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Det noterte egenkapitalmarkedet 40

In document Kapital i omstillingens tid NOU (sider 40-47)

4.1 Det norske egenkapitalmarkedet

4.1.2 Det noterte egenkapitalmarkedet 40

Originalmente publicado no “Journal of Agriculture and Human Values” (Summer 1996) (vol. 13, nº3), Springer, pp 33-4222, o artigo “Coming in to the Foodshed” trouxe o conceito de bacia alimentar aos meios académicos e científicos, sendo considerado um documento de referência sobre o tema; está aliás parcialmente transcrito no “The Earthscan Reader in Sustainable Agriculture”, (Jules Pretty23, ed., Earthscan, London, 2005); na presente Tese utilizou-se o original de 1996.

Os três autores estavam (e continuam) ligados à Universidade de Wisconsin-Madison (UW-Madison), E.U.A. Jack Kloppenburg24 é especialista em “food ecology” e atual Professor de “Food, Culture and Society” na mesma Universidade; John Hendrickson25, atual membro do “Center for Integrated Agricultural Systems” da UW-Madison é fundador da “Madison Area Community Supported Agriculture Coalition” e na altura da publicação do artigo era aluno de Mestrado daquela Universidade; G.W. Stevenson26 era o Presidente da “Agriculture, Food, and Human Values Society” e Cientista Associadono Center for Integrated Agricultural Systems”.

Os autores defendem a tese que, no mundo desenvolvido, o ato alimentar coloca o seu ator num complexo sistema globalizado com conexões de larga distância. Usando o próprio exemplo da cidade de Madison, Wisconsin, referem que é fácil encontrar em qualquer supermercado da cidade tomates provenientes do

22 Original disponível em http://link.springer.com/content/pdf/10.1007%2FBF01538225, acedido a 1.1.2013

23 Jules Pretty OBE, actual Professor de “Environment & Society” e ex-Chefe de Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Essex (2004- 2008), autor de vasta bibliografia sobre agricultura e ambiente, nomeadamente “The Pesticide Detox” (2005), “Agri-culture: Reconnecting People, Land and Nature” (2002), “The Living Land” (1998), “Regenerating Agriculture” (1995), “The Hidden Harvest” (2002, em co-autoria), “Unwelcomed Harvest” (1991, em co-autoria). Mais informação disponível em http://www.essex.ac.uk/bs/staff/profile.aspx?ID=1242, acedido em 4.1.2013

24 Mais informação disponível em http://www.dces.wisc.edu/faculty/kloppenburg/index.php, acedido em 4.1.2013 25 Mais informação disponível em http://www.cias.wisc.edu/people/staff/john-hendrickson/, acedido a 4.1.2013 26 Mais informação disponível em http://www.cias.wisc.edu/people/staff/steve-stevenson/, acedido a 4.1.2013

México, uvas do Chile, alface da Califórnia, maçãs da Nova Zelândia, mas que não se pode contar em ter os mesmos produtos de origem local (Wisconsin), mesmo que se esteja na sua época normal de produção. Esta questão é identificada como um problema, dado que de acordo com dados citados de 1992 da revista especializada em alimentação fresca “The Packer”27, a comida nos E.U.A. viaja uma média de 1.300 milhas (mais de 2.000 quilómetros) e muda de mão cerca de 6 vezes antes de ser consumida, vindo de um “global

everywhere” mas de nenhum local que o consumidor conheça em particular.

Os autores defendem assim que esta distância, acrescida do desconhecimento sobre os locais e condições de produção, processamento e consumo desses produtos alimentares, não permite a avaliação da responsabilidade do consumidor interessado, nomeadamente nos eventuais impactes ambientais e sociais ao longo dessa longa “cadeia alimentar” global.

Assim, para contrapor este sistema global e desconhecido, os autores, baseados também noutra bibliografia sobre o tema, propõem um sistema local auto-suficiente, ou sistemas alimentares regionais englobando diversas pequenas a médias unidades de produção que pratiquem uma agricultura sustentável, fornecendo produtos de melhor qualidade e frescura a transformadores de pequena escala e consumidores, com quem aqueles produtores estão ligados comunitária e economicamente.

A paisagem é entendida como fazendo parte dessa comunidade e a atividade humana é moldada pelo conhecimento e experiência sobre os limites e caraterísticas naturais de cada lugar de produção.

Para os autores, o conceito de bacia alimentar torna-se particularmente útil para a análise do sistema alimentar global, a criação de alternativas e guia das ações para a operacionalização dessas alternativas. Ganha assim o conceito da “bacia alimentar” a sua dimensão tridimensional:

 Analítica (como já proposta por Hedden, 1929)  Propositória

 Atuante

Para os autores, à qualidade imagética e conceptual da bacia alimentar pode ser acrescida essa dimensão operativa, ou, nas suas palavras “the most attractive attribute of the idea of the foodshed is that it provides a

bridge from thinking to doing, from theory to action.”

A bacia alimentar é para eles então, “a place for organizing”, um veículo para ligar as identidades fragmentadas, restabelecer comunidades e tornar-se “nativo”, não só de um espaço mas também dos outros. Partindo da anterior definição de Getz (1991), da bacia alimentar como uma “área definida por uma estrutura de fornecimento” e que portanto é muito fácil cobrir todo o Mundo em qualquer ponto de abastecimento de uma grande cidade ocidental, os autores pretendem estabelecer uma distinção analítica e normativa entre o sistema alimentar global existente e a multiplicidade de bacias alimentares locais que, eles esperam, caracterize o futuro. Neste contexto, a expressão “bacia alimentar global” não faz qualquer sentido.

Na realidade norte-americana, os autores apontam já a existência de elementos de alternativa ou oposição a essas bacias alimentares globais, nomeadamente os conselhos de política alimentar (“food policy councils”), agricultura suportada pela comunidade (“community-supported agriculture” ou CSA), mercados de produtores (“farmers markets”), agricultores ecológicos (“sustainable farmers”) e consumidores responsáveis (“alternative

consumers”). Para os autores estes são os elementos e as propriedades da bacia alimentar conforme a

concebem.

Numa análise da situação à data da produção do artigo, mas que se pode considerar válida atualmente, os autores observam que o sistema alimentar global é, em simultâneo, descentralizado geograficamente e organizacionalmente centralizado. Ou seja, com cada vez menor número de atores decisivos, que tendem a impor a sua lógica de mercado a mais áreas de produção no globo inteiro. Este facto tem para os autores, profundas implicações económicas, sociais e territoriais, essencialmente negativas em termos da existência de comunidades e paisagens diversificadas e resilientes. Os custos energéticos associados às distâncias entre áreas de produção e de consumo e o distanciamento relacional entre os mesmos são ainda apontados como resultados negativos deste sistema.

Assim, com os pressupostos de que:

1. a sociedade (entende-se norte-americana, potencialmente extrapolável a outros países desenvolvidos) está embebida num sistema alimentar global estruturado à volta de uma economia de mercado que é alimentada pela proliferação de mercadorias e a destruição da escala local;

2. os agronegócios internacionais, no seu desejo de crescimento e consolidação, acarretam a simplificação e homogeneização dos produtos alimentares, das paisagens que os produzem e das comunidades locais envolvidas;

3. os factos anteriores implicam o acrescido distanciamento entre a população (maioritariamente citadina) e a “terra”, e como tal uma maior desresponsabilização com o que lhe acontece;

4. os autores, estabelecem o ponto desejável de alteração dos mesmos para um sistema alimentar mais localizado, onde a “bacia alimentar” não é um manifesto mas um vocabulário conceptual, não uma doutrina para ser seguida, mas um conjunto de princípios a serem explorados.

São os seguintes esses 5 princípios:  Economia moral

 A comunidade comensal

 Auto-proteção, secessão e sucessão  Proximidade (localidade e regionalidade)  Natureza como medida

i) Economia moral

Os autores citam Thompson28, para descrever a base da “economia moral” como uma troca justa em termos sociais ou morais, oposta às operações do mercado de livre concorrência. Consideram o maior objetivo da produção agrícola a geração de lucro ao invés da adequada alimentação humana. Defendem a centralidade da alimentação na vida humana, devendo a alimentação constituir-se como a matriz para a construção de relações não-mercantilistas entre pessoas, grupos sociais e instituições e a reconstituição das culturas familiares, comunitárias e cívicas. Apontam como exemplo positivo o desenvolvimento de esquemas de “CSA

– Community Supported Agriculture”, como parcerias de mútuo compromisso entre produtores e

consumidores, estabelecidas com base na amizade, nos afetos, na lealdade, justiça e reciprocidade, além dos fatores de custo (não do preço) e da qualidade dos produtos.

Figura 11 - três exemplos da iconografia sobre CSA, que refletem alguns dos pressupostos da “economia moral” e da importância da mesma na lógica da “bacia alimentar” de Kloppenburg at alli: qualidade, proximidade, identidade, soberania,

capacidade

ii) A comunidade comensal

O comensalismo é um conceito da ecologia para definir as relações entre organismos em que um se beneficia do outro sem lhe causar dano29. Baseado neste conceito, os autores imaginam as bacias alimentares como comunidades comensais que estabeleçam relações sustentáveis inter-pessoais e entre pessoas e o território. A construção destas comunidades implica o estabelecimento ou recuperação de vínculos sociais entre produtores e consumidores, para lá das relações atomistas do mercado, através de toda a cadeia de produção, troca, processamento e consumo alimentar. Defendem ainda que os fenómenos de “fome urbana” são na verdade questões agrícolas, em que os interessados devem participar nas decisões e não apenas serem recetores de políticas que não são desenhadas também para os mais desfavorecidos. Apontam o exemplo do “Hartford Food System”30, onde numa cidade norte-americana se desenvolvem políticas e atividades que visam a ligação direta entre produtores agrícolas e os consumidores de baixos recursos económicos.

28 Thompson, E.P. 1966. The Making of the English Working Class. New York, N.Y.: Vintage Books

Figura 12 - logo de “Hartford Food System”, organização não lucrativa, que desde 1978 se tem dedicado à melhoria do acesso a recursos alimentares das populações de bairros carenciados na cidade de Hartford, capital do Estado do Connecticut,

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