4.2 F RENCH M ILITARY P RESENCE AND I NTERVENTION
4.2.2 Direct Violence; a Last Resort?
Nas contribuições dos pensadores gregos pode-se apontar a filosofia dialógica socrática como ponto relevante para esse estudo por constituir-se dentro do principio de que para filosofar deve haver o diálogo entre pessoas, o aceite do outro para confirmar a existência e problematizar questões da ordem ética, subjetivas e existenciais. O filósofo mostrou-se propenso a conversar com as pessoas para atingir conclusões de temas em debates com seus interlocutores.
Um passeio pela arte do diálogo também conhecido como dialética. Nessa arte faz-se uma contraposição nas ideias, um debate ou ainda uma discussão que deve ser desenvolvida com clareza o que esta em evidencia.
Cirne-Lima (2005) esclarece que o uso da prática da dialética iniciou-se na Grécia antiga, no entanto, há contestações quanto ao seu fundador. Aristóteles julgou que foi Zenôn o primeiro a utilizá-la. Contudo, outros dizem que Sócrates foi o real fundador da dialética por ter usado o método discursivo para difundir suas ideias. Outros pensadores também usaram o diálogo para se expressar. Para Platão, o diálogo é caminho exclusivo que permite o verdadeiro conhecimento. Pois se chega à verdade por meio do método de perguntas e respostas. Segundo ele a existência de dois mundos o sensível e o inteligível e só podemos alcançar o mundo das ideias quando investigamos os conceitos através do diálogo.
Já em Hegel, existe uma dialogicidade entre a tese que seria a ideia, e dela gera uma antítese que vai se contrapor a essa tese, brotando a síntese.que seria a máxima, ou seja a contradição. Hegel usava esse juízo para fazer uma analogia aos acontecimento desde a civilização antiga ao estado moderno. Marx reconceitua a dialética de Hegel quando emprega na sociedade, chamando-a de dialética materialista. Marx mostra que há contradições na realidade e que é necessário compreende-las por meio do diálogo. Marx associa a dialética as lutas de classes que levam a diferentes interesses. Então há contratição. (KONDER, 2004)
Conforme esses pensamentos acerca do diálogo ao longo da história percebe-se que as coisas ou pessoas não estão em estado fixo, mas sim em movimento e nada está acabado. Podendo se desenvolver, se transformar, pois não existem isoladamente, independente, uma das outras, mas em um todo unido, ligado e coerente.
Segundo Freire (2003, p. 40) “[...] é no dialogo que nos opomos ao antidiálogo tão entranhado em nossa formação histórico-cultural, tão presente e, ao mesmo tempo, tão antagônico ao clima da transição”, porque o antidiálogo implica numa relação verticalizada de A sobre B, destrói a relação de empatia entre os polos, fragilizando a interação, é desamoroso, arrogante, autossuficiente e não comunica. Enquanto que o diálogo resgata a humildade, a sintonia e o compartilhamento de pensamento e ideias.
Na concepção do autor, essa forma de estabelecimento das relações de verticalidade entre o professor e aluno precisa ser superada para uma visão libertadora do ser, de horizontalidade das relações, pois, mesmo que os sujeitos tenham posições distintas na relação pedagógica, contribuem para a superação das diferenças de autoridade entre ambos, porque passam a serem entendidos como sujeitos um do outro.
Nesse enfoque, é que a interação entre professor e aluno rompe com o caráter da impessoalização do ensino, da escola descompromissada com os alunos e permite a formação de estruturas mais democráticas dentro das realidades sociais.
Impulsionado pela explicitação da relação dialógica entre o Eu e Tu apresentado por Buber (2001), Freire (1992) também enfatizou o dialogicidade enquanto uma concepção que respalda a existência dos seres humanos e como caminho de compreender o próprio sentido ontológico e inerente da convivência interpessoal entre os seres humanos, ao possibilitar o reconhecimento mútuo de sujeitos diferentes na busca da totalidade do ser.
Desenvolvendo a verdadeira ontologia da palavra Eu – Tu, Buber (2001) fundamenta o mundo da relação e confere à relação dialógica, o espaço de valorização do outro, de reciprocidade e abertura total para a alteridade do outro.
relação dialógica como fator de crescimento, resgate da dignidade do aluno, e consequentemente, a possibilidade da reflexão, nos mais altos níveis de inteligibilidade, torna a escola não a serviço da produção, mas a favor do homem e da cultura. Em contrapartida, entende-se que, quando há ausência deste elemento na relação pedagógica, revela-se o autoritarismo, que pressupõe relações verticais, em que alguns detêm o poder e os demais são relegados à condição de submissão e de servir.
Reconhece-se, portanto, que um dos obstáculos na relação dialógica entre professores e alunos da educação profissional é a questão da empatia de um pelo outro ou pela turma, porque quando esta não se materializa mais difícil será para o professor criar um clima favorável e de incentivo para que o aluno se envolva com o conhecimento e com a escola, já que essa interação envolve processos de construções e representações que acabam interferindo nas dimensões afetivas e emocionais e, consequentemente, na consolidação da dimensão cognitiva.
Isso induz a afirmar que para potencializar positivamente os ambientes escolares, cabe ao professor planejar suas aulas com vista a garantir climas de aprendizagem pautados por aceitação social, autoestima e consideração positiva por parte dos alunos, tornando-os condicionantes positivos da aprendizagem e da realização e da formação da autoimagem deste. Vasconcellos (2005) aponta que, em relação a perspectivas do professor, dois elementos podem influenciar e determinar a interação dos alunos no decorrer da relação: a questão da importância que o aluno atribuir ao entendimento que o professor tem sobre ele, tendo em vista que quanto maior for a importância e significativa, maior será a probabilidade de que lhe afete e ainda a questão do conceito que o aluno tem de si mesmo e de sua própria capacidade .
Nessa concepção, acredita-se que a sala de aula passa a ser de interatividade, onde o educador deixa de ser o único emissor para apropriar-se de um discurso que priorize as interações professor e aluno e aluno-aluno, numa relação contextualizada do mundo e de si.
Na verdade, o professor que procura contextualizar sua prática pedagógica, torna essa ação um ato convidativo à busca do conhecimento e a melhoria das interações, porque valoriza as experiências e as diversas realidades e, consequentemente, desperta o desejo de o aluno para participar de forma mais efetiva.
É por essa razão que Pereira (2006, p. 15), afirma que o processo educativo “[...] deveria sempre partir da realidade dos alunos, identificando sua origem, seus problemas e a possibilidade de superá-los”.
precisam relacionar os conteúdos curriculares com as experiências dos alunos, para que deste modo, possam resolver os problemas derivados do seu contato com o meio psico e social, sendo capaz de produzir uma aprendizagem significativa.
O espaço educacional é um ambiente propício às interações sociais e a importância dela no ensino e aprendizagem é muito pertinente, pois é por meio dessa que o aluno pode garantir o seu desenvolvimento em todas as s dimensões como podemos constatar nos aportes teóricos trabalho referenciado que indubitavelmente são renomados no tema dessa pesquisa.
Na investigação pode-se constatar ainda, que vários estudos são direcionados para pesquisa sobre a dimensão afetiva no indivíduo apresentando-a como resultado primordial no desenvolvimento do ser humano, e para tanto, toma por base as interações sociais como destaque para mediar esse entrelaçamento da visão imbricado do afeto com a cognição (emocional e cognição).
Por tanto, na investigação apresentada pelo referencial permite-se ratificar que no contexto educacional deve haver um novo olhar nas práticas pedagógicas em sala de aula, e em consonância disso, acredita-se que o ensino e a aprendizagem são socialmente mediados por questões socioculturais e por conseguinte, leva a inferir que o diálogo deve ter o seu lugar de destaque na educação para consolidar o crescimento do ser humano.
6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Apresenta-se neste aporte, a explicitação do procedimento metodológico que adotado na concepção e aplicação do modelo eleito para desenvolver o presente estudo, assim como os instrumentos que serão usados na coleta de dados, com a intenção de mostrar em que medida esse pressuposto e os procedimentos refletem o posicionamento epistemológico da investigação.