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Diagnostisering

In document Jenter og ADHD (sider 37-42)

3 ADHD

3.3 Diagnostisering

euSébIO zeFerINO eNcArNAçãO DA cONceIçãO

Faculdade de Ciências e tecnologia, universidade do Algarve

Figura 1 Prototipagem do sistema de tratamento de efluentes gasosos

Figura 2 câmara virtual equipada com sistema de ventilação personalizada

ENqUADRAMENTO

É inegável o contributo da construção para o bem-estar e qualidade de vida atuais. É também uma das atividades economicamente mais re- levantes, embora com impactos muito signifi- cativos no consumo de recursos e geração de resíduos. a procura na construção vai crescer no mundo, sobretudo para satisfazer as neces- sidades dos países em desenvolvimento, mas também para manter, reabilitar e adequar às novas necessidades o património e as infraes- truturas dos países mais desenvolvidos. após décadas de forte desenvolvimento e ino- vação, designadamente no pós- guerra, há pelo menos vinte anos que a construção não está a conseguir evoluir ao ritmo das indústrias mais dinâmicas. a produtividade está estacionária, a integração do conhecimento é baixa, a atividade

tem dificuldade em atrair os melhores, é pouco tecnológica e di- gital. tem ainda de melhorar a formação dos seus agentes, ser mais sustentável, mais eficiente energeticamente e ser capaz de mudar a imagem de si própria.

a construção portuguesa encaixa neste retrato geral. É um domínio onde temos competências ancestrais que conseguimos exportar, mas sem uma estratégia que as consiga valorizar. Falta um conceito de fileira, há uma grande heterogeneidade entre os agentes e há ineficácia nos processos. o estado, além de não ter estratégia e re- gulação para o setor, tornou-o no principal culpado da recente crise. sob uma pretensa lógica de autorregulação pelo mercado, o mérito e a competência não são premiados. a própria fileira não é capaz de se articular numa estratégia que permita ter no mercado interno uma perspetiva estável de médio prazo e no mercado externo po-

tenciar o excesso de capacidade de que o país dispõe. Funcionamos por altos e baixos, per- dendo valor e desperdiçando oportunidades. ESTRATÉGIA

a inovação e digitalização, enquadradas numa estratégia global, podem ser decisivas no au- mento de competitividade que o setor nacional precisa, aproximando-o das atividades mais de- senvolvidas. É indispensável perceber a abran- gência da fileira, ter uma visão alargada de ciclo de vida e envolver todos os stakeholders. para isso é necessária uma ação em torno dos três vetores mais relevantes para a inovação: tec- nologias, pessoas e processos.

Da análise da maturidade no setor, dos princí- pios que normalmente se associam à indústria 4.0, percebe-se que as tecnologias estão num estado mais evoluído do que as pessoas e os processos. para in- duzir as mudanças disruptivas que o setor precisa é necessário: › rever o processo de formação e competências, iniciais e ao longo da vida, de trabalhadores e quadros, difundindo conheci- mento, divulgando boas práticas e tornando o setor atrativo para se trabalhar;

› rever os modelos contratuais, privilegiando modelos alternativos que integrem uma análise de ciclo de vida, tornem as relações menos hostis, em que todos se sintam incentivados, porque daí tiram benefícios, na procura de valor e de inovação;

› repensar a forma de projetar, mais focada na forma de construir, vendo a obra como um processo de assemblagem de componentes industrializados, envolvendo o mais cedo possível os construtores; › normalizar/“standardizar” e tornar interoperáveis os sistemas de comunicação e informação, para maximizar o potencial das novas tecnologias e metodologias como o Bim, produção de materiais e componentes, automação e sensorização;

› trazer para os estaleiros um planeamento mais rigoroso, os prin- cípios que já são vulgares na logística, processos de trabalhos mais colaborativos, produtivos e com redução do desperdício.

CONCLUSõES

a construção precisa de se reinventar e a transformação digital pode ser um meio poderoso para esse fim. sem articulação e estratégia a digitalização só vai acentuar as divergências e fragmentar mais o setor. É necessário aumentar a cooperação na investigação, na adoção de técnicas inovadoras e na procura de soluções sustentáveis. tem que ser a própria construção a liderar esta mudança, educando para a sua importância e impacto na qualidade de vida. a construção e os engenheiros têm que ganhar a confiança e respeito público, sendo intervenientes fundamentais na tomada de decisões politicas.

DESAFIOS DA TRANSFORMAçãO DIGITAL

DA FILEIRA DA CONSTRuçãO

hIPóLITO De SOuSA

Engenheiro Civil • Professor da FEUP Administrador da Sopsec

PeDrO MêDA

Engenheiro Civil • Investigador do instituto da Construção, FEuP

Figura 1 Análise geral da maturidade do setor ao nível da Tecnologia, Proces- sos e Pessoas, enquadrados nos princípios da visão construção 4.0

sessão tÉCniCa paraLeLa – CONSTRUçãO E GESTãO DE INfRAESTRUTURAS

A

escavação de valas é uma atividade

usual no âmbito da implementação de projetos de engenharia Civil, quer para construção de fundações de edifícios, quer para execução de redes de infraestru- turas, tais como condutas de água ou de gás, cabos de eletricidade ou de telecomu- nicações, entre outras.

a abertura dessas valas, e os trabalhos que no interior delas se executam, podem cons- tituir-se como atividades de risco elevado, ameaçando a integridade das edificações vizinhas, expondo a perigos, com potenciais consequências graves, não só os trabalha- dores que as executam, como terceiros que interagem com o meio envolvente aos tra- balhos.

o risco associado a essas atividades pode decorrer, nomeadamente, do colapso ou queda das paredes da vala (na ausência ou insuficiência de entivação) em função das fracas características geotécnicas dos ter- renos, da incidência e acumulação de água, da presença de sobrecargas junto à vala (associada às terras escavadas, ou outras) e de vibrações resultantes do funcionamento de equipamentos. podem ainda existir riscos associados ao colapso de estruturas situadas nas proximidades da vala – devido a movi- mentos induzidos pela escavação nos ter- renos em que estão fundadas –, à interseção da vala com infraestruturas existentes (redes de águas, cabos elétricos, etc.), ou à queda de pessoas, objetos e equipamentos para o interior da vala.

Devido à sua aparente simplicidade, apesar de a legislação os classificar como atividades com riscos especiais, os trabalhos de esca- vação de valas não têm merecido por parte dos principais intervenientes a necessária atenção. De facto, são recorrentes os casos em que existem falhas significativas ao nível da adequada identificação de riscos, da apli- cação da legislação relacionada com a se- gurança, da elaboração do projeto de exe- cução, nomeadamente no que se refere à ausência ou inadequação de estudos geo- lógico-geotécnicos e da conceção e do dimensionamento de contenções e ainda da aplicação dos princípios gerais de pre- venção e da monitorização durante a cons- trução destas obras. estas falhas decorrem, essencialmente, quer do insuficiente co- nhecimento que as diversas entidades en- volvidas têm dos assuntos em causa, quer da realização de empreendimentos ao abrigo

de propostas técnicas e comerciais desa- dequadas, às quais as empresas adjudica- tárias recorrem com o objetivo de se tor- narem mais competitivas.

assim, as estatísticas de acidentes de tra- balho relacionados com a abertura de valas continuam a traduzir um elevado número de acidentes, com repercussões significa- tivas, fundamentalmente no que se refere ao número de mortos e de feridos graves. nestas circunstâncias, e apesar de o assunto se poder afastar da temática central do XXi Congresso – engenharia e transformação Digital – a Comissão de especialização em geotecnia da ordem dos engenheiros julgou adequado apresentar uma comunicação onde se referem alguns aspetos que se co- locam nas diversas fases dos empreendi- mentos, às distintas entidades envolvidas, aspetos esses que se consideram de parti- cular importância com vista a informar e sensibilizar os decisores e os responsáveis por este tipo de trabalhos, no sentido de aumentar a segurança aquando da sua rea- lização e de reduzir os riscos a eles asso- ciados.

os autores consideram que, havendo essa sensibilidade e a possibilidade de promover o desenvolvimento de competências dos trabalhadores necessárias à identificação de riscos e à participação na prevenção, no- meadamente proporcionando formação e fornecendo informação, é possível reduzir os acidentes de trabalho com repercussões graves, não só em termos económicos, como, essencialmente, em termos sociais.

SEGuRANçA NA ESCAvAçãO DE vALAS.

RECOMENDAçõES E BOAS PRÁTICAS

Figura 1 escavação em vala, escorada, modelada por elementos finitos

eDuArDO FOrTuNATO1, ALexANDre PINTO1, ANA quINTeLA1, cArLOS bAIãO1,

IvO DA rOSA1, jOSé cuPerTINO2

1 Comissão de Especialização

em geotecnia da oE

2 teixeira duarte – Engenharia

e Construções, S.A. 1 1 1 1 1 2

1. INTRODUçãO

o Bim – Building Information Modelling pode ser utilizado com vantagens em várias áreas, uma das quais é a prevenção de riscos. Com o objetivo de solucionar a ineficiência da atual abordagem à prevenção de riscos foi criado o conceito “BIMSafety”, desen- volvido através de uma parceria técnico- -científica entre o Departamento de enge- nharia Civil da universidade do minho e a empresa Xispoli-engenharia. o conceito ora apresentado permite associar os riscos li- gados às operações de construção e de ex- ploração de cada elemento e equipamento de uma construção, durante toda a vida útil da mesma.

2. INTEGRAçãO DO PLANEAMENTO DA PREvENçãO NO autoDesk revit o BIMSafety prevê a integração da prevenção no modelo em duas fases: a primeira é a identificação dos riscos e das medidas pre- ventivas, através da visualização a três di-

mensões (3D); a segunda é a inclusão da informação de prevenção nos parâmetros de cada um dos elementos construtivos. o estudo centra-se nas componentes es- pecíficas habitualmente mais importantes do plano de segurança e saúde (pss) e da Compilação técnica (Ct): no caso do pss, o plano de estaleiro, o plano de movimen- tação mecânica de cargas e o plano de pro- teções coletivas; no caso da Ct, o plano de trabalhos em fachadas, o plano de trabalhos em coberturas e o plano de trabalhos nos interiores. assim, testa-se a visualização tri- dimensional e parametrizada destes seis planos, bem como a introdução de infor- mação paramétrica em cada um deles. as Figuras 1 e 2 ilustram as modelações rea- lizadas no software escolhido para mode- lação: Autodesk Revit.

após a modelação do edifício realizou-se a introdução de informação escrita e para- métrica sobre as medidas preventivas, em cada um dos elementos. a inclusão da in- formação de caráter preventivo foi desen- volvida em três fases:

› fase I – shared parameters: a informação é introduzida no programa por parâmetros,

sendo necessário introduzir os Shared Pa-

rameters, que permitem a utilização dos

parâmetros em vários projetos. os Shared

Parameters assumem-se, assim, como uma

“base de dados” de elementos de caráter preventivo. a caracterização dos parâme- tros exige o uso de propriedades como o nome, a especialidade (arquitetura, estru- turas ou mecânica) e o tipo de parâmetro. É necessário ainda adicionar uma descrição, indicando o que representa;

› fase II – project parameters: segue-se a associação dos parâmetros aos elementos construtivos. É necessário, nesta altura, de- cidir sobre o tipo de conjunto de parâme- tros a usar: por instância ou por família. em- bora a atribuição por família apresente van- tagens de economia de tempo e trabalho, pois atribui a mesma informação a todos os objetos da família, na prática torna-se in- viável, dado cada elemento estrutural poder ter vários riscos, com diferentes medidas preventivas. resta a atribuição do parâmetro por instância (ou seja, por cada elemento modelado), onde a informação difere em todos os elementos, sendo independente e única;

› fase III – Associação dos Parâmetros a

cada elemento construtivo: como resultado, obtém-se a integração, em formato escrito, de informação paramétrica sobre riscos e medidas preventivas no próprio elemento. a Figura 3 ilustra o exemplo de uma laje de um piso superior.

3. INqUÉRITO

o inquérito avaliou a utilidade do novo mo- delo quanto ao modo de visualização e in- dexação de informação a cada elemento construtivo. Foram feitos seis planos, com

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