2. Theoretische Reflexionen – Das Amerikabild im deutschsprachigen Raum des 20
2.2 Begriffsgeschichte – Übersicht über das literarische Amerikabild im
2.2.3 Schweiz
2.2.3.2 Das Deutsche Kaiserreich und die Schweiz – 1871 bis 1914
Por um período de três meses fiz-me presente na maior parte dos trabalhos de terças- feiras e pude perceber os detalhes que vão ao encontro do objetivo do estudo: a compreensão dos imaginários umbandistas e as representações em torno do corpo a partir das técnicas, gestos, percepções, uma porta de acesso à cosmovisão e ao ethos. A sessão de preto-velho acontece nas terças-feiras. Os passes magnéticos e as consultas começam por volta de 20:00 horas após todo um conjunto de procedimentos ritualísticos que antecipam a prática em si. Todavia, tais procedimentos são considerados mais do que uma performance ou uma encenação teatral, como afirma W.T. e aproximados mais de técnicas, ao comparar os pequenos ritos da casa com os rituais formais umbandistas.
Geralmente chegava aos trabalhos mais cedo, a fim de perceber o movimento dos médiuns e do dirigente assim como dos consulentes. Nas conversas que tive com médiuns, consulentes e dirigentes foi-me dito que o trabalho se expandiu no plano físico e espiritual. Os dirigentes não esperavam tanta procura para um espaço tão pequeno. No inicio das atividades por volta de meados de 2010 as sessões de preto-velho recebiam em média 15 pessoas por noite sendo que haviam 3 médiuns disponíveis. Geralmente os trabalhos terminavam no máximo às 22:00h. Atualmente existe um numero muito maior de consulentes e de médiuns. A casa chega a atender em algumas noites mais de 70 pessoas, o que faz com o que o trabalho se estenda até às 00:00h em dias excepcionais. Esse fato deve-se, como observado, ao detalhe de que o trabalho de preto-velho é mais atencioso, diferente do trabalho de caboclo às quartas- feiras quando os passes magnéticos são mais rápidos e de qualidade mais intensa devido à
100
própria energia de caboclo. Os trabalhos de preto-velho têm a particularidade de serem demorados tanto nos passes quanto nos aconselhamentos espirituais.
O espaço é pequeno, mas disposto segundo os dirigentes de forma acolhedora, intimista, como idealizado por Pai Benedito, o mentor da casa. Não se utilizam muitas luzes. O ambiente é sombreado28, uma construção simples. Existe a sala dos passes, onde ficam os médiuns praticantes, o altar ou congá e todo o acervo de imagens. Conjugada à sala dos passes existe uma ante-sala onde ficam os consulentes. Nessa mesma ante-sala um espaço é reservado aos médiuns de corrente, que sustentam energeticamente as vibrações coletivas. Como a ante-sala é pequena, é comum a fila que se estende até a área externa do terreiro com uma pequena varanda improvisada, rodeada por jardins onde se encontram muitas ervas que podem ser utilizadas pela casa para banhos, defumações e medicamentos. Houve dias em que cheguei a observar uma fila com mais de 70 pessoas que se estendia até a rua, de fora do terreiro.
Antes do inicio do trabalho existe um roteiro ritualístico a ser seguido. São pequenos ritos considerados mais como técnicas magísticas a fim de que os trabalhos corram sem empecilhos. O primeiro ato ritual que antecede o tratamento em si é o cumprimento e pedido de auxílio aos exus guardiões, entidades que residem nas tronqueiras. As tronqueiras são consideradas um sítio sagrado e um ponto de apoio energético, criadas geralmente na fundação do terreiro. Elas são como pequenas grutas. No seu interior existe um espaço vazio onde são colocadas velas para as entidades que nelas residem. A entidade regente na primeira tronqueira é o Exu Viramundo. Ele reside na tronqueira que se encontra ao lado da porta de entrada do terreiro, local nada aleatório, mas premeditado. “Viramundo, com seus olhos que tudo vê atenta-se às companhias espirituais dos consulentes e médiuns, auxiliando nas fronteiras do terreiro quanto a qualquer energia, força, vibração que possa atrapalhar o trabalho” diz W.T. Na segunda tronqueira, localizada no fundo da casa, local também premeditado encontra-se Esmeralda a pomba-gira. Ambos são considerados espíritos guardiões. Eles controlam a entrada e saída de espíritos. Sem o cumprimento e o pedido de auxílio os trabalhos não se realizariam da mesma forma. Lembre-se também que como falou
28 Segundo os dirigentes W.T. e Dona Graça essa casa seria construída pra outros fins e o salão seria
maior, em outro local no terreno. Todavia Dona Graça teve a intuição de construir um cômodo de tijolinhos. Pai Benedito, o espírito guardião gostou do espaço e disse que seriam ali os trabalhos devido ao acolhimento que ele inspirava.
101
W.T., além dos protetores e guardiões da casa existe uma “egrégora” da linha de yorimá atuando não apenas em nível local.
Como observado, os médiuns vão até ela por volta das 19:30h e acendem uma vela em oferenda ao guardião no intuito de iluminar seu trabalho. Além disso, fazem duas orações de pai-nosso e duas de ave-maria. Conversando com o médium após o rito na tronqueira ele diz que quando a casa é séria, duas horas antes a espiritualidade cerca todo o quarteirão. E diz que só entra na casa quem vier com o consulente ou quem estiver com o médium. Considera- se que a proteção é local e extrafísica.
Após esse pequeno rito os médiuns dirigem-se para o salão onde são realizados os passes. Atento aos movimentos dos médiuns observou-se que todos os que entravam no terreiro realizavam primeiramente um cerimonial na tronqueira e posteriormente se dirigia ao altar, curvando o corpo em atitude de reverência a Pai Benedito, dirigente espiritual da casa. No caso da reverência aos guardiões nas tronqueiras, estes auxiliam na proteção do corpo etérico. Literalmente o guardião ajuda a “fechar o corpo” e impedir que espíritos negativos prejudiquem o médium e o trabalho. Ao perguntar sobre o gesto de curvar a cabeça diante do altar um médium me respondeu que aquele gesto é feito com o objetivo de pedir a benção a Pai Benedito, o que é feito em uma nítida atitude devocional e de respeito, que por sua vez possibilita a abertura do chacra da coroa, o que facilitaria a canalização da energia espiritual e, como conseqüência, uma incorporação mais equalizada, com maior sintonia entre médium e guia. Esses procedimentos devem ser feitos “na mais sincera devoção e intenção” diz um médium, ou seja, não é apenas uma encenação.
Após esse pequeno rito os médiuns procuram entrar em um estado de meditação de 15 a vinte minutos. Todos se mantém descalços, em silêncio, com a sala a meia luz. Cada um procura a seu modo estabelecer a conexão com seu guia interno. É muito comum observar inúmeros gestos como auto-imposição de mãos, desenhos no ar e no corpo, mãos unidas na cabeça, no peito, gestos parecidos com uma higienização energética, arrepios, espasmos. Alguns gestos claramente significam uma aproximação da entidade. O corpo muitas vezes parece responder a alguma força sobrenatural, mas nunca algo tão visceral como nas giras, e sim, controlado, domável.
Após a meditação todos os médiuns realizam um pai-nosso e três ave-marias. Então, na sequência, canta-se o hino da umbanda a uma só voz e posteriormente dá-se início à defumação. A defumação é feita ao som de um ponto cantado muito comum a outros terreiros.
102
Defuma com as ervas da Jurema Defuma com arruda e guiné Defuma com as ervas da Jurema Defuma com arruda e guiné Benjoim, alecrim e alfazema vamos defumar filhos de fé.
Dona Graça começa a defumar no canto direito do altar com um pequeno caldeirão e corre com as ervas em fogo no sentido horário até chegar ao médium W.T. que incorpora Pai Benedito no canto esquerdo do altar. Dona Graça passa por cada médium com as ervas em brasas. Estes lançam as mãos em movimento ascendente para que a fumaça suba até a cabeça e, na sequência, viram o corpo para que Dona Graça lance a fumaça em suas costas. O salão é consumido pela fumaça, símbolo sagrado na tradição umbandista. A nuvem de fumaça teria o poder, segundo a crença umbandista, de afastar entidades, energias, formas de pensamento negativas, larvas astrais. A umidade das ervas aquecida pelo fogo geraria um intermediário sutil, a fumaça, capaz de carrear as qualidades inerentes às plantas, tanto seus princípios químicos como etéricos. As plantas utilizadas são consideradas “plantas de poder”, quer dizer, plantas que trazem consigo tanto uma vibração salutar como um simbolismo especial, uma qualidade benfazeja e curativa. Suas qualidades espirituais para além dos benefícios bioquímicos (MONTERO, 1985) repeliriam qualquer elemento estranho e nocivo que possa estar com o médium. O poder espiritual da fumaça seria, portanto, esse de agir sobre o corpo etérico. Cada erva teria um simbolismo.
Após a defumação o médium que incorpora Pai Benedito faz um agradecimento amplo às entidades que considera apoiar os trabalhos da casa. São lembrados inúmeros santos católicos, inclusive Papa Francisco. Do oriente são lembradas as figuras de Krishna e Buda além do guru indiano Sai Baba. Agradece-se também a personalidades do mundo espírita como Alan Kardec, Bezerra de Menezes, Chico Xavier e o médium espírita Nelson Teixeira que incorpora o Dr. Hansen. Agradece-se também ao fundador da apometria, Dr. Lacerda, aos mestres da fraternidade branca e especialmente ao espírito Ramatis. Por fim é feito um agradecimento às entidades da umbanda, aos orixás e em especial à linha que atua na casa. Após os agradecimentos realiza-se uma oração para o mentor da casa, Pai Benedito. O médium que recebe Pai Benedito vai até o congá e o incorpora. Ele curva-se diante do altar, abaixa a cabeça, a bate três vezes no congá e pede a conexão. Esse gesto, como dito anteriormente, é ao mesmo tempo um ato de cumprimento, um pedido de licença e uma técnica de liberação de energia. Após esse momento o médium literalmente muda seu
103
comportamento. A postura fica curvada, o tronco arcado, a cabeça baixa, a voz suave, os passos lentos. O médium que incorpora Pai Benedito, através desses gestos estereotipados traz o arquétipo energético da noite, o preto-velho. O preto-velho não apenas encena as qualidades da humildade, paciência, bondade, calma, amorosidade e suavidade mas resguarda uma qualidade simbólica primordial da linha de Yorimá que é sobretudo uma qualidade vibratória e energética que remete às raízes, à tradição, à terra. Esse arquétipo assim, reúne uma série de qualidades que poderíamos associar ao aspecto yin da vida como diz Concone (2001) em consonância com as falas dos médiuns. Essa qualidade oferece na noite essa vibração para os passes magnéticos, os aconselhamentos.
Após a incorporação Pai Benedito vai até a porta e saúda os consulentes. Na sequência Dona Rosa incorpora sua preta velha. Dona Rosa é a polaridade de Pai Benedito nos trabalhos da noite ficando posicionada estrategicamente no lado oposto a ele. Os dois pedem que os médiuns fiquem no centro e eles se dividem em pares, um homem e uma mulher com o objetivo de equilibrar as polaridades. Cria-se então um cordão energético e após a limpeza coletiva os médiuns de incorporação começam a receber as entidades. Dirigem-se até o altar e a conexão se efetiva segundo os estereótipos do preto-velho. Cada um com sua bengala caminha a passos lentos até seu tamborete ou toco onde dão as consultas. Já os médiuns de corrente ficam do lado de fora e formam um cordão de neutralização de energias negativas na antessala. Como relatado após a incorporação os médiuns dirigem-se para os seus assentos. Ao afirmarem que já estão prontos os auxiliares abrem a sessão. Geralmente na sala fica o médium W.T. que incorpora Pai Benedito ao lado esquerdo do altar e Dona Rosa do lado direito. Somam-se ainda outros seis médiuns de incorporação no interior do salão que revezam as consultas com outros médiuns de incorporação que auxiliam na corrente do lado de fora.
Após esse breve rito introdutório que dura por volta de 30 minutos iniciam-se os trabalhos. Todas as noites de terças-feiras que estive presente foram longas com filas que se estenderam até a rua. Inicialmente participei das sessões de preto-velho na ante-sala, conversando com adeptos de médiuns. Os médiuns geralmente ficam em meditação. Em vários momentos alguns realizam gestos que parecem ser um auto-passe.
Inicialmente os dirigentes permitiram apenas que observasse o rito inicial, mas não as consultas. Com o tempo, participando de grupos de estudo e criando laços já foi possível
104
observar também as consultas aos consulentes, desde que algumas condições fossem satisfeitas. Apenas observar, manter silêncio e vestir roupas brancas.
Em um dos dias, observando as consultas atentei para uma médium, B.R, que incorpora uma preta velha29. Antes que ela dê a liberação para a entrada de algum consulente é de praxe realizar uma preparação inicial; cada médium, à sua maneira, faz seu rito preparatório. Usos de água, fogo, vela, e uma mistura de alfazema, benjoim e álcool são comuns. No caso dessa médium, ao lado dela encontra-se água, uma vela e ramos de arruda usados para purificação energética além de alguns patuás e a bengala, recursos de proteção. Antes do início de cada consulta ela pede um pouco de álcool com alfazema e benjoin. Jesus, um médium que auxilia nos trabalhos, é encarregado de purificar os ambientes, objetos rituais, o corpo e assentos com essa mistura de ervas. Sentada em seu tamborete com a bengala a postos Jesus lança a mistura em suas mãos e ela limpa energeticamente sua bengala, suas mãos e o assento do consulente. Após essa limpeza ela libera a entrada dos consulentes. Ao observar o atendimento a alguns consulentes os gestos da médium se mostraram serenos, receptivos, confiantes, amorosos seguindo os estereótipos do preto-velho, mas em algumas situações claramente sua expressão se torna séria e turva, incitando a obediência a seus conselhos. Geralmente ela pede que o consulente sente-se. Lembrando-se que a consulta de preto-velho é sentada e a de caboclo em pé. Os consulentes, então, se sentam no tamborete e a médium pede na maior parte das vezes que ele segure firme sua bengala. A bengala traz o significado da sustentação, um pilar que simboliza a conexão com a raiz e a ancestralidade muito forte para um preto- velho. É simbolicamente o objeto que representa sua condição. Ao mesmo tempo esse objeto ritual seria um favorecedor de descargas de energias do consulente para a terra assim como protegeria o corpo do médium. Ao segurar a cabeça da bengala o médium pede que o consulente se concentre, faça uma oração. Mecanicamente muitos consulentes colocavam suas testas na cabeça da bengala. Nesse momento a médium tocava os ombros das pessoas descendo ligeiramente as mãos ao longo dos braços e do tronco, um gesto típico de limpeza energética o que dá início ao passe magnético. Segue-se, então, com a imposição das mãos sobre o alto da cabeça, a testa a nuca, o peito em nítida associação aos centros vitais. Os
29 Lembre-se que por sinal a maior parte dos médiuns que incorporam pretos-velhos, na casa, são
mulheres, mais uma vez reforçando a característica yin do trabalho. Como diz uma médium ao perguntar: “as mulheres são mais cuidadosas nas orientações psicológicas”, o que revela a natureza intimista, afetuosa e amorosa dos trabalhos de preto-velho na casa, o que não exclui personalidades yang, mais tradicionalistas, conservadoras, mais pragmáticas na orientação.
105
passes, direcionados aos chakras dos consulentes pretendem ao mesmo tempo proteger, equilibrar ou retirar deles qualquer influência maléfica que possam ali ter se alojado. Geralmente faz-se o sinal da cruz em pontos como alto do crânio, testa, coração e cóccix como sinal de proteção. Na cabeça e na nuca também são utilizados ramos de arruda além de água benzida, ou melhor, energizada ali mesmo. É muito comum observar não só essa médium como os outros com seus copos de água, e suas velas banhando as cabeças e percorrendo os corpos.
Mediante movimentos de mãos, gestos e sincronias musculares, usos de água, fogo e ervas o médium passista opera ao mesmo tempo uma transferência de energias positivas para o consulente como a neutralização de energias negativas. A imposição de mãos estabelece uma corrente vibratória que permite a passagem de correntes negativas para o corpo do médium que, com gestos rápidos descarregam essas forças em locais considerados seguros. Seguidamente a essas imposições de mãos observam-se alguns movimentos espontâneos não ritmados do médium que muitas vezes bate o cajado no chão em sinal de descarregar o que possa ter recebido.
É através do corpo etérico como dizem B.P. e W.T. que médiuns e sensitivos agem nos trabalhos mediúnicos observando as características dos chacras como movimento, cor, amplitude, rotação.
Observando outro médium percebeu-se que ele se conteve por vários instantes sobre o topo da cabeça de uma pessoa, impondo a mão ali com certa ênfase. Posteriormente em conversa ele disse:
Meu preto-velho quando iniciei os trabalhos com ele, ele fazia a limpeza segurando sua orelha. Simplesmente ele fazia isso, segurava a orelha. Com os estudos eu fui descobrir que aqui tem todos os pontos de todo o corpo como afirma a ciência da acupuntura. Tendo o contato com esses pontos você teria contato com todo o seu corpo. Hoje em dia meu preto-velho mantém essa técnica, mas geralmente faz diferente. Ele coloca a mão sobre o seu coronário, porque através desse centro vital, o principal chacra espiritual, cientificamente aqui encontra-se uma glândula que permite toda a comunicação com o mundo espiritual; então através daqui você vai além do corpo físico, você comunica com a alma da pessoa. Mas nem sempre se tem acesso a isso devido aos bloqueios da pessoa (B.P.).
Percebeu-se que o público está claramente sintonizado com busca por sentidos dados nas instruções de médiuns e grupos de estudo. Sentido e instrução que se aliam à busca por alívio da dor e sofrimento para lá dos sistemas oficiais da religião e da medicina que são as
106
instâncias que respondem a estas questões existenciais de modo mais abrangente. A busca pelos trabalhos terapêuticos revelou um indivíduo cada vez mais complexo e psicologizado que busca referenciar suas experiências não mais a partir dos arranjos simbólicos e semânticos hegemônicos de um mundo mergulhado ou na ilusão religiosa ou de um universo completamente laico e secularizado.
É neste sentido que os tratamentos da casa, com seus os inúmeros médiuns (caboclos, pretos e pretas velhas, entidades do oriente, médicos, curandeiros etc)30 e variadas formas de mediunidade, possibilita para situar a experiência do sujeito e seu corpo no mundo a partir de quadros de referência em mutação, que acompanham as mudanças sociais.
30 O médium consciente de seu lugar no terreiro quando incorporado com auxílio de seu espírito
guardião, traduziria as manifestações espirituais em um conjunto de práticas mágico-religiosas e em um discurso cuja linguagem simbólica pretende-se compreensível ao universo de sentido dos adeptos e de sua situação existencial. Para isso, o iniciado nas artes magística de cura precisa reconhecer que por trás da diversidade e complexidade de manifestação da natureza existe uma diversidade de manifestações e, portanto, uma diversidade de qualidades, subjetividades, sensibilidades inerentes a cada ser humano e aspecto da natureza. É importante tanto para o médium como para o consulente reconhecer os elementos que constituem o seu ser para além das definições convencionais restritas
107 3 MEDITAÇÃO TERAPÊUTICA SAHAJA YOGA
O método sahaja é aqui apresentado a partir de fragmentos vivenciais de um ciclo de doze encontros, assim como de entrevistas semi-diretivas e conversas informais com adeptos e instrutores. Como os demais neófitos e instrutores, fui introduzido em um conjunto de técnicas corporais de meditação nas quais são ministrados, simultaneamente, estudos da fisiologia sutil que envolvem tanto conhecimentos de ordem científica como cosmológica e religiosa. Permiti-me uma imersão fenomenológica em campo em que segui os roteiros de meditação prescritos pelo grupo, troca de experiência, participação em eventos. A partir da troca de experiências, da audição de relatos e do colhimento de algumas narrativas pessoais de adeptos, assim como da idealizadora do movimento por intermédio de vídeos e instrutores, foi possível acessar o imaginário somático sahaja, as representações do corpo, da saúde e da