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Na segunda metade do século XVIII e ao longo do século XIX, passou pela Amazônia uma série de viajantes naturalistas, memorialistas, militares, comerciantes, pesquisadores, cujos relatos fazem referência à cidade. Os testemunhos de naturalistas, viajantes,

59 RAMINELLI, Ronald. Ciência e colonização - Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. Tempo. Revista Digital de História do Departamento e do PPG-História-UFF. V. 3, nº 6, Dezembro, 1998. Disponível em: <http://www.historia.uff.br/tempo/artigos_livres/artg6-10.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2014, p. 1.

60 Neste caso procurei citar os viajantes que traçaram a rota pelo rio Amazonas até o final do século XVIII, Pedro Teixeira, Mauricio de Heriarte, Charles Marie de La Condamine, José Monteiro de Noronha, entre outros que fizeram parte das explorações pioneiras na Amazônia.

61 FERREIRA, Rubens da Silva. Henry Walter Bates: Um viajante naturalista na Amazônia e o processo de transferência da informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 2, p. 67-75, maio/ago. 2004, p. 1.

62 RAMINELLI, Ronaldo. Viagens e História Natural dos Séculos XVII e XVII. In: PEREIRA, Paulo Roberto. 500

exploradores, entre outros que passaram pela Amazônia, despertaram interesses e curiosidades em pessoas de outras partes do mundo. A partir da análise das obras impressas dos viajantes naturalistas e de estudos referentes aos pesquisadores que abordam essa temática, verificou-se que esses viajantes que vieram para o Brasil durante o século XIX, em sua maioria, eram europeus, considerando que, segundo a Magali Sá63, os alemães foram os primeiros a obter permissão do governo português para entrar na região da Amazônia, fato que ocorreu mesmo antes de Portugal abrir os portos brasileiros às nações aliadas em 180864. Embora nem todas as expedições de origem alemã fossem autorizadas pelo governo português, como no caso específico da Expedição de Alexander Von Humboldt (1769-1859), que em meados de 1799, Humboldt, quando chegou à fronteira do Brasil, foi impedido de entrar no país. Naquela época, o Brasil era colônia de Portugal, e o governo português o considerou um espião estrangeiro65.

Antes de adentramos propriamente no recorte temporal deste capítulo, verificou-se a necessidade de nos reportarmos às duas expedições do século XVIII, por conta das influências que exerceram sobre os demais viajantes naturalistas que se dirigiram para a Amazônia e que, de alguma maneira, narraram sobre a "Cidade do Pará". A primeira, expedição Geodésica (1735-1744), liderada pelo geógrafo Charles Marie de La Condamine (1701-1774), e, posteriormente, expedição Viagem Filosófica (1783-1792), chefiada pelo naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira (1756-1815).

Charles Marie de La Condamine66, em meados do século XVIII, foi o primeiro cientista a viajar pelo rio Amazonas entre os anos de 1736 a 1744 sob o comando do governo da França. O ministro francês Maurepas (1701-1781), neste contexto, decidiu investigar as controvérsias entre os cientistas europeus que contestavam o formato e a dimensão da Terra.67. Foram organizadas três expedições em 1735, 1736 e 1751 com La Condamine fazendo parte da primeira expedição68. Em 1743, com permissão do governador da Capitania do Grão-Pará,

63 SÁ, Magali Romero. James William Helenus Trail: A British Naturalist In Nineteenth-Century Amazonia. 1996. Tese (Doctor of Philosophy) Department of Philosophy, University of Durham, United Kingdom, 1996, p. 24. Disponível em: <http://apps.kew.org/herbcat/gotoBurchell.do>. Acesso em: 13 fev. 2015.

64 Em 1801, o conde alemão Von Hoffmannsegg, que tinha uma boa relação com o rei de Portugal, de acordo com a pesquisadora, “enviou para a região amazônica brasileira, seu servo e preparador de material de história natural, Friedrich Wilhelm Sieber”, o qual organizou uma coleção representativa de espécimes da história natural, a partir da coleta realizada nos arredores de Belém e em todo o Baixo Amazonas, até 1813. Cf. SÁ, 1996, p. 24.

65 Cf. MARTINS, César. Entrevista Expedição Humboldt 2000. Disponível em:

<http://www.biotecnologia.com.br/revista/bio17/17_pv.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2015.

66 Foi um cientista e explorador francês que realizou diversas viagens de exploração no Norte de África, no Médio Oriente e na América do Sul.

67 MAGALHÃES, Basílio de. Apresentação. In: LA CONDAMINE, Charles-Marie de. Viagem na America

Meridional descendo o Rio Amazonas. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2000. 204p. (Coleção O

Brasil visto por estrangeiros), p.13-14.

68 Além de La Condamine, dois outros cientistas, Louis Godin e Pierre Bourguer (1698-1758); e os auxiliares Joseph de Jussieu (1704-1779); Jean Seniergues (cirurgião), De Morainville (desenhista de História Natural); Couplet, Hugo

desceu o rio Amazonas até Belém69, chegando no dia 19 de setembro de 1743, onde permaneceu por três meses, fazendo "viagenzinhas de canoa"70 pelos arredores do Pará, aproveitando para observar os hábitos da população e detalhar a carta, fato que motivou La Condamine a viajar para Caiena com o objetivo de terminá-la, visto que só seria possível concluir a carta se viajasse para "a verdadeira foz do Amazonas". Partiu para Caiena em 29 de dezembro de 1743, ficando de 26 de fevereiro até 22 de agosto, quando partiu em direção à Europa. Em fevereiro de 1745, chegou a Paris trazendo consigo uma coleção referente à história natural e à antropologia da bacia amazônica. Essa expedição durou aproximadamente dez anos. As narrativas de sua expedição foram publicadas na Europa71, nas quais apresentava as descrições da geografia, da fauna e flora da bacia amazônica, muito contribuindo para despertar o interesse da comunidade científica.

La Condamine, ao registrar suas impressões sobre Belém, limitou-se aos elogios em relação aos aspectos das ruas e casas, além da atividade comercial da cidade. Em seu relato, no momento em que se afastou das "matas do Amazonas”, sentiu-se levado à Europa, conforme palavras descritas pelo viajante, “encontramos uma grande cidade, ruas bem alinhadas, casas risonhas, a maior parte construídas desde trinta anos em pedra e cascalho, igrejas magníficas"72

Nos anos de 1770, a Cidade do Pará passa por grandes mudanças, com as intervenções do governo do Marquês de Pombal73, principalmente pela construção de edifícios, favorecidas pela grande circulação da produção de cacau do interior.74 No final do século XVIII, a "Cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará"75, foi tema dos viajantes naturalistas que, além de a descreverem, fizeram um desenho da vista da cidade contemplado da Baía do Guajará. Estamos nos referindo à expedição Viagem Filosófica76 (1783-1792), comandada pelo naturalista

(especialista em instrumentos de matemática); e o viajante e naturalista Godin des Odonais (1713-1792) com sua esposa. A expedição partiu de La Rochelle em 16 de maio de 1735, depois de passar por São Domingos, Cartagena e Puerto Bello, atravessou o Istmo de Panamá, e, chegou às costas do Peru, em 9 de maio de 1736. Cf.

MAGALHÃES, Basílio de. Apresentação. In: LA CONDAMINE, 2000, p. 14-23. 69 LA CONDAMINE, 2000, p. 22.

70Expressão como La Condamine se referiu às viagens no em torno da cidade. Cf. LA CONDAMINE, 2000, p. 113. 71 La Condamine publicou um relato da sua viagem, acompanhado das medições feitas e de um mapa do curso do rio Amazonas nas Memórias de l'Académie des Sciences de 1745, seguido de uma tradução inglesa em 1745-1747. 72 LA CONDAMINE, 2000, p. 112.

73 O título de marquês de Pombal foi instituído por decreto do rei D. José I de Portugal de 16 de setembro de 1769, em benefício de Sebastião José de Carvalho e Melo, diplomata e primeiro-ministro de Portugal.

74 Cf. SILVA, Alberto. Os naturalistas viajantes na Amazônia. Disponível em:

<http://www.webartigos.com/artigos/os-naturalistas-viajantes-na-amazonia/34543/#ixzz3ADNOYelo>. Acesso em: 14 out. 2014.

75 Como fora denominada por Alexandre Rodrigues Ferreira, identificado na legenda do prospecto da cidade, analisado neste capítulo.

76 Esta expedição percorreu as capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá entre 1783 e 1792. O grupo era composto de um naturalista, um jardineiro botânico, Agostinho Joaquim do Cabo (?-1789), e dois desenhistas, Joaquim José Codina e José Joaquim Freire (1760-1847). Cf. SODRÉ, Muniz. Apresentação sobre a

Alexandre Rodrigues Ferreira77, foi a única financiada pela corte portuguesa. Alexandre Ferreira, entre os anos de 1783 e 1792, descreveu a história, a geografia, a fauna e a flora da Amazônia. A cidade de Belém fez parte do cenário da referida expedição, a partir de 21 de outubro de 1783. Esta expedição promoveu vários estudos sobre a região amazônica, registrando informações sobre a fauna, a flora e seus habitantes. Segundo Benedito Nunes78, por meio de texto escrito e visual, registrou os reinos naturais e as obras humanas da região da Amazônia, no trajeto entre a Ilha do Marajó e o Rio Negro, abrindo rota para os viajantes estrangeiros cientistas ou aventureiros do século XIX79.

A primeira expedição realizada no Brasil dos Oitocentos foi denominada Expedição Austríaca80, iniciada em 1817 e financiada pelo imperador Francisco I da Áustria por ocasião do

casamento da sua filha Maria Leopoldina com o príncipe herdeiro, Dom Pedro de Alcântara, que em 1822 tornou-se o Imperador do Brasil81. Os viajantes naturalistas desta expedição, Johann Baptist Von Spix (1781-1826), Karl Friedrich Von Martius (1794-1868) e Johann Von Natterer (1787-1843), vieram colecionar na região do Rio Amazonas que, além de passarem por Belém, deixaram registradas suas impressões sobre a cidade.

Nos primeiros meses da expedição, os naturalistas bávaros Spix e Martius exploraram a cidade do Rio de Janeiro e suas vizinhanças, adentrando, a partir de 1818, por São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas. São considerados um dos mais importantes naturalistas que visitaram o Brasil entre os anos de 1817 a 1820. Esses viajantes naturalistas deixaram para a posteridade uma das mais importantes contribuições científicas, "tanto do ponto de vista quantitativo como pela qualidade e seriedade de suas pesquisas"82. Os resultados das pesquisas e das impressões de viagens foram publicados na obra Reise in Brasilien,

Acesso em: 11 ago. 2014; RAMINELLI, Ronald. Ciência e colonização - Viagem Filosófica de Alexandre

Rodrigues Ferreira. Disponível em: <http://www.historia.uff.br /tempo/artigos_livres/artg6-10.pdf>. Acesso em:

11 ago. 2014.

77 Alexandre Rodrigues Ferreira, Naturalista baiano formou-se em Coimbra e se especializando em ciências naturais. Ele é considerado um dos maiores "naturalistas luso-brasileiro". Foram indicado e nomeado em 1778 pela Rainha D. Maria I, para chefiar a comissão científica encarregada de empreender viagem pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá.

78 NUNES; HATOUM, 2006, p. 14.

79 Daniel Parish Kidder (1815-1891); Príncipe Adalbert da Prússia (1811-1873), Henry Walter Bates (1825-1892); Louis Agassiz (1807-1873) e Elizabeth Cary Agassiz (1822-1907); e Henri Coudreau, entre outros.

80 A expedição integrava, além do botânico Karl Friedrich von Martius (1794-1868) e do zoólogo Johann Baptist von Spix (1781-1826), os naturalistas zoólogos Johann von Natterer (1787-1843) e Johann Christian Mikan (1769-1844), o botânico Giuseppe Raddi (1770-1829); os botânicos austríacos Johann Baptist Emanuel Pohl (1782-1834) e Heinrich Wilhelm Schott (1794-1865).

81 FERRI, Mario Guimarães. Prefácio. In: SPIX, MARTIUS, 1981, V. 1, p. 9.

82 CORRÊA, Margarida Maria da Silva. Da Construção do olhar europeu sobre o Novo Mundo ao (re)

descobrimento do reino tropical. Goiana, 1997, 300p. Dissertação (Mestrado em História das Sociedades

impressos em três volumes83, os quais constituem um dos mais importantes relatos de viagem divulgados sobre o Brasil no início do século XIX.

Os naturalistas Spix e Martius navegaram pela Bacia do Amazonas e aportaram na cidade do Pará em julho de 1819. Na madrugada de 16 de agosto, Spix estava tão ansioso pelo grande empreendimento de sua vida, que não conseguia dormir, fez alguns registros sobre este momento, transcrito na seguinte frase, “como me sinto feliz aqui, como chego compreender a fundo muito daquilo que até agora era inacreditável!”84, revelando a sensação de êxtase por estar na cidade em vislumbrar o que outros viajantes teriam descrito sobre a região, compreendendo agora o real sentido do que é ser o “historiador da natureza”85. Permaneceram na cidade por um mês aproximadamente, e, durante um período de nove meses, fizeram as excursões pelos arredores da província do Pará e pelo Rio Amazonas até a fronteira da atual Colômbia. No dia 16 de abril de 1820, retornaram a Belém, finalizando a expedição com a seguinte expressão, “lançamos a muito sofrida âncora no porto do Pará”86, de onde partiram em 14 de junho para a Europa, levando uma enorme coleção de espécimes de história natural e os de etnografia87 que foram colocados no Museu da Real Academia de Ciências de Munique.

O naturalista Johann Von Natterer88, integrante da mesma expedição, permaneceu por um período de aproximadamente de 18 anos no Brasil, de 1817 a 1835. De acordo com Emílio Goeldi, as suas viagens foram divididas em dez fases. A última diz respeito à viagem realizada ao Pará e ao curso inferior do Amazonas. Natterer "foi feliz com as suas remessas"89 para à Europa, apesar de ter perdido, nos últimos anos, quase toda a pesquisa por conta dos revolucionários nos arredores de Belém. Natterer esteve na capital do Pará, desde setembro de 1834 até fevereiro de 1835, depois foi para o entorno do Pará, retornando em junho, onde permaneceu até 15 de setembro de 1835, quando embarcou definitivamente para a Europa, perdendo grande parte de sua bagagem e sua coleção de animais vivos da Amazônia "destinados

83 Os três volumes de Reise in Brasilien foi publicado respectivamente em 1823, 1828 e 1831. Spix em 1827 faleceu e só acompanhou a publicação do primeiro volume, provavelmente foi Martius o principal redator das demais obras. Cf. FERRI, Guimarães. Prefácio. In: SPIX, MARTIUS, 1981, V. 1, p. 10.

84 SPIX, MARTIUS, 1981, p. 18. 85 SPIX, MARTIUS, 1981, p. 18. 86 SPIX, MARTIUS, 1981, p. 286.

87 A expedição saiu de Belém em direção à Europa no dia 14 de junho de 1820. “O comboio [...] compunha-se de cinco barcos, duas galeras, dois brigues e uma escuna artilhada, aparelhada pelo governo para escolta desses navios de comércio”. As coleções foram encaixotadas e levadas para as embarcações. Cf. SPIX, MARTIUS, 1981, p. 315. 88 Não existem trabalhos publicados de suas viagens, pois a suas anotações e o diário de viagem foram destruídos em um incêndio ocorrido em Viena, durante as revoluções de 1848.

89 GOELDI, E. A. Johannes Von Natterer. Biographias Boletim do Museu Paraense, Tomo I, fascículo 1-4, 1894- 1896. Pará: Typographia de Alfredo Silva & C.ª, 1896, p.189-217, p. 195.

ao Jardim Zoológico de Schoenbrunn"90. A expedição de Natterer na Amazônia durou aproximadamente cinco anos.

Depois da expedição de Spix e Martius, os próximos naturalistas estrangeiros foram os membros de uma expedição financiada pelo governo russo e liderada pelo cônsul da Rússia no Brasil, o naturalista alemão Georg Heinrich Von Barão Langsdorff (1774-1852)91. Expedição que partiu do Rio de Janeiro em 1825, explorou o sul e oeste do Brasil até atingir a região amazônica em 1827. Uma parte do grupo passou a explorar os rios Madeira, Tapajós e Negro, e a outra se dirigiu para Belém. A expedição encerrou-se no início do ano de 1829, no Pará, de onde a equipe retornou ao Rio de Janeiro.

Nesse mesmo contexto, vários ingleses também passaram pela região norte. Entre os anos de 1827 e 1828, o tenente da marinha inglesa, Henry Lister Maw (1801-1874), viajou pela Amazônia a serviço da Inglaterra, com o objetivo de verificar a viabilidade da exploração econômica especificamente na atividade agrícola. Desceu os rios do Solimões até a foz, aportando em Belém. Sua expedição iniciou em novembro de 1827; chegou à Cidade do Pará em 19 de abril e partiu em 7 de maio de 1828. A narrativa de sua expedição culminou com a publicação da obra intitulada Passage from the Pacific to the Atlantic92 em 1829.

No mesmo ano, em setembro de 1828, o desenhista francês Hercules Florence (1804-1879)93, que esteve em Belém entre os anos de 1825 a 1829, fez parte da Expedição Langsdorff, encarregado de realizar a documentação iconográfica ao longo do extenso trajeto da expedição científica, além da Amazônia brasileira, por várias províncias do país.

O naturalista e desenhista inglês William John Burchell (1781-1863) conseguiu uma licença94 para embarcar juntamente com a missão inglesa de Sir Charles Stuart95 com objetivo de “negociar o reconhecimento da independência do Brasil”96 e firmar um tratado de comércio com

90 GOELDI, 1996, p. 216-217.

91 Langsdorff ficou no Rio de Janeiro de 1813 a 1820, quando voltou à Europa. Veio de novo ao Brasil em 1822, Em junho de 1826, teve início outra expedição que se encerrou em 1829, no Pará. Cf. SÁ, 1996, p. 24.

92 A versão traduzida desta obra foi publicada em 1831 sob o título: Narrativa da passagem do Pacífico ao

Atlântico: através dos Andes nas províncias do norte do Peru, e descendo pelo Rio Amazonas até ao Pará.

93 O artista francês Hercules Florence chegou ao Rio de Janeiro em 1824. Um ano depois fez parte da Expedição Langsdorff. Juntamente com o desenhista Amado Adriano Taunay. Cf.

<http://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A9rcules_Florence>. Acesso em: 16 out. 2014.

94 Com o Passaporte da Secretaria d’Estado dos Negócios da Guerra. Cf. Notícias Marítimas. Império do Brasil:

Diário Fluminense, RJ, nº 60, 12 set. 1826, p. 244.

95 Foi o primeiro Ministro em Lisboa durante a maior parte da guerra na Península e foi convidado para negociar com o rei D. João VI o reconhecimento da Independência do Brasil. Cf. Império do Brasil: Diário Fluminense, RJ, nº 41, 22 fev. 1825, p.166.

96 FERREZ, Gilberto. O Brasil do Primeiro Reinado visto pelo botânico William John Burchell 1825-1829. Rio de Janeiro: Fundação João Moreira Salles, 1981, p. 14.

D. Pedro I97. A expedição chegou ao Rio de Janeiro em 17 de julho de 182598. Antes de viajar pela Amazônia Brasileira, explorou as partes do Sudeste e central do Brasil no período de 1825 a 1829. Burchell aportou em Belém em 26 de junho de 1829 e passou oito meses coletando espécimes zoológicos e botânicos. Burchell representa o início das atividades de naturalistas britânicos na região de caráter autofinanciada 99 e retornou para Inglaterra em fevereiro de 1830. Segundo Gilberto Ferrez100, em 1863, Burchell se suicidou por não ter tido o reconhecimento do governo inglês por suas árduas pesquisas nos países da África e no Brasil.

O cientista britânico William Henry Bayley Webster (1793-1875)101, membro da expedição comandada pelo capitão Henry Foster (1796-1831), que iniciou em abril de 1828 e tinha como objetivo de definir a curvatura exata da terra, aportou na Cidade do Pará em setembro de 1830, permanecendo em torno de um mês, o que favoreceu às suas pesquisas na cidade e em seus arredores. Em 1834, Webster publicou as narrativas de suas viagens na obra intitulada Narrative of a voyage to the southern Atlantic Ocean, in the years 1828, 29, 30. De acordo com a pesquisadora Magali Sá102, verifica-se que o governo britânico primeiramente enviou expedições apenas de geógrafos que estiveram em atividade na região desde 1820, navegando o rio Amazonas desde o Peru até sua foz em Belém. Os primeiros naturalistas britânicos só começaram de fato a explorar o interior da Amazônia brasileira a partir de 1848.

O naturalista francês Alcide d'Orbigny (1802-1875), em sua viagem pela América de 1826 a 1833, esteve em várias províncias do Brasil103. Em 1836, Orbigny publicou suas memórias de viagem no livro Voyage pittoresque dans les deux Amériques. Résumé général de tous les voyages [...]104. A

respeito da sua visita a Belém, o naturalista chegou no dia 28 de janeiro e partiu no dia 15 de fevereiro de 1832 em direção às províncias do sul do Brasil. Durante a sua permanecia, que não chegou completar um mês, o naturalista francês trata sobre vários aspectos da cidade. Ao mesmo

97. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/William_John_Burchell>. Acesso em: 9 mar. 2015. 98 Cf. Império do Brasil: Diário Fluminense, RJ, nº 15, 18 jul. 1825, p. 58.

99 SÁ, 1996, p. 26. 100 FERREZ, 1981, p. 26. 101 SÁ, 1996, p. 28 102 SÁ, 1996, p. 28

103 Além do Brasil, viajou pelos países: Guiana Francesa, Guiana Inglesa, Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Haiti, Guatemala, México, Estados Unidos e Polo Note.. A expedição teve a duração de sete anos e sete meses, de junho de 1826 a fevereiro de 1834.

104 Voyage pittoresque dans les deux Amériques. Résumé général de tous les voyages de Colomb, Las Casas, Oviedo, Gomara, Garcilazo de la Vega, Acosta, Dutertre, Labat, Stedman, La Condamine, Ulloa, Humboldt, Hamilton, Cochrane, Mawe, Auguste de Saint Hilaire, Max de Neuwied, Spix e Martius, Rengger et Longchamp, Azara, Fresier, Molina, Miers, Poeppig, Antonio del Rio, Beltrami, Pike, Long, Adair, Chastellux, Bartram, Collot, Lewis et Clarke, Bradbury, Ellis, Mackenzie, Franklin, Parry, Back, Phipps, etc, etc.

tempo em que apresenta uma gravura da marina de Belém. A sua narrativa, de forma abrangente, baseia-se em relatos dos viajantes naturalistas bávaros Spix e Martius.

No mesmo ano, o naturalista alemão Eduard Fridrich Poeppig (1798-1868), explorador individual que navegou pelo rio Amazonas por conta própria a partir da fronteira do Brasil com o Peru até sua foz em Belém105, onde aportou no dia 23 abril de 1832. A expedição de Poeppig realizou todo o percurso do rio Amazonas, desde o Peru até sua foz, entre os anos de 1827 até o início do mês de agosto de 1832106. Os estudos geográficos, botânicos e zoológicos