Specification of the Purpose
2.4 Detection of spot-like structures
(...) Mas que, não admitindo submeter um caso de consciência às resoluções alheias, retirava-me da Aliança Republicana, que, fechando a questão das candidaturas presidenciais, não correspondia, a meu ver, aos sentimentos do eleitorado e da opinião pública da capital federal227.
No ano de 1921, a Aliança Republicana era a peça fundamental da política carioca. Caracterizada como uma agremiação influente e forte em arregimentar eleitores, a Aliança contava com a liderança de um dos principais figurões políticos da cidade no período, Paulo de Frontin.
Oriundo de uma família com poucos recursos, Frontin enriqueceu, tornou-se Engenheiro e ocupou, por duas vezes, o posto de Diretor da Central do Brasil. Foi após essa experiência que Paulo de Frontin decidiu ingressar na vida político-partidária da capital, chegando posteriormente a alcançar lugares de destaque na política do Distrito Federal228.
Sua trajetória política se iniciou no interior do PRDF. Em 1917, Frontin foi eleito, pela primeira vez, a uma cadeira vaga no Senado, sendo reeleito em 1918. No entanto, uma decisão mudou seu rumo dentro do Senado: a resposta positiva ao convite de Delfim Moreira para assumir a Prefeitura do Distrito Federal em 1919, na qual desempenhou um trabalho que o fez ser caracterizado como um prefeito de densidade
máxima229. Após esse período, Frontin passou pela Câmara dos Deputados e, em 1921, com um poder de influência incontestável, alcançou mais uma vez uma cadeira senatorial. Foi somente a Revolução, que levou Getúlio Vargas ao poder em 1930, que o distanciou da política, vindo a falecer em 1933.
A formação da Aliança Republicana ocorreu em contexto de intensas mudanças na vida política da cidade. A morte dos líderes Pinheiro Machado e Augusto de Vasconcelos, que eram poderosas influências na cidade e símbolos do PRDF, possibilitou o surgimento de uma nova chefia política na capital. Com isso, se iniciou
227 Parte do discurso do Senador Paulo de Frontin, proferido em 29/12/1921 e selecionado por Américo
Freire. Ver detalhes em FREIRE, Américo. Paulo de Frontin: Discursos parlamentares. P. 75.
228 IDEM; Ibdem. P. 15 e PINTO, Surama. C. S. Só para iniciados... P. 62.
229 Paulo de Frontin permaneceu na prefeitura por seis meses e três dias, no período de 23/01/1919 a
28/07/1919. Sua curta passagem pela prefeitura somada a inúmeras obras realizadas o diferenciou em relação aos determinados prefeitos. Ver REIS, Jose de Oliveira. O Rio de Janeiro e seus prefeitos. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1977. P. 71. Ver também as considerações da autora Marly Motta sobre a atuação de Frontin na prefeitura. Ver MOTTA, Maly. In: FREIRE, Américo (Org.).
uma luta pela hegemonia do partido, travada entre Irineu Machado e Tomas Delfino. De acordo com Freire, a vitória de Irineu Machado causou até uma cisão partidária, fazendo com que o senador Sá Freire, aliado de Delfino, renunciasse ao Senado e deixasse sua cadeira vaga230.
Nesse contexto, era necessária uma nova agremiação que fizesse frente ao antigo PRDF e foi, nesse sentido, que Paulo de Frontin se direcionou. Interessado em retornar ao Senado, o político investiu na Aliança Republicana e na primeira eleição do partido. Em 1918, Frontin é reeleito para o mandato senatorial e a agremiação consegue eleger uma quantidade expressiva de deputados na Câmara. A vitória de Frontin e da AR evidenciaram, a partir daquele momento, sua clara posição de liderança na cidade e a força política de seu partido. A partir desse momento, o poder de arregimentação política do senador na capital federal se fortifica ainda mais, sendo consolidado no período em que Frontin esteve à frente da Prefeitura do Distrito Federal.
Após renunciar ao mandato de Senador e adentrar na prefeitura da capital, Paulo de Frontin atuou também na Câmara dos Deputados. Mas, em 1921, o desejo de voltar ao Senado falou mais alto. Pleiteando contra Amaro Cavalcanti, ex-prefeito da capital, Frontin acabou sendo vitorioso. Além da maioria da Câmara ter sido preenchida por políticos aliancistas, a vaga aberta na Câmara Alta, em virtude da morte do Senador Otacílio Camará, foi ocupada por Sampaio Correia, outro candidato da Aliança Republicana, que saiu vitorioso neste pleito. Assim, estava definida a hegemonia da Aliança Republicana enquanto agremiação partidária e Paulo de Frontin como a principal chefia política da cidade.
Só para exemplificar, destacamos o seguinte episódio: em maio de 1921, foi realizada uma reunião da AR sob a Presidência de Frontin, para definir a mesa do Conselho Municipal que se constituiria no mês seguinte, em junho. Ficara definido que todos os Intendentes Aliancistas fechariam na escolha de Silva Brandão para a Presidência do Conselho; Eduardo Xavier para a Vice-Presidência; Cesário de Mello como 1º Secretário e Antônio Teixeira como 2º Secretário. De fato, no momento da escolha, Silva Brandão foi eleito presidente daquela Casa Legislativa e toda a chapa da Aliança Republicana saiu vitoriosa por 13 votos contra 10, demonstrando a força
daquela agremiação no Conselho Municipal231. Posteriormente, a indicação, feita pela AR, dos nomes para a Presidência das Comissões Permanentes do Legislativo também foi vitoriosa232.
Em relação à esfera nacional, nas eleições de 1919, a AR apoiou a candidatura de Rui Barbosa ao invés do situacionismo apresentado por Epitácio Pessoa. Com a vitória deste último, a AR acabou por perfilar na oposição durante o Governo de Epitácio, mantendo também uma postura independente em relação ao governo do presidente233. No entanto, as disputas em torno da sucessão presidencial de 1922 modificaram a posição do partido, além de acabar interferindo na própria estrutura da agremiação de Frontin. Isso porque foram os debates acerca das futuras eleições presidenciais que provocaram, em 1921, a maior cisão da história da Aliança Republicana. Logo, o declínio da agremiação carioca estava se iniciando, frente às situações anteriormente descritas.
Os períodos que antecediam o processo eleitoral eram sempre tensos. Naquele momento se formavam as alianças e as declarações de apoio aos candidatos ao pleito. Seguindo essa lógica, com as eleições presidenciais anunciadas para março de 1922, o ano de 1921, período em que as preparações se iniciaram, não foi diferente. No entanto, determinadas situações em torno deste pleito, somadas a outras mudanças sociais, tornaram este período um divisor de águas na política do Brasil. Aqui, nos deteremos aos aspectos políticos envolvidos na eleição de 1922, mais especificamente situados em sua preparação no ano anterior.
Naquele momento, Paulo de Frontin contava com uma liderança incontestável, enquanto que a Aliança Republicana, recém-fundida com o Partido Republicano do Distrito Federal de Salles Filho, era a principal agremiação do período na capital. Por isso, o apoio da AR era mais do que importante para aglutinar forças no Distrito Federal em torno do candidato escolhido. Assim, em meados de 1921, Paulo de Frontin reuniu seus correligionários e os informou de suas pretensões acerca do pleito de março. Com o nome do mineiro Artur Bernardes definido na reunião, o presidente do partido disse
231
Nota-se que a publicação do Correio da Manhã indica que a chapa da Aliança Republicana concorreu com os candidatos independentes, demonstrando que a única agremiação forte no Conselho era a de Paulo de Frontin. Ver Correio da Manhã, 29/05/1921. P. 3. e Correio da Manhã, 02/06/1921. P. 3.
232
Correio da Manhã, 04/06/1921. P. 3 e 15/06/1921. P. 5.
aos seus pares que os mineiros agora se inclinavam pela candidatura de J. J. Seabra para a Vice-Presidência e que acreditava que tal postura deveria ser seguida pelo partido234.
Poucos dias depois, a atitude de Frontin já surtira efeitos positivos, sendo defendida no interior do Legislativo local. O intendente França e Leite, “leader” da Aliança Republicana no Conselho Municipal, elaborou uma moção de apoio às candidaturas de Bernardes e Seabra, defendendo-os no início do ano Legislativo do Conselho, na sessão legislativa do dia 3 de junho. Na justificativa da moção, os adeptos da agremiação dentro do Conselho fizeram questão de apoiar a atitude do leader, que foi duramente contestado por outros intendentes. No momento da votação, Vieira de Moura, enfileirado na AR, abriu um requerimento para que a votação fosse nominal e ao ser aceito, constatou-se que por 12 votos contra 10 estava a moção aprovada235.
Quando o nome de Urbano dos Santos é definido pela política mineira como o vice-presidente na chapa de Bernardes em detrimento de J. J. Seabra, a crise política no Brasil se agravou236. Embora Paulo de Frontin tenha se declarado solidário aos resultados da Convenção de Bernardes, apoiando sua chapa237, muito se falou na imprensa a respeito de uma possível declaração contra a hegemonia mineira no pleito de março. Dizia-se também que seu apoio a Bernardes estaria condicionado ao controle da Estrada de Ferro Central por Sampaio Correia e a permanência de Carlos Sampaio na Prefeitura do Distrito Federal238. De acordo com a notícia:
Não seria crível que, em face dessa excelente perspectiva para ele e os seus amigos, o Sr. Frontin se dispusesse a manter, já não dizemos atitudes, mas os mais sérios e formais compromissos, que porventura contraísse com quem quer que fosse. Estar com a nação na resistência a um candidato amoral e absolutamente indigno da presidência da República, não é coisa para esperar do Sr. Frontin, uma vez garantido que com a vitória desse candidato, ele faria tudo quanto quisesse na Prefeitura e na Estrada de Ferro Central239.
A partir desse momento, a AR iniciou um período de muitas demissões do partido. Um mês depois de ter apoiado a chapa Bernardes-Santos, a Aliança
234 Nesta reunião somente Salles Filho e Metello Júnior foram contra a ideia de Frontin. O senador foi à
tribuna do Senado para explicar os motivos que levaram seu partido a apoiar Seabra, que segundo Frontin, foram os serviços especiais prestados por Seabra ao DF. Ver Correio da Manha, 31/05/1921. P. 2 e Correio da Manhã, 03/06/1921. P. 4.
235 Ver Correio da Manhã, 04/06/1921. P. 5.
236 No início de junho, três estados estavam descontentes com a retirada do nome de Seabra e abriram
dissidência contra a chapa situacionista, são eles: Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. O Estado do Rio de Janeiro seria agregado posteriormente. Ver Correio da Manhã, 07/06/1921.
237 Correio da Manhã, 09/06/1921. 238
IDEM, 01/07/1921. P. 2.
Republicana perdeu dois integrantes: Salles Filho e Metello Júnior. Com o título de
“Vai-se dissolvendo a Aliança Republicana”, o Correio publicou as cartas de demissão
dos dois políticos enviadas a Paulo de Frontin. Dentre os motivos alegados pelos deputados, encontra-se a acusação de ter inserido, sem autorização, seus nomes para apoiar a chapa de Bernardes na convenção de 8 de junho240.
Tal situação tem clara interferência no interior do Conselho Municipal. Dois dias depois da saída de Júnior e Salles da Aliança Republicana, dois intendentes municipais direcionaram cartas de demissão do partido ao Presidente Frontin. Enquanto Antônio José Teixeira se desligava da AR em solidariedade à Salles Filho, Alberto Beaumont decidia se desligar devido à sua postura constante de oposição ao prefeito, cujo governo era apoiado pela agremiação241. No início do mês seguinte era a vez de Brenno dos Santos declarar da tribuna do Conselho o motivo que o levou a sair do partido de Frontin: a questão das candidaturas presidenciais. Assim, compreende-se a afirmação do
Correio: “de maioria que fora, o seu partido se viu no Conselho reduzido a minoria” 242. Isso sem contar com o descrédito enfrentado pelo senador por apoiar a candidatura do
“Rolinha”,243
relatado no jornal244.
No início de outubro, a imprensa já divulgava a dissidência formada pelos estados de segunda grandeza e os nomes de seus candidatos ao pleito: Nilo Peçanha e J. J. Seabra. Segundo eles:
A reação contra o bernardismo não constitui um simples episódio político, desse que se renovam de quatro em quatro anos, a propósito da sucessão presidencial. Marca essa decisão um marco decisivo para o saneamento do regime, razão pela qual aumenta de significação a repulsa votada pela capital da República aos aventureiros da “convenção do mé” 245
.
Em meio a esse contexto, um episódio, em especial, contribuiu, significativamente, para o acirramento de tensões entre os grupos políticos e teve claro
240
IDEM, 10/07/1921. P. 3.
241 IDEM, 12/07/1921. P. 2. 242 IDEM, 03/08/1921. P. 2.
243 Como Bernardes era chamado pelo diário Correio da Manhã.
244 Por diversas vezes o Correio noticiou algumas tomadas de posição do Senador que poderia favorecê-lo
diante do eleitorado carioca e retomar sua força de outrora. A luta para amenizar a crise das habitações do DF e a oposição ao veto do prefeito em relação ao funcionalismo municipal carioca foram encarados pelo jornal como mera politicagem, já que Frontin traíra o povo carioca se solidarizando com a chapa de Bernardes na convenção passada. Ver Correio da Manhã, 03/09/1921. P. 2.
desdobramento no campo político carioca: o caso das “cartas falsas”. Em outubro de 1921, foram publicadas as cartas que seriam de autoria de Artur Bernardes, desrespeitando as forças armadas. Embora as cartas fossem forjadas por Oldemar Lacerda e Jacinto Guimarães, no momento em que foram publicadas surtiram diversos efeitos e agitou ainda mais a situação política brasileira. Na capital, o efeito se resumiu em uma recepção nada calorosa à Bernardes, que em plena Avenida Rio Branco recebeu uma vaia estrepitosa da multidão presente.246 Enquanto que o candidato oposicionista Nilo Peçanha era aclamado pelo povo carioca no início de novembro247.
Embora Frontin tivesse se manifestado a favor de Bernardes na convenção de junho, o que lhe rendeu uma dura oposição no Correio, sua postura parecia mudar no final de novembro. A Aliança Republicana passava por um processo de radicalização intenso, com demissões constantes em virtude da sucessão presidencial248. Nesse contexto, o jornal divulgou uma reunião nada harmoniosa ocorrida na residência do Sr. Álvaro de Carvalho, que fora abandonada por Paulo de Frontin pelo fato de não se sentir satisfeito com o que ouvira. Isso tudo porque:
Foi o caso que ele quisera ver aos circunstantes a conjuntura perigosa que atravessava o bernardismo. E confessou que, se continuasse a orientação seguida pelos conjurados de Belo Horizonte, seus satélites e seu candidato, não poderia responder pelos votos da Aliança Republicana. Quando muito, abriria a questão no seio desse partido249.
No momento em que falava Frontin foi aparteado com: - Mas o Brasil não é o Distrito Federal.
Replicou então o chefe da Aliança Republicana:
- Pois se o Brasil não é o Distrito Federal, fiquem-se por aí. E saiu em companhia do Sr. Sampaio Corrêa250.
A sucessão presidencial e o apoio de Frontin a Bernardes eram temas polêmicos. As questões foram debatidas no interior do Conselho Municipal, causando um reboliço
sem tamanho e acabou “tomando proporções escandalosas, com insultos entre os
246 Ver o verbete Artur Bernardes no Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro (DHBB), disponível
online no site da Fundação Getúlio Vargas. http://cpdoc.fgv.br/acervo/dhbb
247 Ver Correio da Manhã, 06/11/1921. P. 1
248 No início de novembro o deputado Salles Filho abriu dissidência e anunciou publicamente seu apoio à
Reação Republicana de Nilo Peçanha. Em dezembro, o Centro Republicano do Distrito Federal assina um manifesto pró-Nilo e Seabra. Ver Correio da Manhã, 12/11/1921 e IDEM, 02/12/1921. P. 2.
249 A notícia tinha um claro teor de desconfiança, o que era compreensível já que Frontin declarou seu
apoio à Bernardes desde o início. Ver Correio da Manhã, 23/11/1921. P. 2.
próprios intendentes”. Para ter uma ideia de como o prestígio do presidente da Aliança
Republicana estava em declínio no Conselho, basta mencionar a reação da maioria dos intendentes, quando França e Leite declarou que a AR era Paulo de Frontin. O intendente foi violentamente insultado por seus pares, que chegaram até a aconselhá-lo a renunciar ao mandato no Conselho251. Pode-se perceber que naquele momento havia uma relação quase que direta entre a esfera federal, a questão partidária e a municipalidade.
Posteriormente, declarando em seu discurso que estava ao lado do povo na questão das candidaturas presidenciais, o leader da Aliança Republicana, França e leite, abriu dissidência, mas não deixou de defender Frontin, declarando que o povo carioca
ainda seria defendido pelo Senador, “que só aceitou a candidatura de 8 de junho porque não pôde resistir aos politiqueiros que o assediaram”252
. Não suportando os insultos sofridos no interior do Conselho, França e Leite terminou por enviar uma carta a Paulo de Frontin, entregando-o o bastão de leader da AR.
A situação estava crítica. No momento em que ficou constatada a veracidade das cartas, que supostamente teriam sido escritas por Bernardes, Frontin e sua agremiação precisaram se posicionar, já que a atitude do Senador era de expectativa em relação às conclusões. Assim, no dia 29 dezembro de 1921, reunindo-se com os membros da Aliança Republicana no Derby Club, Paulo de Frontin decidiu colocar uma moção a votação, em que a AR declarava aberta a questão das candidaturas presidenciais. Por 15 votos contra 31, a moção não foi aceita e os candidatos da convenção de 8 de junho continuaram a ser defendidos pela maioria da agremiação. Diante de tal situação, o Senador carioca decidiu se retirar da Aliança Republicana e foi à tribuna do Senado explicar os motivos que o levaram a sair do partido que fundara253.
Os desdobramentos da saída de Frontin da Aliança Republicana logo surgiram. No momento da reunião com os Aliancistas, uma multidão aguardava ansiosamente o
resultado. Aos gritos de “vivas” à Reação Republicana e seus candidatos, o povo
recebeu a notícia da decisão do Senador carioca, que a pedido, chegou à sacada do
Derby e, emocionado com tamanha aceitação, exclamou: “nós somos o eleitorado
251 Ver detalhes em Correio da Manhã, 26/11/1921. P. 4. 252 IDEM, 29/11/1921. 3.
253
Ver o discurso do Senador Paulo de Frontin, proferido em 29/12/1921 e selecionado por Américo Freire. Ver detalhes em FREIRE, Américo. Paulo de Frontin: Discursos parlamentares. P. 75.
carioca!”254
. Novamente assistimos a um posicionamento direto dentro do Conselho Municipal em relação à atitude recente de Paulo de Frontin. Dessa vez, além do discurso de França e Leite, pronunciado na sessão diurna do Conselho, foram as palavras de Brenno dos Santos apoiando a atitude de Frontin e a favor da Reação Republicana, que foram insistentemente aplaudidas pelas galerias do Legislativo local. O intendente chega a pedir o apoio do Aliancista e Presidente do Conselho Silva Brandão para apoiar a causa aderida por Frontin255.
Além disso, dentre os desdobramentos que a crítica sucessão presidencial causou no interior do Conselho Municipal estão as discussões sobre o orçamento municipal para o ano de 1922. No último dia do ano, o Correio publicou uma notícia que evidenciou o clima de insatisfação por parte dos intendentes em relação ao orçamento votado às pressas. Segundo o jornal:
O Conselho encerrou suas sessões em meio a um clima de confusão e anarquia, como nunca se viu naquela confusa assembleia. A politicagem do bernardismo, uma coisa que começou a apodrecer, empestando o ambiente da nação, fez do Conselho um reduto e foi o que mais retardou, em discursos violentos e injúrias descabelas (...) a marcha das votações orçamentárias. Não houve tempo, nem calma para o exame dos impostos porque as bernardices dos intendentes partidários do difamador do Exército não permitiram esse trabalho. (...)
O bernardismo deixa assim da sua lúgubre e precária existência, mais um traço inconfundível, que é o de ter facilitado e influído decisivamente na aprovação “a la diable” pelo legislativo da cidade, de um orçamento que entrará para o ano em vigor como um flagelo a mais para o povo que o vai suportar256.
A saída de Paulo de Frontin da Aliança Republicana rearticula não só a questão partidária da cidade, mas também o seio da própria elite política carioca. Enquanto alguns intendentes o apoiaram, dizendo ser essa uma atitude em favor do povo carioca, outros contestaram o Senador carioca, fazendo com que a crise, vivenciada pela agremiação carioca desde a convenção de junho, se aprofundasse ainda mais e entrasse
254
Depois de aclamado pela multidão em frente ao Derby Club, ao sair com seu automóvel para sua residência, Frontin foi acompanhado por alguns minutos pela massa presente. Ver a descrição do ocorrido em Correio da Manhã, 29/12/1921. P. 3.