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3.1 Research methods

3.1.2 Differences and similarities

Os cuidados à família desenvolvem-se a par da evolução dos cuidados de enfermagem, havendo evidência de que a preocupação em integrar a família como foco dos cuidados se iniciou desde Florence Nightingale. Hoje os desafios epistemológicos centram-se na clarificação das dinâmicas de intervenção e o seu impacto na prática clínica; estabelecimento das relações entre o sistema e os resultados individuais; construções do conhecimento sobre como as famílias criam significados nos processos de saúde e de doença e ainda o desenvolvimento de modelos teóricos que sustentem a prática (Figueiredo, 2012).

O MDAIF emerge do Modelo Sistémico ou do Pensamento Sistémico que resulta da triangulação entre a Teoria Geral dos Sistemas de Bertanlaffy (1977) que definiu as leis gerais que permitem conhecer as caraterísticas dos sistemas, a Cibernética de Norbert Weiner (1948) que estudou a forma de funcionamento dos sistemas e a Teoria da Comunicação Humana de Paul Waltzlawick et al. (1967) que fizeram a ligação entre os elementos que compõem cada sistema.

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As fontes teóricas do MDAIF sustentam ainda desígnios da enfermagem de família, tendo sido co-construído a partir do Modelo de Calgary de Avaliação da Família e pelo Modelo de Calgary de Intervenção da Família. Foi igualmente suportado pelos subsídios que advieram das experiências dos enfermeiros em contextos de intervenção familiar. De acordo com a autora Figueiredo (2012) a partir destes contributos teóricos reuniram-se uma série de conceitos e pressupostos como estrutura teórica para este modelo. Irei dar relevo a estes conceitos e pressupostos neste relatório de estágio por considerá-los muito importantes, como orientadores fundamentais na abordagem com as famílias. Os quatro principais conceitos deste modelo são: Família, Saúde Familiar, Ambiente Familiar e Cuidados de Enfermagem à Família, que passo a descrever:

Família é um sistema cujas propriedades são mais do que a soma das propriedades

das partes; cada sistema tem uma fronteira cujas propriedades são importantes para entendimento do seu funcionamento; o sistema familiar tende a alcançar estados de relativa mas não total estabilidade; acontecimentos como o comportamento dos indivíduos numa família são mais bem compreendidos como exemplos de uma causalidade circular do que se considerarem baseados numa causalidade linear; o sistema família é constituído por subsistemas e são, eles próprios, partes de supra sistemas maiores.

Saúde Familiar é um processo dinâmico de adaptação perante as transições

experienciadas pela família enquanto unidade; potencial de bem-estar nas dimensões biológica, espiritual social e cultural; capacidade da família em promover estratégias que permitem a sua funcionalidade enquanto unidade, e simultaneamente, dar resposta às necessidades individuais dos seus membros; reciprocidade entre as práticas de saúde de cada elemento e o nível de saúde da família, num equilíbrio dinâmico que possibilita a co-evolução; integra a saúde de cada membro individualmente, bem como os aspectos da saúde e doença relativos à unidade familiar, de tal forma que a saúde de cada membro afecta o funcionamento familiar, que por sua vez influencia a saúde de cada um dos membros.

Figueiredo (2009), citando Relvas (1996) e Alarcão (2002) refere ainda que a saúde deve ser considerada na perspetiva do bem-estar familiar, integrando processos de retroalimentação num contínuo entre estabilidade e mudança que permitam

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transformações na estrutura do sistema familiar, mantendo a sua organização e conferindo-lhe um desenvolvimento próprio com uma sequência natural ao longo do seu ciclo de vida.

Ambiente Familiar é o conceito que prevê que as alterações no sistema familiar são

produzidas pelas interacções com o ambiente, decorrendo segundo a sua dinâmica interna, ou seja, de acordo com a sua estrutura. Os processos das pessoas nos seus ambientes devem ser vistos como interdependentes e estudados em termos sistémicos. Microsistema: é o contexto imediato onde os membros da família interagem entre si e onde desenvolvem os seus papéis familiares, de acordo com as funções e finalidades do sistema familiar; Mesosistema: são contextos mais amplos que integram a rede social da família, onde os membros da família participam activamente e com os quais estabelecem vínculos, englobando quer a família de origem, quer os sistemas mais amplos como a vizinhança, grupos de amigos, trabalho e rede comunitária; Exosistema: são contextos que não envolvem os membros da família como participantes activos mas que podem causar perturbação estrutural no microsistema, assim como nas interacções deste com o mesosistema, sendo exemplo as alterações estruturais e organizacionais a nível das instituições de saúde, profissionais e de educação com quem o sistema familiar interage; Macrosistema: nível mais amplo do ambiente, que integra os padrões institucionais, cultura, sistemas de crenças e ideologias, veiculados ao nível dos restantes sub-sistemas;

Cronosistema: é o conceito que subjaz aos vários níveis estruturais do ambiente e que

corresponde às mudanças que ocorrem ao longo do tempo, na família e no ambiente, centrado nas transições ecológicas e acidentais.

Cuidados de enfermagem à família caraterizam-se sobretudo pela capacitação da

família face às exigências e especificidades do seu desenvolvimento; promover e facilitar as mudanças no funcionamento familiar; potenciar as forças e recursos da família nos seus processos de transição e nos padrões de interacção promotores de fortalecimento da saúde familiar e da sua autonomia. Os cuidados de enfermagem desenvolvem-se ao longo do ciclo vital da família, são centrados na unidade familiar e assumidos como uma filosofia de cuidados colaborativos

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Pressupostos do MDAIF:

1. A família é um sistema constituído por subsistemas e integrado em diversos sistemas, cuja multiplicidade, quer das configurações familiares, quer das interacções mantidas entre os seus elementos e entre estes e o ambiente, confere- lhe unicidade num contexto de diversidade;

2. A família, enquanto sistema autopoiético, tem competência necessária para se manter em continuidade, pelo equilíbrio dinâmico entre a mudança e a estabilidade: 3. As mudanças que ocorrem na família, enquanto sistema social, são contextuais e

evolutivas, consentâneas à interacção entre o seu desenvolvimento e o ambiente no ecossistema;

4. As famílias são mais confiantes face ao futuro (desconhecido) quando enfatizam o melhor do seu passado (conhecido);

5. A saúde familiar é co-construída em torno do desenvolvimento e crescimento da família, enquanto sistema aberto, num contexto e num tempo direccionado à concretização das suas funções, mobilizando recursos internos e externos face aos seus processos de transição;

6. O sistema familiar é alvo dos cuidados de enfermagem, que se focalizam tanto na família como um todo, quanto nos seus membros individualmente;

7. Os cuidados de enfermagem enfatizam as interacções entre os membros da família, e entre esta e o ambiente com enfoque nas competências co-construídas pelos processos vivenciados enquanto grupo familiar;

8. Os cuidados de enfermagem centrados na família, enquanto alvo e unidade de intervenção, são regidos por um paradigma sistémico;

9. A finalidade dos cuidados centra-se na potencialização das forças, recursos e competências da família, interpondo-se a abordagem colaborativa, caraterizada pela co-evolução processual;

10. As etapas do processo de enfermagem, vão ao encontro das caraterísticas auto- organizadoras do sistema familiar, considerando reciprocidade entre o potencial de saúde dos seus membros e da unidade familiar, nos seus distintos domínios de funcionamento.

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De acordo com este referencial teórico os objetivos da enfermagem centram-se na capacitação da família direccionando-se para as suas respostas aos problemas reais e potenciais, englobando uma filosofia de parceria com a família. É dado ênfase aos pontos fortes dos membros da família e do grupo familiar por forma à sua mobilização na resolução dos seus próprios problemas. Assim sendo, o papel do enfermeiro é ajudar a que a família identifique os seus próprios problemas e encontre as suas próprias soluções, perspetivando a promoção da saúde familiar através do desenvolvimento da família nas suas dimensões cognitivas, afetivas e comportamentais.

A autora Figueiredo (2009) citou os autores Elsen, Althoff & Manfrini (2001) para referir que a enfermagem que centra os cuidados à família, tem como objetivo a independência da família e dos seus membros, ajudando-a a crescer na sua capacidade de dar resposta às suas necessidades e no desempenho das suas funções, identificando-a como agente do seu processo de desenvolvimento, com direitos e responsabilidades.

Este referencial teórico apresenta também uma vertente operativa, com uma matriz própria que visa orientar os cuidados de enfermagem com a família. A matriz operativa do MDAIF reflete a dimensão teórica do modelo interligada com a operacionalização do mesmo. Trata-se de uma estrutura organizada, constituindo-se como um instrumento organizador e sistematizador das práticas de enfermagem no âmbito do cuidado à família. Propõe uma forma metodologia de realizar o processo de enfermagem de acordo com o plano de cuidados centrado na família, englobando um processo de avaliação familiar, definição de diagnósticos de enfermagem, intervenções e avaliação dos resultados. Pretende ser uma base de orientação para a prática dos cuidados à família. Contudo face à especificidade e complexidade de cada família a autora salvaguarda que cabe ao enfermeiro fazer as adaptações necessárias às caraterísticas da família.

A avaliação familiar incide sobre 3 áreas de atenção: na estrutura da família, com a identificação da mesma (Avaliação Estrutural); no desenvolvimento, com a compreensão dos fenómenos associados ao crescimento da família, numa abordagem

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processual e contextual (Avaliação de Desenvolvimento) e nos padrões de interacção familiar, que permitem o desempenho das funções e tarefas familiares (Avaliação Funcional). Esta dimensão avaliativa do MDAIF de acordo com a autora Figueiredo (2012), constitui-se como uma estrutura de organização sistemática, visando tanto o conhecimento aprofundado da família, como a possibilidade de direccionar as intervenções no sentido do fortalecimento familiar.

Quanto à dimensão de intervenção familiar a autora descreve que decorre da análise dos dados obtidos na interacção com as famílias e face à complexidade, intersubjetividade e contextualidade das mesmas. Os diagnósticos correspondem à identificação das forças da família em conjugação com o reconhecimento das suas necessidades ou problemas. O planeamento das intervenções conducentes à mudança, deve considerar primordialmente as forças da família, no sentido de que a mudança seja percepcionada como viável e assim obter o comprometimento da família com o plano. Este modelo propõe ainda intervenções direccionadas para necessidades identificadas nas áreas de atenção familiar como uma estrutura orientadora que permita ajustar essas intervenções às necessidades da família, considerando a complexidade dos processos familiares inerentes ao seu desenvolvimento, estrutura e modo de funcionamento. A intervenção deve enfatizar a capacidade da família na resolução dos seus problemas e o papel do enfermeiro como facilitador da co- construção dessas soluções.

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