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Após evidenciarmos as nossas escolhas teórico-metodológicas que viabilizassem o nosso trabalho, ficou claro que nossa pesquisa se trataria de uma pesquisa de campo. Para que essa pesquisa de campo se firmasse, realizamos inicialmente uma pesquisa exploratória. Segundo Severino (2016), a pesquisa exploratória se faz necessária para buscar informações sobre o objeto a ser pesquisado. Ela auxilia na delimitação do campo de trabalho e mapeia as condições de manifestação desse objeto.

Inicialmente, entramos em contato com a direção da escola a fim de explicar os objetivos da pesquisa e solicitar autorização para a realização da mesma. Após a concessão da autorização, conversamos informalmente com a professora de educação física e com os professores de atividades que atuam na Educação Infantil. Identificamos a disposição e a disponibilidade dos mesmos para a participação na pesquisa. Todos os professores que aceitaram fazer parte do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), (apêndice A).

É necessário ressaltar que, diante das especificidades da escola, optamos por iniciar a pesquisa de campo no início do ano letivo. Tal opção se deve ao momento crucial de organização coletiva dos projetos escolares, que em sua maioria ocorrem durante a semana pedagógica. Esta organização pode se estender até o primeiro mês de aula, quando o corpo docente realiza uma avaliação diagnóstica com sua(s) turma(s) a fim de montar o planejamento anual. O período da efetivação de nossa intervenção precisava estar condicionado à proposta pedagógica da escola e aos projetos escolares selecionados pelo corpo docente. Além disso, queríamos uma ação pedagógica de pesquisa articulada e mais próxima da realidade escolar. Sendo assim, a realização do trabalho de campo ocorreu entre os meses de fevereiro a julho de 2019.

Após o contato com a direção da escola e com os professores, elaboramos um cronograma de execução das intervenções e de observação na escola. Para nossa intervenção desenvolvemos alguns encontros com os professores-colaboradores. Os encontros foram realizados nos dias das coordenações pedagógicas coletivas, tanto no turno matutino quanto no turno vespertino. Chamamos esses encontros de Grupo de Formação (GF). Convidamos todos os professores de atividades e a professora de educação física para participarem deste momento da pesquisa.

Realizamos um total de sete encontros com os professores. Esses momentos nos foram disponibilizados pela equipe de direção e articulados com a equipe de coordenação pedagógica da escola. Tivemos um limite de 1h30 para cada grupo de formação a fim de desenvolvermos nossas intervenções. Nossa proposta girava em torno dos estudos, da análise e de discussões sobre o contexto da Educação Infantil, do PECM e das ações pedagógicas integradas e interdisciplinares. Durante os encontros, elaboramos um ―projeto da escola‖ que atendesse aos pressupostos de ações pedagógicas integradas e interdisciplinares que envolvessem as atividades em sala conduzidas pela professora de atividades e também nas aulas do PECM.

Paralelamente ao GF realizamos a escolha de uma professora de atividades para acompanharmos, por meio de observações diretas, suas ações pedagógicas com a turma no dia da participação da mesma no PECM. Essa escolha foi feita com base na pesquisa exploratória, quando identificamos alguns pontos interessantes e que mostraremos mais à frente neste capítulo. Além dessa professora de atividades, observamos também, as ações pedagógicas da professora de educação física durante sua atuação no PECM.

Dessa forma, entramos em contato com as professoras (atividades e educação física) para o consentimento da observação direta das ações pedagógicas no dia da aula do PECM. Essa observação direta ocorreu no turno matutino, turno em que a turma da professora de atividades escolhida participaria do PECM. Realizamos a observação uma vez por semana, ao longo de cinco meses. Para que registrássemos as ações pedagógicas durante as aulas das duas professoras, por meio de fotografias e filmagens, os responsáveis das crianças dessa turma assinaram um termo de autorização para uso de imagem (apêndice B).

Quadro 1: Cronograma de aplicação da pesquisa de campo no ano de 2019

Mês Datas Atividade Realizada Fevereiro 18, 21, 26, 28 Observações Diretas

20 1º Grupo de Formação: Apresentação, aplicação do questionário diagnóstico, conversa com o grupo, estudo sobre o Currículo em Movimento da Educação Infantil e suas alterações.

27 2º Grupo de Formação: Devolutiva do questionário diagnóstico e estudo sobre o PECM.

Março 12 e 26 Observações Diretas

13 3º Grupo de Formação: Estudo sobre interdisciplinaridade, Escolha de temas geradores, dinâmica Brainstorming – início da construção coletiva do projeto na escola.

Abril 02, 04, 09, 11, 16, 18, 23, 25, 30

Observações Diretas – Primeiro mês de Aplicação do Projeto

03 4º Grupo de Formação: Revisão do Projeto – Finalização da sistematização, escolha dos livros literários para a realização do projeto.

Maio 02, 07, 09, 14, 16, 21, 23, 28, 30

Observações Diretas – Segundo mês de Aplicação do Projeto

08 5º Grupo de Formação: Avaliação do primeiro mês de aplicação do projeto, Leitura do artigo: ―Dificuldades para a implantação de práticas interdisciplinares em escolas estaduais, apontadas por professores da área de ciências da natureza‖ (DA SILVA AUGUSTO; DE ANDRADE CALDEIRA, 2016).

29 6º Grupo de Formação: Vídeo sobre interdisciplinaridade e avaliações do segundo mês de aplicação do projeto.

Junho 04, 06, 11, 13, 18, 25, 27

Observações Diretas– Terceiro mês de Aplicação do Projeto

Julho 03 7º Grupo de Formação: Aplicação do Questionário Final – Encerramento do Projeto e da pesquisa de campo. Fonte: elaborado pela pesquisadora (2019).

Figura 4: Linha do tempo de aplicação da pesquisa de campo no ano de 2019

Fonte: elaborado pela pesquisadora (2019).

2.1.1 Instrumentos técnicos

Se gund o Lankshear e Knobel (2008, p.149), na pesquisa pedagógica com uma abordagem qualitativa, ―os dados são sempre construídos pelos pesquisadores durante o processo de pesquisa‖. Pela característica desta metodologia, o professor-pesquisador acaba produzindo muitos dados. Dessa forma, a escolha dos instrumentos para produção desses dados é fundamental para o resultado da pesquisa. Essa escolha está articulada com os objetivos aqui estabelecidos numa tentativa de respondê-los. Dessa forma, após buscar na literatura científica, optamos por utilizar os três instrumentos destacados a seguir:

a) Grupo de Formação (GF): trata-se de um instrumento construído por nós para viabilizar o nosso objetivo de propor intervenções de planejamento, execução e avaliação de ações pedagógicas integradas e interdisciplinares entre os professores de atividades e de educação física, tanto no espaço de

sala de aula, quanto no espaço do PECM. Foi um espaço/tempo da nossa pesquisa que promoveu uma experiência pedagógica que levou adiante um trabalho de formação continuada. Ao mesmo tempo, tematizou diversos saberes. Foi determinante para a efetivação das ações integradas e interdisciplinares do PECM. Tratou-se de fato, numa experiência de construção coletiva do grupo. Foi um momento de oportunizar o estudo, a troca de experiências e a escuta das falas dos professores-colaboradores.

Portanto, um conjunto de informações extremamente valiosas no sentido de responder nossos anseios de investigação foi levantado em meio a este processo formativo. Como estratégia de sistematização – algo caro ao necessário rigor metodológico da pesquisa – organizamos o registro do GF por meio de outros instrumentos destacados a baixo:

1. Diários de campo; 2. Fotografias;

3. Relatos escritos dos professores-colaboradores;

4. Gravação de relatos orais dos professores-colaboradores. b) Observação Direta: foi o procedimento que permitiu acesso aos fenômenos que estávamos estudando. Aproximou-nos e nos integrou aos professores-colaboradores e a todo o contexto da pesquisa. Optamos pela observação direta porque não iríamos participar e intervir nas ações pedagógicas integradas e interdisciplinares realizadas durantes às aulas. Nosso objetivo com esse instrumento era investigar se essas ações estavam ou não acontecendo, de que forma e o porquê. Esse instrumento nos permitiu captar uma série de situações que não seriam obtidos por meio de perguntas. Os registros dos dados produzidos pela observação direta foram organizados por meio dos seguintes instrumentos:

1. Diários de campo; 2. Fotografias; 3. Filmagens.

c) Questionário: foi o instrumento que utilizamos com o objetivo de compreender o significado que os professores-colaboradores atribuíam acerca das ações pedagógicas integradas e interdisciplinares do PECM. Fizemos o levantamento dessas informações por escrito por meio de um conjunto de

questões objetivas, sendo algumas delas fechadas e outras questões abertas. Organizamos durante a pesquisa dois modelos desse instrumento:

1. Questionário diagnóstico (apêndice C e apêndice D); 2. Questionário final (apêndice O e apêndice P).

A construção formal desses instrumentos selecionados ocorreu a partir da nossa aproximação ao campo de pesquisa e da interlocução com os professores-colaboradores, bem como a partir de estudos teóricos na discussão do referencial. Como mencionado anteriormente, realizamos uma pesquisa exploratória de aproximação. Os resultados dessa pesquisa se destacarão nos capítulos sobre a caracterização do campo e dos professores- colaboradores.

Acreditamos que é importante destacar que a experiência pedagógica do GF foi sendo elaborada à medida que os encontros aconteciam. Tínhamos um ―esqueleto‖ do que pretendíamos, porém, de acordo com as respostas apresentadas dos professores-colaboradores e a demanda trazida por eles, montávamos a formatação do encontro seguinte.