Sob o ponto de vista do gênero, a amostra apresenta equilíbrio, sendo entrevistados 150 homens, que correspondem a 49% do total e 158 mulheres representando 51% do todo. O espectro etário foi bastante largo, envolvendo Microempreendedores Individuas entre 18 e 60 anos, com idade média de 38 anos.
Tabela 1 – Microempreendedores Individuais, segundo a idade - 2015
Idades (anos) ƒi %
Até 20 anos De 21 a 30 anos De 31 a 40 anos De 41 a 50 anos Acima de 50 anos 14 80 95 64 55 4,55% 25,97% 30,84% 20,78% 17,86% TOTAIS 308 100,00%
No campo das relações civis, apenas 14,29% são solteiros, sendo que os demais possuem relação juridicamente formal, sendo 23,05% casados, enquanto os demais assumem outras formas jurídicas (separados, desquitados, outros).
O grupo estudado apresenta um tempo médio na atividade empresarial de 10 anos, atributo significativo, expressando existir, em média, pessoas bastante calejadas em seus respectivos ofícios, cujo tempo nos seus empreendimentos varia entre 1 anos e 20 anos.
Em relação ao tempo que o empreendedor optou pela formalização, a média da amostra é de 4 anos, sendo que 15,90% têm o mesmo tempo na atividade, o que pressupõe que foram levados ao empreendedorismo a partir da propaganda governamental acerca do Microempreendedor Individual.
Os negócios desenvolvidos englobam um variado leque de atividades econômicas comuns em qualquer bairro de baixa renda. Enquanto setores econômicos, das empresas que integram a amostra 4% são ligadas à indústria, 62% pertencem ao setor de comércio e 34% atuam no setor de serviços, o que constitui uma curiosa exceção, considerando a predominância dessas atividades nas economias modernas.
Indústria 4% Comércio 62% Serviços 34%
Gráfico 1
Microempreendedores Individuais, segundo setor de atividade
2015
Não constituiu surpresa o nível de escolaridade dos empreendedores que integram a amostra, cujos dados integram a Tabela 2. Apenas 20,78% deles possui o curso fundamental e 31,17% cursaram o básico. Como ponto fora da curva, 8,12% deram início ao curso superior.
A baixa escolaridade, especialmente no que se refere à graduação, é um fator restritor para assimilação da importância dos conteúdos ligados ao planejamento e gestão de negócios. Mesmo os ambientes que abrigam massivamente os pequenos negócios, recebem influências das decisões tomadas por médias e grandes empresas.
Tabela 2 – Microempreendedores Individuais, segundo a escolaridade - 2015
Escolaridade ƒi % Básico incompleto Básico completo Fundamental incompleto Fundamental completo Superior incompleto Superior completo Especialização Mestrado ou doutorado 60 96 64 55 25 7 1 0 19,48% 31,17% 20,78% 17,86% 8,12% 2,27% 0,32% 0,00% TOTAIS 308 100,00%
Fonte: Dados da pesquisa com elaboração do autor, 2015
Um bom exemplo a ser citado é da rede Pão de Açúcar, que tem a marca Pão de Açúcar Minuto, loja pequenas que concorrem com mercearias e mercadinhos de bairro. Ocorre que as lojas
Minuto são amparadas pela estrutura de planejamento, gestão e tecnologia do grupo empresarial
francês, com impacto direto nos negócios.
rede cooperativa com o objetivo de realizarem compras em comum. A iniciativa deu certo e hoje eles concorrem com as grandes redes em condições muito próximas.
4.2 Planejamento
O primeiro objetivo específico, que trata da existência de esforço de planejamento antecedente à instalação do negócio. Seus resultados são curiosos e antagônicos à lógica prevalecente nos estudos acerca do planejamento estratégico. É fato que apenas 75,65% dos pesquisados “discordaram” ou “discordaram totalmente” com a primeira afirmação: Você fez um plano de
negócios antes de criar a empresa. Por outro lado, no tocante às seis afirmações seguintes, os
respondentes cunharam as mesmas duas opções em percentuais nunca inferiores a 50%, conforme está disposto na Tabela 3 a seguir.
Ao pesquisador foi possível inferir, graças às percepções captadas ao longo das entrevistas, que mesmo sem um instrumento clássico de planejamento que oriente estrategicamente sua atividade, o empreendedor detém “pontos cardeais” mentais capazes de suprir ainda que precariamente seu negócio.
Por outro lado, esse grupo, em que pese a longevidade de suas empresas (média de 16 anos), representam apenas 14,93% da receita média mensal obtida pelo grupo estudado. Ou seja, se o acúmulo de conhecimento empírico e experiência profissional são evidenciados pelo tempo de atuação, tais ativos não se revelaram alavancadores de suas receitas.
Com efeito, a gestão eficiente e eficaz de um negócio depende fundamentalmente da existência e do uso de informações geradas a partir das transações que a empresa realiza, e que serão alimentadoras dos seus resultados finais, estejam estes consoantes ou não das expectativas.
Questões Assertivas1 x s
Você fez um plano de negócios antes de criar a empresa
Você projeta todos os anos o lucro desejado para o ano seguinte Você sabe quantos clientes precisa ter
Você conhece os hábitos de consumo de seus clientes
Você sabe quanto tem de vender para cobrir seus gastos e dar lucro. Você sabe quanto precisa de capital de giro para seu negócio
Você calculou o valor do investimento necessário para iniciar o negócio
75,65% 48,70% 40,91% 44,16% 34,74% 32,14% 49,68% 1,9482 2,3916 2,7249 2,7184 2,8382 2,8964 2,6181 0,5720 0,9618 0,9095 0,9208 0,9126 0,8866 0,8441 Nota: 1 – Percentual de respondentes que assinalaram “discordo totalmente” ou “discordo” com as afirmações desta tabela.
4.3 Gestão empresarial
Não é alentador verificar que o grupo estudado possui pouca ou nenhuma visibilidade quanto ao percurso empresarial que se auto destinou. É um voo cego! Atravessar o tempo não significa em si uma vitória. Com efeito, considerando algumas circunstâncias identificadas pela pesquisa, são sobreviventes que permanecem à margem das atividades econômicas que desempenham. É essencial exerçam um papel protagonista na condução de suas trajetórias empresariais. Esse aspecto adquire grande importância, pois dado a condição socioeconômica dos MEIs, o sucesso empresarial influencia diretamente suas famílias.
As questões contidas neste tópico da pesquisa, têm o objetivo de colher informações que traduzam quão dinâmica e eficaz é a atuação do empreendedor no trato cotidiano da gestão de seus negócios. O dinamismo empresarial é uma fornalha abastecida pela lenha da concorrência. Dos que têm um plano de negócios, 46,75% não o atualizam, ou seja, mantêm no guarda-roupa os trajes usados no casamento, sem notar que o tempo passou, a moda é outra, e o pior, os nubentes engordaram. O plano de negócios deve estar sempre refletindo a realidade atual, sem deixar de perscrutar as mudanças que se avizinham.
Outro ponto preocupante na realidade atual é o descuido com custos e preços. O pesquisador tem visto inúmeros casos em que os gastos da empresa estão desconectados com a sua receita. É o caso de 36,36% dos entrevistados que não acompanham regularmente esses dois itens, ou de 33,12% deles em que o preço de um bem ou serviço é mantido porque a concorrência pratica o mesmo valor, sem verificar regularmente se seus custos recomendam mantê-lo.
É assustador constatar que mais de um terço dos entrevistados não inovam ou aperfeiçoam seus produtos ou serviços. Mesmo as atividades mais simples estão submetidas a melhorias tecnológicas, impactando diretamente a vida dos consumidores. Empresas industriais do setor da construção civil ou do setor cosmético, vêm implementando aperfeiçoamentos tecnológicos em seus produtos. E para que seus efeitos cheguem ao consumidor final oferecem cursos aos profissionais que utilizam seus produtos.
Questões Assertivas1 x s
Você atualiza regularmente seu plano de negócios
Você acompanha regularmente as receitas e gastos do negócio Você calcula regularmente o custo dos produtos ou serviços Você aperfeiçoa seus produtos ou serviços
Você se aperfeiçoa em relação às tecnologias empregadas Você inova os processos e procedimentos
46,75% 36,36% 33,12% 33,77% 37,66% 34,42% 2,6311 2,7994 2,9256 2,8964 2,8985 2,8738 0,9892 0,8815 0,9182 0,9056 0,9069 0,8841 Nota: 1 – Percentual de respondentes que assinalaram “discordo” ou “discordo totalmente” com as afirmações desta tabela.
4.4 Comportamento empreendedor
Existe uma diferença entre ser empreendedor e possuir um comportamento empreendedor. Este segundo predicado reclama por uma rotina focada no cotidiano do empreendimento. Muitos negócios promissores sucumbem pela precariedade do comportamento empreendedor de quem os toca. Uma ressalva: rotina aqui não é aquela lista maçante e burocrática de tarefas, mas uma pujante, dinâmica e instigante de iniciativas regulares que precisam ser seguidas para que a ideia central do negócio atinja ou supere seus objetivos empresariais.
Qualquer organização é influenciada por dois ambientes: interno e externo. A primeira afirmativa perscruta a existência dinâmica da relação do empreendedor com dois atores fundamentais: clientes e parceiros. Pois bem, 42,53% dos entrevistados não costumam visitá- los. Eles representam dois pontos fundamentais da cadeia: comprar e vender. Preferencialmente, comprar bem e vender bem, com sustentabilidade.
Cerca de 16% dos empreendedores pesquisados debutaram a atividade empresarial a partir da instituição do Microempreendedor Individual. Entretanto, 45,13% da amostra não participa de programa de capacitação. E 45,78% não buscam financiamentos bancários. Estes dois aspectos se cruzam na medida em que a capacitação habilita o empreendedor ao melhor exercício do seu ofício, enquanto que boas linhas de crédito (taxas de juros e prazos adequados), viabilizam planos de melhorias, ampliação, financiamento de vendas, dentre outras aplicações.
De um lado, cabe realçar que a rede de bancos oficiais possui boas linhas de créditos para microempreendedores, como é o caso da amostra objeto deste trabalho. De outro, lamentavelmente, essa rede não dedica esforços gerenciais no atendimento e acompanhamento das operações celebradas com os MEIs.
Sendo a informação insumo essencial em qualquer atividade, 37,66% não garimpa informações acerca do setor em que atua, do seu mercado e da concorrência que diretamente impacta seu negócio.
Questões Assertivas1 x s
Você visita seus clientes e parceiros Você obteve empréstimos bancários Você participa de cursos de capacitação
Você busca informações acerca do seu negócio, mercado e concorrência Você estabelece objetivos e metas
Você define planos de ação para atingir objetivos e metas
42,53% 45,78% 45,13% 37,66% 36,69% 40,58% 2,7314 2,7346 2,7282 2,8247 2,7670 2,7152 0,9279 0,9135 0,9167 0,9156 1,1431 1,1350 Nota: 1 – Percentual de respondentes que assinalaram “discordo” ou “discordo totalmente” com as afirmações desta tabela.
5. CONCLUSÕES
É propósito deste capítulo enfeixar as necessárias conclusões deste trabalho de pesquisa, a estas adicionando pontos que podem sugerir futuros trabalhos. As conclusões estão sendo apresentadas seguindo a ordem dos três objetivos específicos.
É sempre oportuno realçar a essencialidade do planejamento como etapa antecedente à constituição formal e física de um empreendimento, independentemente do seu tamanho. O planejamento não representa um certificado de garantia quanto ao êxito de um negócio. Mas a sua ausência tem grande significado na perspectiva de elevadas chances de fracasso desse empreendimento.
Desta forma, o primeiro objetivo específico tem o mandato que averiguar se os Microempreendedores Individuais cuidaram à priori do planejamento de seus empreendimentos, sob a forma de um plano de negócios. Derivam daí outras apreciações que têm uma conexão e que dão uma forma simétrica a esse procedimento.
Os resultados da pesquisa claramente demonstram que a imensa maioria (75,65%) não reservaram parte de seu tempo para a elaboração do plano de negócios. As demais assertivas que compõem este bloco, ainda que apresentem percentuais bem menores (variam entre 32,14% e 49,68%), são reveladores da ausência de iniciativas importantes, ou das inquestionáveis fragilidades na sua execução, graças a inexistência do planejamento prévio.
Como uma consequência natural e capaz de formar um juízo acerca da gestão dessas empresas, o segundo objetivo específico tem embutido um conjunto de afirmações para cujas opções escolhidas pelos entrevistados, apontaria para a existência ou sua precariedade do processo de gestão do empreendimento. Aqui surge outra vez o plano de negócios como elemento dinâmico, desde que regularmente atualizado, capaz de sinalizar novos cenários ou novas tendências, sejam estas positivas ou negativas.
que compromete seriamente a qualidade dos demais itens pesquisados neste bloco. Ainda que executem tais atividades, prática afirmativa para cerca de 2/3 dos pesquisados, os resultados de tais trabalhos perdem a capacidade de compor uma visão holística dos predicados econômicos imaginados pelos empreendedores no nascimento de suas empresas.
Mensurar e atualizar receitas, custos, despesas, preços, aperfeiçoamentos e tecnologias significa descortinar novos horizontes em seu ambiente de atuação. Caso esse novo cenário ofereça aspectos positivos, o fato de o empreendedor conhecê-los permitirá potencializar seu aproveitamento. Caso sejam cenários negativos, o empreendedor terá a oportunidade de adotar medidas corretivas e/ou mitigadoras. A pesquisa revelou um cenário preocupante nesse sentido. Por vezes o pesquisador tem verificado casos em que uma atuação passiva diante do cenário, ou pior, desconhecer a mudança leva empresas a perder negócios, enfrentar dificuldades e, em muitos casos, encerrar as atividades. Em Recife a empresa Tele Taxi liderou seu setor durante anos. Nem sempre teve uma relação amistosa com os taxistas afiliados e seus próprios clientes. Eis que surgem no mercado aplicativos redentores da liberdade dos taxistas, oferecendo serviços mais rápidos e as vezes mais baratos. Mencionados aplicativos não são novos. Estão nas maiores capitais do mundo há alguns anos!
O terceiro e último objetivo específico foca a existência e o grau do comportamento empreendedor. Caso fosse possível a analogia, o comportamento empreendedor é o oxigênio da empresa. Ele confere esplendor, dinamismo, entusiasmo pelo “tocar” do empreendimento. É o que faz os “olhos brilharem” do empreendedor.
Este bloco contempla aspectos desencadeadores dessa “cruzada”. O empreendedor deve ser uma pessoa que não aceita o status quo. Sempre haverá uma barreira a ser ultrapassada e a ultrapassagem comemorada, para em seguida fixar novas fronteiras que deverão ser vencidas. A pesquisa mostra que quase metade dos entrevistados não visita seus clientes e parceiros. Como avançar sem que saiba o que seus clientes desejam? A base está no acesso à informação envolvendo novas demandas, novos insumos, novos concorrentes, dentre outros aspectos. Dentre
os empreendedores entrevistados, parte significativa (variação entre 36,69% e 45,78%) não buscam informações, não participam de capacitações, não garimpam recursos de terceiros para alavancagem seus negócios. Pior: não fixam metas e não determinam objetivos!
Enfim, a pesquisa é conclusiva quanto à inexistência de um elo que una a iniciativa governamental propugnando à formalização jurídica dos microempreendedores informais, como ações que genuinamente e massivamente contemplem aspectos como: capacitação, orientação e consultoria.
Além desses pontos falhos, há de se registrar a ausência do Estado também quando a matéria é crédito. O Microempreendedor Individual não recebe dos bancos oficiais, além do crédito, orientações sobre a melhor forma de aplicação dos recursos, nem acompanhamento do empreendimento posteriormente à concessão do crédito. Aliás, os encargos cobrados do Microempreendedor Individual nem sempre são os menores disponíveis nas carteiras dos bancos oficiais.
Em que pese o quadro revelado pela pesquisa ser preocupante, oferece múltiplas oportunidades de intervenções buscando mudar, mudar e mudar.
É instigante pensar como trabalhos que o futuro pode reservar ao pesquisador, atuar na estruturação de um modelo de gestão que, mesmo considerando a indiscutível relevância das teorias já consagradas, enleve aspectos práticos do cotidiano dos microempreendedores. A ideia sugere um modelo muito dinâmico, amigável e que ofereça respostas claras, simples e diretas. Entretanto, a realidade impõe uma constatação: muito das questões comentadas e analisadas, são por falta de atitude. A base de tudo é atitudinal. Mas também carência de conhecimento. Esse binômio precisa caminhar em perfeita sintonia.
Não é possível ter clareza quanto à viabilidade destes próximos passos. Mas pensar neles dá um brilho especial nos olhos!
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APÊNDICE A - Formulário a ser aplicado com os Microempreendedores Individuais. PARTE I - PLANEJAMENTO
1. Você fez um plano de negócios antes de criar a empresa
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
2. Você projeta todos os anos o lucro desejado para o ano seguinte
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
3. Você sabe quantos clientes precisa ter
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
4. Você conhece os hábitos de consumo de seus clientes
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
5.Você sabe quanto tem de vender para cobrir seus gastos e dar lucro.
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
6. Você sabe quanto precisa de capital de giro para seu negócio
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
7. Você calculou o valor do investimento necessário para iniciar o negócio
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
PARTE II – GESTÃO EMPRESARIAL
8. Você atualiza regularmente seu plano de negócios
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
9. Você acompanha regularmente as receitas e gastos do negócio
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
10.Você calcula regularmente o custo dos produtos ou serviços
11. Você aperfeiçoa seus produtos ou serviços
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
12. Você se aperfeiçoa em relação às tecnologias empregadas
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
13. Você inova os processos e procedimentos
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente
PARTE III – COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR
14.Você visita seus clientes e parceiros
Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente