6. DISCUSSION
6.1 M ETHODOLOGICAL CONSIDERATIONS
6.1.7 Determination of cut-off values
Falar da saúde dos idosos, participantes deste estudo, não difere do retrato da saúde daqueles do restante do Brasil, cujos principais indicadores de morbidade e mortalidade são traduzidos pelas doenças crônicas característica de uma população envelhecida que acompanha o processo de transição demográfica. Grande parte destes idosos são portadores de pelo menos uma doença crônica, com destaque para a hipertensão arterial, em geral a mais presente, associada com outras doenças, como a diabetes e com aquelas do sistema ósseo, como a artrose, osteoporose e dores articulares e da coluna. E, apesar de estarem convivendo com essas doenças já há algum tempo, todos se encontram com capacidade funcional mantida para andar, (com uma exceção apenas), fazer sua própria higiene, alimentar-se, contudo, apresentam dependência para os afazeres domésticos e necessitam de companhia para o atendimento nos serviços de saúde. São contextos de saúde já anunciados, há algum tempo pela literatura especializada.
Sobre esses aspectos, Veras (2002, p.17) analisa que apesar de serem os idosos usuários de maior demanda dos serviços de saúde, em pesquisa realizada na cidade do Rio de Janeiro 82,5% destes não relatam perda de sua capacidade funcional, contudo, 2/3 deles, responderam possuir mais de uma queixa. Trata-se de uma característica importante dos idosos da atualidade, no Brasil, mas, que não deve ser generalizada para todas as regiões e idosos, considerando que a população idosa não se constitui numa massa homogênea.
Sobre Dama, a idosa do grupo que não anda, conseqüência de artrose nos MMII, há mais ou menos um ano, e das dificuldades encontradas no percurso dessa experiência, relacionadas com o acesso ao profissional especialista, tanto em função de sua condição física, como também em função da demora da referência e encaminhamento dado pela USF, que, na maioria das vezes, não o providenciou de forma efetiva. Alem das outras dificuldades, como o deslocamento da sua residência para a realização dos exames, a disponibilidade da neta de acompanhá-la, pois nem sempre pôde sair de casa, em função das crianças, enfim, circunstâncias presentes que, somadas às dificuldades financeiras normais de uma família de
baixo poder aquisitivo, entravam e impedem a idosa de exercer a sua cidadania e galgar uma velhice de mais qualidade.
O exemplo, descrito acima, reflete um dos atuais problemas vivenciados pelos serviços de atenção básica em saúde, e que tem em relação á pessoa idosa seus principais entraves para um atendimento hierarquizado e integral. Assim, tem sido uma situação comum observada nos contextos dos serviços de saúde, deste estudo, e indica uma necessidade urgente de uma reestruturação desse atendimento, principalmente no que se refere às questões relacionadas à saúde do idoso.
Segundo Langdon (1995), a doença é um processo experiencial e as suas manifestações dependem dos fatores culturais, sociais e psicológicos que se operam junto aos processos psicobiológico, e a noção de saúde vem como um sistema ligado à cultura, e não como um fenômeno fragmentado. O citado autor também chama a atenção para a inter- relação entre a cultura, a sociedade e a natureza, como determinantes do estado de saúde de um grupo. Por sua vez, o sistema de saúde é concebido como um sistema cultural, de significados ancorados em arranjos particulares de instituições padrões de interações interpessoais.
Simmons e Wolff apud Freire (2004) discutem haver necessidade de se avaliar as doenças crônicas, relacionando-as às correlações existentes entre estas e os componentes socioculturais do passado e da situação do doente, considerando-as de tanta importância quanto os aspectos biológicos e, nesse sentido, ressaltam a medicina compreensiva, afirmando ser uma tendência atual na qual, “em vez de se orientar pela doença que o médico tenha que tratar ou, pelo doente que ele tenha que cuidar, se orienta pela pessoa social que contém o doente ou a doença, as quais ele irá trata”r (FREIRE, 2004, p.115).
Para Caldas (2004a), as famílias, principalmente as de baixa renda, necessitam de suporte das políticas públicas, objetivando a melhoria da sua qualidade de vida, pois esses idosos vivem em precárias condições. Desse modo, solicita das autoridades governamentais a implantação de estruturas de apoio para eles e suas famílias, através de parcerias da sociedade civil organizada e estâncias governamentais.
A atenção dos serviços de saúde deixou de ser apenas de cunho individual e passou a ser direcionada para a família, esta que tem um papel primordial no processo saúde doença e é importante que os serviços de saúde o considerem quando for desenvolver intervenções de saúde na população (SECLEN-PALACIN, 2004).
Segundo a Política Nacional de Saúde do Idoso (BRASIL, 1998), é importante que o idoso permaneça o máximo possível junto da sua família e na comunidade, de uma forma
mais digna e confortável possível. Dessa forma, o PSF (2001, p.185), no que se refere à pessoa idosa, recomenda observar as modificações físicas e fisiológicas próprias do envelhecimento e as mudanças físicas ocorridas naturalmente, além de informar à comunidade dos riscos que os idosos possam vir a sofrer. Segundo Silvestre e Costa Neto (2003) defender a presença do idoso no domicilio possibilitará uma atenção básica resolutiva, integral e humanizada.
A seguir relacionar-se algumas situações de familiares cuidadores, de acordo com as experiências vivenciadas, no dia-a-dia, com a pessoa idosa:
“Eu não os levo no posto porque eles não gostam. Ela não vai ao posto porque que ela não gosta. Não vai para nenhum canto, nem para o Sr. B. “(Libertina).
“O que mais precisa é de cuidados, saber das taxas. Florista não come, comendo farinha, Quando vejo que ela está doente, chamo para ir ao médico, mas ela não quer ir” (Bandeirinhas)
“Quando fica doente prefere ficar em casa, mas quando precisa vai ao posto” (Mestra)
“Quando ele tá doente, ele me procura e vou ao posto, tiro uma ficha e ele vai ao posto comigo ou vai só. Também aviso os familiares que moram longe” (Caterina)
“Às vezes Dra. E. vem aqui, a gente fala com o agente de saúde pedindo uma visita. Quando vai com ela no carro é atendida no posto, ou quando precisa vai ao pronto socorro” (Cravo).