sua máquina de escrever, faz as malas de Lolita, olha para a parede do quarto dela onde tem uma figura na parede de um pai abraçando uma filha pequena, pega um grampo de cabelo no quarto dela.

Se afaste de mim. Vou embora esta noite, pode ficar com a casa eu não ligo. Mas você nunca mais vai ver aquela garota miserável novamente. Agora saia da minha frente. (Charlotte para Humbert).

Interessante como a história retrata as questões de gênero ao mostrar um homem, que no casamento, faz tarefas domésticas e evita sexo, o mais comum para a época era perceber esses comportamentos na mulher.

Charlotte surpreende ao desejar deixar tudo para ele, depois que descobre a verdade, não quer a casa e nem o carro, mas promete que ele nunca mais vai estar com Lolitta. Esta também não é uma atitude esperada para as mulheres da época que eram dependentes do marido.

A imagem de um pôster de um pai e uma filha no quarto de Lolita, sugere o que ele também tenta ser: um pai.

Unidade de Sentido: Entre a moral e o desejo.

Ele segue com o carro até o acampamento onde Lolita está. É um acampamento de meninas, com um único homem: o filho da dona: Charlie.

Estão no carro, ela vira de costas e se troca ali mesmo, desabotoa o soutien, ele a observa pelo retrovisor. Ele para o carro fora da estrada, ela pula em seu colo, abraça-o e beija na boca, de olhos fechados. Um carro da polícia se aproxima e ela se afasta rapidamente, ela disfarça com brincadeiras para o policial.

A cena agora mostra Humbert passando por uma ala de um hotel onde na parede um enorme quadro retrata a figura de lindas mulheres nuas como num paraíso, e o som é de uma voz masculina (sugere ser a voz de um homem velho) dizendo: O Senhor tudo sabe, o Senhor tudo vê, o Senhor tudo perdoa. Humbert percebe interrompeu uma reunião ao passar por uma sala repleta de padres.

Ainda não houve nada entre ele e Lolita, eles estão dormindo na mesma cama. Ela se aproxima e beija os lábios dele. Ele a olha com surpresa e ela se aproxima novamente e beija a boca dele, desta vez é um beijo de língua. Ela lambe os lábios dele, ele a olha com surpresa. Sorriem um para outro.